O programa Caminhos da Reportagem apresenta a edição ‘Tia Ciata: a matriarca do samba’ na segunda-feira (27), às 23h, na TV Brasil, emissora da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). A atração procura reconstituir a trajetória de Hilária Batista de Almeida — conhecida como Tia Ciata — e avaliar a marca que deixou na cultura negra e na música popular do país.
Quem foi Tia Ciata
Originária do Recôncavo baiano, Hilária mudou-se para o Rio de Janeiro aos 22 anos, em 1876, e viveu na capital até sua morte, em 1924. No Rio, tornou-se referência religiosa, humanitária e cultural, integrando o movimento conhecido como ‘diáspora baiana’. O episódio do programa destaca a atuação de Ciata como ialorixá e anfitriã de rodas e encontros musicais que influenciaram o crescimento do samba urbano.
Disputas sobre a imagem e a memória
Uma das linhas investigativas do episódio trata da autenticidade de imagens atribuídas a Tia Ciata. A historiadora e pesquisadora Angélica Ferrarez, que estuda as chamadas ‘tias do samba’, questiona se o retrato feito pelo fotógrafo alemão Rodolpho Lindemann realmente representa Hilária, com base na data em que a foto teria sido produzida. Em contrapartida, a bisneta e presidente da Casa de Tia Ciata, Gracy Mary Moreira, afirma que a matriarca viajava com frequência à Bahia e relata que houve estudo antropológico-forense para comparação de imagens familiares com a fotografia de Lindemann.
Casa na Praça Onze, samba e patrimônio
A casa de Tia Ciata, situada na extinta Rua Visconde de Itaúna, na Praça Onze, é apresentada no programa como um núcleo de relevância para a combinação de religiosidade e música. Segundo o roteiro, no quintal dessa residência se realizavam tanto manifestações religiosas no terreiro nos fundos quanto rodas de samba na frente do galpão, palco de encontros e composições.
Pesquisadores ouvidos na reportagem apontam que a casa pode ter sido local de nascimento do que ficou conhecido como ‘Pelo Telefone’, samba registrado em 1916 por Donga e Mauro de Almeida. O escritor e historiador Luiz Antônio Simas avalia que o imóvel teve papel central na formação da música popular urbana carioca.
Para entender a estrutura do terreno, a arquiteta Luciana Mayrink reconstituiu a planta do imóvel a partir de modelos de layout e fachadas da época. A matéria descreve o terreiro nos fundos e o quintal protegido em frente como espaços distintos e complementares — um dedicado às práticas religiosas, outro aos encontros musicais.
O inventário de Hilária, preservado em acervo do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e consultado pela reportagem, menciona que quatro filhos dividiram o montante de três contos de réis após o falecimento. Jéssica Costa, pesquisadora do Arquivo do Tribunal, observa que esse patrimônio conferiu certa estabilidade econômica à família.
Continuidade do legado e referências atuais
O documentário também estabelece paralelos entre a atuação de Ciata e a continuidade de manifestações que mantêm a tradição do samba viva. Em visita ao Cafofo da Tia Surica, em Madureira, a reportagem aponta semelhanças entre as rodas de samba de quintal e as festas que marcaram a casa de Ciata. A cantora e matriarca da Portela reflete sobre a necessidade de transmissão intergeracional para que o samba continue.
Exibição e produção
Com produção de Luciana Góes, Thaís Chaves e Vitor Abdala, reportagem cinematográfica de Marcio de Andrade e artes de Aleixo Leite, Caroline Ramos e Wagner Maia, o programa chega ao público pela TV Brasil. Caminhos da Reportagem está no ar desde 2008 e, segundo a emissora, ultrapassou a marca de 100 prêmios até o final de 2025, reconhecimento que a produção utiliza para reforçar seu histórico editorial.
A edição ficará disponível no site e no canal no YouTube da TV Brasil, além do aplicativo TV Brasil Play (Android e iOS) e da WebTV. A emissora informa opções de sintonia pelo canal aberto, TV por assinatura e parabólica; a página oficial traz instruções de como sintonizar.
Fonte: Agência Brasil / EBC.

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