Bodansky revisita arquivo de 1973 e mostra mudanças na Amazônia em novo documentário

Bodansky revisita arquivo de 1973 e mostra mudanças na Amazônia em novo documentário

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Imagens registradas há mais de cinco décadas pelo cineasta Jorge Bodansky retornaram ao presente como ponto de partida para seu novo documentário, Um Olhar Inquieto: O Cinema de Jorge Bodansky. As cenas foram obtidas em 1973 durante um voo sobre os arredores de Aripuanã (MT), quando Bodansky trabalhava como cinegrafista para uma televisão alemã.

O sobrevoo e as imagens esquecidas

Naquele sobrevoo, com uma câmera Super-8, Bodansky filmou por acaso um grupo de indígenas Paiter Suruí isolados, que nunca havia sido contatado, e os registrou tentando flechar o avião. Segundo o cineasta, as imagens não foram enviadas à emissora alemã e ficaram arquivadas até terem sido digitalizadas recentemente.

O material do arquivo despertou uma pergunta central para Bodansky: quem eram aqueles indígenas captados por acaso? A busca por resposta acabou sendo a faísca para revisitar toda sua produção e sua experiência pessoal, o que resultou em um filme de caráter autobiográfico.

Do arquivo ao documentário

Ao reexaminar as filmagens antigas, Bodansky não só procurou identificar as pessoas e o lugar das cenas, como também refletiu sobre sua própria trajetória cinematográfica. O realizador define o projeto como um filme em que conta a história que viveu, mantendo um “olhar inquieto” de observação e aventura e uma preocupação com a dimensão social das imagens.

Além de ser a base narrativa, o arquivo funciona como ponte entre a década de 1970 e o presente, permitindo que o cineasta confronte o que filmou com as transformações ocorridas desde então.

Mudanças na região: do projeto Humboldt ao agronegócio

O sobrevoo de 1973 foi feito para registrar a Cidade Laboratório de Humboldt, um projeto científico e tecnológico idealizado pela ditadura militar brasileira para ocupar a Amazônia, que foi desativado em 1978. Ao retornar ao local décadas depois, Bodansky encontrou o projeto em ruínas e uma paisagem profundamente alterada.

O cineasta relata que, onde havia floresta até o horizonte nas imagens originais, hoje a paisagem é predominantemente de soja. Ele também registra o destino de muitos indígenas Paiter Suruí que, ao serem contatados, morreram por doenças ou foram vítimas de violências.

Continuidade das formas de ocupação e avaliação do cineasta

Bodansky diz que a lógica de ocupação da Amazônia iniciada na ditadura se manteve ao longo do tempo. Em suas observações, a forma de ver e ocupar a região — como se ela não tivesse população e devesse ser transformada em área produtiva — permanece independente das gestões governamentais.

Para o cineasta, a principal saída passa pela organização e mobilização da sociedade civil. Ele observa que comunidades quilombolas, ribeirinhas e indígenas têm hoje mais representação e organização e sabem o que pretendem, o que é um elemento central para a defesa de seus territórios.

Exibição e reconhecimento

Um Olhar Inquieto foi exibido na mostra competitiva ambiental do Bonito Cinesur, festival realizado em Bonito (MT). O festival ocorre até o próximo sábado, 1º de agosto, conforme informou a reportagem da Agência Brasil.

As informações sobre as imagens de 1973, a motivação do filme e as observações sobre a transformação do território foram relatadas pelo próprio cineasta ao revisitar o arquivo e os locais das filmagens. Fonte: Agência Brasil. A repórter viajou a convite do Bonito Cinesur.

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