Tag: redes sociais

  • TSE proíbe algoritmos de recomendar perfis de candidatos; EUA criticam medida como “censura”

    TSE proíbe algoritmos de recomendar perfis de candidatos; EUA criticam medida como “censura”

    Segundo apuração da Agência Brasil, uma norma do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que limita o uso de algoritmos para recomendar perfis de candidatos nas redes sociais provocou reação dos Estados Unidos, que qualificaram a medida como “censura”. A regra entrou em vigor no domingo, 16 de agosto de 2026, e autoriza apenas a recomendação decorrente de impulsionamento pago.

    O que proíbe a norma

    A Resolução nº 23.732, aprovada em fevereiro de 2024, impede que as plataformas exibam perfis de candidatos por meio de mecanismos automáticos de recomendação durante o período de campanha. Segundo o TSE, o objetivo das regras é a “prevenção e mitigação de riscos à integridade do processo eleitoral”. A Corte ainda não se pronunciou além dessa justificativa, e a assessoria do TSE não se manifestou até o fechamento da reportagem, segundo a Agência Brasil.

    Reação dos EUA e posicionamento das plataformas

    A plataforma X publicou orientação aos usuários informando que passará a recomendar contas apenas quando o usuário já seguir o perfil do candidato. A postagem foi republicada por Sarah B. Rogers, subsecretária de diplomacia pública do Departamento de Estado dos Estados Unidos, que descreveu a medida brasileira como “censura imposta pelo Brasil”, conforme noticiado pela Agência Brasil.

    Críticas de especialistas e argumentos a favor

    Especialistas consultados pela reportagem qualificaram a acusação como infundada e defenderam a norma como instrumento para igualar condições entre candidaturas. O cientista político Alexandre Arns Gonzales, integrante do grupo Direito à Comunicação e Democracia (DiraCom), afirmou que a regra busca atenuar um possível viés ou assimetria no alcance das contas oficiais das candidaturas, produzido pelos sistemas algorítmicos das plataformas.

    O advogado especializado em direito eleitoral Alberto Rollo argumentou que a decisão do TSE encontra amparo constitucional ao visar a isonomia na disputa e evitar recomendações “artificiais” que possam favorecer um candidato em detrimento de outro.

    Limites, exceções e preocupações remanescentes

    A legislação eleitoral brasileira permite o impulsionamento pago de conteúdo de campanha nas redes sociais, com regras e limites para os gastos de cada campanha. A Resolução nº 23.732 mantém essa exceção: anúncios pagos podem ser distribuídos segundo critérios do impulsionamento, observadas as normas eleitorais.

    No entanto, Alexandre Arns Gonzales advertiu que a cobrança e a entrega do conteúdo pago podem variar entre plataformas, de modo que um mesmo investimento pode não resultar no mesmo alcance para todas as candidaturas. Essa diferença operacional poderia afetar a isonomia, ainda que o mecanismo formal de recomendação orgânica esteja vedado.

    Proibição prévia a sistemas de IA

    Além da resolução mais recente, a regulamentação brasileira já trazia restrições ao uso de inteligência artificial em contexto eleitoral. Conforme o § 1º-C do Artigo 28 da Resolução nº 23.610/2019, sistemas de IA não podem realizar ranqueamento, recomendação ou priorização de candidatos, nem emitir opiniões, indicar preferência eleitoral, recomendar voto ou promover favorecimento ou desfavorecimento político-eleitoral por meio de respostas automatizadas.

    Os especialistas consultados relacionaram a medida aos debates internacionais sobre desinformação e intervenção algorítmica em pleitos, citando episódios de 2016, como o referendo do Brexit e o plebiscito pela paz na Colômbia, como antecedentes no debate sobre os impactos das plataformas digitais nas eleições.

    Em 2024, a X já havia entrado em atrito com o Judiciário brasileiro por não cumprir decisões do Supremo Tribunal Federal, episódio lembrado por interlocutores como parte do contexto das tensões entre plataformas e órgãos nacionais. A reportagem da Agência Brasil registra essas informações e as posições colhidas junto a especialistas.

  • Ministros do STF Flávio Dino e Alexandre de Moraes defendem rediscussão da dispensa do diploma de jornalismo

    Ministros do STF Flávio Dino e Alexandre de Moraes defendem rediscussão da dispensa do diploma de jornalismo

    Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino e Alexandre de Moraes propuseram, em sessão da Primeira Turma nesta terça-feira (18), a reabertura do debate sobre a decisão da Corte de 2009 que afastou a exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão. A discussão ocorreu no julgamento de um pedido de direito de resposta envolvendo a TV Globo e uma clínica médica mencionada em reportagem sobre assédio sexual, segundo informações da Agência Brasil.

    Argumentos dos ministros na Primeira Turma

    Flávio Dino afirmou que a decisão de 2009, ao dispensar o diploma, acabou por complicar análises posteriores sobre liberdade de imprensa. Em sua manifestação, o ministro alertou para a extensão indiscriminada das garantias reconhecidas pelo STF a usuários de plataformas digitais, citando como exemplo a possibilidade de grupos criminosos se valerem desse entendimento para recrutar pessoas que atuem como produtores de conteúdo.

    Alexandre de Moraes, por sua vez, defendeu a regulamentação da profissão de jornalista. Moraes afirmou que o direito constitucional à liberdade de imprensa não pode servir de escudo para quem, nas redes sociais, comete crimes contra a honra ou propaga desinformação. Segundo ele, a facilidade com que alguém se autodeclara jornalista nas redes agrava problemas relacionados a ataques pessoais e notícias falsas.

    O que decidiu o STF em 2009

    Em 2009, o STF decidiu, por maioria, que a exigência do diploma de jornalismo e do registro profissional para o exercício da profissão era inconstitucional. Naquela ocasião, a Corte entendeu que o Decreto-Lei 972/1969 — que estabelecia regras para o exercício da atividade, incluindo a obrigatoriedade de registro no Ministério do Trabalho e a exigência de diploma de curso superior em jornalismo — não foi recepcionado pela Constituição de 1988. Esse é o marco jurídico que os ministros passaram a questionar durante a sessão desta terça.

    Contexto atual e repercussões

    A rediscussão proposta pelos ministros surge em um momento de controvérsia pública acerca de decisões recentes do STF. A Corte tem sido criticada por autorizar medidas de quebra de sigilo relacionadas ao blogueiro maranhense Luís Pablo, conforme registrado pela Agência Brasil. Além disso, órgãos representativos da categoria jornalística manifestaram preocupação.

    Na semana anterior, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) demonstraram apreensão com decisão do ministro Alexandre de Moraes que permitiu a identificação da fonte de um jornalista. A identificação decorre de investigações sobre denúncias referentes ao suposto uso irregular de veículos oficiais pelo ministro Flávio Dino; Moraes afirmou que as informações da fonte teriam sido obtidas por meio de monitoramento ilegal da rotina de Dino e de seus familiares em São Luís.

    Implicações para liberdade de imprensa e redes sociais

    As manifestações dos ministros apontam para um debate mais amplo sobre como regular a profissão jornalística na era das redes sociais, sem, contudo, que a discussão avance nesta sessão para decisões finais sobre norma ou legislação. O ponto central levantado por Dino e Moraes foi a tensão entre garantir liberdade de expressão e evitar que estruturas de proteção sejam usadas para práticas ilegais ou difamatórias online.

    As informações acima foram divulgadas pela Agência Brasil.

  • Pesquisa revela que jovens reconhecem benefícios e riscos da internet e pedem mudanças

    Pesquisa revela que jovens reconhecem benefícios e riscos da internet e pedem mudanças

    Uma pesquisa realizada pelo Instituto Alana e executada pela Agência Koga, divulgada em 12 de agosto de 2026 (Dia Nacional da Juventude), ouviu mais de 500 jovens entre 13 e 18 anos para mapear como essa faixa etária vive e percebe a internet. O estudo, chamado Adolescência Sem Filtro, revela uma relação ambivalente: os adolescentes apreciam muitos aspectos do ambiente online, mas reconhecem riscos e manifestam desejo de mudanças.

    Principais resultados

    Segundo o levantamento, 71% dos entrevistados acreditam que a internet deve continuar a existir, porém com modificações; 9% afirmaram que ela deveria acabar. Ainda que 71% usem a rede principalmente para diversão, 63% relatam sentir felicidade ao se conectar e 55% sentem curiosidade. Ao mesmo tempo, metade dos participantes admitiu passar mais tempo online do que gostaria.

    Outros indicadores de preocupação incluem: 41% disseram sentir-se mais dependentes do celular e 39% consideraram que perderam tempo nos estudos por causa da internet. Entre as estratégias de proteção adotadas pelos jovens, 44% afirmaram bloquear contas ou conteúdos nocivos e 32% fazem pausas ao longo do dia.

    Responsabilidade das plataformas e autocuidado

    A pesquisa mostra que quase metade dos jovens (49%) entende que as plataformas têm papel central para melhorar a internet, enquanto 43% pedem mais controle por parte das empresas que operam esses serviços. Segundo os responsáveis pelo estudo, os adolescentes reconhecem que muitos recursos digitais são desenhados para prender atenção além do desejado e que é necessário um esforço ativo para se proteger de conteúdos negativos.

    Gabriela Barbosa, especialista em Planejamento Estratégico de Comunicação do Instituto Alana, comentou que os resultados evidenciam um senso crítico apurado dos adolescentes sobre os efeitos da rede e a necessidade de aprimorar esse espaço virtual. Ela ressaltou que, apesar de muitas experiências online serem positivas, os jovens estão atentos às consequências e buscam ferramentas e práticas para reduzir impactos negativos.

    Como os jovens usam a internet

    As redes sociais aparecem como a principal atividade online: 46% dos entrevistados usam a internet no dia a dia para acessar redes sociais, 37% para conversar com amigos e familiares, 30% para jogar, 23% para estudar e 21% para assistir a vídeos. Segundo a pesquisa, aplicativos como Instagram e TikTok funcionam tanto como fonte de pertencimento e informação quanto como mecanismo de entretenimento e evasão.

    O estudo também aponta diferenças de uso por gênero: meninos são predominantes no acesso para jogos (66% dos meninos, ante 44% das meninas), enquanto meninas usam a internet com maior frequência para conversar com familiares e amigos (64% das meninas ante 50% dos meninos) e para estudos (60% das meninas contra 46% dos meninos).

    Metodologia e participação juvenil

    A fase qualitativa do estudo envolveu oito pesquisadores adolescentes, com idades entre 13 e 18 anos, que foram recrutados e treinados pela Agência Koga para conduzir entrevistas aprofundadas. Cada pesquisador realizou entre oito e dez entrevistas presenciais, com o objetivo declarado de reduzir filtros e permitir que os entrevistados se expressassem com maior conforto e identificação.

    Oportunidades e ações: Prêmio Criativos

    Com base na constatação de que 19% dos jovens acreditam que podem ajudar a mudar a internet, o Instituto Alana lançou a nona edição do Prêmio Criativos, cujo tema em 2026 é “A internet é nossa”. A iniciativa convida estudantes do ensino fundamental II e do ensino médio, com idades entre 10 e 18 anos, a apresentar projetos que tornem a internet mais segura, inclusiva e acolhedora.

    As inscrições se encerram em 2 de setembro de 2026, e os resultados serão divulgados em dezembro. Nesta edição, há uma nova categoria audiovisual, que permite inscrição de vídeos e podcasts, além de três prêmios na categoria geral para formatos diversos (campanhas, jogos, aplicativos, rodas de conversa, páginas nas redes sociais e intervenções artísticas). Os nove projetos premiados dividirão R$ 12 mil.

    Temas sugeridos para os projetos incluem tempo de tela, cyberbullying, saúde mental, uso de inteligência artificial, desigualdade de acesso, cultura dos influenciadores, combate à desinformação e o ambiente digital como espaço de expressão juvenil. Segundo o Instituto Alana, abrir espaço para a escuta desses jovens pode gerar contribuições valiosas para transformar a internet.

    Fonte: Agência Brasil (pesquisa Adolescência Sem Filtro, Instituto Alana/Agência Koga).

  • Pesquisa mostra que adolescentes reconhecem benefícios da internet, mas pedem mudanças

    Pesquisa mostra que adolescentes reconhecem benefícios da internet, mas pedem mudanças

    Uma pesquisa que ouviu mais de 500 adolescentes entre 13 e 18 anos mostra uma relação ambivalente desse público com a internet: a maioria reconhece benefícios e aceita a continuidade da rede, mas demanda mudanças e tem consciência dos riscos associados ao uso excessivo.

    Principais resultados do estudo

    O levantamento, divulgado no Dia Nacional da Juventude, aponta que 71% dos entrevistados acreditam que a internet deve continuar existindo, porém com modificações, e 9% defendem que ela deveria acabar. Entre as experiências relatadas, 71% usam a internet principalmente para diversão, 63% dizem sentir felicidade ao se conectar e 55% relatam curiosidade como sentimento recorrente no ambiente digital.

    Tempo online, dependência e estratégias de proteção

    Apesar do aspecto positivo, os adolescentes também mostram consciência sobre efeitos negativos: metade afirma passar mais tempo online do que gostaria, 41% relatam sentir maior dependência do celular e 39% acreditam ter perdido tempo nos estudos por causa da internet. Para se proteger, 44% dos entrevistados bloqueiam contas ou conteúdos nocivos e 32% fazem pausas durante o dia.

    Responsabilidade das plataformas e papel dos próprios jovens

    Quase metade (49%) dos participantes considera que as plataformas devem ser responsáveis por melhorar a internet, e 43% pedem mais controle por parte desses serviços. Ao mesmo tempo, 19% acreditam que podem contribuir para mudanças no ambiente digital — percentual pequeno, mas que, segundo os responsáveis pela pesquisa, indica oportunidade para escutar e engajar jovens nos processos de discussão e criação de soluções.

    Usos mais frequentes e diferenças por gênero

    Redes sociais são a atividade online mais citada: 46% as acessam diariamente; em seguida vêm conversar com amigos e família (37%), jogar (30%), estudar (23%) e assistir a vídeos (21%). Houve diferenças de comportamento entre meninos e meninas: meninos indicaram maior frequência para jogos (66% dos meninos vs. 44% das meninas), enquanto as meninas usam mais a internet para conversar com família e amigos (64% vs. 50%) e para estudos (60% vs. 46%).

    Metodologia e percepção dos entrevistados

    O estudo, intitulado ‘Adolescência Sem Filtro’, foi encomendado pelo Instituto Alana e realizado pela Agência Koga. A pesquisa incluiu uma etapa qualitativa na qual jovens entrevistadores — oito adolescentes de 13 a 18 anos — conduziram entre oito e dez entrevistas cada, com o objetivo de reduzir filtros adultocêntricos e favorecer a identificação entre entrevistador e entrevistado.

    Segundo a especialista em Planejamento Estratégico de Comunicação do Instituto Alana, Gabriela Barbosa, os resultados mostram que os jovens têm senso crítico sobre riscos da internet e sentem a necessidade de se proteger ativamente do conteúdo negativo e do desenho das plataformas que retêm atenção por períodos além do desejado.

    Prêmio Criativos: incentivar soluções feitas por jovens

    Para estimular protagonismo, o Instituto Alana lançou a nona edição do Prêmio Criativos com o tema ‘A internet é nossa’. A iniciativa convida estudantes do ensino fundamental II e do ensino médio, entre 10 e 18 anos, a desenvolver projetos que tornem a internet mais segura, inclusiva e acolhedora. As inscrições vão até 2 de setembro, e os resultados serão divulgados em dezembro.

    Nesta edição, há uma nova categoria audiovisual, que aceita vídeos e podcasts, além de três prêmios na categoria geral para formatos diversos — campanhas, jogos, aplicativos, rodas de conversa, páginas nas redes sociais e intervenções artísticas. Os nove projetos premiados receberão, no total, R$ 12 mil.

    Os temas sugeridos aos participantes incluem tempo de tela, cyberbullying, saúde mental, uso da inteligência artificial, desigualdade de acesso, cultura dos influenciadores, combate à desinformação e o uso da internet como espaço de expressão e protagonismo juvenil.

    Fonte dos dados e informações: Agência Brasil (reportagem sobre a pesquisa ‘Adolescência Sem Filtro’, encomendada pelo Instituto Alana e realizada pela Agência Koga).

  • Carla Madeira diz que redes sociais e clubes de leitura ajudam a aumentar interesse por livros

    Carla Madeira diz que redes sociais e clubes de leitura ajudam a aumentar interesse por livros

    Centenas de espectadores reuniram-se no Largo do Pelourinho, em Salvador, para acompanhar a participação da escritora mineira Carla Madeira na décima edição da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô). Reconhecida entre as autoras de ficção mais lidas do país, com mais de 1 milhão de cópias vendidas, ela defendeu a ideia de que o livro funciona como uma “ocasião de conversar” e enfatizou a importância do debate coletivo sobre leituras.

    Autora e público na Flipelô

    Segundo a cobertura da Agência Brasil, Carla Madeira conversou com o público no Largo do Pelourinho em uma mesa que atraiu grande público. A participação integrou a programação da Flipelô, cuja décima edição, conforme noticiada pela fonte, começou na quarta-feira (5) e se encerra neste domingo (9).

    Redes sociais, clubes de leitura e o estímulo à leitura

    Para a escritora, o crescimento de clubes de leitura presenciais e de debates sobre livros nas redes sociais tem contribuído para maior interesse pelas obras e para que mais pessoas sintam-se à vontade para discutir literatura. Ela ressaltou que esses espaços permitem concordâncias, discordâncias, críticas e a entrada de novas vozes, ampliando a circulação de ideias e a consciência dos leitores, conforme relato à Agência Brasil.

    Leitura no Brasil: números e desafios

    Carla Madeira apontou, contudo, que o aumento do interesse não resolve um problema estrutural: quando comparados os números do mercado editorial ao total da população brasileira, há indícios de que o país ainda tem baixos índices de leitura. A autora vinculou essa realidade a fatores como a formação escolar, incentivo à leitura, acesso aos livros e condições físicas para leitura em casa.

    Dados citados na entrevista fazem referência à pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro (2024), que indicou que 47% da população com 5 anos ou mais se declarou leitora, o que corresponderia a cerca de 93,4 milhões de pessoas. A mesma pesquisa mostrou que 53% da população não havia lido sequer parte de um livro nos três meses anteriores ao levantamento.

    Novo livro: tema, contexto e processo de escrita

    Carla Madeira informou à reportagem que seu novo livro será lançado ainda neste mês. A obra trata da história de uma mãe que denuncia o próprio filho à polícia e foi escrita em um período em que a autora enfrentou três perdas pessoais consecutivas. Ela disse que, apesar do momento de luto vivido, não faz autoficção; usou a linguagem como recurso para reorganizar emoções e dar forma ao real.

    O romance descreve uma mãe doente que aguarda um reencontro com o filho que não vê há duas décadas. A narrativa também recupera acontecimentos anteriores, situando trechos da trama em 1986, período marcado, segundo a autora, por um retorno das eleições diretas no Brasil e pelas heranças da ditadura ainda presentes no cotidiano.

    A maternidade e a família — entendida como um lugar fundante que molda visões de mundo — foram apontadas por Carla Madeira como temas recorrentes em sua produção literária e centrais no novo livro.

    Programação da Flipelô e nota sobre cobertura

    A décima Flipelô ocorreu entre quarta-feira (5) e domingo (9), segundo a própria reportagem da Agência Brasil. O evento reuniu autores, leitores e debates no histórico Largo do Pelourinho, em Salvador.

    A Agência Brasil assinala que a repórter e a fotógrafa da cobertura viajaram a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flipelô 2026.

    Fontes

    • Agência Brasil (cobertura da Flipelô 2026)
    • Instituto Pró-Livro — pesquisa Retratos da Leitura no Brasil (2024), conforme citada na reportagem
  • Levantamento da UFRJ identifica 544 anúncios falsos sobre Desenrola Brasil em redes da Meta

    Levantamento da UFRJ identifica 544 anúncios falsos sobre Desenrola Brasil em redes da Meta

    Um levantamento do Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais (Netlab), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), identificou 544 anúncios falsos sobre o programa Desenrola Brasil veiculados em redes mantidas pela Meta entre 1º de abril e 14 de junho de 2026. Segundo o estudo, as publicações foram usadas por golpistas para atrair usuários a sites e conversas por WhatsApp, com o objetivo de coletar dados pessoais e conduzir fraudes.

    Alcance e distribuição dos anúncios

    Os pesquisadores analisaram anúncios em Instagram, Facebook, WhatsApp, Threads, Messenger e na Audience Network, que permite à Meta veicular publicidade em aplicativos de terceiros. No período avaliado, 48 páginas distintas publicaram os 544 anúncios fraudulentos: 34 utilizaram explicitamente o nome oficial “Desenrola Brasil” em 278 anúncios, enquanto 15 criaram um programa inexistente chamado “Libera Brasil” para 264 anúncios. Uma página usou ambos os nomes.

    Como funcionavam os golpes

    De acordo com o Netlab, as peças publicitárias empregavam estratégias típicas de fraude relacionadas a políticas públicas: promessas de soluções financeiras fáceis, criação de falsa urgência e links que simulavam canais oficiais. Ao clicar, o usuário era direcionado a sites falsos onde eram solicitados dados sigilosos ou encaminhado para conversas no WhatsApp, etapa em que os golpistas prosseguiam com o golpe.

    • 72% dos anúncios faziam uso indevido do nome e da imagem do governo e/ou de marcas privadas;
    • 19,1% promoviam links que se passavam por canais oficiais do governo;
    • 38,1% continham conteúdo gerado por inteligência artificial, segundo o estudo.

    Contexto e histórico de ações administrativas

    O Desenrola Brasil foi criado em 2023 para facilitar a renegociação de dívidas pelos consumidores e, segundo o levantamento, passou a ser alvo de anúncios fraudulentos desde o lançamento da primeira versão. O Netlab lembra que, em julho de 2023, o Ministério da Justiça determinou a retirada de anúncios fraudulentos do ar e aplicou uma medida cautelar que resultou numa multa de R$ 9,3 milhões contra a Meta por veiculação irregular.

    Responsabilidade das plataformas e resposta da Meta

    A diretora do Netlab, Marie Santini, afirmou ao estudo que a circulação massiva de anúncios fraudulentos sem fiscalização torna os usuários cada vez mais vulneráveis, porque anúncios legítimos e ilegítimos aparecem misturados nas mesmas plataformas. Ela defende que sistemas de controle capazes de verificar a legitimidade dos anunciantes e analisar o conteúdo dos anúncios deveriam ser exigidos das empresas que prestam esses serviços.

    Em nota, a Meta declarou que o combate a fraudes e golpes online é prioridade e descreveu medidas adotadas, incluindo o uso de tecnologia de inteligência artificial, modelos de linguagem de grande escala e reconhecimento facial para detectar e remover conteúdo. A empresa informou ainda que denúncias de usuários sobre anúncios de golpes caíram mais de 50% entre meados de 2024 e o final de 2025; que, em 2025, removeu mais de 159 milhões de anúncios fraudulentos, sendo 92% antes de serem denunciados; e desativou 10,9 milhões de contas no Facebook e Instagram associadas a operações de golpe.

    Implicações para usuários e próximos passos

    O relatório do Netlab ressalta o risco de vazamento de informações pessoais e o uso de conversas privadas para avançar etapas do golpe. Como encaminhamento, os pesquisadores e a diretora do laboratório sugerem que autoridades públicas adotem medidas para punir plataformas que permitem a veiculação de anúncios fraudulentos e que as próprias empresas reforcem checagens de legitimidade de anunciantes e inventários de publicidade.

    Os fatos apresentados nesta matéria são baseados no levantamento do Netlab (UFRJ) e na posição oficial fornecida pela Meta à Agência Brasil.