Categoria: Brasil

  • Observatório Nacional transmite eclipse solar total; fenômeno não será visível no Brasil

    Observatório Nacional transmite eclipse solar total; fenômeno não será visível no Brasil

    Um eclipse solar total está previsto para o dia 12 de agosto e poderá ser visto integralmente em partes do Hemisfério Norte, incluindo países como Espanha e Portugal. O evento não terá visibilidade direta no Brasil, mas será acompanhado por transmissões ao vivo promovidas pelo Observatório Nacional (ON).

    Transmissão do Observatório Nacional

    O Observatório Nacional anunciou que fará transmissão em tempo real do eclipse por meio de suas redes sociais e do canal no YouTube. A cobertura ao vivo terá início às 12h do dia 12, com o pico do fenômeno previsto para as 14h, segundo informações divulgadas pela instituição.

    Onde o eclipse será visível

    Além de Espanha e Portugal, o pico do eclipse está previsto para regiões como Rússia, Islândia e Groenlândia. Em outras áreas do Hemisfério Norte e no norte do continente africano, o evento deverá ser percebido apenas como um eclipse parcial, quando a Lua bloqueia parcialmente a luz do Sol.

    Por que o eclipse não é visto em todo o planeta

    A astrônoma do Observatório Nacional Josina Nascimento explica que, mesmo sendo um eclipse total, a área afetada na superfície terrestre é relativamente pequena. A sombra da Lua projeta-se sobre a Terra em um caminho estreito — cerca de 300 quilômetros de largura — e somente quem estiver nessa faixa verá a totalidade do eclipse.

    Por esse motivo, embora ocorram eclipses totais do Sol com certa regularidade (em geral, cerca de um por ano), poucas pessoas se encontram no local exato onde a sombra passa, o que dá a impressão de que o fenômeno é raro.

    Segurança para observação

    O Observatório Nacional e a pesquisadora Josina Nascimento alertam para os riscos de olhar diretamente para o Sol sem a proteção adequada. Para observar um eclipse solar com segurança é necessário usar óculos certificados pela norma ISO 12312-2 ou máscaras com vidro de soldador número 14. Olhar sem proteção adequada pode causar danos sérios à visão, incluindo cegueira.

    Além do uso de equipamentos certificados, existem técnicas de observação indireta que não exigem contato direto com os olhos. O Observatório lembra que é possível, por exemplo, projetar a imagem do Sol usando um pequeno orifício em uma tampa de caixa de pizza e um papel colocado abaixo, formando uma imagem do disco solar. Dependendo da posição do Sol, a projeção pode ser feita no chão ou em uma parede.

    Atividades do Observatório em eclipses

    Quando eclipses solares são visíveis no Brasil, o Observatório Nacional costuma distribuir gratuitamente óculos de proteção em eventos públicos de observação e realizar oficinas que ensinam métodos seguros e criativos de visualização, incluindo soluções com material reciclável. Para este evento específico, porém, a instituição concentrará seus esforços na transmissão remota.

    O ON também anunciou que fará a transmissão do eclipse lunar que será visível no Brasil na madrugada entre os dias 27 e 28 de agosto, segundo a divulgação da própria instituição.

    As informações sobre horários, medidas de segurança e cobertura foram divulgadas pelo Observatório Nacional e reportadas pela Agência Brasil.

  • Pesquisa aponta Câmara Municipal como principal local de agressões a vereadoras

    Pesquisa aponta Câmara Municipal como principal local de agressões a vereadoras

    Um estudo inédito da Rede A Ponte, divulgado em 11 de agosto de 2026 e noticiado pela Agência Brasil, revela que a Câmara Municipal é o principal local onde vereadoras sofrem agressões políticas. Segundo o relatório “Raio X da Violência Política de Gênero e Raça no Legislativo Municipal”, 77% dos episódios relatados ocorreram na própria Casa legislativa.

    Quem são as vítimas e os agressores

    O levantamento ouviu mais de 70 parlamentares e mostra diferenças por raça: seis em cada dez vereadoras brancas e oito em cada dez vereadoras negras afirmaram ter sofrido violência política. O documento também aponta que, em oito de cada dez casos, o agressor é um homem branco cisgênero, evidenciando uma concentração de poder que estrutura as violências no espaço político.

    Tipo, tempo e autoria das agressões

    O relatório registra que 64% das agressões ocorreram durante o mandato. Entre os tipos de violência relatados, 89% envolveram agressões psicológicas — como corte de microfone, interrupções, chantagens, humilhação política ou digital — e 82% relataram violência simbólica, incluindo exclusão de espaços de poder e geração de autocensura. A violência moral, com calúnias, difamação e injúrias, foi apontada em 59% dos relatos. Ataques focados em identidade, condição e raça apareceram em 30% dos relatos.

    Em 34% das agressões, o autor era um colega de partido, situação classificada no relatório como “fogo amigo”.

    Resposta institucional e consequências para a representatividade

    O documento ressalta que a resposta do Estado brasileiro é limitada. Dos 44 casos de violência de gênero e raça registrados pelo estudo, apenas 12 resultaram em denúncias formais, e nenhuma delas teve encaminhamento institucional na Justiça ou no partido, segundo o relatório. Para acionar o Código Eleitoral em casos assim, o estudo lembra — citando a avaliação da diretora-executiva da Rede A Ponte — que é necessário que a denúncia seja recebida pelo Ministério Público e encaminhada à Justiça Eleitoral.

    Segundo o relatório, a falta de encaminhamento contribui para o esvaziamento da diversidade nas Casas legislativas e prejudica a representatividade democrática, já que a naturalização da violência leva muitas mulheres a abandonar a política.

    Dados sobre participação de mulheres e de mulheres negras e indígenas

    Baseado em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 2000 a 2024, o segundo volume do relatório aponta que, em 2024, apenas 18,2% das cadeiras nas câmaras municipais eram ocupadas por mulheres. Em 734 municípios não havia nenhuma vereadora eleita naquele ano.

    O documento destaca ainda a sub-representação das mulheres negras: embora representem 28% da população, ocupam apenas 7,5% das cadeiras legislativas municipais. Mais da metade dos municípios não elegeu nenhuma mulher negra. Em termos de taxa de eleição, 5% das candidatas mulheres negras foram eleitas, contra 19% dos candidatos homens brancos.

    Quanto às mulheres indígenas, o relatório registra que, em 2024, houve 924 candidatas indígenas e 39 eleitas, o que representa 0,07% das cadeiras — número bem inferior à participação da população indígena, estimada em 0,8%.

    Percepção de partidos, imprensa e próximas etapas

    A diretora-executiva da Rede A Ponte, Amanda de Albuquerque, afirmou que as mulheres são frequentemente abandonadas pelos partidos ao ingressarem na política, e que a atuação do Ministério Público e da Justiça Eleitoral depende do acolhimento das denúncias. A gestora de Mobilização e Articulação Política da Rede A Ponte, Lauana Chantal, avaliou que a violência política de gênero e raça é um obstáculo central à democracia e defendeu a importância da cobertura jornalística para revelar e qualificar o problema, fortalecer o controle social e capacitar a sociedade a cobrar respostas institucionais.

    O relatório e seus dados foram divulgados pela Rede A Ponte e divulgados à imprensa pela Agência Brasil.

  • MPSP encaminha proposta de TAC à empresa que representa Discord no Brasil durante apuração de conteúdo ilícito

    MPSP encaminha proposta de TAC à empresa que representa Discord no Brasil durante apuração de conteúdo ilícito

    O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) informou nesta terça-feira (11) que enviou à empresa responsável pela plataforma Discord no Brasil uma proposta de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) e aguarda a manifestação da companhia sobre o documento. Segundo a nota do órgão, o procedimento tramita sob sigilo.

    Motivação do TAC e âmbito da apuração

    O envio do TAC ocorre no contexto de investigação sobre divulgação, na plataforma, de conteúdos relacionados a violência sexual, maus-tratos a animais e estímulo à prática de automutilação envolvendo crianças e adolescentes. Em sua nota, o MPSP afirmou que a iniciativa faz parte da atuação institucional voltada à proteção de direitos coletivos e ao aperfeiçoamento de mecanismos de prevenção e enfrentamento à utilização de plataformas digitais para a prática de ilícitos, “especialmente quando envolvidos, como vítimas, crianças, adolescentes, mulheres e animais”.

    Início da investigação e Operação Lívia

    A apuração contra a rede social Discord teve início após a transmissão ao vivo, em 22 de julho, do suicídio de uma adolescente de 13 anos identificada como Lívia. A live durou cerca de 45 minutos. De acordo com informações divulgadas, antes de ser induzida a tirar a própria vida na residência onde vivia com a família em Naviraí, a adolescente foi coagida por criminosos no ambiente virtual a torturar e matar um gato, sem êxito.

    O episódio levou à deflagração da chamada Operação Lívia, conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul com apoio do Ministério da Justiça. A ação resultou na apreensão de cinco menores de idade, com idades entre 13 e 18 anos, em operações realizadas em cinco estados do país.

    Proposta da Discord e reuniões com autoridades

    Em paralelo ao encaminhamento do TAC pelo MPSP, a empresa Discord apresentou à Advocacia-Geral da União (AGU) uma proposta com medidas destinadas a reforçar a segurança dos usuários no ambiente digital, com foco especial em crianças e adolescentes. Segundo a AGU, representantes da companhia levaram a proposta em 10 de agosto.

    A apresentação ocorreu quatro dias após um encontro entre representantes do Discord e servidores da AGU, do Ministério da Justiça e Segurança Pública e da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), em que foram tratadas supostas falhas na verificação da idade dos usuários e na proteção de menores de 18 anos no aplicativo.

    Sigilo, expectativas e próximos passos

    O MPSP informou apenas que aguarda manifestação da empresa sobre o TAC, sem detalhar o conteúdo da proposta enviada. O caráter sigiloso da investigação impede, por ora, a divulgação de detalhes processuais e de elementos que possam identificar envolvidos ou descrever medidas específicas sob apuração.

    Além da resposta da empresa ao TAC, outros desdobramentos possíveis incluem a análise pela AGU e a continuidade das investigações conduzidas pelas polícias e órgãos federais competentes. A proposta apresentada pela Discord à AGU indica um movimento da plataforma para detalhar medidas voltadas à segurança de menores, enquanto o Ministério Público acompanha e propõe instrumentos jurídicos para ajuste de condutas, segundo nota do MPSP.

    Fontes

    Reportagem baseada em informações divulgadas pelo Ministério Público do Estado de São Paulo e pela Agência Brasil.

  • Unicef exige compromisso do próximo governador do Rio para reduzir violências contra crianças e adolescentes

    Unicef exige compromisso do próximo governador do Rio para reduzir violências contra crianças e adolescentes

    O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) cobrou, em 11 de agosto de 2026, que o próximo governador do estado do Rio de Janeiro incorpore a proteção de crianças e adolescentes como prioridade nas políticas públicas estaduais. Em evento na cidade do Rio, a organização divulgou uma agenda de recomendações estruturada em três eixos e pediu compromisso público das candidaturas.

    Dados que motivaram o apelo

    Segundo o Unicef e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, entre 2021 e 2023 foram registrados 1.261 homicídios de crianças e adolescentes no estado do Rio de Janeiro, além de mais de 12 mil casos de estupro nessa faixa etária. Para a organização, esses números apontam para uma violência persistente, tanto no âmbito familiar quanto em espaços comunitários, que interrompe vidas e compromete o futuro dos jovens.

    A agenda do Unicef: três eixos de ação

    A agenda divulgada pelo Unicef foi construída com a participação de especialistas, representantes da sociedade civil, adolescentes e jovens, e divide propostas em três eixos principais. O primeiro busca reduzir a violência letal entre crianças e adolescentes, com políticas de segurança pública que priorizem a proteção de vidas, metas claras, monitoramento e transparência.

    • Reduzir homicídios e esclarecer cada ocorrência envolvendo crianças e adolescentes, com investigação ampliada;
    • Criar uma política estadual de redução dos homicídios de adolescentes e jovens, com metas, monitoramento e participação social;
    • Implementar integralmente a Lei Estadual Ágatha Félix (9.180/2021) — conforme sugestão constante na agenda; e ampliar investigação dos homicídios de menores.

    Garantia de direitos e permanência na escola

    O segundo eixo concentra-se na educação e na inclusão produtiva. O Unicef recomenda medidas para assegurar que crianças e adolescentes tenham acesso, permaneçam e concluam a educação básica. Entre as propostas estão a busca ativa de estudantes ausentes e estratégias para prevenção de violências dentro do ambiente escolar, além de ampliar oportunidades de formação profissional e inclusão produtiva para adolescentes e jovens.

    Fortalecimento da rede de proteção e serviços especializados

    O terceiro eixo trata da ampliação e qualificação da rede de proteção às vítimas. O Unicef propõe instaurar uma governança intersetorial permanente que reúna segurança pública, educação, saúde e assistência social, além de garantir mobilidade segura para crianças e adolescentes em territórios afetados pela violência.

    • Implementação plena da Lei Federal da Escuta Protegida (13.431/2017) no estado, para evitar revitimização de crianças e adolescentes;
    • Criar, na capital, o primeiro Centro de Atendimento Integrado para crianças e adolescentes vítimas de violência e expandir o modelo para o interior do estado;
    • Ampliar o acesso a serviços especializados de proteção e atendimento e fortalecer a rede de atenção à saúde mental de crianças, adolescentes e jovens.

    Ao apresentar a agenda, a chefe do escritório do Unicef para o Rio de Janeiro, Flávia Antunes, ressaltou a necessidade de um plano que preserve vidas e faça da segurança pública uma política protetiva, com metas e governança. Ela afirmou que proteger crianças e adolescentes traz ganhos também para educação, saúde, segurança pública, economia e democracia, segundo o relato do evento.

    Pedido às candidaturas e oferta de apoio

    O Unicef lançou o chamado público às candidaturas para provocar um compromisso efetivo: “não perder mais nenhuma criança ou adolescente para a violência”, conforme declaração divulgada pela organização. Além da cobrança, o escritório do Unicef no Rio de Janeiro se ofereceu para apoiar tecnicamente o próximo governo na implementação das medidas recomendadas.

    Os dados e as propostas foram tornados públicos em evento realizado no Rio de Janeiro e divulgados pelo escritório local do Unicef, com base em levantamentos compartilhados com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A iniciativa reforça a demanda por políticas intersetoriais e medidas concretas que possam ser acompanhadas por metas e sistemas de monitoramento.

    Fonte: Agência Brasil, com informações do Unicef.

  • Série Rádio Memória destaca sofrência e acervos históricos nos 90 anos da Rádio Nacional

    Série Rádio Memória destaca sofrência e acervos históricos nos 90 anos da Rádio Nacional

    A série Rádio Memória da Rádio Nacional lançou o episódio “Sofrência nas ondas do Rádio” em formato videocast no canal oficial da emissora no YouTube em 11 de agosto de 2026. A produção recupera o papel do rádio na divulgação de canções sobre amores impossíveis, despedidas e corações partidos, ressaltando que esse repertório já fazia parte da programação muito antes de se tornar um fenômeno nas plataformas digitais.

    Exibição e calendário de transmissões

    Além da estreia em videocast, o episódio foi veiculado no dial da Rádio Nacional dentro do programa Revista Rio em 11 de agosto de 2026, com nova exibição prevista para 18 de agosto de 2026, às 14h30. Nas demais praças da rede, a transmissão ocorrerá nas quartas-feiras seguintes, em 12 e 19 de agosto de 2026, às 15h, conforme informou a emissora à Agência Brasil.

    Conteúdo e fontes históricas

    O episódio apresenta conversas do jornalista e apresentador Dylan Araújo com a cantora e atriz Mona Vilardo e com a jornalista e radialista Fabiane Pereira. Para contextualizar o fenômeno musical, a produção inclui três registros históricos: um depoimento de Dalva de Oliveira ao Museu da Imagem e do Som (MIS) datado de 1970; uma referência à viagem de Dalva e do maestro Vicente Paiva à Venezuela em 1949, associada à separação da cantora de Herivelto Martins; e uma gravação de Dircinha Batista interpretando “Nunca”, de Chocolate e Ricardo Galeno, de 1952.

    O episódio também incorpora a fala do jornalista Ruy Castro sobre o gênero romântico samba-canção, registrada em 2016, para situar a evolução desses repertórios no panorama da música popular brasileira, segundo a reportagem da Agência Brasil.

    Objetivo da série e programação comemorativa

    A série semanal Rádio Memória reúne materiais de arquivo, entrevistas e relatos para contar a trajetória da Rádio Nacional ao longo de suas nove décadas. A iniciativa homenageia profissionais que passaram pela emissora e valoriza quem mantém o legado vivo, de acordo com a Agência Brasil. Essa ação faz parte da agenda de comemorações dos 90 anos da Rádio Nacional, cuja data aniversária é 12 de setembro de 2026, e integra a programação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

    Com o slogan “Do passado ao futuro. Sem Fronteiras”, a emissora pública reafirma sua presença em diferentes regiões do país. Atualmente, a marca Rádio Nacional reúne oito emissoras próprias: Rádio Nacional do Rio de Janeiro; Rádio Nacional de São Paulo; Rádio Nacional de Brasília AM e FM; Rádio Nacional de Recife; Rádio Nacional de São Luís; Rádio Nacional da Amazônia; e Rádio Nacional do Alto Solimões, conforme informação da fonte.

    Acervo e preservação

    O episódio usa material de arquivo e entrevistas para resgatar episódios relevantes da trajetória da música popular brasileira no rádio. Entre os registros citados estão documentos sonoros e depoimentos que ajudam a mapear como determinados temas e gêneros, como o samba-canção romântico, foram tratados pelas emissoras e artistas ao longo do século XX.

    Próximos passos e disponibilidade

    O videocast já está disponível no canal da Rádio Nacional no YouTube desde 11 de agosto de 2026, e o conteúdo seguirá sendo veiculado no dial conforme a programação anunciada. A série continuará semana a semana, apresentando outros fatos e curiosidades da história da emissora como parte das ações comemorativas do aniversário de 90 anos, segundo a Agência Brasil.

    Fonte: Agência Brasil.

  • Sarampo: sinais, transmissibilidade, diagnóstico e recomendações de vacinação

    Sarampo: sinais, transmissibilidade, diagnóstico e recomendações de vacinação

    O Ministério da Saúde emitiu, em junho de 2026, uma nota técnica apontando risco iminente de reintrodução e disseminação do sarampo no Brasil diante do intenso fluxo de viajantes pela Copa do Mundo. Na ocasião, a pasta recomendou a aplicação da chamada dose zero da vacina tríplice viral em crianças entre 6 e 11 meses, como forma de aumentar a proteção nessa faixa etária mais suscetível.

    Contexto epidemiológico

    A nota técnica citou um cenário de alta transmissibilidade nas Américas e alertou para a possibilidade de retorno de viajantes infectados ou da entrada de estrangeiros com a doença. Em junho, a zona norte de São Paulo havia registrado três casos em crianças menores de 2 anos; a Secretaria de Saúde de São Paulo passou a confirmar pelo menos 23 casos em 2026.

    Transmissão e sinais clínicos

    O sarampo é transmitido de pessoa a pessoa por via aérea — ao tossir, espirrar, falar ou respirar — e é considerado extremamente contagioso: uma pessoa infectada pode transmitir para até 90% das pessoas próximas não imunes. A transmissão pode ocorrer desde seis dias antes até quatro dias após o aparecimento das manchas vermelhas características.

    Os sinais centrais são o exantema (manchas vermelhas) e febre alta (acima de 38,5 °C). As manchas costumam surgir entre três e cinco dias, primeiro no rosto e atrás das orelhas, e em seguida espalham-se pelo corpo. A febre persistente é um sinal de alerta, especialmente em crianças menores de cinco anos, pois pode indicar risco de gravidade.

    Diagnóstico e condutas clínicas

    O diagnóstico pode ser feito clinicamente com base nos sinais e sintomas, mas o padrão considerado ideal é laboratorial. A confirmação ocorre por exames que analisam amostras de sangue e também secreções da orofaringe, nasofaringe e urina.

    Não existe tratamento antiviral específico para o sarampo. Os cuidados visam aliviar os sintomas: hidratação, suporte nutricional e controle da hipertermia. O uso de antibióticos não é indicado, salvo quando há infecções secundárias confirmadas pelo médico. A orientação é não iniciar medicação sem avaliação profissional e procurar o serviço de saúde mais próximo ao suspeitar da doença. Em muitas crianças, a recuperação do estado nutricional pode levar entre quatro e oito semanas.

    Vacinação: quem e quando vacinar

    A vacinação é a principal medida de prevenção. Em rotina, todas as pessoas entre 12 meses e 59 anos têm indicação para receber a vacina contra o sarampo. Estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) as vacinas tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela); cabe ao profissional de saúde escolher a apresentação adequada por idade e situação epidemiológica.

    A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) considera protegida a pessoa que recebeu duas doses contra o sarampo na vida, com intervalo mínimo de um mês, aplicadas a partir dos 12 meses. Em cenários de risco — como surtos ou exposição domiciliar — a primeira dose pode ser aplicada a partir dos 6 meses, mas essa dose não substitui as duas doses obrigatórias a partir dos 12 meses, que são necessárias para completar o esquema.

    A vacina tríplice viral é contraindicada na gestação; gestantes não vacinadas ou com esquema incompleto devem receber a vacina no puerpério. Em situações de surto, pode ser avaliada a aplicação de uma terceira dose em pessoas com esquema completo. Pessoas com história documentada de sarampo são consideradas imunes, desde que o diagnóstico seja certo; na dúvida, a recomendação é vacinar.

    O que fazer ao suspeitar de sarampo

    • Procurar serviço de saúde ao apresentar febre alta e manchas no corpo, especialmente em crianças;
    • Não automedicar: busque avaliação médica antes de tomar medicamentos;
    • Manter hidratação e alimentação adequada; observar sinais de agravamento, como febre persistente ou dificuldade respiratória;
    • Verificar o histórico vacinal e completar o esquema conforme orientação do profissional de saúde.

    As informações centrais desta reportagem foram divulgadas pela Agência Brasil, com base em orientações do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Imunizações.

  • São Paulo registra dois novos casos classificados como feminicídio, diz SSP

    São Paulo registra dois novos casos classificados como feminicídio, diz SSP

    A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) registrou dois novos casos de feminicídio em ocorrências distintas na região metropolitana e no interior do estado. As informações sobre os dois episódios foram divulgadas em nota da secretaria e detalham a ação da Polícia Militar, da Polícia Civil e das equipes de perícia.

    Caso em Pindamonhangaba: ex-namorado preso em flagrante

    Na manhã de segunda-feira (10), policiais militares foram chamados para atender uma ocorrência de disparos em Pindamonhangaba. Ao chegarem ao local, encontraram uma mulher de 23 anos caída em via pública com ferimentos por arma de fogo; o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) constatou o óbito no local, conforme a SSP.

    Familiares e testemunhas identificaram o antigo companheiro, de 25 anos, como possível autor do crime. Durante as buscas, os agentes localizaram o veículo usado pelo suspeito e, em seguida, encontraram o homem em seu apartamento, ferido aparentemente por disparo de arma de fogo.

    No imóvel, a SSP informou que foi apreendido um revólver calibre 38. O local do crime e o apartamento foram periciados. O corpo da vítima foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para exames e o veículo utilizado pelo suspeito foi apreendido. O homem ficou hospitalizado e sob escolta policial após a prisão em flagrante. A ocorrência foi registrada também como localização e apreensão de veículo, segundo a nota da secretaria.

    Caso em Osasco: prisão de investigado por crime no fim de semana

    Em outra ação, a Polícia Civil cumpriu um mandado de prisão na tarde de segunda-feira (10) contra um homem de 65 anos, investigado pelo feminicídio de sua companheira, de 43 anos, ocorrido no sábado (8), informou a SSP.

    De acordo com o boletim de ocorrência, policiais militares foram acionados por testemunhas que encontraram a mulher caída na rua. Ela foi socorrida pelo Samu, mas não resistiu aos ferimentos. A SSP acrescenta que, antes de fugir, o suspeito teria tentado atacar o filho da vítima.

    Para apurar as circunstâncias do crime, foram solicitados exames ao Instituto Médico Legal e ao Instituto de Criminalística (IC), conforme registro feito pela secretaria.

    Procedimentos adotados e classificação do crime

    Em ambas as ocorrências, a SSP informou que as equipes policiais realizaram perícias nos locais e encaminharam materiais e corpos aos órgãos técnicos responsáveis. As investigações prosseguem sob responsabilidade da Polícia Civil, que tomou as medidas de prisão e de requisição de exames técnicos indicadas nos boletins.

    As duas mortes foram registradas oficialmente como feminicídio pela delegacia responsável, segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo. A classificação ocorre quando há indícios de que a violência foi motivada pelo fato de a vítima ser mulher, conforme os registros feitos pelas autoridades no momento das ocorrências.

    O que se sabe até o momento

    • Em Pindamonhangaba, a vítima tinha medida protetiva de urgência contra o suspeito, de 25 anos.
    • No apartamento do suspeito em Pindamonhangaba foi apreendido um revólver calibre 38.
    • Em Osasco, o homem preso em cumprimento de mandado é investigado pelo crime ocorrido no sábado (8).
    • Em ambos os casos, o Samu atestou o óbito das vítimas e foram solicitados exames ao IML e ao Instituto de Criminalística.

    As informações sobre as ocorrências foram divulgadas pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo; a reportagem baseia-se na nota oficial da SSP e nos registros feitos pelas polícias militar e civil.

  • Sociedade Brasileira de Pediatria é contra redução da maioridade penal e aponta falta de evidências de eficácia

    Sociedade Brasileira de Pediatria é contra redução da maioridade penal e aponta falta de evidências de eficácia

    A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou posicionamento contrário à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 32/2015, que prevê reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos. A entidade publicou nota criticando a proposta e apresentando dados e interpretações científicas para justificar a oposição.

    Argumentos e evidências citados pela SBP

    Na nota, a SBP afirma que a PEC pretende alterar a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) com base no argumento de importante participação de adolescentes em crimes com morte. A entidade, contudo, afirma que os dados disponíveis mostram que crianças e adolescentes (menores de 18 anos) respondem por uma parcela pequena desses crimes: entre cerca de 0,5% e 2% dos homicídios ou crimes hediondos, conforme a metodologia empregada.

    Segundo a SBP, os adultos seriam responsáveis pela grande maioria desses crimes — entre 98% e 99,5% — e não há, na avaliação da entidade, “evidência científica consistente” de que a redução da maioridade penal resulte em queda na criminalidade juvenil. A nota acrescenta que, em experiências de países que adotaram a redução, não se verificaram dados validados demonstrando diminuição percentual dos atentados à segurança pública atribuíveis a adolescentes; em alguns casos, o efeito teria sido nulo e, em outros, teria ocorrido aumento da reincidência.

    Dados sobre vítimas entre crianças e adolescentes

    A SBP também enfatiza que adolescentes estão entre as maiores vítimas de violência e de crimes com morte no Brasil. A entidade cita levantamento segundo o qual, no período de 2016 a 2020, 35 mil crianças e adolescentes de até 19 anos foram mortos de forma violenta, o que representa uma média aproximada de sete mil óbitos por ano.

    Com base nesses números, a SBP defende prioridade na proteção e na garantia dos direitos previstos na Constituição e no ECA. A nota invoca o artigo 227 da Constituição Federal e o artigo 4º do ECA, que determinam o dever da família, comunidade, sociedade e poder público de assegurar, com prioridade, a efetivação dos direitos de crianças, adolescentes e jovens, livres de negligência, discriminação, exploração e violência.

    Trâmite legislativo da PEC e próximos passos

    A matéria que propõe reduzir a maioridade penal foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados em junho e permanece em tramitação no Congresso Nacional, segundo a Agência Brasil. Após esse passo na CCJ, o texto não vai diretamente ao plenário.

    O procedimento previsto é a análise em uma comissão especial temporária, que debaterá o mérito da proposta. Se aprovada nessa comissão, a PEC ainda precisa ser votada em dois turnos no plenário da Câmara, exigindo o apoio mínimo de três quintos dos deputados (308 dos 513) em cada turno. Caso passe pela Câmara, a proposta segue ao Senado Federal, onde se submeterá a rito semelhante.

    Orientação da SBP e implicações

    Ao reafirmar a posição contrária, a SBP propõe que a solução para a violência envolvendo jovens passe pela efetivação de direitos e políticas públicas voltadas à proteção, prevenção e inclusão social, conforme os dispositivos constitucionais e do ECA citados na nota. A entidade destaca a necessidade de medidas que foquem na prevenção da violência e na garantia dos direitos fundamentais de crianças e adolescentes.

    As informações sobre o posicionamento da SBP e sobre o andamento da proposta foram divulgadas pela Agência Brasil.

  • Produção de motocicletas tem melhor julho da história, aponta Abraciclo

    Produção de motocicletas tem melhor julho da história, aponta Abraciclo

    A indústria brasileira de motocicletas atingiu em julho de 2026 o maior volume de produção já registrado para esse mês, informou a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) em balanço divulgado em 11 de agosto de 2026.

    Produção de motocicletas

    No Polo Industrial de Manaus, foram produzidas 190.794 motocicletas em julho, número que representa alta de 36% em relação a julho de 2025 e aumento de 45,8% na comparação com junho de 2026, de acordo com os dados da Abraciclo.

    Considerando o acumulado de janeiro a julho de 2026, o setor fabricou 1.254.191 motocicletas, o melhor desempenho do período desde 2008, e um crescimento de 9,9% sobre igual período do ano anterior.

    Varejo e licenciamentos

    O mercado de varejo também apresentou resultados recorde para o mês de julho. Foram licenciadas 199.236 motocicletas no mês, volume 3,1% superior ao de julho de 2025 e 2,6% maior que o registrado em junho de 2026.

    No acumulado entre janeiro e julho, os licenciamentos totalizaram 1.373.580 unidades, alta de 12,3% em relação ao mesmo período de 2025, segundo a Abraciclo.

    Exportações

    As exportações de motocicletas em julho somaram 3.289 unidades, o que representa crescimento de 22,8% na comparação com julho do ano anterior, conforme o balanço divulgado pela entidade.

    Produção de bicicletas

    O segmento de bicicletas também registrou melhora em julho: as empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus fabricaram 37.413 unidades, alta de 16,6% ante julho de 2025 e 22,8% em relação a junho de 2026.

    No acumulado de janeiro a julho de 2026, a produção de bicicletas foi de 200.571 unidades, volume 5,7% inferior ao registrado no mesmo período de 2025. A Abraciclo informou que, apesar da retração no acumulado, esse volume está dentro do planejamento da indústria para atender à demanda do mercado.

    Posição da Abraciclo

    Em nota citada pela Abraciclo, o presidente da associação, Marcos Bento, afirmou que o desempenho de julho reforça a trajetória positiva do setor em 2026 e demonstra a capacidade das fabricantes instaladas no Polo Industrial de Manaus de responder à demanda do mercado.

    Os números divulgados pela Abraciclo consolidam sinais de recuperação operacional no semestre, com crescimento simultâneo na produção, no varejo e nas exportações para motocicletas, e recuperação pontual para bicicletas no mês de julho.

    Fontes

    Dados e declarações apresentados neste texto foram extraídos do balanço divulgado pela Abraciclo e reportado pela Agência Brasil em 11 de agosto de 2026.

  • Governo pede ao presidente do Senado instalação de comissão para analisar MP que zerou imposto sobre compras online de até US$ 50

    Governo pede ao presidente do Senado instalação de comissão para analisar MP que zerou imposto sobre compras online de até US$ 50

    O governo federal informou que pedirá oficialmente ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que determine a instalação da comissão mista responsável por analisar a medida provisória 1357/2026, que zerou o Imposto de Importação de 20% sobre compras pela internet de até US$ 50. A comunicação foi anunciada pelo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães.

    Prazo e preocupação com perda de validade

    A MP, editada em maio de 2026, precisa receber aprovação da Câmara e do Senado até o dia 8 de setembro para não caducar. O governo demonstrou preocupação com a possibilidade de a medida perder eficácia diante da agenda do Congresso, que marcou sessões de “esforço concentrado” em apenas duas semanas antes das eleições — a última sessão prevista entre 31 de julho e 4 de setembro — o que reduziria janelas de deliberação.

    Pedido ao Senado e prioridade do Executivo

    Segundo a Agência Brasil, o ministro José Guimarães afirmou que solicitará a Alcolumbre a instalação de todas as comissões mistas necessárias para apreciação das medidas provisórias enviadas pelo Executivo, ressaltando como prioridade a comissão que analisará a MP 1357/2026. Em publicação em rede social citada pela reportagem, Guimarães declarou: “É nossa prioridade a instalação da comissão mista e trabalhar pela sua rápida aprovação, fazendo valer a Medida Provisória assinada pelo presidente Lula”.

    A assessoria do senador Davi Alcolumbre foi procurada pela Agência Brasil, mas não se manifestou sobre a instalação da comissão para essa medida provisória.

    Contestações e tramitação paralela

    A MP enfrenta questionamentos de setores empresariais. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) ingressou no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a norma, argumentando que o texto viola princípios constitucionais e favorece concorrentes estrangeiros em prejuízo da indústria nacional. Em comunicado divulgado quando a medida foi editada, a CNI afirmou que a mudança constitui “uma vantagem concedida a indústrias estrangeiras em detrimento do setor produtivo nacional”, conforme reportagem da Agência Brasil.

    Paralelamente, o governo negocia com a Câmara a votação de outras propostas tidas como prioritárias. O ministro José Guimarães informou que trata com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a votação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 114/2026, que cria regras para renúncias de receita com o objetivo de mitigar impactos do aumento do preço do petróleo provocado pela guerra no Oriente Médio.

    Posições em confronto

    Enquanto a CNI sustenta que a redução do imposto prejudica a indústria nacional, o governo defende que a MP beneficia o consumo popular. O Ministério da Fazenda, citado pela Agência Brasil, afirmou que a medida só foi viabilizada após a adoção de iniciativas voltadas ao combate ao contrabando e à maior regularização do setor de compras internacionais online.

    Próximos passos e incertezas

    O governo pretende formalizar o pedido ao presidente do Senado na terça-feira, 11 de agosto, conforme informado à imprensa. A execução do plano depende agora da decisão de Alcolumbre sobre a instalação imediata das comissões mistas. Sem a instalação das comissões e a tramitação acelerada, a MP corre o risco de perder validade no prazo estabelecido.

    Até o momento da apuração da Agência Brasil, não havia manifestação da assessoria do presidente do Senado sobre a solicitação do Executivo.

    Contexto institucional

    A articulação do governo para instalação de comissões mistas e para liderar votações prioritárias reflete a necessidade de aprovar medidas em um calendário legislativo considerado apertado pela própria administração. A matéria provisória e o PLP 114/2026 figuram entre as iniciativas citadas como essenciais pelo Executivo para equilibrar medidas de estímulo ao consumo e atenuação de efeitos externos na economia.

    Reportagem: Agência Brasil.