Tag: Educação

  • Memória é central na literatura, diz Milton Hatoum ao apresentar ‘Dança de Enganos’

    Memória é central na literatura, diz Milton Hatoum ao apresentar ‘Dança de Enganos’

    Milton Hatoum afirmou que a memória funciona como um elemento essencial na literatura ao apresentar Dança de Enganos, volume final da trilogia O Lugar Mais Sombrio. Em conversa com jornalistas antes de participar de uma mesa na Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), em Salvador, o escritor explicou que o novo livro retoma as memórias de Lina, mãe de Martim — personagem central dos dois livros anteriores — para revelar feridas pessoais e coletivas.

    Memória como motor da escrita

    Segundo Hatoum, a memória não está cristalizada no passado; ela só adquire sentido quando trazida ao presente. Foi essa operação que orientou Dança de Enganos: a mãe assume a voz principal para expor dores, impactos e traumas carregados por famílias dilaceradas pela ditadura militar. O título, explicou o autor, refere-se às falsidades e equívocos que marcaram a vida da personagem e que só se tornam percebidos por meio da lembrança.

    Trilogia, família e ditadura

    A trilogia O Lugar Mais Sombrio aborda dramas de personagens que cresceram e viveram parte da vida adulta durante um período de opressão, autoritarismo e censura. Hatoum sublinhou, contudo, que o tema político não é o eixo principal das obras: o foco maior é a relação familiar. Ainda assim, as experiências individuais e coletivas vinculadas ao regime militar surgem como pano de fundo e alimentam o conflito narrativo.

    O autor disse também que parte do material que o inspirou veio de relatos e diários de amigos que foram presos e torturados na ditadura. Ele relata ter lido esses depoimentos com choque, mas afirmou ter usado pouco desse conteúdo diretamente, preferindo recorrer à imaginação, que considera o “grande pilar do romance”.

    Posicionamento e repercussão pública

    Hatoum contou que escreveu a trilogia, em parte, como forma de reação ao que viu acontecer no Brasil, e que revisou trechos entre o segundo e o terceiro volumes diante do que qualificou como uma “catástrofe política” no país. Na avaliação do escritor, vozes que defendem a volta daquele período autoritário justificam um posicionamento artístico e público. Ele classificou parte desse grupo como “absolutamente facínora”.

    A presença de Hatoum na Flipelô lotou o auditório do Museu Eugênio Teixeira Leal, conforme a cobertura da Agência Brasil. O autor, considerado um dos principais nomes da literatura brasileira contemporânea, foi recentemente empossado como membro da Academia Brasileira de Letras; ele se declarou o primeiro escritor da Amazônia a ocupar uma cadeira na instituição, segundo as informações que apresentou.

    Educação, empatia e memórias pessoais

    Ao responder perguntas do público, Hatoum destacou a empatia como um antídoto para a crise política e social atual, entendendo-a como oposta ao egotismo e necessária para integrar necessidades individuais e coletivas. Ele também defendeu a reconstrução da escola pública, afirmando que o desmonte dessa estrutura começou na ditadura militar e que sua restauração seria um ato patriótico para formar cidadania e reduzir desigualdades.

    Em tom pessoal, o escritor lembrou da professora que o alfabetizou, Maria Luiza Freitas Pinto, citada também em seu discurso de posse na Academia Brasileira de Letras. Hatoum contou que, quando lançou seu primeiro livro em 1989, ela compareceu à sessão de autógrafos e revelou ter guardado a sua primeira redação, acreditando que ele se tornaria escritor. A professora viveu até os 104 anos e acompanhou lançamentos até os 100, segundo relato do autor.

    O encontro com Hatoum integrou a programação da décima edição da Flipelô, que, conforme a própria cobertura da Agência Brasil, teve início na quarta-feira (5) e se estende até domingo. A agência participou da cobertura do evento; repórter e fotógrafa viajaram a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flipelô 2026, conforme informado na matéria original.

  • Cartão de inscrição do Encceja 2026 já está disponível; prova será em 23 de agosto

    Cartão de inscrição do Encceja 2026 já está disponível; prova será em 23 de agosto

    Os candidatos inscritos no Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) 2026 já podem consultar o cartão de confirmação de inscrição no Sistema Encceja. A publicação com as informações sobre local de prova, data, horário e orientações está disponível na Página do Participante mediante login com a conta Gov.br, segundo informações divulgadas pelo Inep e pela Agência Brasil.

    Como acessar o cartão e que informações ele traz

    O cartão de confirmação pode ser obtido a partir da Página do Participante do Sistema Encceja, mediante autenticação pela plataforma Gov.br. Além do local de prova, o documento apresenta a situação da inscrição, a data e o horário de realização do exame e orientações para o dia da prova, destinadas a evitar contratempos.

    O cartão também indica, quando aplicável, se o participante deverá ser tratado pelo nome social e se teve o pedido de atendimento especializado validado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Embora o porte do cartão no dia da prova não seja obrigatório, o Inep recomenda levá‑lo.

    Data, horários e organização dos turnos

    Conforme o edital do Encceja Nacional, as provas serão aplicadas em todos os estados e no Distrito Federal no domingo, 23 de agosto de 2026. As aplicações ocorrerão em dois turnos:

    • Primeiro turno (manhã): portões abrem às 8h e fecham às 8h45, pelo horário de Brasília; as provas começam às 9h e terminam às 13h.
    • Segundo turno (tarde): portões abrem às 14h30 e fecham às 15h15; a aplicação tem início às 15h30 e se encerra às 20h30.

    Participantes com direito a tempo adicional terão acréscimo de 60 minutos ao tempo previsto para encerramento de cada turno.

    Conteúdos avaliados por etapa de ensino

    O exame nacional avalia competências e saberes adquiridos no processo escolar ou extraescolar e serve como referência nacional para a avaliação de jovens e adultos, segundo o Inep.

    Para quem busca certificação do ensino fundamental, o Encceja aplicará quatro provas objetivas que cobrirão conteúdos entre ciências, matemática, língua portuguesa, língua estrangeira moderna, artes, educação física, redação, história, geografia, filosofia e sociologia.

    No nível do ensino médio, as provas abrangerão temas de química, física e biologia, matemática, língua portuguesa com redação, língua estrangeira moderna (inglês ou espanhol), artes e educação física, além de história, geografia, filosofia e sociologia.

    Requisitos para participar e uso dos resultados

    Podem participar do Encceja Nacional jovens e adultos que não concluíram os estudos na idade apropriada. É exigida idade mínima de 15 anos completos para os candidatos que buscam certificação do ensino fundamental e de 18 anos completos para os que almejam a certificação do ensino médio, na data de realização do exame.

    Os resultados obtidos no exame podem ser utilizados pelas secretarias de Educação e pelos institutos federais como parâmetro para a certificação de conclusão das etapas de ensino. No entanto, o Inep ressalta que a simples inscrição e realização das provas não asseguram automaticamente a certificação.

    Cada participante deverá, conforme seu desempenho, solicitar a certificação de conclusão da etapa correspondente diretamente à instituição certificadora indicada pelo sistema de inscrição.

    Orientações finais

    O cartão de confirmação contém orientações para a realização do exame; recomenda‑se que os candidatos leiam o documento com atenção antes do dia da prova. Informações adicionais e a indicação da instituição responsável pela certificação também são disponibilizadas pelo Sistema Encceja.

    Fonte: Agência Brasil, com informações do Inep.

  • Saeb 2025: Brasil volta ao nível pré-pandemia, mas avanço é desigual e matemática no ensino médio preocupa

    Saeb 2025: Brasil volta ao nível pré-pandemia, mas avanço é desigual e matemática no ensino médio preocupa

    O Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2025, divulgado pelo Ministério da Educação (MEC), registra melhora nos resultados de língua portuguesa e matemática em todo o ensino básico, mas evidencia lacunas importantes nas etapas finais da educação básica. Segundo o MEC, o país voltou, em média, ao patamar de 2019, anterior à pandemia de covid-19.

    Resultados gerais e recuperação pós-pandemia

    O MEC informou que a média padronizada dos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano) passou de 5,9 para 6,2 entre 2023 e 2025, representando o avanço mais expressivo entre as etapas avaliadas. Em termos pontuais nas provas, o 5º ano alcançou 215,1 pontos em língua portuguesa e 227,4 pontos em matemática, em uma escala que vai de 0 a 500.

    O órgão destacou que, na rede pública dos anos iniciais, as médias superaram os níveis registrados em 2019, o que indica uma recomposição das aprendizagens nessa etapa.

    Desempenho por etapa: diferenças e pontos de atenção

    Nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano), a nota padronizada passou de 5,1 para 5,2 entre 2023 e 2025, mantendo a posição no nível considerado básico. Já o ensino médio registrou crescimento de 0,1 na média padronizada e superou o resultado de 2019 (4,4), mas a proficiência em matemática permanece abaixo do nível básico.

    Os resultados por série mostram progressos moderados: no 9º ano, língua portuguesa subiu de 252,9 para 256,6 e matemática de 249,9 para 255,3; no 3º ano do ensino médio, língua portuguesa foi de 269,1 para 272,3 e matemática de 263,9 para 268,0. Considerando toda a rede estadual (incluindo ensino médio integrado), os aumentos também foram observados: português de 271,7 para 275,8 e matemática de 267,3 para 271,4.

    Reações de especialistas e propostas de ação

    Organizações e especialistas consultados ressaltaram que, apesar do avanço, os ganhos ainda são insuficientes para transformar o nível de aprendizagem das etapas mais afetadas. Natália Fregonesi, coordenadora de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação, afirmou que muitos estudantes chegam ao ensino médio com defasagens acumuladas e defendeu priorizar a aprendizagem desde os anos iniciais.

    Felipe Proto, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann, ressaltou que a melhora em matemática exige esforços coordenados e sustentados, com prioridade política e continuidade na implementação de políticas anunciadas, como o Compromisso Nacional Toda Matemática, mencionado pelo MEC.

    Entre as medidas sugeridas por especialistas estão formação e apoio a professores, acompanhamento pedagógico nas escolas e estratégias de recuperação e recomposição das aprendizagens para estudantes que não desenvolveram as habilidades esperadas no tempo previsto.

    Posição do Ministério da Educação e contexto institucional

    O ministro da Educação, Leonardo Barchini, afirmou que o Brasil não é o único país com desafios em matemática e citou a formação inicial e continuada de docentes como resposta do MEC. Barchini lembrou também que a Prova Nacional Docente (PND) 2025 indicou existência de professores proficientes em matemática suficientes para as redes de ensino, e defendeu que as secretarias e redes usem esse instrumento para alocar esses profissionais.

    Para a secretária Nacional de Educação Básica, Kátia Schweickardt, a evolução observada resulta de uma agenda sistêmica bem implementada. O MEC ressaltou que relatórios internacionais previam uma recuperação de 10 a 13 anos, e que o retorno aos níveis pré-pandemia em dois ciclos (quatro anos) indica maior rapidez do que o esperado.

    Dados da avaliação e consulta pública

    O Saeb 2025 avaliou 5,9 milhões de alunos, em 73,7 mil escolas e 247,7 mil turmas, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Criado em 1990, o Saeb aplica provas bienais que combinam testes e questionários para medir desempenho estudantil e fatores contextuais. Os resultados integram, junto ao fluxo escolar do Censo, a composição do Ideb e servem para monitoramento por escolas, redes e unidades da federação.

    O relatório completo do Saeb 2025 está disponível na página do Inep, conforme informou o MEC.

  • Pesquisa da Plan Brasil aponta que gravidez na infância e adolescência reduz oportunidades educacionais e profissionais

    Pesquisa da Plan Brasil aponta que gravidez na infância e adolescência reduz oportunidades educacionais e profissionais

    Uma pesquisa da organização não governamental Plan Brasil, divulgada pela Agência Brasil, mostra que a gravidez ocorrida na infância ou na adolescência tem impactos profundos na vida de meninas e jovens brasileiras. O estudo, intitulado Marcas do Tempo: Gravidez na Infância ou Adolescência e seus Impactos na Vida de Mulheres no Brasil, ouviu mais de 1,5 mil mulheres entre 19 e 29 anos em todas as regiões do país e comparou trajetórias de quem teve gestação precoce e de quem não passou por essa experiência.

    Alcance e metodologia

    A pesquisa abrangeu entrevistadas de 19 a 29 anos e dividiu o conjunto em dois grupos: mulheres que engravidaram durante a infância ou adolescência e as que não passaram por essa condição. Os percentuais apresentados no estudo referem-se às respostas das participantes e às comparações entre esses dois grupos, considerando contextos iniciais semelhantes.

    Impactos na educação e no mercado de trabalho

    Entre as mulheres que tiveram gravidez na infância ou adolescência, 61% relataram que a gestação interrompeu seus estudos. Entre as entrevistadas que não engravidaram nessas fases, esse índice caiu para 33%. Esses dados indicam uma distância considerável no nível educacional alcançado pelas mulheres que tiveram gestação precoce, segundo a Plan Brasil.

    Os efeitos sobre a inserção e permanência no mercado de trabalho também foram significativos. Oito em cada dez entrevistadas (83%) afirmaram já ter abandonado um emprego ou perdido uma oportunidade profissional devido à necessidade de cuidar dos filhos. Para a CEO da Plan Brasil, Cynthia Betti, a gravidez precoce configura um ponto de inflexão que aprofunda desigualdades preexistentes e reduz a capacidade de escolha dessas jovens em um momento crucial de suas vidas.

    Discriminação, casamento e barreiras no acesso à saúde

    O levantamento apontou que 73% das mulheres que engravidaram na infância ou adolescência relataram ter sido discriminadas por causa da gestação, em ambientes como família, escola ou serviços de saúde. Os relatos, conforme o estudo, registram julgamentos sobre capacidade intelectual, moral e profissional dessas jovens.

    Após a primeira gestação, 59% das entrevistadas passaram a viver em casamento ou união estável. A pesquisa também identificou um aumento de 19 pontos percentuais na probabilidade de casamento antes dos 16 anos entre aquelas que tiveram gravidez precoce.

    Além disso, entre as jovens que engravidaram antes de completar 14 anos, metade (50%) declarou não ter tido a possibilidade de realizar a interrupção legal da gestação nos serviços de saúde. A pesquisa ressalta que, segundo a legislação brasileira, toda gravidez em menores de 14 anos é considerada resultado de estupro de vulnerável, e os dados sugerem lacunas no acesso a direitos previstos na lei.

    Recomendações da pesquisa

    Para reverter as consequências apontadas, a Plan Brasil propõe um conjunto de medidas integradas. Entre as recomendações estão a oferta de educação sexual baseada em direitos, acesso facilitado a métodos contraceptivos e ampliação de creches com horário compatível à rotina de estudo e trabalho.

    O estudo também destaca a necessidade de ações para combater a violência obstétrica e a coerção contraceptiva, além de políticas públicas que favoreçam a inserção das jovens mães no mercado de trabalho, como programas de primeiro emprego específicos para esse público. A CEO Cynthia Betti defende implementação, monitoramento e orçamento para políticas públicas integradas como caminhos para enfrentar o problema.

    Contexto e próximas etapas

    Os resultados da pesquisa estão disponibilizados no site da Plan Brasil, conforme divulgado pela Agência Brasil. O estudo oferece dados que permitem mapear desvantagens acumuladas ao longo da vida de mulheres que passaram por gravidez na infância ou adolescência e serve como base para debate sobre políticas de prevenção e suporte.

    Ao apontar tanto impactos imediatos quanto repercussões de longo prazo, o levantamento reforça a necessidade de respostas governamentais coordenadas e de serviços públicos acessíveis que garantam educação, saúde reprodutiva e apoio socioeconômico a jovens mães.

  • Debate sobre impactos das telas na saúde mental atinge 80% das escolas, diz pesquisa

    Debate sobre impactos das telas na saúde mental atinge 80% das escolas, diz pesquisa

    A discussão sobre os efeitos das tecnologias digitais no desenvolvimento e na saúde mental dos alunos passou a integrar a agenda de 80% das escolas brasileiras em 2025, segundo a pesquisa TIC Educação 2025. O percentual representa um aumento de 18 pontos percentuais em relação a 2024, quando 62% das instituições relataram tratar do tema.

    Pesquisa e metodologia

    O levantamento foi realizado pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), entidade ligada ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), e foi divulgado em 4 de agosto de 2026. Os dados foram coletados por telefone com gestores de 2.404 escolas públicas e privadas, em áreas urbanas e rurais.

    De acordo com os coordenadores da pesquisa, os resultados indicam maior presença de pautas relacionadas ao uso crítico e às consequências das tecnologias digitais nas conversas escolares, tanto entre profissionais quanto com as famílias.

    Ações nas escolas e participação das famílias

    Em 2025, 75% dos gestores se reuniram com pais, mães e responsáveis para tratar do uso de tecnologias digitais no ambiente escolar, contra 60% em 2024. As conversas envolvendo professores e outros profissionais da escola passaram de 68% para 86% no mesmo período.

    • Debates sobre uso seguro, crítico e responsável: aumento de 56% (2024) para 75% (2025).
    • Inclusão de educação midiática no currículo: subiu de 46% para 67%.
    • Instituições que desenvolvem ações com estudantes sobre o tema: 65%.

    O levantamento aponta desigualdade na oferta dessas iniciativas: a presença de ações é maior nas escolas urbanas (72%) e naquelas que disponibilizam computadores e acesso à internet para os alunos (75%). Entre as instituições que realizam atividades, 75% dos gestores relatam baixa participação das famílias como principal obstáculo, seguido pela falta de materiais e recursos educacionais de apoio (64%).

    Entre as escolas que não promovem atividades voltadas ao tema, as maiores dificuldades relatadas foram falta de materiais e recursos (77%), baixa participação das famílias (66%) e qualidade dos computadores e do acesso à internet da escola (65%). Daniela Costa, coordenadora da pesquisa TIC Educação, comentou que os dados evidenciam a necessidade de atenção às desigualdades estruturais e à integração entre escolas e famílias.

    Orientação às famílias e medidas adotadas

    Quase metade das escolas (49%) registrou procura por parte de responsáveis em busca de orientações para mediar o consumo digital de crianças e adolescentes. Em resposta, 48% das instituições promoveram palestras com especialistas em bem-estar e saúde mental, e 46% distribuíram guias e materiais de orientação sobre hábitos saudáveis de uso de recursos digitais.

    Renata Mielli, coordenadora do CGI.br, destacou a importância de políticas públicas e regulação para proteção de crianças e jovens, citando a necessidade de apoio a famílias e educadores para compreenderem temas como o funcionamento de algoritmos e sistemas de inteligência artificial.

    Celulares na escola e variação regional

    A pesquisa mostra que 51% das escolas proíbem que alunos levem o telefone celular pessoal ao ambiente escolar. A restrição é mais comum em turmas até os anos iniciais (69%) do que em turmas de ensino médio (31%).

    Em 40% das instituições, os alunos estão autorizados a levar o celular, com regras de armazenamento divergentes: em 24% os dispositivos ficam guardados em bolsos ou acessórios individuais (como mochilas ou estojos) e em 16% em locais fornecidos pela escola (caixas, armários ou espaços semelhantes).

    Quando se considera apenas as escolas que permitem a entrada de aparelhos, 66% permitem o uso do celular em atividades pedagógicas. Essa proporção é maior em contextos com maiores barreiras de conectividade: 76% na Região Norte, 76% na Região Nordeste e 75% em áreas rurais.

    Uso de inteligência artificial por gestores e estudantes

    É a primeira edição da TIC Educação que mapeou o uso de ferramentas de inteligência artificial generativa em escolas. Segundo o levantamento, 53% dos gestores já utilizam esses sistemas em atividades de gestão pedagógica, administrativa ou financeira.

    Contudo, apenas 22% das escolas dispõem de um guia de orientações sobre o uso de IA no ensino, na aprendizagem ou na gestão — com variações entre redes: 19% nas municipais, 25% nas estaduais e 25% nas particulares.

    • Principais finalidades apontadas pelos gestores no uso de IA: criação de conteúdos visuais ou de comunicação (83%), elaboração de convites e comunicados (80%) e tradução, revisão ou resumo de textos (71%).
    • Permissão para uso de IA por estudantes em atividades escolares: 37% das escolas; chega a 47% na rede estadual e 52% nas instituições com turmas até o ensino médio.

    O estudo reforça a necessidade de ampliar orientações e recursos para que escolas e famílias possam mediar o uso das tecnologias digitais, conforme análise dos coordenadores da pesquisa e das entidades envolvidas. Fonte: Agência Brasil, com dados da pesquisa TIC Educação 2025 (Cetic.br / NIC.br / CGI.br).

  • Jornada de Foguetes 2026 reúne alunos de todo o país em Barra do Piraí (RJ)

    Jornada de Foguetes 2026 reúne alunos de todo o país em Barra do Piraí (RJ)

    Começou nesta segunda-feira (3) a Jornada de Foguetes 2026, realizada no Hotel Fazenda Ribeirão, em Barra do Piraí (RJ). O encontro reúne as equipes de alunos que obtiveram os melhores resultados na Olimpíada Brasileira de Foguetes (Obafog), etapa da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), e prossegue com atividades ao longo de agosto e, para parte das equipes, até fevereiro de 2027.

    Quem participa e como está organizada a competição

    Estudantes do 6º ao 9º ano do ensino fundamental e das três séries do ensino médio participam da jornada. As escolas representadas são públicas e privadas, de áreas urbanas e rurais de todo o país. No total, 18 equipes foram selecionadas: 16 delas competirão em etapas previstas até dezembro de 2026, enquanto duas serão avaliadas em fevereiro de 2027.

    Cronograma e formato das atividades

    A abertura oficial ocorreu das 20h às 22h do dia 3 de agosto, quando os participantes iniciaram a construção de foguetes mais complexos, incluindo projetos com eletrônica e sistemas de paraquedas. As jornadas diárias têm início às 8h e se estendem até as 22h; nas quintas-feiras o horário de atividades vai das 8h às 12h, quando são realizadas as premiações das equipes vencedoras.

    A equipe organizadora viajou para Barra do Piraí no domingo (2) e os alunos e professores chegaram na segunda-feira (3), conforme informado pela organização. As primeiras etapas da competição ocorrem de segunda a quinta-feira a partir de 3 de agosto; as duas equipes que competirão em 2027 têm suas jornadas marcadas para 22 a 25 de fevereiro.

    Oficinas, lançamentos e métodos usados

    Durante o evento, os estudantes participam de oficinas de construção e lançamento de dois novos tipos de foguetes. Um dos modelos citados envolve eletrônica para liberar o paraquedas durante a descida; outro tipo é mais simples, adequado para turmas do ensino fundamental. As turmas do ensino médio farão lançamentos usando uma reação com vinagre e bicarbonato de sódio, enquanto as turmas do 6º ao 9º ano utilizarão foguetes movidos a água e ar comprimido.

    Além das oficinas práticas, os participantes assistem a palestras com equipes universitárias que trabalham com foguetes de maior porte, observam o céu noturno e frequentam sessões de planetário. Segundo os organizadores, essas atividades visam reforçar conteúdos escolares e tornar o aprendizado mais atrativo.

    Objetivos pedagógicos e avaliação

    O coordenador da OBA e da Obafog, professor e astrônomo João Batista Garcia Canalle, destacou que a jornada vai além da competição: os estudantes não apenas lançam foguetes e recebem prêmios como troféus e menções honrosas, mas também desenvolvem habilidades técnicas e de comunicação ao expor os projetos que construíram. “Eles saem sabendo muito mais do que quando chegaram”, afirmou Canalle em entrevista à Agência Brasil.

    Segundo a organização, a iniciativa reforça conteúdos em sala de aula, estimula a colaboração entre os estudantes e promove uma aprendizagem prática e lúdica. As apresentações orais e a demonstração das bases e foguetes construídos fazem parte do processo avaliativo durante as jornadas.

    Organização e apoio institucional

    A Jornada de Foguetes é organizada pela Sociedade Astronômica Brasileira (SAB) em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB). O evento conta com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), do Centro Universitário Facens, do BTG Pactual, da empresa Bizu Space e da Força Aérea Brasileira. A informação sobre a organização e os apoiadores foi divulgada à imprensa pela própria organização e registrada pela Agência Brasil.

    As atividades combinam competição, formação e divulgação científica, com foco em aproximar estudantes de temas relacionados à ciência, astronomia e tecnologia por meio de experiências práticas e colaborativas.

  • Mostra de Cinema China-Brasil reúne 14 filmes gratuitos no Rio e promove intercâmbio cultural

    Mostra de Cinema China-Brasil reúne 14 filmes gratuitos no Rio e promove intercâmbio cultural

    A 5ª Mostra de Cinema China-Brasil estreia em 3 de agosto e se estende até 25 de agosto, com sessões abertas ao público no CineSystem Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro. A programação integra 14 filmes, incluindo sete produções chinesas inéditas no Brasil, e ocorre no contexto do Ano Cultural Brasil-China, segundo reportagem da Agência Brasil.

    Curadoria e proposta editorial

    A curadoria foi assinada por Arthur Chen e Hélio Pitanga, idealizadores da iniciativa. Eles explicam que a seleção privilegia obras que fogem a estereótipos e mostram aspectos menos divulgados da China, como a trajetória do agrônomo retratado em Yuan Longping: Pai do Arroz e documentários que abordam trabalho e tecnologia, como Iluminando Ali: O Diário de um Engenheiro e Trabalhadores da Rede Elétrica do Cinturão e Rota.

    Chen, nascido na província de Zhejiang e naturalizado brasileiro, afirmou à Agência Brasil que procurou autenticidade, diversidade e empatia ao escolher os filmes chineses, e destacou a presença de Operação Sombra, com Jackie Chan, como atração inédita no país.

    Programação e destaques

    Todas as exibições no CineSystem Botafogo terão entrada franca; ingressos podem ser retirados pelo site Ingresso.com ou na bilheteria do complexo. A mostra inclui gêneros variados: ficção, documentário e animação, tanto chineses quanto brasileiros.

    Entre os títulos chineses inéditos estão Operação Sombra (ação, com Jackie Chan), Master Zhong (animação/ação) e produções documentais e animadas como Filho Cabeçudo e Pai Cabeçudo e Liangzhu: Um Diálogo entre Civilizações. A programação brasileira reúne filmes como Mamonas Assassinas: O Filme, Corações a Mil, Belchior – Apenas um Coração Selvagem, Nosso Lar 2: Os Mensageiros, Betinho – A Esperança Equilibrista, Tromba Trem: O Filme e Vai Pra China, Eduardo.

    Os organizadores informaram que a seleção nacional buscou obras com bom desempenho em festivais e que, muitas vezes, não chegam amplamente às salas comerciais — sobretudo documentários — oferecendo ao público uma oportunidade de assisti-las em tela grande.

    Atividades educativas, concurso e circuito cultural

    Uma das novidades desta edição é o Concurso Jovem Cineasta, destinado a jovens de 18 a 29 anos residentes no estado do Rio de Janeiro. As produções inscritas devem ter entre 1 e 2 minutos e abordar a temática do Ano de Relações Culturais China x Brasil. A premiação ocorrerá no dia 4 de agosto, durante a cerimônia de abertura oficial no Palácio Tiradentes, com a participação da atriz Lucélia Santos, conforme informou a organização.

    Também haverá um circuito educativo em escolas bilíngues da rede pública do Rio que oferecem mandarim no currículo. No Ciep Samuel Wainer e na Escola Municipal Orsina da Fonseca (Tijuca), alunos assistirão a animações e documentários chineses como Muqiling, Yeluoli, Liangzhu, Os Temíveis Monstros da Dinastia Tang e Tromba Trem: O Filme, com a proposta de ampliar o contato entre o idioma e a cultura cinematográfica.

    Ao longo do mês, a mostra será levada a centros culturais e bibliotecas, incluindo a Arena Carioca Fernando Torres (Madureira), a Biblioteca Parque da Rocinha e o Instituto Zeca Pagodinho, em Xerém, onde o público também poderá participar de conversas com profissionais do mercado audiovisual chinês.

    Premiação e reconhecimento

    Na noite de abertura, em 4 de agosto, será entregue o Prêmio Arara Azul às 14 produções participantes. Hélio Pitanga destacou que a mostra se posiciona como espaço de reconhecimento para todos os filmes selecionados, independentemente de terem recebido prêmios em outros eventos, enfatizando o caráter de estímulo à produção audiovisual.

    As informações sobre títulos, horários e locais de exibição foram divulgadas pela organização da mostra e reportadas pela Agência Brasil.

  • MP-SP abre inquérito para apurar entrada de 12 PMs em escola após atividade sobre orixás

    MP-SP abre inquérito para apurar entrada de 12 PMs em escola após atividade sobre orixás

    O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) instaurou inquérito civil para investigar a entrada de 12 policiais militares armados em uma escola municipal da Zona Oeste de São Paulo após ocorrência relacionada a uma atividade pedagógica sobre a orixá Iansã. O episódio ocorreu em 11 de novembro de 2025 e motivou apurações sobre possíveis violações ao direito à educação, discriminação religiosa e conduta policial.

    O que aconteceu

    Segundo o MPSP, a intervenção policial na EMEI Antônio Bento foi desencadeada por uma denúncia de um pai de aluna de 4 anos. O pai, que também é policial militar, reclamou da atividade desenvolvida pela escola envolvendo a orixá Iansã. Em seguida, 12 PMs entraram no estabelecimento munidos de armas.

    Após os fatos, a Polícia Civil do Estado de São Paulo indiciou o pai da aluna por intolerância religiosa, conforme informação divulgada pelo Ministério Público.

    Investigação do Ministério Público

    A investigação do MPSP baseia-se em depoimentos, documentos e na análise das imagens registradas pelas câmeras corporais dos policiais envolvidos. De acordo com o promotor de Justiça Bruno Orsino Simonetti, os elementos reunidos até o momento não indicam a existência de crime que justificasse a ação policial dentro da escola, o que faz com que a diligência seja considerada pelo Ministério Público como “injustificada”.

    O inquérito civil buscará aprofundar a apuração sobre a possível violação do direito à educação e do livre exercício da atividade pedagógica, levando em conta a obrigatoriedade do ensino da história e da cultura afro-brasileira e indígena prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB).

    Posições das autoridades

    Em relatório preliminar citado pelo MPSP, a Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP-SP) concluiu que os policiais militares agiram em conformidade e não identificou necessidade de instaurar Inquérito Policial Militar ou sindicância. Essa avaliação contrasta com a avaliação inicial do Ministério Público, que considera a entrada dos policiais na escola sem justificativa suficiente.

    Por sua vez, a Secretaria Municipal de Educação (SME) informou que a atividade pedagógica questionada estava alinhada ao Currículo da Cidade para Educação Infantil, às Orientações Pedagógicas de Educação Antirracista e às Leis Federais 10.639/2003 e 11.645/2008, que tratam do ensino da história e cultura afro-brasileira, africana e indígena nas escolas.

    Implicações legais e educacionais

    O inquérito civil do MPSP pretende avaliar se a atuação policial configurou uma interferência indevida no ambiente escolar e se houve violação ao direito à educação e à liberdade de exercer atividade pedagógica prevista em lei. A apuração também investigará possíveis práticas de discriminação racial ou intolerância religiosa associadas ao episódio.

    Até o momento, os fatos podem resultar em diferentes desdobramentos: a continuidade da investigação civil por parte do Ministério Público, procedimentos internos na própria polícia estadual (caso sejam reabertos) ou medidas administrativas e disciplinares dependendo das conclusões das apurações. A Polícia Civil já indiciou o pai da aluna por intolerância religiosa, conforme noticiado pelo MPSP.

    Próximos passos

    • O MPSP seguirá a coleta e análise de provas, incluindo imagens das câmeras corporais, depoimentos e documentos.
    • A apuração buscará esclarecer se houve violação ao direito à educação e às normas que regem o ensino da cultura afro-brasileira e indígena.
    • Outras medidas cabíveis serão tomadas conforme as conclusões do inquérito civil e de investigações paralelas, quando for o caso.

    As informações sobre o caso foram divulgadas pelo Ministério Público de São Paulo e registradas em reportagem da Agência Brasil.

  • Pré-selecionados do Fies têm até 4 de agosto para complementar informações no sistema

    Pré-selecionados do Fies têm até 4 de agosto para complementar informações no sistema

    O Ministério da Educação (MEC) divulgou a lista de pré-selecionados no processo seletivo do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) para ingresso no segundo semestre de 2026. Os candidatos contemplados na pré-seleção devem complementar as informações de suas inscrições no sistema Fies Seleção entre 31 de julho e as 23h59 do dia 4 de agosto, acessando o serviço com o login do portal Gov.br, segundo comunicado do MEC publicado no Portal Único de Acesso ao Ensino Superior.

    Prazo e procedimento para complementação

    O procedimento obrigatório de complementação deve ser feito exclusivamente pelo site do Fies Seleção, usando as credenciais do Gov.br. O MEC informou que o prazo começou em 31 de julho e se encerra às 23h59 de 4 de agosto. Candidatos que não realizarem as complementações nesse intervalo poderão ter sua pré-seleção comprometida, conforme as regras do processo seletivo.

    Vagas, instituições e volume de inscritos

    Na edição de 2026 foram disponibilizadas 75,5 mil vagas distribuídas entre 1.274 instituições de ensino superior privadas, abrangendo 28.741 opções de cursos e turnos. O processo seletivo computou 315.431 inscrições registradas por 127.175 candidatos, já que cada inscrito pôde indicar até três opções de curso.

    Do total de inscritos, 67,5% são mulheres (85.867 candidatas) e 32,5% são homens (41.308 inscritos). O processo também registrou participação de grupos específicos: 666 candidatos autodeclarados indígenas, 1.808 quilombolas e 5.248 pessoas com deficiência (PCD).

    Autodeclaração racial e reserva de vagas

    Segundo os dados divulgados pelo MEC, mais de 72 mil candidatos se autodeclararam pretos ou pardos, o que representa cerca de 57% do total de inscritos. Entre as mulheres, 55,5% se autodeclararam pretas ou pardas; entre os homens, esse percentual foi de 60,5%.

    O processo seletivo do Fies prevê reserva de vagas para diferentes perfis. Metade das vagas (50%) é destinada a estudantes cuja renda familiar per capita seja de até meio salário mínimo e que tenham inscrição ativa no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico). Há também reserva de vagas para cotistas com perfis específicos: pessoas com deficiência, indígenas, quilombolas e autodeclarados pretos e pardos.

    Fies Social e cobertura do financiamento

    Os pré-selecionados que atendam aos critérios do Fies Social podem obter financiamento de até 100% dos encargos educacionais, o que abrange integralmente as mensalidades. Essa modalidade destina-se a candidatos que preencham os requisitos de renda e inscrição no CadÚnico, conforme explicitado pelo MEC.

    Lista de espera e próximas etapas

    Os candidatos que não foram contemplados na chamada única foram automaticamente incluídos na lista de espera para eventual preenchimento de vagas não ocupadas, observada a ordem de classificação. Para a etapa de pré-seleção da lista de espera, o MEC estabeleceu o período de 7 de agosto a 24 de setembro.

    O Fies realiza dois processos seletivos regulares por ano — para o primeiro e o segundo semestre — além de chamadas específicas para vagas remanescentes, conforme informação divulgada pelo ministério.

    Serviço e contato

    Os interessados que ainda tiverem dúvidas sobre prazos, requisitos ou procedimentos podem entrar em contato com o Ministério da Educação pelo telefone 0800-616161. As informações oficiais foram divulgadas pela Agência Brasil com base em dados e comunicados do MEC.

  • Pelos Olhos de Orides adapta a poesia da autora para o público infantil e é lançado na Flip

    Pelos Olhos de Orides adapta a poesia da autora para o público infantil e é lançado na Flip

    O livro Pelos Olhos de Orides (Editora Hedra) reúne poemas de Orides Fontela adaptados para o público infantil, propondo que crianças se aproximem da poesia a partir de elementos simples do cotidiano — como nuvens, pássaros, flores e até vacas — e de uma estética que estimula a contemplação.

    Uma poesia que parte do cotidiano

    A obra destaca o caráter preciso e imagético da poesia de Orides, que transforma pequenos elementos da natureza em motivos de reflexão sobre o mundo, o tempo e a espera. Segundo o organizador do volume, Augusto Massi, essa linguagem compartilha com a infância uma postura investigativa: o livro foi concebido com espaços e contrastes para incentivar perguntas e permitir múltiplas interpretações.

    Orides Fontela, lembrada por imagens como “a flor do céu” para designar uma nuvem, faleceu em 1998, aos 58 anos, logo após o lançamento de Teia, fato recordado durante o lançamento do livro na Flip.

    Lançamento na Flip: debate e recepção

    O lançamento de Pelos Olhos de Orides ocorreu em julho na Casa da Árvore, em Paraty, no âmbito da 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), onde Orides foi a autora homenageada. A celebração incluiu mesa de conversa com o organizador Augusto Massi e a ilustradora Cynthia Cruttenden, que comentaram tanto a seleção dos poemas quanto as soluções visuais do livro.

    O poeta e educador André Gravatá, que participou do evento e concedeu entrevista à Agência Brasil, destacou a capacidade das crianças de se relacionarem com a poesia como experiência concreta: citou o exemplo de uma menina que, ao escovar os dentes, disse “eu te amo” à água — uma situação que Gravatá interpretou como um poema vivido. Para ele, provocar o gosto pela literatura desde a infância ajuda a nutrir sensibilidade e a manter a disposição para o espanto.

    Ilustração e proposta visual

    O projeto gráfico e de ilustração foi apontado por Massi como “um acontecimento”. Em vez de recorrer a imagens literais, a ilustradora Cynthia Cruttenden optou por explorar formas, cores e movimentos que abrem possibilidades interpretativas: figuras com cores fortes e dinâmicas, às vezes menos definidas, que convidam a criança a procurar e inventar sentidos.

    Cynthia disse que a característica lúdica das imagens — com figuras “meio escondidas” e dualidades de leitura — é justamente o que instiga a imaginação infantil, oferecendo liberdade visual e alegria.

    Ações educativas e alcance social na Flip

    O lançamento aconteceu num contexto mais amplo de atividades educativas na Flip. A programação do evento incluiu o Circuito Cultural, que levou cerca de 270 crianças e adolescentes das comunidades locais a participar do festival. O projeto, direcionado a estudantes da rede pública e a participantes de organizações sociais, é promovido pelo Instituto Motiva e atua em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, e planeja atingir mais de 3 mil crianças e jovens ao longo do ano.

    O Programa Educativo da 24ª Flip — que engloba Flipinha, FlipZona e FlipEduca — registrou mais de 15 mil participações em atividades gratuitas realizadas em quatro dias, reunindo crianças, jovens, famílias, educadores e mediadores de leitura. Jéssica Trevisam, gerente do Instituto Motiva, afirmou que a conexão de crianças e jovens com museus e festivais amplia repertório, fortalece senso de pertencimento e contribui para a formação de cidadãs e cidadãos mais críticos e criativos.

    Perspectivas e argumentos sobre educação literária

    Autores e organizadores presentes ao lançamento defenderam a centralidade das ações educativas em eventos de literatura. Gravatá destacou que espaços educativos bem estruturados e com programação ampliada provocam relações afetivas com o livro desde a infância, e apontou cenas observadas na Flip — como uma criança abraçada a um livro — como indicativo do impacto dessas iniciativas.

    Massi ressaltou que a poesia de Orides ensina a “tecer considerações” sobre o mundo, lembrando vivências da autora, que costumava passear e pescar com o pai em silêncio — prática que, segundo ele, aguça a escuta dos sons do ambiente natural sem tom de denúncia, conferindo ao livro uma dimensão ecológica percebida em sua leitura.

    As informações sobre o livro e os depoimentos citados foram apurados pela Agência Brasil durante a cobertura da Flip. A equipe de reportagem viajou a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flip 2026, conforme nota da Agência Brasil.