Levantamento do Einstein traça panorama das hepatites virais no Brasil entre 2013 e 2024

Levantamento do Einstein traça panorama das hepatites virais no Brasil entre 2013 e 2024

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Pesquisadores do Einstein Hospital Israelita reuniram evidências de 200 estudos realizados entre 2013 e 2024, com informações de mais de 14,5 milhões de pessoas, para construir um panorama atualizado das hepatites virais no Brasil. O trabalho integra o projeto Caracterização de Hepatites Virais em Populações Vulnerabilizadas, desenvolvido no âmbito do Proadi-SUS, e foi publicado na revista científica internacional PLOS ONE, segundo reportagem da Agência Brasil.

Metodologia e objetivo do levantamento

A revisão incluiu pesquisas que abordaram todos os tipos de hepatites virais (A, B, C, D e E) e buscou sintetizar dados de prevalência, grupos mais afetados e regiões com cargas maiores da doença. O propósito declarado pelo grupo é gerar informações que fortaleçam estratégias de prevenção e cuidado e apoiem o Brasil na meta de eliminar as hepatites virais até 2030.

Principais achados por tipo de hepatite

Hepatite A

A soroprevalência da hepatite A na população geral encontrada nos estudos variou entre 33,3% e 67,8%. Entre populações vulneráveis, as maiores taxas foram observadas em pessoas privadas de liberdade (88,1%), imigrantes (87,4%) e indivíduos transgêneros (75,6%).

Os pesquisadores destacaram mudança recente no padrão de transmissão: além da via fecal-oral clássica (água e alimentos contaminados), houve aumento de casos associados a contato oral/anal em contextos sexuais, inicialmente entre homens que fazem sexo com homens e depois em grupos não vacinados mais amplos. Segundo o coordenador do estudo, João Renato Rebello Pinho, isso reforça a importância da vacinação para prevenir surtos relacionados a comportamento sexual íntimo.

Hepatites B e C

A hepatite B foi a mais estudada entre os trabalhos revisados. A prevalência na população geral variou de 0% a 7,5%, com as maiores taxas relatadas em uma região endêmica na Amazônia. A hepatite B pode ser crônica, possui vacina disponível e tratamentos eficazes, conforme os pesquisadores.

Para a hepatite C, a soroprevalência na população geral variou de 0,04% a 2,2%, mas foi muito mais alta em grupos específicos como pessoas que usam drogas (36,9%). As vias de transmissão predominantes são sexual e por contato com sangue (inclusive uso de drogas injetáveis). Não há vacina contra a hepatite C, mas existem tratamentos altamente eficazes que curam mais de 95% dos casos, segundo o levantamento.

Hepatite D (Delta)

A hepatite D foi relatada principalmente na região amazônica, com prevalência variando de 0% a 23,9% nos estudos incluídos. Os autores ressaltam que a D só infecta indivíduos que têm hepatite B (co-infecção ou superinfecção) e que, em populações ribeirinhas e de difícil acesso, a combinação B+D pode levar a formas mais graves, inclusive com maior propensão a cirrose e câncer de fígado.

Hepatite E

Os resultados mostram prevalência da hepatite E na população geral variando de 0,9% a 59,4%, com o maior valor observado na Região Sul. No Brasil e na Europa, a hepatite E costuma envolver genótipos zoonóticos associados a animais, especialmente suínos, o que a caracteriza como zoonose. Por isso, o estudo aponta que o conceito de saúde única (integração saúde humana e saúde animal) é relevante para o entendimento e controle desse tipo.

Implicações para prevenção e atenção à saúde

O levantamento reforça medidas já conhecidas, como vacinação contra hepatites A e B, sexo seguro, redução de riscos associados a compartilhamento de seringas e monitoramento de transfusões. Os autores também destacam dificuldades específicas, por exemplo, no diagnóstico e no tratamento de hepatite D em áreas remotas da Amazônia, onde a doença é mais frequente e os serviços de saúde enfrentam barreiras de acesso.

Os dados consolidados pelos pesquisadores devem orientar gestores, profissionais de saúde e pesquisadores no planejamento de ações e alocação de recursos alinhados aos esforços nacionais de eliminação das hepatites até 2030, conforme informado pela Agência Brasil.

Contexto institucional: Proadi-SUS

O estudo foi realizado no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), iniciativa criada em 2009 para apoiar o SUS por meio de projetos de capacitação, pesquisa, avaliação e incorporação de tecnologias. O programa reúne sete hospitais sem fins lucrativos de referência no país, entre eles o Einstein Hospital Israelita, que liderou a revisão.

Fonte dos dados e declarações: Agência Brasil, com base na pesquisa publicada na PLOS ONE e nas informações do Einstein Hospital Israelita.

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