Tag: Estados Unidos

  • TSE proíbe algoritmos de recomendar perfis de candidatos; EUA criticam medida como “censura”

    TSE proíbe algoritmos de recomendar perfis de candidatos; EUA criticam medida como “censura”

    Segundo apuração da Agência Brasil, uma norma do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que limita o uso de algoritmos para recomendar perfis de candidatos nas redes sociais provocou reação dos Estados Unidos, que qualificaram a medida como “censura”. A regra entrou em vigor no domingo, 16 de agosto de 2026, e autoriza apenas a recomendação decorrente de impulsionamento pago.

    O que proíbe a norma

    A Resolução nº 23.732, aprovada em fevereiro de 2024, impede que as plataformas exibam perfis de candidatos por meio de mecanismos automáticos de recomendação durante o período de campanha. Segundo o TSE, o objetivo das regras é a “prevenção e mitigação de riscos à integridade do processo eleitoral”. A Corte ainda não se pronunciou além dessa justificativa, e a assessoria do TSE não se manifestou até o fechamento da reportagem, segundo a Agência Brasil.

    Reação dos EUA e posicionamento das plataformas

    A plataforma X publicou orientação aos usuários informando que passará a recomendar contas apenas quando o usuário já seguir o perfil do candidato. A postagem foi republicada por Sarah B. Rogers, subsecretária de diplomacia pública do Departamento de Estado dos Estados Unidos, que descreveu a medida brasileira como “censura imposta pelo Brasil”, conforme noticiado pela Agência Brasil.

    Críticas de especialistas e argumentos a favor

    Especialistas consultados pela reportagem qualificaram a acusação como infundada e defenderam a norma como instrumento para igualar condições entre candidaturas. O cientista político Alexandre Arns Gonzales, integrante do grupo Direito à Comunicação e Democracia (DiraCom), afirmou que a regra busca atenuar um possível viés ou assimetria no alcance das contas oficiais das candidaturas, produzido pelos sistemas algorítmicos das plataformas.

    O advogado especializado em direito eleitoral Alberto Rollo argumentou que a decisão do TSE encontra amparo constitucional ao visar a isonomia na disputa e evitar recomendações “artificiais” que possam favorecer um candidato em detrimento de outro.

    Limites, exceções e preocupações remanescentes

    A legislação eleitoral brasileira permite o impulsionamento pago de conteúdo de campanha nas redes sociais, com regras e limites para os gastos de cada campanha. A Resolução nº 23.732 mantém essa exceção: anúncios pagos podem ser distribuídos segundo critérios do impulsionamento, observadas as normas eleitorais.

    No entanto, Alexandre Arns Gonzales advertiu que a cobrança e a entrega do conteúdo pago podem variar entre plataformas, de modo que um mesmo investimento pode não resultar no mesmo alcance para todas as candidaturas. Essa diferença operacional poderia afetar a isonomia, ainda que o mecanismo formal de recomendação orgânica esteja vedado.

    Proibição prévia a sistemas de IA

    Além da resolução mais recente, a regulamentação brasileira já trazia restrições ao uso de inteligência artificial em contexto eleitoral. Conforme o § 1º-C do Artigo 28 da Resolução nº 23.610/2019, sistemas de IA não podem realizar ranqueamento, recomendação ou priorização de candidatos, nem emitir opiniões, indicar preferência eleitoral, recomendar voto ou promover favorecimento ou desfavorecimento político-eleitoral por meio de respostas automatizadas.

    Os especialistas consultados relacionaram a medida aos debates internacionais sobre desinformação e intervenção algorítmica em pleitos, citando episódios de 2016, como o referendo do Brexit e o plebiscito pela paz na Colômbia, como antecedentes no debate sobre os impactos das plataformas digitais nas eleições.

    Em 2024, a X já havia entrado em atrito com o Judiciário brasileiro por não cumprir decisões do Supremo Tribunal Federal, episódio lembrado por interlocutores como parte do contexto das tensões entre plataformas e órgãos nacionais. A reportagem da Agência Brasil registra essas informações e as posições colhidas junto a especialistas.

  • Durigan defende ampliação do comércio exterior e prevê respostas a medidas unilaterais

    Durigan defende ampliação do comércio exterior e prevê respostas a medidas unilaterais

    O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu nesta segunda-feira a estratégia de ampliar o comércio exterior brasileiro por meio da abertura negociada de mercados, durante participação em evento na capital paulista, informou a Agência Brasil. Segundo o ministro, é necessário projetar segurança e previsibilidade para que investidores e outros governos enxerguem o país como um destino confiável.

    Abertura comercial baseada em negociações

    Durigan enfatizou que a ampliação das exportações não deve resultar em dependência de um único parceiro comercial, seja na Ásia, na América do Norte ou em outra região. Para ele, a estratégia ideal passa por negociações que considerem as fragilidades e os pontos fortes do Brasil, permitindo diversificar mercados e reduzir riscos associados a laços econômicos concentrados.

    O ministro afirmou que, diante de um cenário global marcado por incertezas, o país precisa construir uma imagem de estabilidade. Essa projeção, disse Durigan, é fundamental para atrair capital externo e ampliar o espaço do Brasil no comércio internacional, segundo a Agência Brasil.

    Tensão com os Estados Unidos e Lei da Reciprocidade Econômica

    A fala de Durigan ocorreu em meio a um momento de tensão entre Brasil e Estados Unidos. Na semana anterior, o governo federal abriu formalmente um processo para avaliar se a imposição unilateral de tarifas pelos EUA contra exportações brasileiras deve ser respondida com base na Lei da Reciprocidade Econômica.

    Aprovada no ano passado, a Lei nº 15.122 estabelece critérios para suspender concessões comerciais como resposta a ações, políticas ou práticas unilaterais de outro país que afetem a competitividade do Brasil. A avaliação do governo sobre eventuais medidas de retaliação foi citada como parte do contexto em que o ministro discorreu sobre a necessidade de negociar e proteger os interesses econômicos do país.

    Estabilidade fiscal, reforma tributária e a questão dos juros

    Além do tema comercial, Durigan abordou medidas domésticas para garantir a estabilidade macroeconômica. Entre as ações citadas estão o bloqueio de orçamento e limites para gastos obrigatórios, instrumentos que, segundo o ministro, contribuem para manter uma trajetória fiscal responsável e evitar desestabilização.

    O ministro também comentou a reforma tributária, reconhecendo que a mudança pode causar apreensão por introduzir muitas alterações ao sistema. Durigan vê 2027 como um ano relevante para a transição e afirmou que a expectativa é de que, ao final do processo, o país disponha de um sistema tributário melhor a médio e longo prazo.

    Sobre a taxa de juros, Durigan afirmou que não é possível discutir ampliação de crédito sem “juros civilizados”, expressão usada por ele para indicar a necessidade de taxas mais compatíveis com o desenvolvimento. Segundo o ministro, juros mais baixos representam a etapa final de uma série de ajustes de médio prazo necessários para promover o crescimento sustentável.

    Próximos passos e cenários

    O conjunto de declarações do ministro foi apresentado em um contexto de atenção ao ambiente externo e à gestão das contas públicas. A adoção de instrumentos orçamentários e a discussão sobre a Lei da Reciprocidade Econômica sinalizam que o governo pretende combinar abertura comercial com mecanismos de defesa de interesse nacional, conforme detalhou a Agência Brasil.

    Durigan indicou que o debate sobre comércio exterior será feito reconhecendo limitações e pontos fortes do país, o que sugere uma abordagem pragmática nas negociações comerciais futuras. A articulação entre medidas de política externa e instrumentos fiscais e monetários será determinante para a evolução dessas propostas.

    As informações básicas e as citações do ministro foram apuradas a partir de reportagem da Agência Brasil.

  • Amcham pede que Brasil evite retaliações comerciais contra os EUA e priorize diálogo

    Amcham pede que Brasil evite retaliações comerciais contra os EUA e priorize diálogo

    A Câmara Americana de Comércio no Brasil (Amcham) pediu nesta semana que o Brasil evite a adoção de contramedidas comerciais em resposta às tarifas aplicadas pelos Estados Unidos. A manifestação ocorre depois de o governo federal anunciar, na quinta-feira (13), a abertura de um processo formal para avaliar se as sobretaxas norte-americanas justificam o uso da Lei da Reciprocidade Econômica.

    Posição da Amcham e argumentos

    Em nota divulgada à imprensa, a Amcham afirmou que a imposição de medidas retaliatórias traz riscos relevantes, como aumento de custos para empresas e consumidores, alteração de cadeias produtivas e prejuízo a investimentos. A entidade alertou que respostas desse tipo podem provocar uma escalada comercial e política entre Brasil e Estados Unidos e reduzir o espaço para um acordo negociado.

    A organização também destacou resultados de uma pesquisa que, segundo a própria Amcham, mostra que 90,5% das empresas consultadas preferem priorizar o diálogo diplomático e comercial com os EUA, enquanto apenas 3,2% defendem a adoção de medidas de reciprocidade. A entidade lembrou que sua base é composta por companhias brasileiras e americanas interessadas em manter e ampliar relações comerciais bilaterais.

    O que significa a abertura do processo pelo governo

    O anúncio feito pelo governo federal indica o início de uma análise formal para verificar se as tarifas dos Estados Unidos justificam a aplicação de respostas previstas na legislação brasileira. A abertura do processo, conforme informado pelas autoridades, não implica decisão automática de impor contramedidas ou contratarifas; trata-se de uma etapa de avaliação técnica e jurídica.

    Além disso, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que ouvirá empresários brasileiros e estrangeiros sobre os possíveis impactos da eventual aplicação da Lei da Reciprocidade. Essa consulta, segundo o ministério, fará parte da avaliação dos custos e benefícios antes de qualquer deliberação final.

    Recomendações e possíveis consequências

    A Amcham pediu que os governos dos dois países intensifiquem diálogos de alto nível e negociações comerciais para reduzir a sobretaxação e evitar novas restrições. Ao recomendar equilíbrio, moderação e avaliação criteriosa dos impactos, a entidade defendeu a participação do setor privado no desenho de qualquer estratégia a ser adotada.

    Segundo a Amcham, uma estratégia pautada pelo diálogo reduziria o risco de impactos adversos às cadeias produtivas e à atração de investimentos. A entidade também ressaltou que uma resposta imediata e ampla poderia tornar mais difícil a busca por soluções negociadas entre Brasil e Estados Unidos.

    Quem é a Amcham

    A Câmara Americana de Comércio no Brasil reúne empresas dos dois países com interesses comerciais conjuntos e atua como fórum de diálogo entre o setor privado e autoridades governamentais. Em seu comunicado, a entidade colocou-se a favor de um processo de decisão que leve em conta a avaliação técnica e a participação do empresariado.

    Próximos passos e incertezas

    Por ora, permanece em aberto se o Brasil adotará ou não contramedidas. O processo formal iniciado pelo governo deve incluir consultas e análises que, conforme indicado pelo ministro da Fazenda, envolvem interlocução com representantes do setor empresarial. Não há, até o momento, anúncio de prazos ou de medidas concretas por parte das autoridades federais.

    As posições expressas pela Amcham e a iniciativa do governo para avaliar a resposta às tarifas americanas mostram que a questão segue em negociação e sujeita a desdobramentos conforme o resultado das análises técnicas e das conversas entre os governos e com o setor privado.

    Fontes

    Informações baseadas em nota da Câmara Americana de Comércio no Brasil e em comunicado do governo federal, reportados pela Agência Brasil.

  • Brasil no Mundo analisa vídeo do Departamento de Estado, corrida espacial e eleições primárias dos EUA

    Brasil no Mundo analisa vídeo do Departamento de Estado, corrida espacial e eleições primárias dos EUA

    A TV Brasil exibe nesta quinta-feira (13) uma edição inédita do Brasil no Mundo, programa dedicado a analisar eventos internacionais e seus impactos no Brasil. Nesta edição, os jornalistas Cristina Serra, Jamil Chade e Yan Boechat comentam um vídeo divulgado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos em que o órgão afirma que seu domínio sobre o continente americano “nunca mais será questionado”.

    Vídeo do Departamento de Estado e debate sobre influência regional

    Os apresentadores promovem discussão sobre as implicações do conteúdo divulgado pelo Departamento de Estado dos EUA. O material divulgado pelo governo norte-americano é tratado no programa como elemento para examinar as pautas de poder e influência na região das Américas. O episódio procura esclarecer o alcance simbólico e político desse posicionamento e como ele pode ser interpretado por diferentes atores internacionais e pelo Brasil.

    Eleição primária dos EUA em 2026

    Outra pauta central do Brasil no Mundo são as eleições primárias nos Estados Unidos para 2026. A equipe do programa analisa o cenário eleitoral norte-americano, os principais efeitos que a disputa interna nos partidos pode ter sobre a política externa dos EUA e as repercussões para governos e setores brasileiros que mantêm relação com Washington. A cobertura busca oferecer contexto para que a audiência compreenda como processos eleitorais nos Estados Unidos podem refletir no Brasil.

    Corrida espacial entre China e Estados Unidos

    Para aprofundar o tema tecnológico e estratégico, o programa recebe a professora Ana Penido, do Instituto de Relações Internacionais e Defesa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A convidada analisa a chamada nova corrida espacial entre China e Estados Unidos, abordando dimensões de competição científica, militar e econômica que marcam a atuação dos dois países no espaço.

    Ana Penido traz à mesa seu conhecimento acadêmico, que inclui graduação em ciências sociais pela UFMG, mestrado em estudos estratégicos e doutorado em relações internacionais pelo Programa San Tiago Dantas (Unesp/Unicamp/PUC-SP), além de pós-doutorado em ciência política pela Unicamp. Sua pesquisa se concentra em geopolítica, estratégia, política de defesa e forças armadas.

    Atualização sobre Gaza

    Além das pautas sobre poder e tecnologia, Ana Penido também atualiza o panorama sobre Gaza durante a participação. O programa procura oferecer informações e análise contextualizada sobre a situação na região, com foco nas implicações humanitárias e nas repercussões diplomáticas que interessam ao público brasileiro.

    O Brasil no Mundo é apresentado por Cristina Serra, Jamil Chade e Yan Boechat. Cristina Serra tem cerca de quatro décadas de experiência no jornalismo, incluindo passagem de 26 anos pela Globo e atuação como correspondente em Nova York. Jamil Chade atua há duas décadas como correspondente em Genebra, com contribuições a veículos como BBC, CNN e The Guardian. Yan Boechat cobre conflitos internacionais há 20 anos e já realizou reportagens em diversas regiões do mundo.

    O programa também já contou com convidados como o embaixador André Corrêa do Lago, o geógrafo Elias Jabbour e a economista Juliana Furno, ampliando debates sobre política internacional, meio ambiente e economia global.

    O Brasil no Mundo vai ao ar às quintas-feiras, a partir das 21h, na TV Brasil. Há reprise na madrugada de quinta para sexta às 3h. A programação da emissora pode ser acompanhada pelo canal aberto, por assinatura e parabólica. Orientações sobre como sintonizar estão disponíveis no site da TV Brasil: https://tvbrasil.ebc.com.br/comosintonizar.

    Além da transmissão tradicional, os programas da emissora podem ser vistos pelo TV Brasil Play (http://tvbrasilplay.com.br) e pelo aplicativo gratuito para Android e iOS. A TV Brasil também disponibiliza sua programação na WebTV e nas redes sociais oficiais da emissora, incluindo Instagram, YouTube, X, Facebook e TikTok.

    Fonte: Agência Brasil.

  • EUA aceitam pedido de consultas do Brasil na OMC sobre tarifas adicionais

    EUA aceitam pedido de consultas do Brasil na OMC sobre tarifas adicionais

    Os Estados Unidos comunicaram à Organização Mundial do Comércio (OMC), nesta segunda-feira, 10 de agosto de 2026, que aceitam o pedido de consultas apresentado pelo Brasil sobre tarifas adicionais aplicadas a produtos brasileiros. A resposta americana declarou disposição para dialogar e agendar encontros em data acordada entre as partes.

    O que motivou o pedido de consultas

    O governo brasileiro apresentou, em 27 de julho, uma manifestação formal no sistema de solução de controvérsias da OMC. No documento, o Brasil sustenta que as tarifas extras impostas pelos Estados Unidos parecem violar compromissos previstos no Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT) de 1994, que fornece a base normativa para a aplicação de tributos pelos membros da organização.

    Além de apontar possíveis inconsistências com o GATT, o Brasil também afirmou que está sendo preterido pelos Estados Unidos em relação a outros países membros da OMC, configurando, segundo Brasília, tratamento discriminatório nas relações comerciais.

    Resposta dos EUA e próximos passos no processo da OMC

    Na mensagem recebida pela OMC, o governo dos EUA deixou claro que aceita participar das consultas solicitadas pelo Brasil e manifestou prontidão para dialogar com autoridades brasileiras em uma data que seja conveniente para ambos. No sistema da OMC, o pedido de consultas representa a etapa inicial formal de solução de controvérsias, cujo objetivo é permitir que os países tentem negociar uma solução antes de se recorrer à instalação de um painel para exame do caso.

    Assim, o próximo passo imediato previsto na prática da organização é a realização das consultas bilaterais entre Brasil e Estados Unidos. Essas reuniões podem resultar em um acordo negociado ou, se não houver consenso, levar à solicitação de criação de um painel que analisará tecnicamente a conformidade das medidas com as regras da OMC.

    Interesse da China na disputa

    A China também se manifestou no mesmo pedido de consultas e solicitou permissão para participar das conversas. No documento apresentado à OMC, Pequim afirmou ter “interesse comercial substancial” na disputa e apontou que algumas medidas adotadas pelos EUA incidem sobre produtos chineses destinados ao mercado estadunidense.

    Segundo a solicitação chinesa, as medidas em questão afetam todas as exportações da China aos Estados Unidos — salvo exceções previstas — e alteram as condições de competição no mercado norte-americano. Por esse motivo, a China pediu formalmente para ser incluída nas consultas como parte interessada.

    Importância institucional e implicações

    O uso do mecanismo de consultas da OMC sinaliza que o Brasil optou por buscar um caminho multilateral para resolver a divergência com os EUA, utilizando normas e procedimentos da própria organização. A aceitação dos Estados Unidos em participar das consultas abre espaço para negociações diretas, sem que se avance imediatamente para um painel de disputa.

    Ao mesmo tempo, o pedido de participação da China acrescenta complexidade ao processo, pois indica que o resultado das medidas dos EUA teria efeitos sobre outros exportadores e sobre as dinâmicas de competição no mercado estadunidense. As etapas seguintes dependerão das negociações entre os países envolvidos e das decisões tomadas na sequência no âmbito da OMC.

    Atribuição

    As informações desta reportagem são baseadas em relato da Agência Brasil publicado em 10 de agosto de 2026.

  • Trump assina decretos para restringir cidadania por nascimento nos EUA

    Trump assina decretos para restringir cidadania por nascimento nos EUA

    O presidente Donald Trump assinou, em 6 de agosto, dois decretos destinados a restringir a cidadania por nascimento nos Estados Unidos, segundo reportagem da Agência Brasil. As medidas representam uma nova tentativa de sua administração de limitar o que chama de “turismo de parto” — quando gestantes estrangeiras viajam aos EUA para que os filhos nasçam no país e adquiram a cidadania americana.

    Decretos não são leis e podem ser judicializados

    Os documentos assinados no Salão Oval estabelecem políticas administrativas, mas não têm força de lei automática. A própria Casa Branca reconhece que as ordens executivas definem diretrizes administrativas e, por isso, é provável que sejam alvo de contestações na Justiça, conforme a reportagem.

    Em junho, a Suprema Corte havia considerado inconstitucional uma tentativa anterior do presidente de restringir a cidadania por nascimento. Após essa derrota, Trump pediu ao Congresso que agisse, mas optou agora por emitir decretos. O governo sustenta que as novas diretrizes não violam os limites fixados pela Suprema Corte e que permitem ampliar as categorias de pessoas consideradas inelegíveis à cidadania por nascimento.

    Alvo: o “turismo de parto” e outras categorias

    A Casa Branca diz que o decreto proíbe a entrada de estrangeiras com o propósito declarado de dar à luz nos EUA com o objetivo de obter cidadania para o recém-nascido. Na cerimônia de assinatura, o assessor Stephen Miller afirmou que a prática de “turismo de parto” passa a ser proibida, declarando que ninguém mais terá permissão para obter visto com esse fim, conforme a Agência Brasil registrou.

    Além do combate ao turismo de parto, os decretos limitam a cidadania de crianças nascidas no país de funcionários de governos estrangeiros e de pessoas classificadas como inimigos estrangeiros. A administração também indicou que as medidas poderiam afetar nascimentos em territórios dos EUA caso o Congresso aprove legislação que acabe com a cidadania automática nessas áreas.

    Contexto legal e posicionamentos

    A 14ª Emenda da Constituição americana é reconhecida historicamente como garantia de cidadania para quem nasce no país, com exceções restritas previstas desde o período pós-Guerra Civil — como filhos de diplomatas estrangeiros ou de forças de ocupação inimigas. O presidente da Suprema Corte, John Roberts, escreveu na decisão que os autores da 14ª Emenda estenderam “essa promessa a todas as pessoas nascidas livres no país” e que a cidadania é “o direito de ter direitos”.

    Trump criticou a decisão da Suprema Corte, que foi tomada por 6 a 3, chamando-a de “muito infeliz” e afirmando que pessoas estariam “montando negócios” em torno do processo de obtenção de cidadania por nascimento, segundo a Agência Brasil.

    Dados e limitações das estimativas

    Não existem números oficiais que quantifiquem quantas gestantes estrangeiras viajam aos EUA com o objetivo explícito de dar à luz para obter cidadania para os filhos, nem estimativas oficiais do custo dessa prática para os contribuintes, informa a reportagem.

    Uma análise do Centro de Estudos sobre Imigração citada pela Agência Brasil estimou que, entre 2016 e 2017, entre 20 mil e 25 mil mães entraram no país para turismo de parto. Para efeito de contexto demográfico, a matéria lembra que houve 3,6 milhões de nascimentos nos EUA em 2025.

    Medidas anteriores e possíveis consequências

    O decreto anterior de Trump, emitido no primeiro dia do mandato em 2025, determinava que agências federais não reconhecessem a cidadania de filhos nascidos nos EUA se nenhum dos pais fosse cidadão americano ou residente permanente legal. Essa tentativa também foi considerada inconstitucional pela Suprema Corte.

    Além das restrições administrativas, há normas vigentes que proíbem o uso de vistos temporários com a finalidade principal de obter a cidadania de um recém-nascido; pessoas envolvidas em esquemas de turismo de parto podem enfrentar acusações por fraude ou outros crimes relacionados, conforme aponta a reportagem da Agência Brasil.

    Fontes: Agência Brasil.

  • Balança comercial de julho tem superávit de US$ 7 bilhões, impulsionada por combustíveis e soja

    Balança comercial de julho tem superávit de US$ 7 bilhões, impulsionada por combustíveis e soja

    O Brasil registrou, em julho de 2026, superávit na balança comercial de pouco mais de US$ 7 bilhões, com exportações de US$ 34,1 bilhões e importações de US$ 27,1 bilhões, informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) nesta quinta-feira (6), conforme noticiado pela Agência Brasil.

    Expansão na corrente de comércio

    A corrente de comércio — soma das exportações e importações — totalizou US$ 61,17 bilhões em julho, alta de 6,8% em comparação com o mesmo mês de 2025. As exportações avançaram 6,2% e as importações cresceram 7,6% na mesma base de comparação.

    Setores que impulsionaram as exportações

    Segundo o Mdic, o crescimento das exportações em julho foi concentrado em três grandes blocos:

    • Agropecuária: alta de 9,3%, com destaque para as vendas de soja, que cresceram cerca de US$ 870 milhões;
    • Indústria extrativa: expansão puxada pelo aumento nas negociações de óleo bruto de petróleo, que somaram mais US$ 960 milhões;
    • Indústria de transformação: destaque para a comercialização de óleos combustíveis, que também aumentou aproximadamente US$ 960 milhões, com crescimento percentual das exportações de combustíveis superior a 63%.

    Esses movimentos setoriais contribuíram para o resultado global de superávit observado no mês.

    Principais aumentos nas importações

    As importações de julho foram puxadas por elevação nas compras de produtos específicos. Entre os itens que mais cresceram nas compras do exterior estão:

    • Óleos combustíveis de petróleo: +US$ 500 milhões;
    • Máquinas de processamento automático de dados e suas unidades: +US$ 320 milhões;
    • Medicamentos e produtos farmacêuticos (exceto veterinários): +US$ 320 milhões;
    • Válvulas e tubos termiônicos, diodos e transistores: +US$ 290 milhões;
    • Polímeros de etileno, em formas primárias: +US$ 150 milhões.

    Destinos das exportações e contextos geopolíticos

    A China manteve-se como o principal parceiro comercial do Brasil, concentrando quase um terço das exportações em julho, com vendas superiores a US$ 10,7 bilhões — aumento de 8,6% frente a julho de 2025. Os Estados Unidos foram o segundo destino, com 10,7% das exportações, mas registraram queda de 5% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

    O levantamento do Mdic observa que a redução nas vendas ao mercado norte-americano em julho ainda não incorpora os efeitos do novo pacote de tarifas dos EUA, que entrou em vigor em 22 de julho e deverá impactar as exportações brasileiras em agosto; os dados desse mês serão divulgados no início de setembro.

    Houve também recuo nas exportações para a Argentina, com redução de quase US$ 230 milhões — variação negativa de 13,9% ante julho de 2025. A publicação da Agência Brasil registra que esse resultado ocorre em um momento de tensão diplomática entre os governos dos dois países, após episódios que levaram o Ministério das Relações Exteriores do Brasil a rebaixar as relações diplomáticas com Buenos Aires.

    Acumulado do ano

    No acumulado de janeiro a julho de 2026, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 49 bilhões. O Mdic apontou expansão tanto das exportações quanto das importações no período, em comparação com os sete primeiros meses de 2025.

    Os números e as análises citadas neste texto foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e noticiados pela Agência Brasil.

  • Brasil repudia revogação do visto da embaixadora em Washington

    Brasil repudia revogação do visto da embaixadora em Washington

    O governo do Brasil divulgou repúdio à decisão anunciada em 4 de agosto de 2026 pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos de alterar o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A medida, segundo os EUA, teria sido motivada pela demora do Brasil em responder a um pedido de agrément — a aprovação diplomática para o indicado norte-americano a assumir a embaixada dos Estados Unidos em Brasília.

    Reação oficial do Brasil

    Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República, o Executivo federal afirmou que as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos são falsas. O documento ressaltou que o pedido norte-americano permanece em análise no Brasil e negou que tenha havido qualquer descumprimento de prazos previsto na Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas.

    Argumentos e referências à Convenção de Viena

    O governo brasileiro sustentou que a divulgação, por parte dos Estados Unidos, do nome do seu indicado à embaixada em Brasília constitui violação à Convenção de Viena. Segundo a nota oficial, o nome do representante só poderia ser tornado público após a concessão da anuência pelo país anfitrião. A administração brasileira destacou que a convenção não estabelece prazo para a concessão do agrément, apontando a inexistência de obrigação temporal que justificasse a suposta demora apontada pelos EUA.

    Acusações de interferência e contexto de medidas anteriores

    A nota do Palácio do Planalto também mencionou decisões anteriores relacionadas à entrada de funcionários dos Estados Unidos no país. O governo lembrou que negou autorização a dois funcionários norte-americanos cuja presença, segundo a posição brasileira, teria por objetivo questionar o sistema eleitoral do Brasil. A comunicação oficial afirmou que tal situação evidencia um interesse indevido de interferência na próxima eleição presidencial.

    O comunicado classificou o episódio como parte de uma “escalada deliberada de medidas hostis” contra o Brasil, motivadas, segundo o governo, por razões ideológicas que estariam em desacordo com a natureza de uma parceria bilateral pautada pelo respeito mútuo.

    Remissão às sanções individuais

    O Palácio do Planalto lembrou que autoridades brasileiras, incluindo servidores do governo e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), permanecem alvos de sanções individuais aplicadas pelos Estados Unidos sob a Lei Magnitsky. A nota citou ainda tentativas de diálogo realizadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mencionando que, durante visita a Washington em maio, o presidente solicitou ao chefe de governo dos EUA o levantamento dessas sanções.

    Situação atual e próximos passos

    Conforme informado pelo governo brasileiro, o pedido de anuência do indicado norte-americano segue em análise. A reação oficial afirma ter buscado resolver as diferenças por vias diplomáticas e destaca a continuidade das tratativas. Ação concreta adicional por parte do Brasil ou dos Estados Unidos além da revogação do visto anunciada pelo Departamento de Estado não foi detalhada na nota oficial divulgada à imprensa.

    Os fatos relatados neste texto têm como fonte a nota oficial da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, repercutida pela Agência Brasil.

  • Ajuda internacional de países ricos cai 23,1% em 2025, maior recuo já registrado

    Ajuda internacional de países ricos cai 23,1% em 2025, maior recuo já registrado

    O volume de recursos públicos destinados por países ricos à Ajuda Oficial ao Desenvolvimento (AOD) sofreu um corte histórico de 23,1% entre 2024 e 2025, segundo o estudo “Financiamento para o Desenvolvimento”, elaborado pelo Brics Policy Center da PUC-Rio e divulgado pela Agência Brasil. Em termos reais — já ajustados pela inflação — a redução equivaleu a US$ 52,4 bilhões, deixando o total em US$ 174,3 bilhões.

    Queda inédita e projeções para 2026

    O recuo em 2025 representou o segundo ano consecutivo de diminuição da ajuda internacional global e, conforme os autores do estudo, há expectativa de nova redução de 6,9% para 2026, o que projetaria o nível de AOD de volta aos patamares de 2014. Os dados usados pelos pesquisadores — Isabel Rocha de Siqueira, Enzo Cosenza e Luis Ehl — foram obtidos junto ao Comitê de Assistência ao Desenvolvimento (CAD) da OCDE, grupo que reúne países doadores e a União Europeia.

    Quem concentrou os cortes

    Apesar de o CAD reunir 33 países e a União Europeia, a pesquisa destaca que os cinco maiores doadores — França, Alemanha, Japão, Reino Unido e Estados Unidos — foram responsáveis por 95,7% da redução ocorrida entre 2024 e 2025. Os Estados Unidos, em especial, reduziram sua ajuda em 56,9% e respondem por 75,1% do corte total.

    O relatório registra que, em 2025, todos os grandes doadores diminuíram o volume de AOD por dois anos consecutivos: Alemanha (-17,4%), França (-10,9%), Reino Unido (-10,8%) e Japão (-5,6%).

    Redefinição de prioridades: segurança, energia e multilaterais

    Os pesquisadores identificam uma “retração seletiva” nas formas de apoio multilateral: o financiamento ao sistema ONU caiu 27% — o maior recuo já observado nessa rubrica — enquanto o apoio ao Banco Mundial subiu 6,4% e aos bancos regionais de desenvolvimento aumentou 11,9%. O estudo interpreta esse padrão como uma redefinição por parte dos doadores sobre quais canais multilaterais são considerados estrategicamente relevantes.

    Outra explicação apontada para a diminuição é o redirecionamento de recursos para segurança e energia. O levantamento registra crescimento nos gastos com defesa — por exemplo, nos EUA de US$ 822,8 bilhões para US$ 845,3 bilhões entre 2024 e 2025 — e um aumento significativo dos investimentos em energia na União Europeia, que teriam praticamente dobrado desde 2015.

    Impactos regionais e alertas humanitários

    A África Subsaariana foi a região mais afetada pelo recuo: a AOD destinada à região caiu 23% em 2025, para US$ 29,2 bilhões. Para 2026, o estudo projeta nova redução de 11,6%, o que equivaleria a uma perda adicional de US$ 11,8 bilhões, caso se confirme. O documento lembra que 32 dos 49 países da África Subsaariana são classificados pela ONU como Países Menos Desenvolvidos (PMD), o que aumenta a vulnerabilidade à escassez de recursos.

    Para quantificar possíveis consequências humanitárias, os autores reproduzem estimativas da organização Oxfam: os cortes na ajuda externa em 2025 poderiam estar associados a 695.238 mortes em excesso naquele ano, e, se a tendência persistir até 2030, o número acumulado poderia chegar a 9.416.417 mortes.

    Casos específicos e financiamento climático

    Mesmo com a redução da assistência global, a Ucrânia se manteve como maior recebedora individual da história da AOD, com R$ 44,9 bilhões recebidos em 2025 — patamar que, segundo o estudo, foi parcialmente compensado por elevações de envio por parte de 23 países e por um aumento de 65,2% nos envios de instituições da União Europeia. No entanto, os EUA reduziram sua ajuda à Ucrânia em 91%.

    O relatório também menciona a insuficiência de recursos para financiamento climático: na COP30, realizada em Belém, discutia-se a necessidade de mobilizar US$ 1,3 trilhão para ações climáticas, valor considerado na prática “inalcançável”, segundo o diagnóstico do levantamento.

    Recomendações do estudo

    Entre as propostas para mitigar os efeitos do recuo, os autores recomendam direcionar recursos escassos aos países mais pobres e aos que dependem excessivamente de poucos doadores; planejar saídas de financiamento de forma “responsável e coordenada”; e melhorar a eficácia da ajuda para gerar maior impacto no desenvolvimento.

    O levantamento e os números citados foram publicados no estudo “Financiamento para o Desenvolvimento” do Brics Policy Center, vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio, com base em estatísticas do CAD/OCDE e análises complementares.