Tag: economia

  • IBC-Br recua 0,6% em junho, aponta Banco Central

    IBC-Br recua 0,6% em junho, aponta Banco Central

    O Banco Central divulgou nesta segunda-feira (17) os números do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) referentes a junho de 2026, reportados pela Agência Brasil. Segundo os dados, a atividade econômica do país recuou 0,6% na comparação com maio quando considerados os valores dessazonalizados.

    Desempenho agregado e horizontes de comparação

    Além da leitura mensal, o IBC-Br apresentou variações em outras bases de comparação: no trimestre móvel o crescimento foi de 0,2%; tomando como referência junho de 2025 houve expansão de 2,4%; e no acumulado do ano até junho o índice subiu 1,5%. Na janela de 12 meses encerrada em junho, o indicador acumulou alta de 1,5%.

    Esses diferentes recortes temporais permitem observações sobre tendências de curto e médio prazo na atividade econômica. O número mensal dessazonalizado serve para suavizar efeitos sazonais que poderiam distorcer a leitura entre meses consecutivos.

    Comportamento por setores

    Os componentes setoriais que compõem o IBC-Br tiveram desempenhos distintos em junho. A indústria marcou a maior queda, com retração de 1,4% frente a maio. O setor de serviços também mostrou contração, com recuo de 0,5%.

    Em sentido oposto, a agropecuária avançou 1% no mês, atenuando a queda agregada do indicador. O Banco Central observou que, se o desempenho do campo fosse excluído da conta, o IBC-Br teria apresentado uma retração maior, de 0,9% em junho.

    O que é o IBC-Br e como o Banco Central o utiliza

    O IBC-Br é um indicador que funciona como uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), oferecendo leitura mais frequente sobre a evolução da produção de bens e serviços no país. Reúne informações sobre indústria, serviços, agropecuária e os impostos incidentes sobre produtos.

    Por sua capacidade de fornecer sinais mais imediatos sobre a atividade econômica, o IBC-Br integra o conjunto de indicadores monitorados pelo Banco Central ao avaliar o ritmo da economia. A autoridade monetária considera esses elementos ao tomar decisões relacionadas à taxa básica de juros, a Selic.

    Divulgação e fonte

    Os dados foram divulgados pelo Banco Central em 17 de agosto de 2026 e divulgados pela Agência Brasil. A reportagem com os números oficiais serve como referência para analistas e formuladores de política econômica interessados na trajetória recente da atividade.

    O recuo mensal do IBC-Br sinaliza enfraquecimento da atividade entre maio e junho, com perdas mais significativas nas áreas industriais e de serviços. Ao mesmo tempo, a agropecuária elevou o resultado agregado. O conjunto de leituras em bases mensal, trimestral e anual oferece quadro diversificado sobre o ritmo de crescimento recente da economia brasileira, sem fornecer, isoladamente, uma conclusão sobre a trajetória futura da atividade.

    Analistas e formuladores costumam observar o IBC-Br em conjunto com outros indicadores estatísticos oficiais para obter avaliação mais precisa do desempenho econômico e para fundamentar decisões de política monetária e fiscal.

  • Conab estima safra brasileira de grãos em 360,8 milhões de toneladas para 2025/26

    Conab estima safra brasileira de grãos em 360,8 milhões de toneladas para 2025/26

    O 11º Levantamento da Safra de Grãos, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 13 de agosto de 2026, projeta que a produção brasileira na temporada 2025/26 atingirá 360,8 milhões de toneladas. Esse volume representa um incremento de 2,4% em relação ao ciclo anterior, o que equivale a 8,5 milhões de toneladas a mais, segundo a estatal.

    Panorama geral da safra e fatores de crescimento

    A área cultivada prevista para o ciclo 2025/26 é de 83,5 milhões de hectares, aumento de 2,1% sobre o ciclo anterior. A produtividade média estimada para o conjunto das lavouras é de 4.322 quilos por hectare, valor próximo ao registrado na safra anterior, apontou a Conab. A combinação de maior área com produtividade estável explica a alta projetada na produção total.

    Soja e milho: principais responsáveis pelo volume

    A soja segue como o principal produto agrícola do país, com produção estimada em 180,5 milhões de toneladas. O milho, por sua vez, deve alcançar 143 milhões de toneladas, tornando-se o segundo maior produto em volume. Juntas, essas duas culturas concentram parcela significativa da produção de grãos prevista para 2025/26.

    Regiões e riscos climáticos

    A Conab observou impactos climáticos que afetaram parte das lavouras de milho no Nordeste. Condições registradas desde junho prejudicaram o desenvolvimento do cereal especialmente no nordeste da Bahia, em Sergipe e em parte de Alagoas. A companhia destacou essas perdas regionais ao comentar as estimativas para o cereal.

    Culturas com redução estimada e oferta doméstica

    Entre as demais culturas, o relatório traz quedas em algumas produções. A produção total de feijão, considerando as três safras, foi estimada em 3 milhões de toneladas, volume 3,2% inferior ao ciclo anterior; ainda assim, a Conab avaliou que a oferta é suficiente para suprir o mercado interno. Para o arroz, a previsão é de 11,1 milhões de toneladas, com redução explicada pela diminuição da área plantada — o levantamento aponta que o plantio ocorreu em área 14% menor que a do ciclo anterior. Mesmo com menor área, a colheita prevista atende à demanda doméstica, conforme a estatal.

    No segmento das culturas de inverno, o trigo aparece com produção estimada em 5,8 milhões de toneladas. Essa previsão representa queda de 26,2% em comparação à safra de 2025 e está associada à retração de 20,4% na área destinada ao cereal, segundo a Conab.

    Produtos têxteis e outras culturas

    A Conab estimou a produção de algodão em caroço em 5,8 milhões de toneladas, o que equivale a aproximadamente 4,1 milhões de toneladas de pluma. O levantamento traz também os números de outras culturas relevantes para o balanço nacional, detalhando variações por área e produtividade.

    O relatório, que compila levantamentos realizados ao longo do ciclo, serve como referência para acompanhamento da oferta agrícola, planejamento logístico e decisões de comercialização. A Conab é a fonte das estimativas e análises citadas.

    As informações foram divulgadas por meio do 11º Levantamento da Safra de Grãos e reportadas pela Agência Brasil.

  • BNDES registra lucro recorrente de R$ 9,2 bilhões no primeiro semestre e bate recordes

    BNDES registra lucro recorrente de R$ 9,2 bilhões no primeiro semestre e bate recordes

    O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgou nesta quinta-feira que obteve um lucro recorrente de R$ 9,2 bilhões no primeiro semestre de 2026, valor que representa crescimento de 25% frente ao mesmo período do ano anterior. No horizonte de doze meses encerrado em junho, o lucro recorrente atingiu R$ 17,1 bilhões, o maior montante já registrado pela instituição.

    Resultados financeiros e posição patrimonial

    Além do lucro, o BNDES informou que seus ativos totais alcançaram R$ 1,05 trilhão — o maior patamar da história do banco — e que o patrimônio líquido subiu para R$ 181 bilhões, também em nível recorde. A carteira de crédito ficou em R$ 684 bilhões, nível mais elevado desde 2016, segundo os dados apresentados na sede em São Paulo.

    Volume de aprovações e composição da carteira

    As aprovações de crédito no semestre somaram R$ 110,6 bilhões, um avanço de 52% em relação ao mesmo período de 2025. O banco destacou crescimento em diferentes segmentos da economia, com aumentos relevantes em infraestrutura e agropecuária.

    • Crédito à infraestrutura: R$ 46 bilhões, alta de 91%.
    • Agricultura e pecuária: R$ 24,8 bilhões, alta de 46%.
    • Indústria: R$ 22,5 bilhões, alta de 24%.
    • Comércio e serviços: R$ 17,3 bilhões, alta de 27%.

    O apoio a micro, pequenas e médias empresas chegou a R$ 108,2 bilhões no período, o maior valor histórico para a janela considerada, com aumento de 22% sobre 2025.

    Qualidade da carteira e inadimplência

    O BNDES informou que a inadimplência superior a 90 dias permaneceu praticamente estável, em torno de 0,05%. Esse nível é muito inferior às médias do Sistema Financeiro Nacional, que, conforme citado pelo banco, situa-se em 4,68% para o conjunto das instituições e em 0,66% para grandes empresas.

    Foco em novos setores e sustentabilidade

    Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a instituição tem buscado diversificar a carteira e financiar projetos em áreas consideradas estratégicas. Entre os exemplos citados pelo banco estão investimentos em mobilidade, minerais críticos, terras raras, lítio, inteligência artificial e até projetos de carro voador.

    Mercadante também afirmou que o BNDES está financiando a indústria automotiva para desenvolver veículos elétricos flex que combinem eletrificação com biocombustíveis, uma rota tecnológica que, segundo ele, o país tem perseguido. As declarações do presidente foram prestadas em entrevista coletiva na sede do banco e repercutem as orientações estratégicas anunciadas pela instituição.

    Clima e riscos naturais: atuação preventiva

    Na coletiva, o presidente alertou para a necessidade de preparar o banco e seus clientes para novas emergências climáticas. Mercadante afirmou que o fenômeno El Niño vem com força em 2026 e que as projeções apontam para um ano mais quente que 2024 no Brasil, com possibilidade de chuvas intensas no Sul, ondas de calor no Sudeste e períodos de seca no Norte e Nordeste. Em razão desse cenário, o BNDES declarou que ampliará ações de prevenção e apoio a empresas, comunidades e famílias afetadas por eventos climáticos extremos.

    As informações sobre resultados, carteira e estratégias foram divulgadas pelo BNDES e reproduzidas pela Agência Brasil.

    Próximos passos mencionados pelo banco incluem a continuidade do aumento do volume de crédito e a expansão de investimentos em setores tecnológicos e vinculados à transição energética, conforme as prioridades anunciadas pela direção do BNDES.

  • Setor de serviços fica estável em junho e avança 2% no primeiro semestre de 2026

    Setor de serviços fica estável em junho e avança 2% no primeiro semestre de 2026

    O setor de serviços brasileiro encerrou o primeiro semestre de 2026 com expansão de 2% em relação aos primeiros seis meses de 2025, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 12 de agosto de 2026.

    Desempenho de junho e variações recentes

    Em junho, o setor não registrou variação na comparação com maio, permanecendo estável. Na comparação interanual, junho de 2026 cresceu 2% sobre junho de 2025. No acumulado dos últimos 12 meses, o volume de serviços avançou 2,6%.

    O segundo trimestre de 2026 apresentou crescimento de 0,4% em relação ao primeiro trimestre do ano. Segundo a divulgação do IBGE, ao longo de 2026 apenas dois meses mostraram crescimento na comparação com o mês imediatamente anterior, sem especificar quais.

    Posição em relação ao período pré-pandemia e ao pico histórico

    Com os resultados de junho, o setor de serviços está 19,9% acima do nível registrado antes da pandemia de covid-19 (fevereiro de 2020). Em relação ao maior patamar já observado, alcançado em outubro de 2025, o setor permanece 0,3% abaixo.

    O gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo, avaliou que o setor opera muito próximo do ponto mais alto observado, mas de forma acomodada, sem sinais claros de aceleração nem de queda acentuada, conforme informado pelo IBGE.

    Desempenho por atividades e abrangência da pesquisa

    No confronto do primeiro semestre de 2026 com igual período de 2025, três das cinco atividades de maior agregação acompanhadas pelo IBGE apresentaram crescimento. Entre os recortes divulgados, os serviços profissionais, administrativos e complementares registraram alta de 2,4% no semestre. Por outro lado, o grupo que reúne transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio apontou queda de 1,2% na mesma comparação.

    Do total de 166 tipos de serviços pesquisados, 47,6% tiveram desempenho positivo no semestre. O IBGE também observa que, em relação aos semestres anteriores, a taxa de crescimento acumulada no primeiro semestre de 2026 é menos intensa — nos primeiros seis meses de 2025 a expansão acumulada havia sido de 2,7%, segundo a comparação trazida pela pesquisa.

    Atividades turísticas (Iatur)

    A PMS inclui o Índice de Atividades Turísticas (Iatur), formado por 22 dos 166 serviços investigados, como hotéis, agências de viagem, bufê e transporte aéreo de passageiros. O Iatur recuou 3,4% em junho ante maio. No acumulado do ano há redução de 0,9%, enquanto em 12 meses as atividades turísticas apresentam alta de 1%.

    Em relação ao nível pré-pandemia, as atividades turísticas estão 6,6% acima; em comparação com o maior nível já registrado, alcançado em dezembro de 2024, permanecem 6,2% abaixo.

    Informações regionais e cobertura

    A Pesquisa Mensal de Serviços divulgou informações de 17 unidades da federação, abrangendo regiões do Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste. As unidades listadas pelo IBGE foram: Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás, Distrito Federal, Amazonas, Pará, Mato Grosso, Alagoas e Rio Grande do Norte.

    Vale destacar que, embora os bancos sejam classificados como atividade de serviços, as instituições financeiras não integram a PMS do IBGE.

    Os dados publicados pelo IBGE e divulgados pela Agência Brasil permitem acompanhar tanto a evolução recente quanto os recuos e avanços setoriais, fornecendo subsídios para análise da dinâmica do mercado de trabalho e da atividade econômica relacionada a transporte, turismo, alimentação, beleza, internet e tecnologia da informação, entre outros segmentos que compõem o setor de serviços.

  • BC diz que inflação desacelera, mas mantém alerta sobre riscos e juros em nível restritivo

    BC diz que inflação desacelera, mas mantém alerta sobre riscos e juros em nível restritivo

    A ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada pelo Banco Central e reportada pela Agência Brasil, registra que a decisão de reduzir a taxa básica de juros para 14% ao ano foi tomada em um quadro de desaceleração da inflação, mas ainda marcado por incertezas relevantes. O documento aponta que a política monetária tem colaborado com o processo de desinflação, sem, no entanto, retirar a necessidade de manter juros em patamar considerado restritivo.

    Decisão do Copom e justificativa

    O comitê avaliou que a redução da Selic é compatível com a estratégia de convergência da inflação para perto da meta. Além de contribuir para a estabilidade de preços, o Banco Central destacou que o corte de juros também tem papel em atenuar flutuações na atividade econômica e em favorecer o pleno emprego. Ainda assim, a ata deixa claro que a situação exige prudência, dado que expectativas inflacionárias seguem elevadas.

    Situação da inflação e dos preços

    Segundo a ata, as leituras mais recentes mostram uma desaceleração da inflação ao consumidor, mas o índice ainda se situa acima do limite superior da meta. No segmento de preços ao produtor, o documento registra um recuo, atribuído em grande parte ao desempenho da indústria extrativa — setor responsável por produtos como minérios, petróleo e gás natural — que afetou os preços na ponta de oferta.

    Pressões e pressupostos usados pelo BC

    O Banco Central enfatiza que a demanda continua a pressionar a inflação, razão pela qual os juros precisam permanecer em nível restritivo por algum tempo. No cenário de referência adotado pelo Copom, a trajetória dos juros incorpora as projeções do Boletim Focus, e a taxa de câmbio parte de R$ 5,10 por dólar, evoluindo conforme pressupostos de paridade do poder de compra.

    Riscos domésticos e externos

    A ata aponta distintos vetores de risco que podem alterar a trajetória das taxas de juros. Entre os fatores internos estão o crescimento do crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública, ambos com potencial para pressionar os juros na economia. No plano internacional, o documento cita volatilidade persistente nos preços de ativos e commodities, preocupações com os desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio e dúvidas sobre a condução da política monetária em economias avançadas, incluindo incertezas relativas à política econômica dos Estados Unidos.

    Quadro da atividade econômica e do mercado de trabalho

    O Copom observa sinais de moderação gradual da atividade econômica desde a última reunião, mantendo a percepção de desaceleração da economia. No entanto, o mercado de trabalho segue aquecido: a taxa de desemprego permanece em níveis historicamente baixos, ainda que o ritmo de criação de vagas tenha perdido força. A ata destaca, igualmente, que os rendimentos médios dos trabalhadores, embora tenham desacelerado, continuam a crescer em termos reais a uma taxa superior à da produtividade do trabalho.

    Em síntese, a ata deixa claro que o Banco Central vê progresso no processo de desinflação, mas que o cenário exige manutenção de cautela. O corte recente da Selic foi justificado como compatível com a estratégia de convergência da inflação, ao mesmo tempo que o comitê sinaliza vigilância frente a riscos que podem demandar reversões ou maior rigidez na política monetária.

    Fonte: Agência Brasil, com base na ata do Comitê de Política Monetária do Banco Central.

  • Leilões de petróleo em outubro terão número recorde de áreas em disputa, diz ANP

    Leilões de petróleo em outubro terão número recorde de áreas em disputa, diz ANP

    A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou, em comunicado divulgado em 6 de agosto de 2026, que os leilões de petróleo agendados para 7 de outubro terão um recorde de áreas em disputa. Ao todo serão ofertadas 35 áreas: 13 blocos no 4º Ciclo de Partilha e 22 setores no 6º Ciclo de Concessão. A relação completa foi publicada no Diário Oficial da União, conforme a própria ANP.

    Detalhes dos ciclos e participação das empresas

    O 4º Ciclo de Partilha reúne 13 blocos localizados na área do pré-sal. O 6º Ciclo de Concessão engloba 22 setores em áreas fora do regime de partilha. A ANP informou que foram incluídos na lista os blocos e setores que receberam declaração de interesse de pelo menos uma empresa, desde que as companhias também tenham manifestado garantia de oferta.

    Até o momento da divulgação, os 22 setores do leilão de concessão contavam com declarações de interesse com garantia de oferta por parte de 12 empresas. Já os 13 blocos do leilão de partilha tinham manifestações de seis empresas. A agência destacou que esse quadro pode mudar até o fim do prazo de habilitação.

    Prazos e formas de participação

    A ANP estabeleceu como prazo para empresas que ainda não tenham declarado interesse — ou que já tenham feito — a data de 31 de agosto para manifestarem interesse em outros setores ou blocos, caso desejem ampliar sua participação. A agência também explicou que companhias que não cumprirem esse procedimento até o prazo final poderão participar da disputa formando consórcios com empresas que se habilitaram.

    O registro prévio de interesse e a garantia de oferta são etapas que permitem à ANP compor a relação final de áreas a serem leiloadas, e a publicação no Diário Oficial da União formaliza essa seleção inicial.

    Resultados anteriores e contexto do regime de exploração

    Leilões anteriores servem de referência para o potencial de arrecadação e de investimentos. Em outubro do ano passado, o 3º Ciclo da Oferta de Partilha terminou com cinco dos sete blocos disputados arrematados; naquela ocasião os bônus de assinatura chegaram a quase 104 bilhões, com previsão de investimento mínimo na fase de exploração de R$ 451,5 milhões.

    No modelo de concessão, o leilão do 5º Ciclo ocorreu em junho de 2025 e resultou na assinatura de 34 contratos de concessão de blocos. A arrecadação de bônus de assinatura foi de cerca de R$ 989 milhões, com investimentos mínimos estimados em R$ 1,5 bilhão na fase de exploração.

    Partilha x concessão

    O regime de partilha vigora nas áreas do pré-sal desde a mudança ocorrida em 2010. Nesse modelo, a produção de óleo excedente — o saldo após o pagamento dos custos — é dividida entre a petroleira vencedora do leilão e a União. A empresa vencedora é a que oferece a maior parcela do óleo à União.

    Já no modelo de concessão, a concessionária assume o risco de explorar a área e torna-se proprietária do petróleo e gás descobertos. Em contrapartida, além do bônus de assinatura, a empresa paga royalties e, quando aplicável, participação especial ao governo.

    Estrutura de representação da União e importância do pré-sal

    Com a adoção do regime de partilha também foi criada a estatal Pré-Sal Petróleo (PPSA), vinculada ao Ministério de Minas e Energia e sediada no Rio de Janeiro. A PPSA representa a União na gestão das receitas advindas do pré-sal e comercializa o petróleo entregue pelas petroleiras à União, conforme informado pela ANP.

    O Polígono do Pré-Sal, no litoral do Sudeste, concentra os principais campos de produção do país. Segundo dados mais recentes da ANP, em junho de 2026 os campos do pré-sal responderam por 82% da produção nacional de petróleo e gás. A camada de sal que recobre essas jazidas pode chegar a espessuras de até 7 mil metros, conforme a agência.

    As informações sobre os leilões e os prazos foram publicadas pela ANP e divulgadas pela Agência Brasil.

  • Copom reduz Selic para 14% e entidades avaliam corte como insuficiente para alavancar indústria

    Copom reduz Selic para 14% e entidades avaliam corte como insuficiente para alavancar indústria

    O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) anunciou, na quarta-feira (5), a redução de 0,25 ponto percentual na Taxa Selic, que passou de 14,25% para 14% ao ano. Este é o quarto corte consecutivo desde o início do ciclo de flexibilização da taxa básica de juros.

    Justificativa do Banco Central e ambiente externo

    Segundo o BC, o ajuste gradual de 0,25 ponto é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta no próximo período. O comunicado do Comitê também ressaltou fatores de risco externos, citando a indefinição sobre os conflitos armados no Oriente Médio e a incerteza sobre a trajetória da política monetária em algumas economias avançadas.

    Críticas de entidades empresariais e impacto na indústria

    Organizações do setor produtivo receberam favoravelmente a continuidade do ciclo de redução dos juros, mas avaliaram que o nível atual ainda impõe restrições significativas à atividade econômica.

    A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) destacou que, apesar do sinal positivo do movimento, a Selic permanece elevada, o que mantém o custo do crédito alto e atrasa investimentos. A entidade observou que o elevado custo de capital dificulta a modernização produtiva e limita a produtividade e a competitividade das empresas; citou também que a indústria de transformação cresceu apenas 0,4% no primeiro semestre do ano, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que os juros se mantêm em patamar restritivo há 55 meses e apontou que a Selic está 3,6 pontos percentuais acima da taxa calculada com base na Regra de Taylor, estimada em 10,4% segundo a própria referência mencionada. A CNI destacou ainda que a taxa de juros real, de cerca de 10%, supera substancialmente a taxa de equilíbrio estimada pelo Banco Central, de 5%, o que, na avaliação da confederação, indica espaço para cortes mais expressivos sem comprometer o controle da inflação.

    Posição de sindicatos e avaliação do mercado

    Entre as organizações de trabalhadores, a Força Sindical classificou a redução de 0,25 ponto como insuficiente. A central sindical declarou que juros altos encarecem o crédito, reduzem investimentos, desestimulam o consumo e prejudicam a geração de empregos, afirmando que houve perda de oportunidade para uma redução mais acentuada que poderia impulsionar o setor produtivo.

    No mercado, o gestor de portfólio da Oby Capital, Camilo Cavalcanti, avaliou que o Copom manteve uma mensagem de que a magnitude total do ciclo de cortes será definida conforme novos dados, sem compromisso prévio. Cavalcanti ressaltou que o comunicado passou a citar explicitamente a desancoragem das expectativas e os riscos elevados ao redor do cenário-base como justificativa para “serenidade e cautela”, abrindo espaço tanto para continuidade do corte na próxima reunião quanto para uma possível pausa, dependendo da evolução dos indicadores.

    Principais pontos apontados por autoridades e entidades

    • Redução da Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano (Copom/BC).
    • Décimo quarto corte consecutivo? (correction: trata-se do quarto corte consecutivo conforme comunicado do Copom).
    • BC afirma que ajuste é compatível com convergência da inflação à meta.
    • Firjan e CNI consideram o patamar ainda restritivo; CNI cita diferença em relação à Regra de Taylor e à taxa de equilíbrio estimada pelo BC.
    • Força Sindical classifica o corte como insuficiente e aponta impacto sobre emprego e consumo.
    • Analistas de mercado veem possibilidade de continuidade do ciclo, mas com cautela diante de riscos e da evolução das expectativas.

    Próximos passos e incertezas

    O Copom deixou implícito que a continuidade do ciclo de cortes dependerá da evolução dos dados econômicos e das expectativas. A presença de riscos externos, mencionada pelo BC, e a preocupação com a desancoragem de expectativas foram citadas como argumentos para uma postura mais cautelosa na condução da política monetária.

    As reações das entidades apontam para um debate sobre o ritmo e a profundidade dos cortes: enquanto setores produtivos e sindicatos pedem reduções mais expressivas para baratear o crédito e estimular investimentos e consumo, o Banco Central e parte do mercado enfatizam a necessidade de acompanhar dados futuros e a evolução das expectativas de inflação.

    As informações desta reportagem foram baseadas em nota da Agência Brasil e nos comunicados e declarações citados por Firjan, CNI, Força Sindical e Oby Capital.

  • Exportações atingem recorde em junho e reduzem déficit das contas externas, informa Banco Central

    Exportações atingem recorde em junho e reduzem déficit das contas externas, informa Banco Central

    As contas externas do Brasil apresentaram melhora em junho, com destaque para um recorde histórico nas exportações. Dados das Estatísticas do Setor Externo divulgadas pelo Banco Central e divulgadas pela Agência Brasil mostram que o déficit em transações correntes ficou em US$ 2,3 bilhões no mês, menos da metade do resultado negativo de US$ 5,2 bilhões observado em junho de 2025.

    Exportações em nível recorde

    O avanço nas vendas externas foi o principal motor da queda do déficit. As exportações de bens somaram US$ 36,4 bilhões em junho, o maior valor já registrado na série histórica do Banco Central, um crescimento de 24,8% em relação a junho de 2025. As importações também aumentaram, totalizando US$ 27,6 bilhões, alta de 15,3% na comparação interanual.

    Com esse movimento, o superávit da balança comercial alcançou US$ 8,8 bilhões em junho deste ano, contra US$ 5,2 bilhões no mesmo mês do ano anterior, refletindo um aumento de US$ 3,6 bilhões no saldo positivo do comércio exterior na comparação interanual.

    Conta de serviços e principais influências

    Apesar do desempenho favorável no comércio de bens, a conta de serviços registrou agravamento em relação ao ano anterior. O déficit nessa conta aumentou US$ 0,7 bilhão frente a junho de 2025, chegando a US$ 5,1 bilhões no mês.

    O Banco Central atribuiu esse resultado principalmente ao crescimento das despesas líquidas com viagens internacionais, transporte e com serviços de telecomunicações, computação e informação, que puxaram para cima o saldo negativo dessa conta.

    Fluxos financeiros e reservas

    Em termos de fluxos financeiros, os investimentos diretos no país (IDP) registraram ingressos líquidos de US$ 9,1 bilhões em junho, contra US$ 3,1 bilhões no mesmo mês do ano passado. No acumulado de 12 meses encerrado em junho, o investimento direto acumulado somou US$ 89,3 bilhões, o equivalente a 3,58% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo os dados do Banco Central.

    Já os investimentos em carteira apresentaram saída líquida de US$ 0,6 bilhão no mês. Houve retirada líquida de US$ 2,2 bilhões em ações e fundos de investimento, parcialmente compensada por ingressos de US$ 1,6 bilhão em títulos no mercado doméstico.

    As reservas internacionais fecharam junho em US$ 367,6 bilhões, uma redução de US$ 3,6 bilhões em relação a maio. Conforme o Banco Central, a queda no estoque de reservas foi influenciada por variações cambiais entre as moedas que compõem as reservas, vendas de dólares no mercado à vista e oscilações nos preços dos ativos.

    Situação no acumulado de 12 meses

    No acumulado dos 12 meses encerrados em junho, o déficit em transações correntes atingiu US$ 61,4 bilhões, o que equivale a 2,46% do PIB. Em junho de 2025, o saldo negativo acumulado era de US$ 75,5 bilhões, ou 3,52% do PIB, indicando uma melhora percentual em relação ao Produto Interno Bruto na comparação entre os períodos.

    Os números divulgados pelo Banco Central, reportados pela Agência Brasil, mostram um movimento de melhoria nas principais métricas externas do país em junho, liderado pelo desempenho das exportações, acompanhado de maior ingresso de investimento direto e de ajustes nas reservas internacionais.

  • Gastos com apostas online na região metropolitana do Rio chegam a R$ 2,2 bilhões por ano, aponta pesquisa

    Gastos com apostas online na região metropolitana do Rio chegam a R$ 2,2 bilhões por ano, aponta pesquisa

    Um levantamento realizado pelo Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises e divulgado pela Agência Brasil calcula que os gastos com apostas online na região metropolitana do Rio de Janeiro somam R$ 2,2 bilhões por ano. A pesquisa foi aplicada a 1.024 pessoas entre os dias 22 e 25 de junho.

    Volume de recursos e impacto na economia local

    Segundo o estudo, o montante destinado a apostas virtuais equivale a mais de três vezes o valor estimado para as compras de Natal na mesma área, sinalizando uma saída significativa de recursos que deixariam de circular na economia fluminense. O gasto médio por apostador é estimado em R$ 1,2 mil por ano.

    Quem são os apostadores

    A pesquisa mostra que 22,7% dos moradores da região metropolitana já participaram de apostas online — quase um em cada quatro entrevistados. Entre esses apostadores, 65,6% são homens e 34,4% são mulheres.

    Em termos etários, a maior concentração está na faixa de 25 a 34 anos (36,1%), seguida pelos jovens de 18 a 24 anos (24,8%). Quanto ao nível de escolaridade, 66,9% dos apostadores possuem ensino médio completo e 12,9% têm ensino superior concluído.

    Modalidades mais populares e motivos para apostar

    As bets esportivas lideram as preferências, citadas por 60,9% dos apostadores. Jogos de cassino virtuais, como o chamado “tigrinho”, aparecem em segundo lugar, mencionados por 49,4% dos entrevistados. Como a pergunta permitia múltiplas respostas, muitos participantes informaram jogar em mais de uma modalidade.

    Em relação às motivações, 48,7% apontaram a expectativa de retorno financeiro como razão para apostar. Deste grupo, 28,3% dizem buscar ganhar dinheiro rapidamente ou encaram a aposta como um tipo de investimento. Além disso, 20,4% afirmaram usar as apostas para obter renda extra; dos entrevistados que buscam renda adicional, 70% relataram utilizar o próprio salário para financiar as apostas.

    Rendimento, segurança e comportamento diante das plataformas

    Sobre renda, a maior parcela de apostadores recebe entre um e dois salários mínimos (36%), seguida por quem recebe de dois a três salários mínimos (19,7%).

    O estudo também aponta falhas de segurança no comportamento dos usuários: 48,5% dos entrevistados que já apostaram admitiram não checar se a plataforma é legalizada antes de jogar, elevando riscos relacionados à proteção do consumidor e à exposição a sites não regulamentados.

    Medidas municipais e orientações obrigatórias

    Em resposta ao aumento de visibilidade das apostas, a prefeitura do Rio de Janeiro proibiu, desde 13 de julho, a veiculação de publicidade de plataformas de apostas em espaços públicos do município. A medida alcança propagandas em mobiliário urbano, publicidade exterior e outros locais cuja exploração dependa de autorização ou concessão municipal.

    Além disso, as plataformas de apostas esportivas passaram a ser obrigadas a exibir alertas do Ministério da Fazenda em suas campanhas publicitárias. As advertências informam que apostar pode causar dependência, levar à perda de dinheiro e não constitui um investimento — formato semelhante às advertências existentes em propagandas de cigarros e bebidas alcoólicas.

    Os dados e as medidas descritas foram publicados pela Agência Brasil a partir do levantamento do Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises.

  • Durigan afirma que dívida do Brasil é menor que a de grandes economias, mas mantém nível elevado

    Durigan afirma que dívida do Brasil é menor que a de grandes economias, mas mantém nível elevado

    O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta segunda-feira (27) que a dívida pública do Brasil permanece elevada, mas está em um nível inferior ao observado em várias economias desenvolvidas. A declaração foi dada em entrevista à Rádio Jornal de Pernambuco e divulgada pela Agência Brasil.

    Comparação internacional e estrutura da dívida

    Durigan explicou que não existe uma regra internacional única que fixe um limite de endividamento aplicável a todos os países. Em vez de um parâmetro absoluto, defendeu que a avaliação deve considerar as características econômicas e fiscais de cada nação. Segundo o ministro, a relação dívida/PIB do Brasil está em torno de 80% a 81%, enquanto alguns países chegam a níveis próximos a 200% do PIB.

    O ministro citou, de forma geral, grandes economias como exemplo de endividamento proporcionalmente maior, incluindo Estados Unidos, países europeus, China e Japão. Mesmo com essa comparação favorável, Durigan deixou claro que o nível atual da dívida brasileira não pode ser considerado confortável.

    Pressão dos juros e trajetória da dívida

    Durigan apontou que, na ausência de déficits primários significativos, o componente que vem impulsionando o crescimento da dívida pública são os juros cobrados sobre os títulos públicos. Ele destacou que o montante pago para rolar a dívida contribui para o aumento do estoque da obrigação pública, impactando também a população por meio de taxas de juros mais elevadas na economia.

    O ministro citou projeções do Tesouro Nacional, classificadas por ele como “muito conservadoras”, que indicam aumento da dívida em termos nominais até 2030. A partir desse ponto, essas projeções apontam para uma redução proporcional da dívida em relação ao PIB.

    Confiança, credibilidade fiscal e cenário internacional

    Para Durigan, a redução do custo do endividamento depende da construção de confiança sobre a condução das contas públicas. Segundo ele, quando investidores percebem uma trajetória fiscal sustentável no tempo, há maior tranquilidade e menor pressão sobre os juros, o que ajuda a reduzir o endividamento.

    O ministro também relacionou a importância da credibilidade fiscal ao contexto global de incertezas, citando conflitos e tensões geopolíticas como fatores que ampliam a necessidade de preparar o país. Em referência a episódios internacionais, mencionou a guerra entre Estados Unidos e Irã como exemplo de fonte de incerteza, e disse ser preciso proteger a população com medidas racionais que não prejudiquem as contas públicas.

    Consolidação fiscal e investimentos estratégicos

    Durigan afirmou que preparar o país para um ambiente externo mais instável exige tanto consolidação fiscal quanto capacidade de investimento em áreas estratégicas. Na visão do ministro, manter o equilíbrio das contas públicas não deve ser visto apenas como resposta ao mercado financeiro, mas como instrumento para promover crescimento sustentável, ampliar investimentos e melhorar condições de vida.

    O ministro ressaltou a meta de transformar o Brasil em um “porto seguro” para investidores diante de um cenário internacional cada vez mais incerto, apontando a credibilidade fiscal como elemento central para alcançar esse objetivo.

    As colocações de Durigan foram registradas pela Agência Brasil, com base na entrevista concedida à Rádio Jornal de Pernambuco.