Brasil repudia revogação do visto da embaixadora em Washington

Brasil repudia revogação do visto da embaixadora em Washington

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O governo do Brasil divulgou repúdio à decisão anunciada em 4 de agosto de 2026 pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos de alterar o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A medida, segundo os EUA, teria sido motivada pela demora do Brasil em responder a um pedido de agrément — a aprovação diplomática para o indicado norte-americano a assumir a embaixada dos Estados Unidos em Brasília.

Reação oficial do Brasil

Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República, o Executivo federal afirmou que as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos são falsas. O documento ressaltou que o pedido norte-americano permanece em análise no Brasil e negou que tenha havido qualquer descumprimento de prazos previsto na Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas.

Argumentos e referências à Convenção de Viena

O governo brasileiro sustentou que a divulgação, por parte dos Estados Unidos, do nome do seu indicado à embaixada em Brasília constitui violação à Convenção de Viena. Segundo a nota oficial, o nome do representante só poderia ser tornado público após a concessão da anuência pelo país anfitrião. A administração brasileira destacou que a convenção não estabelece prazo para a concessão do agrément, apontando a inexistência de obrigação temporal que justificasse a suposta demora apontada pelos EUA.

Acusações de interferência e contexto de medidas anteriores

A nota do Palácio do Planalto também mencionou decisões anteriores relacionadas à entrada de funcionários dos Estados Unidos no país. O governo lembrou que negou autorização a dois funcionários norte-americanos cuja presença, segundo a posição brasileira, teria por objetivo questionar o sistema eleitoral do Brasil. A comunicação oficial afirmou que tal situação evidencia um interesse indevido de interferência na próxima eleição presidencial.

O comunicado classificou o episódio como parte de uma “escalada deliberada de medidas hostis” contra o Brasil, motivadas, segundo o governo, por razões ideológicas que estariam em desacordo com a natureza de uma parceria bilateral pautada pelo respeito mútuo.

Remissão às sanções individuais

O Palácio do Planalto lembrou que autoridades brasileiras, incluindo servidores do governo e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), permanecem alvos de sanções individuais aplicadas pelos Estados Unidos sob a Lei Magnitsky. A nota citou ainda tentativas de diálogo realizadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mencionando que, durante visita a Washington em maio, o presidente solicitou ao chefe de governo dos EUA o levantamento dessas sanções.

Situação atual e próximos passos

Conforme informado pelo governo brasileiro, o pedido de anuência do indicado norte-americano segue em análise. A reação oficial afirma ter buscado resolver as diferenças por vias diplomáticas e destaca a continuidade das tratativas. Ação concreta adicional por parte do Brasil ou dos Estados Unidos além da revogação do visto anunciada pelo Departamento de Estado não foi detalhada na nota oficial divulgada à imprensa.

Os fatos relatados neste texto têm como fonte a nota oficial da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, repercutida pela Agência Brasil.

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