Centenas de espectadores reuniram-se no Largo do Pelourinho, em Salvador, para acompanhar a participação da escritora mineira Carla Madeira na décima edição da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô). Reconhecida entre as autoras de ficção mais lidas do país, com mais de 1 milhão de cópias vendidas, ela defendeu a ideia de que o livro funciona como uma “ocasião de conversar” e enfatizou a importância do debate coletivo sobre leituras.
Autora e público na Flipelô
Segundo a cobertura da Agência Brasil, Carla Madeira conversou com o público no Largo do Pelourinho em uma mesa que atraiu grande público. A participação integrou a programação da Flipelô, cuja décima edição, conforme noticiada pela fonte, começou na quarta-feira (5) e se encerra neste domingo (9).
Redes sociais, clubes de leitura e o estímulo à leitura
Para a escritora, o crescimento de clubes de leitura presenciais e de debates sobre livros nas redes sociais tem contribuído para maior interesse pelas obras e para que mais pessoas sintam-se à vontade para discutir literatura. Ela ressaltou que esses espaços permitem concordâncias, discordâncias, críticas e a entrada de novas vozes, ampliando a circulação de ideias e a consciência dos leitores, conforme relato à Agência Brasil.
Leitura no Brasil: números e desafios
Carla Madeira apontou, contudo, que o aumento do interesse não resolve um problema estrutural: quando comparados os números do mercado editorial ao total da população brasileira, há indícios de que o país ainda tem baixos índices de leitura. A autora vinculou essa realidade a fatores como a formação escolar, incentivo à leitura, acesso aos livros e condições físicas para leitura em casa.
Dados citados na entrevista fazem referência à pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro (2024), que indicou que 47% da população com 5 anos ou mais se declarou leitora, o que corresponderia a cerca de 93,4 milhões de pessoas. A mesma pesquisa mostrou que 53% da população não havia lido sequer parte de um livro nos três meses anteriores ao levantamento.
Novo livro: tema, contexto e processo de escrita
Carla Madeira informou à reportagem que seu novo livro será lançado ainda neste mês. A obra trata da história de uma mãe que denuncia o próprio filho à polícia e foi escrita em um período em que a autora enfrentou três perdas pessoais consecutivas. Ela disse que, apesar do momento de luto vivido, não faz autoficção; usou a linguagem como recurso para reorganizar emoções e dar forma ao real.
O romance descreve uma mãe doente que aguarda um reencontro com o filho que não vê há duas décadas. A narrativa também recupera acontecimentos anteriores, situando trechos da trama em 1986, período marcado, segundo a autora, por um retorno das eleições diretas no Brasil e pelas heranças da ditadura ainda presentes no cotidiano.
A maternidade e a família — entendida como um lugar fundante que molda visões de mundo — foram apontadas por Carla Madeira como temas recorrentes em sua produção literária e centrais no novo livro.
Programação da Flipelô e nota sobre cobertura
A décima Flipelô ocorreu entre quarta-feira (5) e domingo (9), segundo a própria reportagem da Agência Brasil. O evento reuniu autores, leitores e debates no histórico Largo do Pelourinho, em Salvador.
A Agência Brasil assinala que a repórter e a fotógrafa da cobertura viajaram a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flipelô 2026.
Fontes
- Agência Brasil (cobertura da Flipelô 2026)
- Instituto Pró-Livro — pesquisa Retratos da Leitura no Brasil (2024), conforme citada na reportagem

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