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  • Câmara aprova lei com diretrizes para promover o futebol feminino no Brasil

    Câmara aprova lei com diretrizes para promover o futebol feminino no Brasil

    O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, na quinta-feira, 13 de agosto de 2026, o Projeto de Lei (PL) 4.578/2025, que estabelece diretrizes para a promoção do futebol feminino no Brasil. A proposta, de autoria do Poder Executivo, define o desenvolvimento do futebol feminino como prioridade nas políticas públicas esportivas e atribui ao Ministério do Esporte a responsabilidade pela sua promoção.

    Principais medidas aprovadas

    O texto aprovado traz um conjunto de medidas destinadas a impulsionar a profissionalização e a igualdade no tratamento entre equipes femininas e masculinas. Entre os pontos centrais estão a limitação da inscrição de jogadoras não profissionais nas competições nacionais e a previsão de incentivos à equiparação salarial entre homens e mulheres no futebol.

    Limitação de jogadoras não profissionais e meta de profissionalização

    Para estimular a profissionalização das atletas, o projeto fixa tetos para a participação de jogadoras sem contrato profissional. Na principal divisão das competições nacionais, cada equipe poderá inscrever, no máximo, quatro atletas não profissionais. Nas demais divisões, o limite sobe para seis jogadoras por time.

    O texto determina ainda que o Poder Executivo promova a redução gradual desses limites, com o objetivo declarado de alcançar a total profissionalização das competições oficiais de futebol feminino. A relatora do projeto, deputada Jack Rocha (PT-ES), destacou que a proposição assume maior relevância com a realização da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027 no país.

    Igualdade de estrutura, calendário e apoio às atletas

    Outra exigência prevista é que as organizações esportivas disponibilizem à equipe feminina a mesma estrutura física, equipamentos e equipes de suporte já oferecidos às equipes masculinas. O projeto também prevê que o calendário de jogos seja publicado com antecedência suficiente para permitir o planejamento de clubes e atletas.

    No texto aprovado constam ainda medidas para ampliar a presença de mulheres em cargos de gestão, arbitragem e direção técnica, e a obrigatoriedade, por meio de alteração na Lei Geral do Esporte, de que organizações formadoras de atletas mantenham equipes femininas na modalidade.

    Direitos, combate à discriminação e legado da Copa de 2027

    O projeto enfatiza o respeito aos direitos das mulheres grávidas e à maternidade, com a previsão de proteção irrestrita a esses direitos. Também prevê a criação de protocolos para prevenir e combater a discriminação, o racismo e a violência contra as mulheres no futebol.

    Além disso, a proposta exige a elaboração de um plano para o legado da Copa do Mundo Feminina da FIFA de 2027, buscando aproveitar a realização do evento para consolidar avanços estruturais e organizacionais na modalidade no país.

    Reconhecimento do futebol como patrimônio cultural

    Na mesma sessão, a Câmara aprovou o PL 1.842/2025, que reconhece o futebol como manifestação da cultura nacional e como patrimônio imaterial cultural do povo brasileiro. A proposta, de autoria do deputado Hélio Lopes (PL-RJ), determina que o Poder Executivo promova ações de salvaguarda e valorização do futebol como expressão da identidade nacional e preserve sua memória.

    As informações sobre a votação e o conteúdo dos projetos foram registradas pela Agência Brasil.

  • Câmara aprova regras para programas de fidelidade com milhas ou pontos

    Câmara aprova regras para programas de fidelidade com milhas ou pontos

    O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, na quinta-feira (13 de agosto de 2026), o projeto de lei 3083/2026 que regulamenta os programas de fidelidade baseados em pontos ou milhas, muito usados por companhias aéreas e outros fornecedores. O texto define critérios para transferência e comercialização da pontuação acumulada pelos usuários e agora será submetido ao Senado Federal.

    O que muda com o PL 3083/2026

    A principal alteração trazida pela proposta é a divisão desses programas em dois regimes distintos, conforme a existência ou não de um mecanismo oficial e acessível para converter pontos ou milhas em dinheiro. A distinção busca criar parâmetros legais claros para operações que, até aqui, funcionavam sem regulamentação específica.

    Segundo o relator, deputado Paulo Soares (Podemos-SP), a medida visa a proteger o consumidor e reduzir conflitos jurídicos entre usuários e fornecedores. Na tribuna, ele afirmou que o objetivo é garantir que “o consumidor tenha livre acesso ao que é de direito dele, no caso aqui, no que diz respeito às milhas”.

    Regras para cada tipo de programa

    O projeto estabelece tratamento diverso para programas que oferecem conversão efetiva de pontos em moeda e para aqueles em que essa conversão é limitada ou residual. Entre os pontos previstos estão:

    • Programas com conversão em dinheiro: poderão adotar regras próprias para a comercialização e transferência dos pontos, desde que ofereçam um mecanismo efetivo, contínuo e acessível de conversão em moeda corrente por meio de operador independente.
    • Programas sem liquidez: ficam proibidos de impor restrições à venda ou transferência de milhas e pontos pelos usuários. Nesses casos, o fornecedor não poderá punir consumidores com bloqueio de conta, cancelamento de bilhetes ou suspensão de benefícios quando a comercialização ocorrer de forma lícita.

    O texto também prevê que, quando o fornecedor comercializar pontos ou milhas direta ou indiretamente para os consumidores, esse programa deverá disponibilizar um mecanismo oficial de liquidez que permita a conversão da pontuação em dinheiro.

    Proteção ao consumidor e exigência sobre autenticação

    Outra determinação do projeto trata de medidas de autenticação. Para programas que não oferecem liquidez, o PL proíbe que direitos de comercialização sejam condicionados à realização de biometria facial. Nesses casos, as empresas devem oferecer meios alternativos de autenticação que sejam razoáveis, acessíveis e não discriminatórios.

    O objetivo declarado pelo relator é reduzir insegurança jurídica e proteger os direitos dos consumidores diante de situações em que regras contratuais e práticas comerciais impediam o livre uso ou a negociação de pontos e milhas.

    Consequências imediatas e tramitação

    Com a aprovação na Câmara, o projeto segue para o Senado, onde será analisado pelos senadores antes de eventual sanção presidencial. Até a conclusão da tramitação no Congresso e da definição de texto final, permanecem as regras contratuais vigentes de cada programa de fidelidade, exceto nas hipóteses em que o novo dispositivo já imponha obrigações imediatas previstas na lei após sua eventual publicação.

    A proposta, conforme o relator, pretende trazer maior clareza às relações entre programas de fidelidade e usuários, em função da relevância econômica desses esquemas e das disputas judiciais e administrativas que emergiram na ausência de normas específicas.

    O que muda para usuários e fornecedores

    Para os usuários, as principais alterações estão relacionadas à liberdade de transferir ou comercializar pontos e ao risco reduzido de sofrer punições contratuais em programas sem liquidez. Já os fornecedores terão obrigações adicionais nos casos em que vendem pontos aos consumidores, devendo oferecer mecanismo de liquidez e prever formas alternativas de autenticação quando exigirem identificação mais invasiva.

    Todas as informações sobre o conteúdo do projeto e os argumentos do relator constam em reportagem da Agência Brasil, que cobriu a votação na Câmara dos Deputados.

  • Câmara aprova redução de tributos federais sobre combustíveis e amplia benefícios a etanol e fertilizantes

    Câmara aprova redução de tributos federais sobre combustíveis e amplia benefícios a etanol e fertilizantes

    A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (12) o Projeto de Lei Complementar (PLP) 114/2026, que estabelece redução de alíquotas de tributos federais incidentes sobre a importação, produção e comercialização de óleo diesel rodoviário, biodiesel, gasolina, etanol e querosene de aviação. A proposta obteve 318 votos favoráveis, 113 contrários e uma abstenção e segue para análise do Senado.

    Objetivo da medida e justificativa

    Segundo o texto aprovado, a principal finalidade do PLP é atenuar os efeitos do aumento dos preços dos combustíveis registrados após o conflito envolvendo os Estados Unidos e o Irã, que fechou a rota de exportação de petróleo no Oriente Médio e provocou oscilações na cotação do barril. O projeto determina a redução de tributos federais para reduzir o impacto do repasse desses custos aos consumidores.

    Como será compensada a perda de arrecadação

    O próprio PLP prevê que a queda na arrecadação será compensada com o aumento extraordinário das receitas da União originado pela valorização do petróleo. A relatora, deputada Marussa Boldrin (Republicanos-GO), destacou os números da arrecadação: entre janeiro e março de 2026 a receita federal com essas fontes alcançou R$ 28 bilhões, ante R$ 9 bilhões no mesmo período de 2025, expansão que o texto qualifica como superior a 200% em termos reais.

    Ampliação do alcance: etanol, fertilizantes e outras medidas

    Marussa apresentou um substitutivo ao projeto original do deputado Paulo Pimenta (PT-SP) e ampliou o escopo das medidas. Além dos combustíveis derivados do petróleo, a proposta passou a abranger o etanol, fertilizantes agrícolas, pesquisa sobre minerais críticos e terras raras, e previsão de desoneração fiscal ligada à realização da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027.

    Para preservar a competitividade dos biocombustíveis, o texto prevê que eventuais reduções de tributos da gasolina deverão ser acompanhadas por medidas equivalentes para o etanol, mantendo a vantagem tributária anterior ao conflito. Especificamente, se a tributação federal da gasolina cair 30% ou mais, as alíquotas incidentes sobre o etanol serão reduzidas a zero.

    Incentivos e mecanismos de apoio aos produtores

    O pacote inclui medidas financeiras e fiscais para produtores de etanol e do setor agrícola. Em 2026, o governo concederá subvenção de R$ 1,2 bilhão aos produtores de etanol hidratado, com objetivo de manter a diferenciação de preços entre gasolina e etanol. Além disso, produtores — inclusive cooperativas — poderão compensar até R$ 750 milhões em débitos junto à Receita Federal por meio de saldos credores da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, proporcional à produção de etanol hidratado em 2025.

    Para o setor de fertilizantes, a União poderá conceder até R$ 5 bilhões em créditos fiscais entre 2027 e 2031, limitados a R$ 1 bilhão por ano e equivalentes a até 20% dos gastos com produção em território nacional. Mercadorias destinadas a projetos para a indústria de fertilizantes ficarão isentas do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM), com renúncia de receita estimada no texto em até R$ 200 milhões por ano.

    Trâmite legislativo e articulação política

    A votação do PLP foi viabilizada após um acordo entre o governo federal e lideranças do Congresso, com a participação dos ministérios do Planejamento e da Fazenda. Na manhã do mesmo dia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), reuniram-se no Palácio da Alvorada para definir prioridades legislativas para o período de esforço concentrado.

    Também participaram do encontro o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, e a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE). O Congresso Nacional retomou os trabalhos após o recesso, com previsão de sessões em regime de esforço concentrado entre 10 e 14 de agosto e entre 31 de agosto e 3 de setembro, conforme informado pelos presidentes das Casas.

    Fonte: Agência Brasil.

  • Debate na Câmara expõe divergências entre governo e oposição sobre atritos Brasil-EUA

    Debate na Câmara expõe divergências entre governo e oposição sobre atritos Brasil-EUA

    Debate realizado em 12 de agosto na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados reuniu o assessor especial da Presidência, embaixador Celso Amorim, e parlamentares da oposição para discutir os recentes atritos entre Brasil e Estados Unidos. O encontro, relatado pela Agência Brasil, mostrou posições opostas sobre as causas e os riscos das medidas adotadas pela Casa Branca.

    Visão do governo: medidas dos EUA têm motivação política

    Segundo Amorim, as ações recentes dos EUA contra o Brasil — entre elas um aumento de tarifas referido no debate como “tarifaço” — possuem objetivo político e buscam subordinar países latino-americanos aos interesses norte-americanos. O assessor presidencial citou um vídeo divulgado pelo Departamento de Estado, lido pelo embaixador dos EUA no Panamá, que, na avaliação dele, reforça a intenção de relativizar a soberania de países da região.

    Amorim afirmou que o presidente Lula tem sido firme em não aceitar medidas unilaterais que possam constranger economicamente o país ou relativizar sua soberania. O embaixador também interpretou a recente decisão dos EUA de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas à luz desse mesmo padrão de ações externas.

    Preocupações sobre segurança e soberania

    O assessor presidencial ressaltou que a designação de grupos como terroristas pode ter implicações práticas, inclusive permitindo aos EUA justificar intervenções ou operações por meio de interpretações legais que autorizariam ações de força. Amorim lembrou episódios em que ataques a embarcações foram atribuídos pelos EUA a tráfico de drogas e questionou a falta de provas em algumas dessas ações, argumentando que a classificação pode ser usada geopoliticamente para interferir em assuntos internos do Brasil.

    Amorim destacou ainda que o governo federal deliberou não conceder vistos diplomáticos a representantes estrangeiros, independentemente do país, até as eleições de outubro, e considerou “bizarra” a divulgação do indicado norte-americano ao posto de embaixador no Brasil antes de o Itamaraty aceitar o pedido de credenciamento.

    Posição da oposição: governo brasileiro é o responsável pelos atritos

    Parlamentares da oposição presentes na comissão culpam a atual política externa brasileira por provocar reações dos Estados Unidos. O presidente da comissão, deputado Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PL-SP), afirmou que a adesão do Brasil ao BRICS e o que chamou de anti‑americanismo tornaram o país menos pragmático em termos comerciais, contribuindo para a deterioração das relações.

    Deputados também relacionaram ações internas, como o bloqueio de contas de empresas dos EUA no processo envolvendo a rede social X, ao aumento da tensão bilateral. O deputado Marcel Van Hatten (Novo-RS) afirmou que essas atitudes configurariam, na visão dele, uma agressão à soberania americana e foram citadas como justificativa para medidas retaliatórias dos EUA.

    Na mesma linha, o deputado General Girão (PL-RN) defendeu a posição norte-americana de classificar facções como terroristas e disse haver receio sobre a possível atuação de forças especiais americanas no Brasil — um cenário que gerou reação de Amorim, para quem a autoridade soberana para combater o crime deve caber ao próprio Brasil.

    Questões diplomáticas e pedidos de agilização de vistos

    Durante o debate, parlamentares da oposição pediram que o governo brasileiro acelere a concessão do visto diplomático ao indicado pelos EUA para a embaixada no Brasil, Daniel Pérez. A demora na concessão, segundo os deputados, levou os Estados Unidos a cancelar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti.

    Amorim, porém, reiterou que o procedimento de credenciamento de embaixadores exige consentimento do país receptor e contestou a prática de divulgar nomes antes desse aceite. Ele argumentou que não se quer subordinar a soberania brasileira a interesses estrangeiros, seja dos EUA, da China, da Rússia ou de qualquer outro país.

    Implicações e posicionamento oficial

    O governo federal, segundo o representante presidencial, enxerga nas ações da Casa Branca uma tentativa de influenciar o processo político brasileiro, especialmente no contexto das eleições. Amorim afirmou que, embora o Brasil queira combater o crime organizado com firmeza, resiste a designações que possam abrir espaço para intervenções externas.

    Os fatos e declarações aqui reportados foram apresentados na audiência da Comissão de Relações Exteriores e registradas pela Agência Brasil.

    Fonte

    Agência Brasil

  • Sociedade Brasileira de Pediatria é contra redução da maioridade penal e aponta falta de evidências de eficácia

    Sociedade Brasileira de Pediatria é contra redução da maioridade penal e aponta falta de evidências de eficácia

    A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou posicionamento contrário à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 32/2015, que prevê reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos. A entidade publicou nota criticando a proposta e apresentando dados e interpretações científicas para justificar a oposição.

    Argumentos e evidências citados pela SBP

    Na nota, a SBP afirma que a PEC pretende alterar a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) com base no argumento de importante participação de adolescentes em crimes com morte. A entidade, contudo, afirma que os dados disponíveis mostram que crianças e adolescentes (menores de 18 anos) respondem por uma parcela pequena desses crimes: entre cerca de 0,5% e 2% dos homicídios ou crimes hediondos, conforme a metodologia empregada.

    Segundo a SBP, os adultos seriam responsáveis pela grande maioria desses crimes — entre 98% e 99,5% — e não há, na avaliação da entidade, “evidência científica consistente” de que a redução da maioridade penal resulte em queda na criminalidade juvenil. A nota acrescenta que, em experiências de países que adotaram a redução, não se verificaram dados validados demonstrando diminuição percentual dos atentados à segurança pública atribuíveis a adolescentes; em alguns casos, o efeito teria sido nulo e, em outros, teria ocorrido aumento da reincidência.

    Dados sobre vítimas entre crianças e adolescentes

    A SBP também enfatiza que adolescentes estão entre as maiores vítimas de violência e de crimes com morte no Brasil. A entidade cita levantamento segundo o qual, no período de 2016 a 2020, 35 mil crianças e adolescentes de até 19 anos foram mortos de forma violenta, o que representa uma média aproximada de sete mil óbitos por ano.

    Com base nesses números, a SBP defende prioridade na proteção e na garantia dos direitos previstos na Constituição e no ECA. A nota invoca o artigo 227 da Constituição Federal e o artigo 4º do ECA, que determinam o dever da família, comunidade, sociedade e poder público de assegurar, com prioridade, a efetivação dos direitos de crianças, adolescentes e jovens, livres de negligência, discriminação, exploração e violência.

    Trâmite legislativo da PEC e próximos passos

    A matéria que propõe reduzir a maioridade penal foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados em junho e permanece em tramitação no Congresso Nacional, segundo a Agência Brasil. Após esse passo na CCJ, o texto não vai diretamente ao plenário.

    O procedimento previsto é a análise em uma comissão especial temporária, que debaterá o mérito da proposta. Se aprovada nessa comissão, a PEC ainda precisa ser votada em dois turnos no plenário da Câmara, exigindo o apoio mínimo de três quintos dos deputados (308 dos 513) em cada turno. Caso passe pela Câmara, a proposta segue ao Senado Federal, onde se submeterá a rito semelhante.

    Orientação da SBP e implicações

    Ao reafirmar a posição contrária, a SBP propõe que a solução para a violência envolvendo jovens passe pela efetivação de direitos e políticas públicas voltadas à proteção, prevenção e inclusão social, conforme os dispositivos constitucionais e do ECA citados na nota. A entidade destaca a necessidade de medidas que foquem na prevenção da violência e na garantia dos direitos fundamentais de crianças e adolescentes.

    As informações sobre o posicionamento da SBP e sobre o andamento da proposta foram divulgadas pela Agência Brasil.

  • Resumo de IAs em buscadores reduz tráfego e pressiona financiamento do jornalismo no Brasil

    Resumo de IAs em buscadores reduz tráfego e pressiona financiamento do jornalismo no Brasil

    O avanço de ferramentas de inteligência artificial que resumem conteúdos nas páginas de resultado de busca tem reduzido o tráfego direto a sites de notícias no Brasil e provocado preocupação sobre o financiamento do jornalismo profissional.

    Queda de audiência e impacto econômico

    Pesquisa da Associação de Jornalismo Digital (Ajor), que assessora 152 veículos online, apontou que um em cada quatro desses portais registrou, em 2025, queda de mais de 20% na audiência. A Ajor atribui parte dessa perda ao aparecimento de resumos de IA nos buscadores, que levam usuários a consultar apenas o resumo exibido sem clicar no link da reportagem completa.

    Carla Egydio, diretora de Relações Institucionais da Ajor, afirmou à Agência Brasil que a redução do tráfego prejudica a atração de publicidade e, consequentemente, as métricas que financiam negócios jornalísticos. Segundo ela, os resumos automáticos também podem descontextualizar informações e, em alguns casos, reproduzir conteúdo de forma literal, configurando plágio.

    Debate político e projeto de lei em tramitação

    No Congresso, o Projeto de Lei 2338/2023, batizado de Marco Regulatório da IA, prevê que plataformas remunere m pelo uso de obras e reportagens protegidas por direitos autorais durante o treinamento de modelos de IA. A iniciativa chegou ao plenário da Câmara com prioridade anunciada pelo presidente da Casa, mas não avançou no último semestre, segundo reportagem da Agência Brasil.

    A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) tem pressionado pela aprovação do projeto desde sua chegada à Câmara em março de 2025. A presidenta da Fenaj, Samira de Castro, informou à Agência Brasil que há forte lobby das grandes empresas de tecnologia para retirar trechos relacionados a direitos autorais do texto, um fator que tem emperrado a tramitação.

    O relator na Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), disse a jornalistas ter dúvidas sobre a operacionalidade do dispositivo que trata da remuneração a autores e veículos. A assessoria do presidente da Câmara explicou que a definição de calendário depende do parecer do relator e que, em razão do período eleitoral, a votação deve ocorrer após as eleições de outubro, segundo a mesma reportagem.

    Pressões de mercado, investigações e acordos privados

    O setor de tecnologia tem criticado o projeto, alegando que a exigência de pagamento por conteúdo utilizado em treinamento poderia inviabilizar o desenvolvimento de modelos locais e afetar investimentos. Em nota, organizações empresariais, entre elas a Brasscom, afirmam que a proposta poderia isolar o Brasil no desenvolvimento da IA.

    Enquanto o debate legal se prolonga, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu, em abril, investigação sobre a conduta do Google e os efeitos do uso de IA no mercado de mídia, avaliando se houve abuso de posição dominante ao utilizar conteúdos jornalísticos sem remuneração.

    Alguns grandes jornais brasileiros fecharam acordos privados: a Folha de S.Paulo acertou parceria com a OpenAI após mover ação contra o uso de seu conteúdo, e O Estado de S. Paulo firmou acordo com o Google, segundo informou a reportagem da Agência Brasil.

    Exemplos internacionais e sinais de risco

    Casos no exterior também ilustram o efeito dos resumos de IA sobre redações. Em maio de 2025, o Business Insider demitiu 21% do quadro de funcionários, citando quedas de tráfego impulsionadas por resumos automáticos em buscadores. Barbara Peng, da direção executiva do veículo, declarou que grande parte do negócio é sensível ao tráfego e que a empresa precisou reduzir tamanho para suportar quedas fora de seu controle.

    No Brasil, representantes do governo e de agências culturais têm defendido a regulação. Marcos Alves de Souza, secretário de Direitos Autorais e Intelectuais do Ministério da Cultura, afirmou que, enquanto o PL não for aprovado, o uso não autorizado de conteúdo protegido para treinar sistemas de IA pode violar dispositivos da lei de direitos autorais, conforme registro da Agência Brasil.

    Próximos passos e incertezas

    A comissão especial que analisa o marco regulatório da IA não se reúne desde novembro de 2025, segundo a reportagem. A tramitação depende do parecer do relator e do calendário legislativo, além das negociações sobre formato da compensação e mecanismos de transparência — pontos sobre os quais há divergência entre parlamentares, representantes da imprensa e empresas de tecnologia.

    A Agência Brasil é a fonte das informações e entrevistas citadas nesta reportagem.

  • Manifestantes ocupam ruas em diversas cidades por votação do “PL da Misoginia”

    Manifestantes ocupam ruas em diversas cidades por votação do “PL da Misoginia”

    Organizações do movimento feminista e apoiadores realizaram neste domingo (2) ações em cidades do Norte ao Sul do país para pressionar a Câmara dos Deputados a pautar o Projeto de Lei (PL) 896/2023, chamado por seus defensores de “PL da Misoginia”. A mobilização foi organizada pelo Levante Mulheres Vivas e ocorreu em locais públicos com faixas e cartazes pedindo a votação do texto.

    O que prevê o PL da Misoginia

    O projeto já teve aprovação no Senado e propõe a inclusão da misoginia entre os crimes considerados de discriminação e preconceito previstos na Lei 7.716/1989. Segundo o texto, atos motivados por misoginia — entendidos como práticas, induções ou incitações à violência, restrição de direitos ou ofensa à dignidade da mulher em razão de sua condição — passariam a ter penas de reclusão de dois a cinco anos.

    Além disso, a proposta inclui a condição de “mulher” no dispositivo que trata de injúria, ampliando as hipóteses em que ofensas à dignidade ou ao decoro são puníveis em razão de raça, cor, etnia e procedência nacional.

    Mobilizações em todo o país

    De acordo com o Levante Mulheres Vivas, manifestações foram registradas em capitais e municípios como Belo Horizonte, Boa Vista, Brasília, Campo Grande, Capão da Canoa (RS), Cataguases (MG), Curitiba, João Pessoa, Juazeiro (BA), Parnaíba (PI), Pelotas (RS), Ponta Grossa (PR), Rio de Janeiro, Salvador, São José (SC), São Paulo e Sorocaba (SP).

    Os organizadores ressaltaram que a mobilização partiu de pessoas que não admitem a escalada de feminicídios e o ódio contra mulheres nas redes sociais. Segundo uma das cofundadoras do Levante, Rachel Ripani, o movimento é formado majoritariamente por mulheres, mas também reúne homens e tem caráter social e amplo.

    Argumentos dos organizadores

    Para os coordenadores das ações, o objetivo do PL não é cercear opiniões, mas impedir práticas criminosas e proteger mulheres. Eles apontam preocupação com formas de violência digital que, segundo relatos do movimento, estariam ensinando e incentivando atos como estupro coletivo, uso de drogas para facilitar a violência e divulgação de nudez fabricada por sobreposição de imagens.

    Os organizadores afirmam também que houve diálogo com bancadas no Congresso para buscar um texto claro que contemple proteção contra violência digital e contribua para reduzir o feminicídio. Em entrevista, Ripani citou dúvidas iniciais levantadas por parlamentares de orientação religiosa sobre possíveis impactos do projeto sobre liberdade de expressão em púlpitos, mas disse que o trabalho tem sido para construir consenso.

    Tramitação e próximos passos

    O PL 896/2023 aguarda despacho do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para ser incluído na pauta do plenário. As sessões deliberativas da Casa tiveram retomada adiada para a semana do dia 10 de agosto, e os movimentos esperam que a matéria seja pautada logo após esse retorno.

    A reportagem da Agência Brasil procurou a assessoria do presidente da Câmara para comentar o assunto, mas não obteve resposta até a publicação; o espaço permaneceu aberto para manifestação do parlamentar, conforme informado pela agência.

    Repercussão e validade pública

    Com cartazes contendo mensagens como “Brasil sem misoginia”, “Mulheres vivas” e “Se a Câmara não ouve as mulheres, as ruas vão falar!”, os participantes buscaram visibilidade para a pauta e pressionar deputados, especialmente os que concorrem à reeleição. Organizadores trataram o período que antecede o intervalo nas sessões como uma oportunidade final para sensibilizar parlamentares sobre a urgência do tema.

    Fonte das informações: reportagem da Agência Brasil.