Categoria: Brasil

  • Rio Guaíba se aproxima da cota de alerta em Porto Alegre

    Rio Guaíba se aproxima da cota de alerta em Porto Alegre

    O Rio Guaíba, em Porto Alegre (RS), apresenta elevação contínua e está sob monitoramento da Defesa Civil municipal por risco de inundação nos próximos dias. O Centro de Monitoramento e Alertas (Cemadec) informou que o rio entrou na cota de atenção na quarta-feira, 29 de julho, após alcançar 1,90 metro no ponto de observação do Cais Mauá C6.

    Nível atual e proximidade da cota de alerta

    Conforme os dados divulgados pela Defesa Civil e registrados pela Agência Brasil, o acúmulo de água no Guaíba seguiu aumentando e, na última atualização anterior ao fechamento desta matéria, o nível chegou a 2,54 metros. A cota de alerta para inundação está fixada em 2,60 metros; portanto, uma elevação acima desse patamar nas horas seguintes acionaria o status de alerta para a cidade.

    Áreas com maior potencial de impacto

    A Defesa Civil aponta que, caso a cota de alerta seja alcançada, algumas áreas de Porto Alegre podem sofrer impactos. Entre elas está o Bairro Arquipélago, formado pelas ilhas da Pintada, Grande dos Marinheiros, Flores e Pavão. Também podem ocorrer danos nas áreas ribeirinhas das regiões Sul e Extremo Sul da capital, conforme os pontos de monitoramento e a avaliação técnica do órgão.

    Avisos e vigência do alerta

    Após atualização dos modelos hidrológicos e confirmação da tendência de elevação do nível do Guaíba, a Defesa Civil elevou o aviso hidrológico para alerta nível laranja. A vigência desse aviso foi determinada das 15h de quinta-feira (30) até as 18h da próxima segunda-feira (3), conforme informado pela autoridade municipal e noticiado pela Agência Brasil.

    Outros rios em situação de inundação no estado

    Além do Guaíba, o monitoramento apontou que outros cursos d’água do Rio Grande do Sul já ultrapassaram suas cotas de inundação nos respectivos pontos de observação. Entre eles estão os rios Taquari, Caí, Gravataí e dos Sinos. A ocorrência desses eventos indica que há áreas com alagamentos em diferentes bacias do estado, segundo o comunicado da Defesa Civil regional repercutido pela Agência Brasil.

    As informações divulgadas ressaltam que a situação é dinâmica e depende das próximas horas de precipitação, do comportamento das descargas nas bacias e das atualizações dos modelos de previsão hidrológica. A Defesa Civil tem acompanhado os níveis e emitido avisos conforme as medições e projeções técnicas.

    Moradores das zonas ribeirinhas e usuários de áreas baixas devem observar comunicados oficiais e orientações das autoridades locais. Em caso de necessidade, a Defesa Civil costuma indicar medidas de autoproteção, deslocamento para áreas mais altas e atenção às orientações das equipes de emergência; essas recomendações são parte das rotinas adotadas em situações de alerta hidrológico.

    Os dados e avisos citados nesta matéria foram divulgados pelo Centro de Monitoramento e Alertas da Defesa Civil de Porto Alegre (Cemadec) e reportados pela Agência Brasil.

  • Governo regulamenta programa de monitoramento eletrônico para proteção de mulheres

    Governo regulamenta programa de monitoramento eletrônico para proteção de mulheres

    O governo federal regulamentou, por meio de decreto publicado no Diário Oficial da União em 31 de julho de 2026, o Programa Alerta Mulher Segura, que institui o monitoramento eletrônico de autores de violência doméstica como medida protetiva de urgência. A iniciativa regulamenta dispositivo da Lei Maria da Penha que autoriza o uso de tecnologias de rastreamento para reduzir riscos às mulheres vítimas de violência (Agência Brasil).

    Como funciona o sistema de proteção

    O programa prevê duas frentes principais: o monitoramento eletrônico do agressor e a disponibilização de unidade portátil de rastreamento para a vítima. O equipamento oferecido à mulher permitirá o recebimento de alertas automáticos quando houver descumprimento da distância mínima determinada pela Justiça, além de possibilitar o acionamento imediato das forças de segurança em situações de risco, segundo o decreto (Agência Brasil).

    Estrutura técnica prevista

    O modelo de referência do programa será formado por três tipos de unidade: Centrais de Monitoração Eletrônica, Núcleos Regionais de Monitoração Eletrônica e Polos de Monitoração Eletrônica. As centrais terão a responsabilidade pela coordenação técnica, pelo acompanhamento das pessoas monitoradas e pelo monitoramento geoespacial das medidas protetivas.

    Os núcleos regionais atuarão de forma descentralizada nas microrregiões, enquanto os polos serão utilizados para instalação, manutenção e retirada dos equipamentos. Esses polos poderão funcionar em delegacias ou em outras unidades que os governos estaduais definirem (Agência Brasil).

    Implementação, competências e voluntariedade

    A implementação do programa será articulada entre órgãos responsáveis pela monitoração eletrônica, forças de segurança pública, sistema de justiça e redes de enfrentamento à violência contra a mulher. A execução caberá aos estados e ao Distrito Federal, que poderão adotar modelos próprios de organização desde que garantam a proteção das vítimas e o acompanhamento adequado dos agressores monitorados (Agência Brasil).

    A adesão ao dispositivo de rastreamento pela vítima é voluntária e depende de consentimento expresso e informado. O decreto determina que o equipamento deve ser entregue de forma imediata, sempre que possível já no primeiro contato com a autoridade responsável pelo atendimento (Agência Brasil).

    Dados, análise e tratamento de alertas

    O monitoramento será feito por meio de um programa informatizado capaz de registrar, processar e consolidar informações sobre as medidas protetivas. O sistema também deverá permitir a produção de estatísticas desagregadas por raça, etnia, deficiência e outras situações de vulnerabilidade, com o objetivo de subsidiar o aperfeiçoamento das políticas públicas de enfrentamento à violência doméstica, conforme o texto do decreto (Agência Brasil).

    O decreto ressalta que eventuais alertas emitidos pelo sistema não serão automaticamente considerados como descumprimento da medida protetiva. Cada ocorrência deverá passar por análise técnica e contextualizada pelas equipes responsáveis, evitando o enquadramento automático de situações sem apuração (Agência Brasil).

    Financiamento e normas complementares

    As ações do programa serão financiadas com recursos do Ministério da Justiça e Segurança Pública, incluindo verbas do Fundo Nacional de Segurança Pública e do Fundo Penitenciário Nacional, além de recursos próprios dos estados e do Distrito Federal. O ministério poderá editar normas complementares para orientar a execução da iniciativa (Agência Brasil).

    O decreto formaliza uma alternativa tecnológica prevista na Lei Maria da Penha, ao mesmo tempo em que enfatiza a articulação entre entes federativos e a necessidade de análise técnica das ocorrências. As providências concretas sobre cronogramas, abrangência e modelos estaduais dependem da organização e da execução pelos governos locais, conforme a regulamentação publicada.

    Fonte: Agência Brasil.

  • Cidades, Transportes e Fazenda lideram liberação de R$ 5,7 bilhões no Orçamento de 2026

    Cidades, Transportes e Fazenda lideram liberação de R$ 5,7 bilhões no Orçamento de 2026

    O Ministério do Planejamento e Orçamento divulgou, na noite de 30 de julho, o decreto com a liberação de R$ 5,7 bilhões no Orçamento de 2026, conforme publicação em edição extraordinária do Diário Oficial da União. Segundo o documento, o desbloqueio foi liderado pelos ministérios das Cidades, dos Transportes e da Fazenda.

    Valores liberados e composição

    Do total de R$ 5,741 bilhões anunciados no último dia 24, R$ 3,332 bilhões correspondem a gastos discricionários (não obrigatórios) e R$ 1,204 bilhões a emendas parlamentares, de acordo com o Ministério do Planejamento. Dentro dos recursos discricionários, R$ 2,523 bilhões serão liberados para o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

    A publicação traz o detalhamento dos bloqueios por ministérios e órgãos, e reforça o procedimento previsto em lei: o decreto foi divulgado oito dias após o envio ao Congresso do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, que orienta a execução orçamentária.

    O que continua bloqueado

    Apesar das liberações, permanecem bloqueados R$ 3,675 bilhões em emendas parlamentares de bancada, recursos indicados por deputados e senadores para estados. Nesses casos, a execução estará sujeita à Lei Complementar 210/2024, aprovada para regulamentar as emendas parlamentares e ampliar a transparência desses recursos, segundo o documento do governo.

    A lei complementar estabelece que as emendas são bloqueadas ou desbloqueadas na mesma proporção aplicada às demais despesas discricionárias, para cumprimento das metas fiscais. Ainda assim, cabe ao Congresso indicar prioridades quando houver necessidade de bloqueio ou contingenciamento, definindo quais programações terão recursos preservados dentro dos limites estabelecidos pelo governo.

    Mecanismos de controle: faseamento de empenho e arcabouço fiscal

    Além do bloqueio, o governo utiliza o chamado faseamento de empenho, mecanismo que não corta recursos, mas limita temporariamente a velocidade com que órgãos podem assumir novos compromissos financeiros. O objetivo declarado é controlar o fluxo de caixa e evitar empenhos antes da confirmação da arrecadação, caso a receita fique abaixo do previsto.

    O documento do Ministério do Planejamento indica que a restrição de empenho está prevista em R$ 47,46 bilhões até setembro. Esse valor sujeito a controle cai para R$ 29,498 bilhões até novembro e chega a zero em dezembro. Somando o total bloqueado de R$ 17,937 bilhões, a restrição resulta em R$ 65,397 bilhões até setembro e R$ 47,436 bilhões até novembro.

    O arcabouço fiscal em vigor diferencia contingenciamento e bloqueio. O contingenciamento refere-se a retenções temporárias para cobrir eventual falta de receitas e cumprir a meta fiscal; para este ano, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) prevê resultado primário zero, com margem de tolerância de até R$ 31 bilhões. Já o bloqueio vincula-se ao limite de gastos do arcabouço. Segundo o governo, não houve contingenciamento neste ano porque há previsão de superávit primário de R$ 10,8 bilhões, excluídos precatórios e alguns gastos com saúde, educação e defesa.

    Prazos e próximos passos

    Os ministérios e demais órgãos federais têm prazo até 6 de agosto para detalhar os programas que receberão os recursos liberados. A última edição do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas havia reduzido o volume bloqueado no Orçamento de 2026 de R$ 23,679 bilhões para R$ 17,937 bilhões, antes da nova liberação.

    O decreto e os valores detalhados foram publicados pelo Ministério do Planejamento e Orçamento; as informações aqui apresentadas foram obtidas por meio da Agência Brasil.

  • Receita Federal libera nesta sexta o terceiro lote de restituições do IR 2026

    Receita Federal libera nesta sexta o terceiro lote de restituições do IR 2026

    A Receita Federal paga nesta sexta-feira (31) o terceiro lote de restituições do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2026. Ao todo, serão liberados R$ 4,61 bilhões em créditos para 2.743.200 contribuintes, conforme informou o órgão.

    Como consultar a restituição

    A consulta ao lote está disponível desde o dia 24 de julho na página da Receita Federal. O contribuinte deve acessar o menu ‘Meu Imposto de Renda’ e clicar em ‘Consultar a Restituição’. Também é possível verificar a situação pelo aplicativo da Receita Federal para tablets e smartphones.

    Critérios de prioridade e cobertura dos lotes

    As prioridades legais para recebimento das restituições seguem a ordem estabelecida pela Receita: idosos a partir de 80 anos, idosos entre 60 e 79 anos, pessoas com deficiência física ou mental ou doença grave e contribuintes cuja maior fonte de renda seja o magistério.

    Segundo o Fisco, os dois primeiros lotes do ano abrangeram apenas contribuintes com prioridade legal. Este terceiro lote inclui, além das prioridades, contribuintes sem prioridade que declararam em 2026 e receberão a restituição pela primeira vez neste pagamento.

    A Receita também informou que os lotes de maio e junho concentraram cerca de 80% das restituições previstas para 2026, tanto em valores quanto em número de contribuintes. A redução do número de lotes regulares, de cinco para quatro, está em vigor neste exercício, com pagamentos previstos para o fim de maio, junho, julho e agosto.

    Encerramento da fila regular e o lote de agosto

    De acordo com a Receita, o lote de julho encerra a fila de restituições relativas ao IRPF 2026. O lote previsto para agosto será destinado exclusivamente a restituições que estiverem retidas em malha fiscal ou a casos com inconsistências nos dados bancários informados na declaração, incluindo problemas relacionados à chave PIX.

    Problemas com chave PIX e restituições não creditadas

    O Fisco informou que cerca de 165 mil restituições não foram creditadas porque o contribuinte informou o CPF como chave PIX para recebimento, mas não possui conta bancária vinculada a essa chave. Nessas situações, o pagamento não é efetivado automaticamente.

    Para regularizar pendências relacionadas ao crédito da restituição, a Receita orienta os contribuintes a utilizar o Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC) para obter o extrato da declaração. Caso haja alguma pendência identificada no extrato, o contribuinte pode apresentar declaração retificadora e aguardar os próximos lotes.

    Depósito não realizado e resgate pelo Banco do Brasil

    Se a restituição não for depositada na conta informada na declaração — por exemplo, em razão de conta desativada — o valor ficará disponível para resgate no Banco do Brasil por até um ano. O contribuinte pode agendar o crédito em qualquer conta bancária em seu nome por meio do Portal do Banco do Brasil ou entrando em contato com a Central de Relacionamento do banco.

    • Telefones do Banco do Brasil informados pela Receita: 4004-0001 (capitais), 0800-729-0001 (demais localidades) e 0800-729-0088 (linha exclusiva para deficientes auditivos).

    Se o contribuinte não resgatar o valor dentro do prazo de um ano, deverá solicitar a restituição pelo Portal e-CAC. No sistema, é preciso acessar o menu ‘Declarações e Demonstrativos’, selecionar ‘Meu Imposto de Renda’ e clicar em ‘Solicitar restituição não resgatada na rede bancária’.

    Fonte e próxima etapa

    As informações sobre cronograma, prioridades, valores e procedimentos foram divulgadas pela Receita Federal e foram repercutidas pela Agência Brasil. O próximo passo para quem tem pendências é consultar o extrato no e-CAC e, se necessário, apresentar declaração retificadora ou utilizar os canais do Banco do Brasil para resgatar valores não creditados.

  • Caixa conclui pagamento do Bolsa Família de julho para NIS final 0; valor médio foi R$ 679,19

    Caixa conclui pagamento do Bolsa Família de julho para NIS final 0; valor médio foi R$ 679,19

    A Caixa Econômica Federal concluiu nesta sexta-feira (31) o pagamento da parcela de julho do Programa Bolsa Família. Receberam nesta data os beneficiários cujo Número de Inscrição Social (NIS) termina em 0. A informação foi divulgada pela Agência Brasil.

    Calendário e pagamentos unificados

    Segundo a fonte, em 20 de julho houve pagamento unificado em 175 municípios de seis estados, independentemente do dígito final do NIS. Essa medida valeria para localidades declaradas em situação de emergência ou em estado de calamidade pública. A lista completa dos municípios com pagamento unificado está disponível no material divulgado pela Caixa e pela Agência Brasil.

    Valores médios, mínimos e adicionais

    Em julho, o valor médio do crédito do Bolsa Família foi de R$ 679,19, conforme informado. O programa prevê um valor mínimo de R$ 600 para o benefício-base. Além desse montante, existem adicionais que se somam ao benefício principal para atender condições específicas das famílias.

    O Benefício Variável Familiar Nutriz corresponde ao pagamento de seis parcelas de R$ 50 a mães de bebês de até seis meses, com o objetivo de ajudar na alimentação infantil nos primeiros meses de vida. Há também um adicional de R$ 50 voltado a famílias com gestantes e com filhos entre 7 e 18 anos. Para famílias com crianças de até 6 anos é previsto um acréscimo de R$ 150.

    Modelo de pagamento e consulta pelo aplicativo

    No modelo tradicional do Bolsa Família, os pagamentos ocorrem nos últimos dez dias úteis de cada mês. Os beneficiários podem acompanhar as datas precisas, o valor do benefício e a composição das parcelas por meio do aplicativo Caixa Tem, que serve para consulta das contas poupança digitais vinculadas ao banco.

    Regra de proteção e mudanças recentes

    A chamada regra de proteção está em vigor desde junho de 2023 e busca evitar perdas abruptas de renda para famílias que começam a receber salários. Com essa regra, famílias que têm melhora na renda e cujos integrantes passem a receber até meio salário mínimo continuam a receber 50% do benefício a que teriam direito por um período determinado. A regra originalmente permitia a manutenção do benefício reduzido por até dois anos.

    Contudo, a durabilidade dessa proteção foi alterada: desde junho do ano passado (referência da fonte), o período de permanência na regra foi reduzido de dois para um ano. A Agência Brasil ressalta que famílias que tenham entrado na regra até maio de 2025 seguem recebendo metade do benefício por dois anos, conforme transição prevista pela norma citada pela reportagem.

    Seguro Defeso e legislação que restaurou o Programa Bolsa Família

    Outra alteração legislativa mencionada na fonte é a extinção do desconto do Seguro Defeso sobre beneficiários do Bolsa Família. Desde 2024, os pagamentos do Bolsa Família não sofrem mais esse desconto, em decorrência da Lei 14.601/2023, que restabeleceu o Programa Bolsa Família (PBF). O Seguro Defeso é um benefício pago a pescadores artesanais que interrompem a atividade durante o período da piracema, quando os peixes se reproduzem.

    Orientações finais

    Quem quiser confirmar o recebimento, o valor creditado ou composição das parcelas deve verificar as informações no aplicativo Caixa Tem ou nas comunicações oficiais da Caixa Econômica Federal. A Agência Brasil foi a fonte das informações sobre o calendário de pagamento e as regras citadas nesta matéria.

  • Bodansky revisita arquivo de 1973 e mostra mudanças na Amazônia em novo documentário

    Bodansky revisita arquivo de 1973 e mostra mudanças na Amazônia em novo documentário

    Imagens registradas há mais de cinco décadas pelo cineasta Jorge Bodansky retornaram ao presente como ponto de partida para seu novo documentário, Um Olhar Inquieto: O Cinema de Jorge Bodansky. As cenas foram obtidas em 1973 durante um voo sobre os arredores de Aripuanã (MT), quando Bodansky trabalhava como cinegrafista para uma televisão alemã.

    O sobrevoo e as imagens esquecidas

    Naquele sobrevoo, com uma câmera Super-8, Bodansky filmou por acaso um grupo de indígenas Paiter Suruí isolados, que nunca havia sido contatado, e os registrou tentando flechar o avião. Segundo o cineasta, as imagens não foram enviadas à emissora alemã e ficaram arquivadas até terem sido digitalizadas recentemente.

    O material do arquivo despertou uma pergunta central para Bodansky: quem eram aqueles indígenas captados por acaso? A busca por resposta acabou sendo a faísca para revisitar toda sua produção e sua experiência pessoal, o que resultou em um filme de caráter autobiográfico.

    Do arquivo ao documentário

    Ao reexaminar as filmagens antigas, Bodansky não só procurou identificar as pessoas e o lugar das cenas, como também refletiu sobre sua própria trajetória cinematográfica. O realizador define o projeto como um filme em que conta a história que viveu, mantendo um “olhar inquieto” de observação e aventura e uma preocupação com a dimensão social das imagens.

    Além de ser a base narrativa, o arquivo funciona como ponte entre a década de 1970 e o presente, permitindo que o cineasta confronte o que filmou com as transformações ocorridas desde então.

    Mudanças na região: do projeto Humboldt ao agronegócio

    O sobrevoo de 1973 foi feito para registrar a Cidade Laboratório de Humboldt, um projeto científico e tecnológico idealizado pela ditadura militar brasileira para ocupar a Amazônia, que foi desativado em 1978. Ao retornar ao local décadas depois, Bodansky encontrou o projeto em ruínas e uma paisagem profundamente alterada.

    O cineasta relata que, onde havia floresta até o horizonte nas imagens originais, hoje a paisagem é predominantemente de soja. Ele também registra o destino de muitos indígenas Paiter Suruí que, ao serem contatados, morreram por doenças ou foram vítimas de violências.

    Continuidade das formas de ocupação e avaliação do cineasta

    Bodansky diz que a lógica de ocupação da Amazônia iniciada na ditadura se manteve ao longo do tempo. Em suas observações, a forma de ver e ocupar a região — como se ela não tivesse população e devesse ser transformada em área produtiva — permanece independente das gestões governamentais.

    Para o cineasta, a principal saída passa pela organização e mobilização da sociedade civil. Ele observa que comunidades quilombolas, ribeirinhas e indígenas têm hoje mais representação e organização e sabem o que pretendem, o que é um elemento central para a defesa de seus territórios.

    Exibição e reconhecimento

    Um Olhar Inquieto foi exibido na mostra competitiva ambiental do Bonito Cinesur, festival realizado em Bonito (MT). O festival ocorre até o próximo sábado, 1º de agosto, conforme informou a reportagem da Agência Brasil.

    As informações sobre as imagens de 1973, a motivação do filme e as observações sobre a transformação do território foram relatadas pelo próprio cineasta ao revisitar o arquivo e os locais das filmagens. Fonte: Agência Brasil. A repórter viajou a convite do Bonito Cinesur.

  • Especialistas: rede elétrica mais resiliente exige investimentos das concessionárias após vendaval no Rio

    Especialistas: rede elétrica mais resiliente exige investimentos das concessionárias após vendaval no Rio

    O vendaval que atingiu São Paulo e o Rio de Janeiro na quarta-feira (29) voltou a colocar em debate a resistência da infraestrutura elétrica urbana. Especialistas consultados pela Agência Brasil dizem que há medidas técnicas capazes de reduzir a ocorrência de cortes de energia, mas também alertam para o alto custo dessas intervenções e para limitações não previstas em todos os cenários.

    Medidas técnicas e seus custos

    Para o professor Edson Watanabe, do Programa de Engenharia Elétrica da Coppe/UFRJ, duas ações se destacam: a instalação de cabos subterrâneos e a poda de árvores nos períodos adequados. Ele observa que muitas redes continuam aéreas, apoiadas em postes, o que as expõe a quedas de árvores e a ventos fortes.

    Watanabe estimou que o custo de linhas com cabos enterrados é de sete a dez vezes o de uma linha aérea, embora reconheça a melhoria na qualidade do serviço. Segundo ele, tanto a implantação quanto a manutenção de infraestrutura subterrânea demandam investimentos mais elevados, que, na avaliação do professor, devem ser responsabilidade das concessionárias de energia.

    Limitações e alternativas: análise de riscos e planejamento

    Leandro Torres, especialista em desastres e professor da Escola Politécnica da UFRJ, disse à Agência Brasil que a substituição integral da rede aérea por subterrânea não é, por si só, a solução obrigatória para evitar apagões. Ele aponta que a decisão envolve fatores urbanísticos, estéticos e econômicos e que a estrutura enterrada pode apresentar problemas em situações de inundação e vulnerabilidade a furtos.

    Torres defende que as instituições devem construir planos de contingência que identifiquem ameaças — como vendavais, inundações ou ataques cibernéticos — e avaliem as causas potenciais desses eventos. A sequência recomendada inclui identificar pontos fracos operacionais, priorizar riscos que exigem atenção imediata e estabelecer medidas para mitigar ou reduzir a probabilidade de falhas.

    O especialista também orienta que concessionárias analisem hipóteses extremas (por exemplo, cheias com lâmina de um a dois metros ou tornados) e criem roteiros de ação, com recursos e equipes treinadas, além de planos de comunicação interna e externa voltados à preservação dos serviços e à informação dos clientes.

    Impacto sobre moradores e resposta das concessionárias

    Relatos de moradores do Rio de Janeiro presentes na cobertura da Agência Brasil ilustram efeitos concretos dos cortes. Em Vila Isabel, a empresária Ana Paula Brito afirmou que ficou sem energia desde a tarde de quarta-feira e se preocupou com alimentos que descongelaram. Em Santa Teresa, o designer Rico Vilarouca relatou perdas recorrentes de energia e internet residencial durante chuvas e ventos fortes.

    Watanabe, que mora no Grajaú, na Zona Norte do Rio, estava sem energia até a tarde de quinta-feira (30) e ressaltou a diferença entre áreas com rede subterrânea — que sofreram menos — e aquelas servidas por linhas aéreas. Ainda conforme a reportagem, Light e Enel informaram ter mobilizado equipes para restabelecer o fornecimento, mas milhares de imóveis permaneciam sem luz no dia seguinte ao vendaval.

    O que esperar à frente

    Além das medidas de infraestrutura e dos planos de emergência, o debate inclui uma previsão de clima atípico: Torres alertou para a possibilidade de um El Niño especialmente intenso no período, o que, segundo ele, aumenta a necessidade de que concessionárias projetem e financiem respostas a eventos climáticos mais frequentes ou severos.

    As soluções que envolvem mudanças físicas na infraestrutura implicam decisões políticas e econômicas sobre quem arca com os custos, além de análises técnicas sobre a melhor combinação de medidas para cada contexto urbano. A reportagem da Agência Brasil traz o testemunho de especialistas e moradores e registra a mobilização das concessionárias no esforço de normalização do serviço.

  • Escreviventes reúne Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz em diálogo sobre memória e literatura

    Escreviventes reúne Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz em diálogo sobre memória e literatura

    Escreviventes, publicado pela Pallas Editora, reúne a conversa de duas escritoras reconhecidas no cenário literário brasileiro: Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz. Segundo reportagem da Agência Brasil, o lançamento aconteceu durante a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), onde ambas participaram de eventos com grande público.

    Gravação e contexto

    O diálogo que originou o livro foi registrado em dois dias na Kaza 123, quilombo urbano localizado em Vila Isabel, zona norte do Rio de Janeiro. A escolha do local e o formato de gravação trouxeram à tona experiências pessoais que atravessam a escrita, mostrando como vivências e memórias alimentam a produção literária de ambas.

    Temas centrais do diálogo

    Durante a conversa, as autoras trataram de temas recorrentes em suas obras: literatura, memória, racismo, maternidade, envelhecimento e amizade. A discussão procurou vincular vivência e criação, ressaltando a importância do registro como forma de resistência e afirmação de direitos culturais. Em evento na Casa Estante Virtual, Conceição Evaristo afirmou: “Nós estamos exercendo o direito à memória”, segundo a Agência Brasil.

    O conceito de “escrevivência”

    Conceição explicou que sua noção de escrevivência não se reduz a um depoimento autobiográfico; abrange também a criação ficcional. Ao citar referenciais como o autor angolano Pepetela, ela destacou que “só escreve ficção quem conhece a realidade”, apontando que o conhecimento do mundo possibilita a elaboração de narrativas, inclusive a ficcionalização de memórias que não foram vividas diretamente.

    Relações com outros textos e personagens

    Na conversa, houve menção ao romance Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves, cuja protagonista, Kehinde, representa uma mulher africana em busca de um filho perdido no Brasil. Conceição relacionou a obra a práticas de criação de memória, observando que personagens como Kehinde se inspiram em figuras históricas — o texto citado aponta mulheres reais, como a ativista Luiza Mahin — e que a ficção pode ser um modo de compor ausências e trajetórias.

    Livro, coleção e documentário

    Escreviventes inaugura a coleção Memórias Brasileiras e antecede um documentário homônimo dirigido por Estevão Ribeiro. A produção audiovisual tem previsão de estreia em festivais no ano de 2027, conforme a reportagem da Agência Brasil. O lançamento impõe-se como registro da trajetória das autoras e como contribuição ao entendimento da literatura brasileira contemporânea.

    Registros, representatividade e desafios no audiovisual

    Eliana Alves Cruz ressaltou a necessidade de registros biográficos e documentais sobre autoras e intelectuais negras, citando a carência de material sobre nomes como Lélia Gonzalez. Ela avaliou que toda oportunidade de registrar trajetórias deve ser aproveitada, descrevendo o projeto como realizado “na garra”.

    Ao mesmo tempo, Eliana apontou dificuldades específicas na adaptação de projetos sobre história e memória negra para o formato audiovisual. A escritora manifestou um protesto diante do que definiu como um cenário complicado nesse setor e destacou que a democratização do acesso à literatura no Brasil é processo recente, impulsionado por tecnologias como os e-books, enquanto o audiovisual permanece menos acessível para essas narrativas.

    Além de reunir vozes e experiências, Escreviventes surge como tentativa de consolidar registros autorais e coletivos que ampliem o entendimento da contribuição de mulheres e de escritoras negras à literatura nacional — um ponto enfatizado por Conceição ao afirmar que a história literária do país tem dívidas com essas autoras.

    O lançamento, marcado também pelos aniversários simbólicos das escritoras em 2026 — Conceição completando 80 anos e Eliana 60 —, reforça a dimensão simbólica da obra como documento e celebração de trajetórias.

  • Diracom lança observatório para registrar e analisar casos de censura a jornalistas

    Diracom lança observatório para registrar e analisar casos de censura a jornalistas

    O coletivo Direito à Comunicação e Democracia (Diracom) lançou, em transmissão pela internet, o Observatório De Olho na Censura, uma plataforma voltada ao monitoramento, registro e análise de casos que afetam a liberdade de expressão, o direito à comunicação e o acesso à informação, informou a Agência Brasil.

    Objetivo e funcionamento da nova plataforma

    Segundo a jornalista Ramênia Vieira, integrante do Diracom, a plataforma permite que qualquer pessoa que tenha vivido ou acompanhado um possível caso de censura registre sua denúncia. As informações recebidas serão analisadas e sistematizadas para compor relatórios, estudos e subsidiar ações de incidência em defesa do direito à comunicação, explicou a dirigente durante a apresentação.

    Formas modernas de censura apontadas pelos comunicadores

    Durante a transmissão, comunicadores e representantes de entidades do jornalismo destacaram que as práticas de censura evoluíram. Ramênia Vieira afirmou que a censura hoje pode ser praticada por agentes públicos, empresas privadas, plataformas digitais, grupos organizados ou instituições que têm poder para restringir a circulação da informação e limitar o debate público. Em sua definição, censura inclui práticas que produzem silenciamento e limitam indevidamente a circulação de informações, ideias e vozes.

    O jornalista Leonardo Sakamoto acrescentou que produtores de conteúdo independentes são especialmente vulneráveis, sobretudo quando investigam ou jornalizam pautas que conflitam com interesses econômicos locais. Ele destacou que, no interior do país, poderes político e econômico muitas vezes se sobrepõem, o que pode emparedar jornalistas.

    Assédio judicial, plataformas e implicações práticas

    A presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira Castro, afirmou que o observatório pode ser ferramenta para proteger não só a categoria profissional, mas também o direito humano ao acesso à informação. Ela citou relatórios da Federação que apontam o assédio judicial como principal forma de violação ao exercício do jornalismo no Brasil, depois de agressões físicas. Segundo Castro, ações judiciais têm efeito intimidatório e podem inviabilizar investigações jornalísticas.

    Também foram mencionadas atitudes de empresas de tecnologia. O diretor do Sleeping Giants, Humberto Vieira, relatou que as chamadas big techs têm intensificado formas de censura que afetam grupos minorizados. Como exemplo, citou um episódio no qual a Meta removeu mais de 100 perfis vinculados à comunidade LGBTQIAPN+ durante o mês de junho, quando se celebrou o orgulho e houve discussão sobre a distribuição gratuita do medicamento Lenacapavir. O fato passou a ser investigado pelo Ministério Público Federal e, segundo a Agência Brasil, as contas foram posteriormente restauradas. A Meta declarou que pode remover conteúdo ou desabilitar contas quando avalia risco de agressão física ou ameaça direta à segurança pública.

    Pesquisa regional e ameaças a mulheres

    Na transmissão, a antropóloga Fernanda Martins, diretora de estratégia da Fundação Multitudes, apontou que a América do Sul registra padrões de ataque específicos a mulheres, citando exemplo da Argentina, onde mais de 40% dos ataques direcionados a mulheres focavam seu corpo, aparência ou estereótipos de gênero. Martins defendeu que o momento exige fortalecimento de direitos diante dessas ameaças.

    Os organizadores do Observatório De Olho na Censura afirmaram que, quanto mais contribuições receberem de pessoas e organizações, maior será a capacidade de compreender o fenômeno e fortalecer a proteção da liberdade de expressão e a pluralidade de vozes no Brasil, conforme relatado pela Agência Brasil.

    O lançamento contou com vozes de jornalistas, representantes de entidades e pesquisadoras. As denúncias registradas na plataforma devem servir como base para monitoramento contínuo e produção de materiais que subsidiam estratégias de defesa do direito à comunicação.

  • Campanha ‘Meu Pai Tem Nome’ oferece testes de DNA e orientação jurídica na estação Carioca do MetrôRio

    Campanha ‘Meu Pai Tem Nome’ oferece testes de DNA e orientação jurídica na estação Carioca do MetrôRio

    A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ) promove nesta sexta-feira, 31 de julho, a campanha “Meu Pai Tem Nome” na estação Carioca do MetrôRio. A ação oferece exames de DNA e orientação jurídica sem custo à população, com atendimentos realizados das 9h às 15h, no mezanino do Acesso B (Avenida Chile), por ordem de chegada.

    Como funciona a ação

    As coletas para o exame de DNA serão feitas no local e todos os envolvidos precisam estar presentes no momento da coleta do material genético. Segundo a DPRJ, o procedimento é rápido, simples e praticamente indolor, e o público não precisa fazer inscrição prévia para participar.

    Documentos necessários

    Para ser atendido, a pessoa deve se apresentar com documentação básica. A lista exigida pela Defensoria inclui:

    • Documento de identidade;
    • CPF;
    • Comprovante de residência atualizado;
    • Certidão de nascimento do(a) filho(a) ou, se ainda não houver registro, a Declaração de Nascido Vivo (DNV);
    • Quando for o caso, certidão de óbito do suposto pai ou da suposta mãe.

    Reconhecimento voluntário e direitos assegurados

    Além da coleta para identificação biológica, a campanha oferece atendimento para quem deseja efetuar reconhecimento voluntário de paternidade ou maternidade, seja por vínculo biológico ou socioafetivo. A iniciativa busca garantir o acesso a direitos associados ao registro de filiação, como pensão alimentícia, herança e benefícios previdenciários, bem como facilitar o acesso ao histórico de saúde familiar e contribuir para o fortalecimento de vínculos familiares.

    Parceria e abrangência

    O movimento faz parte de uma campanha promovida nacionalmente pelo Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (Condege) e está sendo realizado em diferentes pontos do estado do Rio de Janeiro ao longo das próximas semanas. A Defensoria Pública informou que as próximas etapas serão divulgadas pela instituição.

    Entrega dos resultados

    Os resultados dos exames desta edição serão entregues no chamado Dia D da campanha, marcado para 15 de agosto, no Estádio de São Januário. A organização orienta que os participantes acompanhem as informações fornecidas pela equipe da DPRJ no local para saber como e quando retirar os laudos.

    Contexto estatístico

    A campanha busca enfrentar um problema persistente no país: o registro de nascimentos sem o nome do pai. Em 2025, 173.112 crianças foram registradas sem essa informação, o que corresponde a 6,9% dos nascimentos no Brasil, segundo dados do Portal da Transparência do Registro Civil. No Estado do Rio de Janeiro, o número de registros sem o nome do pai foi de 12.883 em 2025, o equivalente a 7,77% dos nascimentos — percentual superior à média nacional.

    A DPRJ destaca que a ação visa facilitar o acesso de famílias a serviços que, muitas vezes, são inacessíveis por barreiras econômicas ou pelo receio em relação ao exame de DNA. A Defensora Pública Larissa Davidovich ressaltou a importância de desmistificar o procedimento e garantir atendimento próximo aos cidadãos.

    Quem for ao local no dia 31 deve procurar a equipe da DPRJ no mezanino do Acesso B (Avenida Chile) da estação Carioca e realizar o cadastro no local. Não será necessário realizar inscrição prévia.

    Fonte: Agência Brasil.