Fundo Baobá concede bolsas de R$ 42 mil a três jovens negros para graduação no exterior

Fundo Baobá concede bolsas de R$ 42 mil a três jovens negros para graduação no exterior

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O Fundo Baobá, instituição social dedicada à promoção da equidade racial, escolheu três jovens negros como beneficiários do programa Black STEM, que financia parte da permanência de estudantes brasileiros no exterior. Cada bolsa é no valor de R$ 42 mil e foi pensada para custear gastos com moradia, transporte, alimentação e material acadêmico.

Quem são os estudantes selecionados

A instituição apresentou, em evento de boas-vindas, os três aprovados. Um deles é Caio Ramos, 23 anos, morador de Irajá, no Rio de Janeiro. Segundo relato do programa, Caio enfrentou dificuldades relacionadas à interrupção das aulas presenciais durante a pandemia de covid-19 em 2020 — sua escola não ofereceu ensino remoto por um ano — e precisou assumir trabalho remunerado a partir de 2022 para ajudar nas despesas familiares após o pai ter passado a apresentar sintomas de Alzheimer e Parkinson.

Outra selecionada é Quezia Fernanda, 19 anos, natural de Rio das Ostras (RJ). Ela concluiu o ensino médio técnico em automação industrial no Instituto Federal Fluminense e teve contato com oportunidades no exterior por meio de parceria entre essa instituição e a Faculdade de Jaén, na Espanha. Quezia pretende cursar Engenharia Elétrica e afirmou ver na área elétrica potencial para aprofundar estudos em tecnologias sustentáveis.

O terceiro contemplado é João Vitor, de Cruz das Almas, na Bahia. Ele relata facilidade com computação desde a infância e formou-se em informática no Instituto Federal. Crescer no Recôncavo Baiano aproximou-o de lideranças negras e comunidades quilombolas; a decisão de estudar na Northwestern University, nos Estados Unidos, surgiu ao descobrir a presença de um estudante brasileiro de origem quilombola nessa instituição.

O que a bolsa cobre e os apoios oferecidos

Além do valor financeiro, o Black STEM prevê uma rede de suporte para aumentar as chances de permanência e sucesso acadêmico dos bolsistas. Conforme informações do Fundo Baobá, o programa inclui mentorias de carreira, workshops, conexões com lideranças negras e acompanhamento psicológico. Essas ações objetivam enfrentar problemas que vão além da falta de recursos financeiros, como a solidão e questões de saúde mental entre estudantes que se afastam da família para estudar em outros países.

Giovanni Harvey, diretor-executivo do Fundo Baobá, explicou que o apoio financeiro por si só não é suficiente: é necessário oferecer suporte emocional e uma rede de contatos que facilite a inserção e a permanência dos jovens em ambientes estrangeiros.

Motivações e trajetórias pessoais

As histórias dos três bolsistas mostram trajetórias marcadas por limitações estruturais, mas também por estratégias de superação. Caio destaca o esforço de conciliar trabalho e estudos para ajudar a família, e considera a bolsa uma vitória compartilhada com outras pessoas que enfrentam circunstâncias semelhantes; Quezia lembra a importância da formação técnica como ponto de partida para acessar oportunidades internacionais; e João evidencia laços comunitários com lideranças negras e quilombolas que o influenciaram na trajetória acadêmica e na escolha do destino de estudos.

Os relatos foram apresentados pela equipe do programa e reproduzidos em matéria da Agência Brasil, que cobriu o evento de boas-vindas (estagiário da Agência Brasil sob supervisão de Odair Braz Junior).

Partida e próximos passos

De acordo com a divulgação do Fundo Baobá, os três estudantes devem embarcar em setembro para iniciar os cursos de graduação no exterior. Nos meses que antecedem a viagem, o programa continuará oferecendo as mentorias e o acompanhamento previsto para facilitar a transição e a adaptação nos novos ambientes acadêmicos.

O objetivo do programa

O Black STEM busca criar condições para que pessoas negras acreditem ser possível ocupar espaços de destaque nas áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática. A combinação de financiamento e rede de apoio visa reduzir barreiras de acesso e permanência em instituições internacionais.

  • Fonte das informações: Agência Brasil (estagiário sob supervisão de Odair Braz Junior).

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