Categoria: Brasil

  • Vigilância e vacinação são essenciais para conter propagação do sarampo em São Paulo, diz especialista

    Vigilância e vacinação são essenciais para conter propagação do sarampo em São Paulo, diz especialista

    A concentração de casos de sarampo na região de São Paulo evidencia a possibilidade de novos surtos enquanto a cobertura vacinal permanecer abaixo dos 95% considerados necessários para interromper a circulação do vírus. A constatação foi feita pelo infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações e presidente da Câmara Técnica para a Eliminação do Sarampo do Ministério da Saúde, em entrevista à Agência Brasil.

    Cobertura vacinal e dinâmica de transmissão

    Segundo Kfouri, a capital paulista tem índice vacinal em torno de 75%, bem inferior ao patamar de 95% que garante proteção coletiva. Ele explicou à Agência Brasil que uma pessoa completamente imunizada não transmite o sarampo, enquanto indivíduos sem o ciclo vacinal completo permanecem vulneráveis e podem contribuir para a propagação.

    O especialista detalhou o ciclo de incubação e transmissão: cerca de 20 dias no total — aproximadamente 10 dias de incubação até o aparecimento dos primeiros sintomas, com transmissão possível a partir de dois dias antes da febre e por até 12 dias após o início da febre.

    Casos registrados e padrões locais

    Na temporada reportada pela Prefeitura e pela Agência Brasil, 23 dos 24 casos confirmados concentraram-se na Grande São Paulo. Entre os focos investigados houve importações e uma cadeia de transmissão significativa, com novos casos surgindo dentro de grupos ou comunidades específicas.

    Na zona norte da capital, a transmissão levou a sete casos na Vila Medeiros e dois na Vila Maria, com o principal cenário de disseminação apontado como uma escola de educação infantil. Ao menos um dos dois casos confirmados em Guarulhos também foi relacionado a esse grupo.

    Crianças com menos de um ano, que ainda não recebem a vacinação contra o sarampo, correspondem à maior parte dos infectados e dos hospitalizados, segundo levantamento citado pelo especialista.

    Importações e lições de surtos anteriores

    Há possibilidade de ligação entre os casos locais e episódios importados identificados pela prefeitura da capital: um caso com origem na Bolívia, em fevereiro, e outro na Guatemala, em março, conforme confirmação da administração municipal. Kfouri ressaltou que, por ser um polo com fluxo diário de pessoas de diversas partes do mundo, São Paulo é naturalmente suscetível à entrada de casos.

    O especialista também relacionou a situação atual à dinâmica observada no ano anterior, quando o país registrou 39 casos notificados — a maioria vinculada a importações da Bolívia, que teriam chegado, em parte, por meio de caminhoneiros. Os estados mais atingidos naquele período foram Mato Grosso do Sul e Tocantins.

    Medidas de prevenção: vigilância, isolamento e reforço vacinal

    Kfouri apontou dois pilares para manter o país livre do sarampo: vacinação e vigilância. Na ponta da vigilância, destacou a necessidade de atenção para reconhecer sintomas, isolar casos e vacinar os contatos. Ele enfatizou ainda a importância de manter índices vacinais não apenas altos, mas homogêneos, porque bolsões com cobertura baixa tornam-se pontos vulneráveis para surtos.

    Sobre a estratégia de dose de reforço, o infectologista afirmou que ela alcança pessoas que não completaram o esquema vacinal e também aquelas em que a imunização não foi efetiva. Para o sarampo, a margem de falha da vacina é estimada em cerca de 5%, e essa parcela se aproxima de zero com a administração de uma terceira dose. Identificar individualmente quem não foi protegido é inviável na prática, mas a oferta de reforço é uma solução de custo relativamente baixo, segundo Kfouri.

    Capacidade de resposta do sistema de saúde

    Segundo o especialista, as equipes de saúde estão treinadas para reconhecer os sinais do sarampo, os testes diagnósticos estão disponíveis na rede e as ações de vigilância vêm ocorrendo em tempo adequado, conforme relatado à Agência Brasil. Mesmo assim, ele advertiu que, enquanto a cobertura vacinal não for restabelecida em níveis seguros e homogêneos, a entrada de novos casos continuará sendo esperada em uma cidade com intenso fluxo internacional como São Paulo.

    Fonte: Agência Brasil.

  • GDF cancela 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

    GDF cancela 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

    O Governo do Distrito Federal comunicou, em 10 de agosto de 2026, o cancelamento da 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O festival estava programado para ocorrer entre 11 e 19 de setembro, no Cine Brasília, e vinha com um número recorde de inscrições: 1.928 filmes candidataram-se a participar da mostra.

    Cancelamento e situação da programação

    Segundo os organizadores, a seleção das obras já havia sido realizada e mais de 80 filmes estavam confirmados para a programação. Uma coletiva de imprensa para divulgação da programação completa estava marcada para 18 de agosto, data que ficou sem efeitos após a decisão do GDF.

    O diretor artístico do festival, Eduardo Valente, publicou nas redes sociais seu pesar pelo cancelamento, afirmando que a seleção já estava pronta e que profissionais do audiovisual estavam “empolgados e com planos para suas estreias”. Valente também convocou a união de associações, do setor e do público do Distrito Federal para buscar uma solução.

    Repercussão entre produtores, cineastas e entidades

    A confirmação do cancelamento gerou reação imediata na classe artística. Os organizadores planejaram publicar, em 11 de agosto, uma nota de repúdio à decisão do GDF e solicitar a reversão do ato, de acordo com a Agência Brasil.

    Tiago de Aragão, diretor regional da Associação das Produtoras Independentes do Audiovisual Brasileiro (API) no Centro-Oeste, lamentou o impacto sobre profissionais e produtoras que já vinham trabalhando e, segundo ele, sem receber. Aragão vinculou o cancelamento à crise política e financeira instalada no GDF após o escândalo envolvendo títulos de bancos mencionado por sua declaração à imprensa.

    Para Tatiana Costa, presidente da Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (Apan), o ato tem dimensão simbólica e política: ela ressaltou que, além do efeito imediato sobre o mercado de trabalho, existe o risco de contágio a outros festivais do país. Costa também lembrou que, historicamente, somente durante a ditadura militar o Festival de Brasília deixou de ser realizado.

    Cineastas locais também manifestaram preocupação. Carina Bini, autora que levou seu filme Mil Luas à edição anterior, ressaltou o papel do festival na movimentação de uma cadeia produtiva, na geração de empregos e de recursos para o Distrito Federal, além de sua importância cultural e histórica.

    Contexto histórico e características do festival

    Fundado em 1965, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro é o mais longevo do país e chegaria em 2026 à 59ª edição. Desde 2007, consta como patrimônio imaterial do Distrito Federal. Ao longo de sua trajetória, a mostra deixou de ser realizada apenas em dois anos durante a ditadura militar, conforme registro histórico do próprio festival citado na cobertura da Agência Brasil.

    Uma característica marcante do evento é a exigência de que as obras inscritas sejam inéditas; os vencedores recebem o Troféu Candango, em homenagem aos pioneiros que construíram a capital. Em 2026, a organização havia recebido o maior número de inscrições de sua história, com 1.928 filmes concorrendo a vagas na programação.

    Posição do governo e próximos passos

    A Agência Brasil procurou a Secretaria de Cultura do Distrito Federal para comentar a decisão de cancelamento, mas, até a publicação da matéria, não obteve manifestação do órgão. O espaço permanece aberto para eventuais posicionamentos do GDF, conforme informação da agência.

    Os organizadores e entidades representativas do setor anunciam ações de contestação e a publicação de uma nota pública de repúdio, pedindo a reversão do cancelamento. As próximas movimentações oficiais da organização e quaisquer respostas do GDF serão acompanhadas pela imprensa e pelo setor audiovisual.

    Fonte: Agência Brasil.

  • PF e CGU investigam aplicação de R$ 97 milhões do Iprev de Maceió no Banco Master

    PF e CGU investigam aplicação de R$ 97 milhões do Iprev de Maceió no Banco Master

    Em 10 de agosto de 2026, a Polícia Federal (PF), em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), realizou uma operação para aprofundar investigações sobre supostas irregularidades na aplicação de recursos do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) em operações financeiras com o Banco Master.

    Alvos da operação e mandados

    Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em endereços localizados em Alagoas e em São Paulo. A investigação aponta ligações entre integrantes da gestão do Iprev, conselheiros e uma empresa de consultoria contratada pelo instituto.

    • João Felipe Alves Borges: atual secretário de Fazenda de Maceió; integrava o Conselho de Administração do Iprev na época dos fatos investigados.
    • Ronnie Reyner Teixeira Mota: ex-diretor-presidente do Iprev.
    • Gustavo Antônio Rodrigues de Souza: ex-coordenador-geral de Investimentos do Iprev.
    • Renan Foglia Calamia: dirigente da empresa de consultoria Crédito & Mercado.
    • Marília Alexandre de Lima Alves: integrante da Secretaria Municipal da Fazenda.
    • Marcelo Brasileiro Santos: membro do Comitê de Investimentos do Iprev.

    Medidas autorizadas e bloqueio de bens

    No despacho que autorizou a operação, o ministro André Mendonça permitiu a apreensão de computadores, discos rígidos, pendrives e outras mídias, além de telefones pessoais e corporativos. Também foram autorizadas buscas por documentos físicos, agendas, anotações, contratos e comprovantes financeiros tanto em endereços residenciais e comerciais vinculados aos investigados quanto nas sedes do Iprev e da consultoria Crédito & Mercado de Valores Mobiliários LTDA.

    Além das buscas, o ministro decretou a indisponibilidade dos bens móveis e imóveis, bem como de valores dos seis investigados, até o limite global de R$ 97 milhões. A medida tem caráter cautelar no âmbito das apurações promovidas pela PF e pela CGU.

    Origem dos recursos aplicados e foco das investigações

    De acordo com a Polícia Federal, as suspeitas recaem sobre duas aplicações do Iprev em letras financeiras emitidas pelo Banco Master: um aporte de R$ 97 milhões realizado em dezembro de 2023 e outro de R$ 17 mil efetuado em maio de 2024. A investigação busca esclarecer como ocorreram o credenciamento, os processos de cotação, a análise de risco, a governança e as decisões que antecederam esses investimentos.

    O Ministério Público e a Polícia Federal, ao pedir autorização judicial, apontaram indícios de “possível direcionamento dos investimentos e exposição desproporcional do patrimônio previdenciário a ativos de risco elevado e liquidez reduzida”, conforme trecho do despacho do ministro do STF. A PF também relatou que as Autorizações de Aplicação e Resgate (APRs) teriam sido preenchidas com justificativas genéricas e padronizadas, sem estudos comparativos de alternativas, análises suficientes de risco de crédito, avaliação de liquidez ou exame de cláusulas de subordinação.

    Contexto institucional

    O Banco Master, propriedade do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi liquidado extrajudicialmente em novembro de 2025 por determinação do Banco Central, que apontou violação de normas do Sistema Financeiro Nacional e grave crise de liquidez. As aplicações do Iprev nas letras financeiras do Master ocorreram antes dessa intervenção do BC.

    A PF e a CGU concentram agora seus trabalhos em levantar elementos probatórios que esclareçam responsabilidades administrativas e eventuais ilícitos penais relacionados às aplicações.

    Posição do Iprev e andamento

    Em nota, o Iprev afirmou que “os atos relacionados aos investimentos observaram os ritos legais e administrativos aplicáveis” e informou que o patrimônio do instituto cresceu de cerca de R$ 400 milhões em 2021 para mais de R$ 1,6 bilhão atualmente, o que, segundo o órgão, garante a capacidade de pagamento de aposentados e pensionistas. O instituto declarou ainda estar colaborando com as autoridades.

    A reportagem da Agência Brasil informou que ainda não conseguiu contato com os investigados citados e que o espaço permanece aberto para manifestações dos interessados. As investigações prosseguem conforme diligências determinadas pela PF, CGU e pelo STF.

  • CBF e clubes aprovam novas regras de arbitragem para competições nacionais

    CBF e clubes aprovam novas regras de arbitragem para competições nacionais

    Em encontro realizado em 10 de agosto de 2026, em um hotel na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e os clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro aprovaram a aplicação de novas regras de arbitragem nas competições nacionais. Segundo a CBF, a decisão entra em vigor de forma imediata.

    Competências e scope das mudanças

    As novas diretrizes valerão para as quatro divisões do Campeonato Brasileiro masculino — Séries A, B, C e D —, para a primeira divisão feminina (Série A1) e para a Copa do Brasil. A CBF informou que as regras seguem determinações do International Football Association Board (IFAB), órgão responsável por definir e alterar as leis do futebol.

    Objetivo das alterações e dados de referência

    O principal objetivo apontado pela CBF é reduzir o tempo perdido com paralisações durante as partidas, aumentando a fluidez do jogo. A Federação Internacional de Futebol (Fifa) estabeleceu uma meta de ao menos 60 minutos de bola rolando por partida.

    Antes da pausa para a Copa do Mundo de 2026, o tempo médio de bola rolando na Série A do Brasileirão era de 52 minutos e 54 segundos por jogo. Para referência, ligas como a francesa e a alemã registravam médias superiores, de 56 minutos e 17 segundos, segundo a CBF.

    Estimativa de ganho e medidas específicas

    Em relatório intitulado Tempo de Bola Rolando no Futebol Brasileiro, a CBF citou um estudo da empresa de dados Opta que projeta um ganho de tempo médio entre 5 minutos e 49 segundos e 6 minutos e 22 segundos por partida com a implementação das novas regras. A entidade afirmou que as mudanças visam padronizar critérios de arbitragem e capacitar profissionais.

    Das dez alterações aprovadas, a maioria passa a vigorar imediatamente. Apenas uma mudança terá início em 2027: a possibilidade de checagem por meio do árbitro de vídeo (VAR) em casos de escanteios concedidos por engano, segundo a CBF.

    Responsabilidades e próximos passos anunciados

    A CBF indicou que a aplicação das novas regras exigirá não só treinamento e padronização entre árbitros, mas também a colaboração de clubes e jogadores para a obtenção de um jogo mais contínuo, com menos interrupções. Netto Góes, diretor de Arbitragem da CBF, destacou a necessidade de transformar o diagnóstico em ações concretas por meio da capacitação e da atuação conjunta dos envolvidos.

    Implementação imediata

    Conforme informado pela própria CBF, a maioria das medidas aprovadas entra em vigor de imediato, enquanto a revisão por VAR de escanteios atribuídos por engano tem previsão de aplicação apenas a partir de 2027.

    Origem das determinações

    As regras adotadas têm como referência as alterações definidas pelo International Football Association Board, que regula as leis do futebol internacionalmente. A CBF também lembrou que muitas das mudanças já foram testadas na última Copa do Mundo.

    O que muda na prática

    A CBF não listou no comunicado todos os dez pontos de alteração, mas comunicou que as medidas seguem formato internacional e priorizam reduzir paralisações. O relatório com a estimativa de tempo de bola rolando foi elaborado com base em dados da Opta, conforme a entidade.

    Os clubes e árbitros deverão seguir as novas orientações nas competições mencionadas a partir desta decisão. A CBF afirmou que seguirá com ações de padronização e capacitação para assegurar a aplicação uniforme das regras.

    Fonte: Agência Brasil, com informações da CBF.

  • Liesa inicia venda de arquibancadas e cadeiras para o Carnaval 2027 na Marquês de Sapucaí

    Liesa inicia venda de arquibancadas e cadeiras para o Carnaval 2027 na Marquês de Sapucaí

    A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) iniciou, na noite de 10 de agosto de 2026, a venda das entradas das arquibancadas especiais e das cadeiras individuais numeradas do Sambódromo da Marquês de Sapucaí para o Rio Carnaval 2027. As informações são da Agência Brasil.

    Plataforma de venda e dias de desfile

    As entradas estão sendo disponibilizadas pela plataforma Ticketmaster e abrangem todos os dias dos desfiles competitivos, além do sábado reservado ao Desfile das Campeãs. O calendário oficial do evento prevê os desfiles competitivos para 7, 8 e 9 de fevereiro de 2027, com o retorno das seis melhores escolas na noite de sábado, dia 13 de fevereiro, para a disputa entre as campeãs.

    Valores, setores e modalidades

    Para esta etapa de comercialização, a Liesa fixou o preço por noite em R$ 250 para as arquibancadas especiais (setores 2 a 11, exceto o setor 9) e para as cadeiras individuais numeradas no setor 12. A meia-entrada está disponível ao custo de R$ 125. Essas condições foram divulgadas pela Liesa, conforme noticiado pela Agência Brasil.

    Limites por comprador e regras da meia-entrada

    Foi mantido o mesmo critério adotado no ano anterior: apenas uma meia-entrada por CPF a cada dia de desfile. Além disso, o limite de compra é de quatro ingressos por comprador. A Liesa orienta que os interessados consultem o site oficial da entidade para informações detalhadas sobre as opções de ingresso.

    Etapas anteriores de vendas

    Esta oferta representa a terceira etapa de vendas para a temporada de 2027. Antes desta fase já haviam sido lançadas duas modalidades: o Passaporte Rio Carnaval, que contempla os três dias de desfiles competitivos, e o Ingresso Sambista, que permite a compra seguida da escolha do dia. A Liesa também realizou, em abril, o sorteio que definiu a ordem de entrada das agremiações na avenida.

    Onde obter mais informações

    Detalhes sobre disponibilidade, assentos e procedimentos de compra estão disponíveis no site da Liesa e na plataforma Ticketmaster, responsáveis pela comercialização. A Agência Brasil foi a fonte das informações sobre a abertura das vendas e as condições anunciadas pela liga.

    Ao planejar a compra, o público deve observar as regras de meia-entrada e o limite de bilhetes por comprador. A confirmação de datas e a definição dos horários de cada escola constam das comunicações oficiais da Liesa, conforme o calendário publicado para o Carnaval 2027.

  • EUA aceitam pedido de consultas do Brasil na OMC sobre tarifas adicionais

    EUA aceitam pedido de consultas do Brasil na OMC sobre tarifas adicionais

    Os Estados Unidos comunicaram à Organização Mundial do Comércio (OMC), nesta segunda-feira, 10 de agosto de 2026, que aceitam o pedido de consultas apresentado pelo Brasil sobre tarifas adicionais aplicadas a produtos brasileiros. A resposta americana declarou disposição para dialogar e agendar encontros em data acordada entre as partes.

    O que motivou o pedido de consultas

    O governo brasileiro apresentou, em 27 de julho, uma manifestação formal no sistema de solução de controvérsias da OMC. No documento, o Brasil sustenta que as tarifas extras impostas pelos Estados Unidos parecem violar compromissos previstos no Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT) de 1994, que fornece a base normativa para a aplicação de tributos pelos membros da organização.

    Além de apontar possíveis inconsistências com o GATT, o Brasil também afirmou que está sendo preterido pelos Estados Unidos em relação a outros países membros da OMC, configurando, segundo Brasília, tratamento discriminatório nas relações comerciais.

    Resposta dos EUA e próximos passos no processo da OMC

    Na mensagem recebida pela OMC, o governo dos EUA deixou claro que aceita participar das consultas solicitadas pelo Brasil e manifestou prontidão para dialogar com autoridades brasileiras em uma data que seja conveniente para ambos. No sistema da OMC, o pedido de consultas representa a etapa inicial formal de solução de controvérsias, cujo objetivo é permitir que os países tentem negociar uma solução antes de se recorrer à instalação de um painel para exame do caso.

    Assim, o próximo passo imediato previsto na prática da organização é a realização das consultas bilaterais entre Brasil e Estados Unidos. Essas reuniões podem resultar em um acordo negociado ou, se não houver consenso, levar à solicitação de criação de um painel que analisará tecnicamente a conformidade das medidas com as regras da OMC.

    Interesse da China na disputa

    A China também se manifestou no mesmo pedido de consultas e solicitou permissão para participar das conversas. No documento apresentado à OMC, Pequim afirmou ter “interesse comercial substancial” na disputa e apontou que algumas medidas adotadas pelos EUA incidem sobre produtos chineses destinados ao mercado estadunidense.

    Segundo a solicitação chinesa, as medidas em questão afetam todas as exportações da China aos Estados Unidos — salvo exceções previstas — e alteram as condições de competição no mercado norte-americano. Por esse motivo, a China pediu formalmente para ser incluída nas consultas como parte interessada.

    Importância institucional e implicações

    O uso do mecanismo de consultas da OMC sinaliza que o Brasil optou por buscar um caminho multilateral para resolver a divergência com os EUA, utilizando normas e procedimentos da própria organização. A aceitação dos Estados Unidos em participar das consultas abre espaço para negociações diretas, sem que se avance imediatamente para um painel de disputa.

    Ao mesmo tempo, o pedido de participação da China acrescenta complexidade ao processo, pois indica que o resultado das medidas dos EUA teria efeitos sobre outros exportadores e sobre as dinâmicas de competição no mercado estadunidense. As etapas seguintes dependerão das negociações entre os países envolvidos e das decisões tomadas na sequência no âmbito da OMC.

    Atribuição

    As informações desta reportagem são baseadas em relato da Agência Brasil publicado em 10 de agosto de 2026.

  • MAR recebe inscrições até quarta para curso de formação de mediadores culturais

    MAR recebe inscrições até quarta para curso de formação de mediadores culturais

    O Museu de Arte do Rio (MAR), por meio de sua Escola do Olhar, mantém abertas até a próxima quarta-feira (12) as inscrições para o Curso de Formação de Mediadores Culturais 2026, cujo tema é ‘Redes entre Museus e Educação’. A informação foi divulgada pela Agência Brasil.

    Formato, vagas e calendário

    O curso será oferecido na modalidade presencial para 80 participantes, com aulas teóricas e práticas programadas para os dias 21, 22, 28 e 29 deste mês, em sessões que ocorrerão das 10h às 18h. Conforme a reportagem, já há cerca de 400 inscrições registradas até o momento.

    Critérios de seleção e diversidade

    A coordenadora de Educação dos equipamentos culturais da Organização de Estados Ibero-Americanos (OEI), Patrícia Marys, afirmou que a seleção buscará garantir diversidade entre os participantes. Segundo Patrícia, serão escolhidas pessoas interessadas no tema mesmo sem formação específica, além de candidaturas provenientes de territórios periféricos da cidade do Rio de Janeiro e áreas vizinhas ao MAR.

    “Porque a nossa ideia, dentro da metodologia da Escola do Olhar, é que ela funciona como um lugar de encontro. A gente entende que esses 80 participantes, quando se encontram, funcionam na própria relação de network, de trazerem as demandas e relações que eles podem depois, futuramente, criar”, explicou Patrícia à Agência Brasil.

    Programação e parcerias entre museus

    Ao longo do curso serão realizadas quatro mesas de debate com a participação de pesquisadores, gestores culturais e especialistas em educação museal. A iniciativa contará, ainda, com educadores vindos de outros equipamentos geridos pela OEI, como o Cais das Artes (Vitória-ES) e instituições culturais de Salvador — entre elas, a Casa das Histórias de Salvador, a Galeria Mercado Modelo e o Arquivo Público de Salvador.

    “A gente vai ter uma relação de pensar territórios diferentes, tanto que vai ter essa triangulação de Rio de Janeiro, Salvador e Espírito Santo”, declarou Patrícia Marys, destacando a articulação entre os equipamentos.

    Objetivo pedagógico

    O curso pretende promover intercâmbio entre profissionais e públicos interessados em mediação cultural, reunindo perspectivas distintas para fomentar redes entre museus e educação. A participação de educadores de outras unidades administradas pela OEI visa ampliar a formação tanto do público externo quanto das próprias equipes envolvidas.

    Certificação e possibilidades de inserção profissional

    Ao final dos módulos, todos os participantes receberão certificados emitidos por três instituições: o Museu de Arte do Rio, a Co-liga Digital com a Fundação Roberto Marinho e a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Patrícia Marys ressaltou que os formandos estarão preparados para aplicar o que aprenderam.

    “Já saem prontos para por em prática o que aprenderam”, afirmou Patrícia, e acrescentou que há possibilidade de que mediadores formados pelo curso venham a integrar a equipe do MAR caso surjam vagas, já que a instituição costuma observar candidatos que participaram de suas atividades formativas.

    Gestão e histórico da Escola do Olhar

    A Escola do Olhar existe desde a abertura do Museu de Arte do Rio, há 13 anos, e o curso de formação de mediadores culturais funciona desde antes da inauguração do MAR, segundo a reportagem. A Organização de Estados Ibero-Americanos (OEI) é responsável pela gestão do MAR desde 2021, papel que inclui a realização deste tipo de ação formativa.

    O resultado da seleção para as 80 vagas será divulgado na próxima sexta-feira (14). Para mais informações sobre inscrições e critérios, consulte a divulgação oficial do MAR e da Escola do Olhar, conforme reportagem da Agência Brasil.

  • Procon-RJ lança cartilha sobre riscos das apostas online e prevenção do superendividamento

    Procon-RJ lança cartilha sobre riscos das apostas online e prevenção do superendividamento

    O Programa de Proteção e Defesa do Consumidor do Estado do Rio de Janeiro (Procon-RJ) divulgou, em 10 de agosto de 2026, uma cartilha com orientações sobre os riscos associados às apostas esportivas e aos jogos de azar praticados pela internet. Intitulada “Apostas Online: Bets e Jogos de Azar – Proteja Seu Dinheiro, Sua Saúde e Sua Família”, a publicação tem como objetivo informar consumidores e familiares sobre como identificar perigos e como evitar o superendividamento.

    O que traz a cartilha

    Segundo o Procon-RJ, o guia explica, em linguagem acessível, o funcionamento das plataformas de apostas e diferencia claramente entretenimento, investimento e jogo de azar. A publicação descreve quais são os sinais de perda de controle por parte do apostador e apresenta recomendações para prevenir que perdas pessoais se transformem em problemas financeiros que afetem o orçamento familiar.

    Mecanismos que mantêm o usuário apostando

    A cartilha chama a atenção para estratégias utilizadas por empresas de apostas que tendem a prolongar o comportamento de aposta. Uma delas é a entrega de prêmios em momentos imprevisíveis, o que gera reforço intermitente e pode levar a recorrentes liberações de dopamina no cérebro, incentivando a pessoa a continuar jogando para tentar o próximo acerto.

    Outro mecanismo destacado é o que a publicação descreve como a armadilha do dinheiro já gasto: após sucessivas perdas, o apostador pode sentir que interromper as apostas significaria aceitar a derrota e, por isso, persiste tentando recuperar o que perdeu. O Procon-RJ alerta que esse padrão pode levar ao aumento gradual das apostas e ao comprometimento das finanças pessoais.

    Prevenção e sinais de alerta

    O material aponta que reconhecer o erro e interromper as apostas é a forma mais eficaz de evitar prejuízos maiores. Também destaca que, com o tempo, apostas pequenas podem deixar de ser suficientes para gerar a mesma sensação de excitação, levando o consumidor a apostar quantias superiores, com potencial impacto no orçamento familiar.

    A cartilha reforça ainda que a participação de menores de 18 anos em apostas online é proibida por lei e traz orientações destinadas a pais e responsáveis para identificar possíveis sinais de exposição precoce a esse tipo de jogo.

    Conteúdo e base técnica

    De acordo com o Procon-RJ, a cartilha foi elaborada com base em evidências científicas e em estudos produzidos por universidades, organismos internacionais e instituições públicas. O órgão afirma que o material reúne conhecimentos multidisciplinares e integra informações alinhadas à legislação brasileira, com foco em proteção do consumidor.

    O guia também faz a ligação entre comportamento de aposta problemático e riscos de superendividamento, oferecendo orientações práticas para evitar que perdas individuais resultem em compromissos financeiros de longo prazo. Além disso, indica a existência de canais de apoio — sem detalhar na matéria quais — para pessoas que identificarem perda de controle sobre as apostas, conforme informado pelo Procon-RJ.

    Ao tornar essas informações públicas, o órgão busca ampliar a conscientização sobre os riscos dos jogos de azar online e facilitar a identificação precoce de comportamentos que podem evoluir para dependência ou danos financeiros.

  • MEC recebe contribuições até 14 de agosto para novo marco da educação a distância

    MEC recebe contribuições até 14 de agosto para novo marco da educação a distância

    O Ministério da Educação (MEC) está recebendo contribuições em consulta pública sobre o novo marco regulatório para cursos de graduação oferecidos na modalidade de educação a distância (EaD). O prazo termina na próxima sexta-feira, 14 de agosto, e as propostas devem ser enviadas pela plataforma Brasil Participativo, com acesso por meio da conta Gov.br.

    Quem pode participar e como enviar contribuições

    A consulta é aberta a estudantes, professores, pesquisadores, gestores de instituições de ensino superior públicas e privadas, representantes de entidades da sociedade civil e demais interessados. Para participar, é exigido que o usuário faça login na plataforma Brasil Participativo usando a conta Gov.br.

    Além do envio de observações sobre a minuta, o participante precisa preencher um formulário que coleta dados para identificação do perfil sociogeográfico. O governo federal informou que essas informações serão utilizadas exclusivamente para fins estatísticos, de avaliação institucional e para a formulação de políticas públicas, sem divulgação individualizada dos participantes.

    Conteúdo da minuta e objetivos da atualização

    A proposta em consulta, elaborada pela Comissão da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação (CES/CNE), traz uma organização por pontos que tratam da oferta de cursos em EaD. Entre os temas destacados estão regras para a mediação pedagógica, o suporte ao estudante, a atuação do corpo docente e a definição de critérios para atividades presenciais e conteúdos digitais.

    Segundo o MEC, a atualização busca adequar as normas à transformação digital e aos novos critérios de acompanhamento acadêmico, com a finalidade de aperfeiçoar as políticas públicas educacionais. A minuta pretende garantir equivalência nos padrões acadêmicos entre modalidades presenciais e a distância.

    Prazo para sistematização e próximos passos

    Após o encerramento do período de contribuições, as proposições recebidas serão organizadas em um período de sistematização previsto entre 15 e 22 de agosto. Em seguida, conforme informou o MEC, as sugestões serão analisadas para a consolidação da redação final do parecer e do projeto de resolução pelo Conselho Nacional de Educação (CNE).

    O processo está amparado pelo Decreto nº 12.456/2025, que prevê a necessidade de regulamentação da EaD no país. A proposta de minuta e o texto de referência estão disponíveis na página do CNE, na seção Audiências e Consultas Públicas, conforme a publicação da Agência Brasil.

    Transparência e utilização das contribuições

    • As contribuições são públicas quanto ao fato de existirem, mas os dados pessoais informados no formulário serão utilizados apenas para análises agregadas e fins institucionais.
    • O CNE e o MEC conduzirão a avaliação das propostas recebidas para consolidar a versão final do parecer e o projeto de resolução.
    • O processo de sistematização tem calendário definido para permitir a incorporação das sugestões no texto final.

    As informações desta reportagem foram levantadas a partir de nota da Agência Brasil divulgada pelo Ministério da Educação.

  • Banco Central estuda conectar Pix a sistemas de pagamentos internacionais e reforçar segurança

    Banco Central estuda conectar Pix a sistemas de pagamentos internacionais e reforçar segurança

    O Banco Central (BC) do Brasil está avaliando a interligação do Pix com sistemas de pagamentos de outros países e com mecanismos multilaterais de pagamentos instantâneos, segundo o Relatório de Gestão do Pix 2023-2025 divulgado em 10 de agosto de 2026. A autoridade monetária afirma que essas conexões podem reduzir tarifas e ampliar o acesso a transações internacionais.

    Interligações internacionais e hubs multilaterais

    De acordo com o relatório, estão em discussão interligações bilaterais e a participação em hubs multilaterais. O BC explica que essas conexões possibilitariam remessas internacionais e transações de compra com disponibilização dos recursos em moeda local em poucos segundos. O banco também informou que monitora modelos de transações internacionais com o uso do Pix que vêm sendo implementados por empresas nacionais e estrangeiras.

    Novas funcionalidades e uso do Pix no crédito

    Além da internacionalização, o documento traz uma agenda de novos produtos e funcionalidades. Entre as inovações previstas estão a realização de transações por aproximação offline — ou seja, sem necessidade de internet — e o uso do chamado Pix automático, potencial substituto do débito em conta em determinados fluxos.

    O BC também estuda a integração do Pix ao mercado de crédito, visando permitir a utilização dos “fluxos futuros de Pix” como garantias para financiamentos. Segundo o relatório, essa solução pode melhorar a qualidade das garantias e reduzir o custo do crédito, especialmente para empresas com forte uso do Pix.

    Segurança, mensagens e combate a fraudes

    O relatório identifica problemas de segurança e usos indevidos do Pix. O BC tem observado o uso abusivo do campo de mensagens em transações para ofensas, ameaças ou intimidações, frequentemente associado a transferências de valor muito baixo. Originalmente, o campo de mensagens destinava-se a registrar informações sobre a operação; diante do uso distorcido, o BC criou um grupo de trabalho para avaliar alternativas e, se necessário, instituir medidas regulamentares.

    Na agenda de segurança, o Banco Central prevê oito medidas para aprimorar a proteção das transações via Pix. Entre elas está a criação de critérios objetivos mínimos para definir transações suspeitas de fraude — hoje deixados às políticas de cada instituição — e o desenvolvimento de um indicador de “probabilidade de fraude no Pix” calculado pelo BC em tempo real. O documento informa que esse indicador será construído com base em modelo de machine learning e disponibilizado às instituições participantes para alimentar seus sistemas antifraude.

    Outras ações previstas incluem a padronização obrigatória dos alertas de fraude já existentes em algumas instituições, o aprimoramento do fluxo de informações para bloqueios cautelares e a ampliação do rol de medidas cautelares, como a restrição de cadastro de novas chaves Pix para instituições que coloquem em risco o funcionamento do sistema.

    Repercussões internacionais

    O relatório também registra que o Pix tornou-se alvo de medidas dos Estados Unidos: a ferramenta foi citada como uma das justificativas para a aplicação de tarifa de 25% sobre parte dos produtos americanos. A Casa Branca afirmou que o Pix constitui uma “prática desleal” do Brasil no mercado financeiro — posição que, segundo o texto, é refutada pelo governo brasileiro.

    Especialistas consultados pela Agência Brasil avaliam que a ação do governo dos EUA, mencionada no relatório, está relacionada ao desafio que o modelo nacional de pagamentos representa ao controle financeiro de Washington sobre a infraestrutura eletrônica de pagamentos no Brasil. Ao criar estruturas de pagamento fora do controle dos EUA, argumentam esses especialistas, o país reduz a capacidade de uso de sanções financeiras como instrumento de pressão.

    O Relatório de Gestão do Pix 2023-2025 reúne essas iniciativas e fornece base para que o Banco Central continue monitorando modelos internacionais, testando funcionalidades e adotando medidas de segurança e regulação conforme as conclusões dos trabalhos internos.

    Fonte: Agência Brasil.