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  • Inscrições para o Vestibular 2027 da Fuvest começam em 17 de agosto; taxa é R$ 228

    Inscrições para o Vestibular 2027 da Fuvest começam em 17 de agosto; taxa é R$ 228

    As inscrições para o Vestibular 2027 organizado pela Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest) começam ao meio-dia de segunda-feira, 17 de agosto, e vão até 9 de outubro. O processo seletivo que seleciona candidatos para cursos de graduação da Universidade de São Paulo (USP) exige pagamento de taxa de R$ 228 para efetivar a participação, conforme informou a Agência Brasil.

    Vagas e perfis de concorrência

    O Vestibular 2027 oferta um total de 8.147 vagas, distribuídas entre distintos perfis de concorrência. Do total, 4.888 vagas são destinadas a candidatos pela modalidade Ampla Concorrência, 2.053 a estudantes egressos de escolas públicas e 1.206 a candidatos autodeclarados pretos, pardos ou indígenas egressos de escolas públicas. A informação sobre a divisão das vagas foi divulgada pela organização do concurso e reportada pela Agência Brasil.

    Formato e datas das provas

    A primeira fase do vestibular está marcada para 1º de novembro e traz uma mudança no formato do caderno: serão aplicadas 80 questões de múltipla escolha, dez a menos do que nas edições anteriores, sem alteração na duração total da prova, que permanece em cinco horas. Segundo a banca organizadora, a redução das questões visa alinhar a avaliação a um modelo mais interdisciplinar, privilegiando a integração entre conteúdos de diferentes disciplinas.

    A segunda fase ocorrerá nos dias 6 e 7 de dezembro. Além disso, as provas de Competências Específicas estão previstas para o período de 8 a 11 de dezembro. O calendário divulgado inclui etapas importantes: em 21 de outubro serão anunciados os locais de prova da primeira fase; em 23 de novembro será divulgada a lista de convocados e os locais para a segunda fase; e em 26 de janeiro de 2027 está prevista a divulgação da primeira chamada para matrícula.

    Ampliação de polos e acessibilidade

    Uma das novidades do vestibular é a inclusão de Fortaleza (CE) como polo de aplicação das provas. A cidade já havia participado como local em simulados promovidos pela instituição, e a expansão tem o objetivo de reduzir o deslocamento de candidatos do Nordeste que tradicionalmente precisavam viajar até São Paulo para prestar o exame, conforme explicação de Gustavo Monaco, diretor-executivo da fundação, registrada pela Agência Brasil.

    Estudantes que necessitam de adaptações ou recursos de acessibilidade — como tempo estendido, provas em braile ou ampliadas, mobiliário adaptado ou uso de próteses auditivas — devem formalizar o pedido no momento da inscrição, seguindo as normas do Guia de Inclusão da Fuvest. Essas solicitações precisam ser registradas durante o cadastro on-line para que a banca possa providenciar as condições solicitadas.

    Inscrição, gratuidade e atendimento presencial

    A Fuvest alerta que candidatos contemplados com gratuidade ou desconto na taxa não são inscritos automaticamente e igualmente devem preencher o formulário de inscrição dentro do prazo estabelecido. O mesmo requisito vale para participantes que tenham realizado os simulados promovidos ao longo do ano; a participação em simulações não substitui o preenchimento do formulário oficial do vestibular.

    Além da inscrição pela página eletrônica oficial, haverá um ponto de atendimento presencial durante a Feira USP e as Profissões, marcada para os dias 24 a 26 de setembro, em que candidatos poderão se inscrever. Todas as orientações oficiais e o detalhamento das regras de inclusão e de isenção estão disponibilizados pela organização do vestibular e foram divulgados à imprensa pela Agência Brasil.

    As datas e informações citadas refletem o comunicado oficial da Fuvest e a cobertura da Agência Brasil sobre o Vestibular 2027.

  • Pesquisadora alerta que ondas de calor são negligenciadas e podem aumentar com o El Niño

    Pesquisadora alerta que ondas de calor são negligenciadas e podem aumentar com o El Niño

    Aquecimento extremo e ondas de calor seguem sem a atenção necessária no Brasil, segundo pesquisadores. Em painel realizado no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, especialistas alertaram que o fenômeno El Niño pode tornar 2026 um ano de temperaturas excepcionalmente altas e que o país precisa acelerar medidas de adaptação.

    Mortes atribuídas às ondas de calor e visão de negligência

    Renata Libonati, professora do Departamento de Meteorologia da UFRJ e integrante do Comitê de Especialistas em Monitoramento Climático da Organização Meteorológica Mundial (OMM), apresentou estimativas baseadas em dados do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo ela, foram identificadas 50 mil mortes ligadas a ondas de calor no período de 2000 a 2020 em 14 regiões metropolitanas do país.

    Libonati comparou esse total com o número de óbitos por deslizamentos de terra no mesmo período, afirmando que as mortes por calor seriam cerca de 20 vezes maiores. Para a pesquisadora, esse contraste evidencia que as ondas de calor não recebem a devida prioridade em políticas públicas e preparação para desastres.

    El Niño aumenta frequência e acoplamento de eventos extremos

    Os especialistas no painel explicaram que o El Niño altera a circulação dos ventos e o clima global, o que pode elevar a frequência e intensidade de ondas de calor no Brasil. Renata Libonati ressaltou ainda que o fenômeno tende a favorecer o acoplamento entre ondas de calor, secas e incêndios, ampliando as condições favoráveis à propagação do fogo.

    Dados apresentados indicam que, nos últimos 40 anos, as condições de perigo elevado de fogo aumentaram cerca de 18% durante anos de El Niño nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, segundo Libonati. Esse vínculo entre seca, calor e fogo é apresentado como consequência de um contexto de mudança climática já em curso.

    Impactos regionais diferenciados e efeitos além do clima

    José Marengo, pesquisador do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), destacou que os efeitos do El Niño variam conforme a região. No Sul, a tendência é de aumento das chuvas e maior risco de enchentes; no Norte e Nordeste, redução das precipitações e maior risco de seca; no Centro-Oeste, atraso da estação chuvosa e mais ondas de calor; e no Sudeste, temperaturas elevadas com irregularidade das chuvas.

    Marengo enfatizou que “o El Niño não cria problemas; ele agrava a situação de problemas que já existem” e alertou que os impactos extrapolam a esfera meteorológica, podendo atingir produção de alimentos, transporte, fornecimento de energia e a economia em geral.

    Adaptação, desigualdade e responsabilidade pública

    Paulo Artaxo, pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) e colaborador em relatórios do IPCC, afirmou que o Brasil precisa acelerar processos de adaptação a um clima com temperaturas médias já mais altas. Artaxo citou que o aquecimento médio do país está próximo de 2°C e defendeu que lições de desastres anteriores deveriam orientar governos para reduzir danos futuros.

    Os pesquisadores destacaram também a dimensão social do risco: eventos extremos atingem de forma desigual as populações mais vulneráveis. A vulnerabilidade é associada ao acesso desigual a serviços de saúde, condições de moradia, exposição ao ar livre e capacidade de usar mecanismos de refrigeração, como ar-condicionado. Como exemplo, foi citado o contraste entre pessoas que conseguem se resfriar com ar-condicionado e moradores de comunidades que vivem em casas com telhados de zinco, mais expostas ao calor noturno.

    Ao final do painel, os especialistas reafirmaram a necessidade de estratégias de adaptação que considerem desigualdades sociais e a importância de integrar alertas climáticos em políticas de saúde pública e de gestão de riscos. As informações e declarações mencionadas foram divulgadas pela Agência Brasil durante o evento de 11 de agosto de 2026.