Tag: Telegram

  • Ministério da Justiça detalha operação que desarticulou grupo que planejava ataques em Brasília

    Ministério da Justiça detalha operação que desarticulou grupo que planejava ataques em Brasília

    O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) detalhou, em 4 de agosto de 2026, os resultados da chamada Operação Rede Interrompida, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) para desarticular um grupo que discutia a realização de ataques em Brasília. A ação teve base em inteligência produzida pelo Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp/MJSP).

    Origem e método da investigação

    De acordo com as informações divulgadas pelo MJSP e pela PCDF, a investigação começou na primeira quinzena de junho, a partir do monitoramento de mensagens em grupos abertos da plataforma de mensageria Telegram. O Ciberlab produziu relatório que embasou as apurações e permitiu a troca de informações entre diferentes órgãos de segurança.

    Mandados cumpridos e apoio interestadual

    A PCDF, com apoio de polícias de cinco estados, cumpriu oito mandados de busca e apreensão em Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul. Segundo o delegado-geral da PCDF, José Werick de Carvalho, as forças policiais desses estados acompanharam o monitoramento dos alvos e auxiliaram na localização dos endereços onde foram realizadas as buscas.

    Materiais apreendidos

    Entre os itens recolhidos pela polícia, constam materiais que, segundo a investigação, poderiam ser usados em ações violentas. As apreensões incluíram:

    • manuais para fabricação de explosivos;
    • mapas da região central de Brasília e de ministérios;
    • a planta baixa do Palácio do Planalto.

    As localidades consultadas pelos investigados foram tratadas por eles como alvos primários, conforme relatado pelas autoridades.

    Conteúdo das conversas e perfil dos investigados

    As mensagens analisadas indicavam planejamento de invasões a prédios públicos da Esplanada dos Ministérios e ao Supremo Tribunal Federal, além da menção a um possível atentado a bomba durante debates eleitorais. Em nota, a investigação afirmou que as conversas não faziam referência direta a autoridades específicas.

    Os oito investigados têm idades entre 19 e 31 anos, com predominância entre 19 e 25 anos. As autoridades informaram que atuam em distintas áreas profissionais ou estão desempregados; nenhum possui antecedentes criminais e os membros do grupo não se conheciam pessoalmente, tendo contato apenas pela internet.

    Além do planejamento de ações violentas, as conversas abertas também foram usadas para promover e distribuir conteúdos com cunho neonazista, antissemitas e misógino, segundo o relatório citado pelo MJSP.

    Declarações das autoridades e coordenação

    O diretor de Operações Integradas e de Inteligência (Diopi) da Senasp, Anchieta Nery, afirmou em coletiva que as apurações não se limitam a opiniões em redes sociais, mas apontam para intolerância e preparação de atos de severa violência, o que exigiu atuação rápida e coordenada.

    O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, destacou o papel do Ciberlab na produção de inteligência e a importância da articulação entre União e estados para impedir ocorrências violentas. O delegado-geral da PCDF ressaltou que o objetivo foi intervir precocemente em processos de radicalização.

    Prevenção, legalidade e próximas etapas

    O coordenador de inteligência da PCDF, Maurílio Coelho, explicou que a fase inicial da operação estava voltada ao cumprimento de mandados de busca e apreensão e que, naquele momento, não foram solicitadas prisões. As autoridades sinalizaram que a medida procurou prevenir a consolidação de episódios violentos e proteger cidadãos, autoridades e o patrimônio público e privado em Brasília.

    Representantes do MJSP também relacionaram a operação a iniciativas de enfrentamento ao discurso de ódio e à violência contra mulheres. A secretária Nacional de Acesso à Justiça, Sheila de Carvalho, mencionou a mobilização do Pacto Brasil contra o Feminicídio e descreveu frentes da Estratégia Nacional Mulher Segura, ressaltando a importância do Sistema Integrado Mulher Segura no trabalho das unidades federativas.

    As informações compiladas nesta reportagem têm base em dados e declarações divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e pela Polícia Civil do Distrito Federal, conforme apurado e publicado pela Agência Brasil.

  • Operação Lívia: investigação mira rede que induzia jovens ao suicídio em grupos online

    Operação Lívia: investigação mira rede que induzia jovens ao suicídio em grupos online

    Como começou a investigação

    Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e reportadas pela Agência Brasil, a apuração da Operação Lívia teve início após a morte de uma adolescente de 13 anos, ocorrida em 22 de julho. A jovem transmitiu o episódio ao vivo em um grupo virtual da plataforma Discord por cerca de 45 minutos. Antes do desfecho, integrantes do grupo teriam coagido a vítima a cometer violência contra um animal e a praticar automutilação.

    Ações da operação e prisões

    A ação foi conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul com apoio técnico do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) da Secretaria Nacional de Segurança Pública. Além do estado onde a vítima residia, investigações resultaram no cumprimento de oito mandados de busca e apreensão em outros quatro estados: Ceará, Minas Gerais, Pará e Rio de Janeiro, segundo o MJSP.

    As autoridades confirmaram a apreensão de cinco adolescentes com idades entre 13 e 17 anos, além de um homem de 18 anos que usavam, simultaneamente, o serviço de mensageria Telegram. O suposto líder do grupo foi apontado como um adolescente de 14 anos apreendido no Rio de Janeiro. Entre os suspeitos, consta ainda a participação de um estudante seminarista de um mosteiro em Pernambuco.

    Práticas identificadas e provas coletadas

    As apurações indicaram que integrantes do grupo criavam pressões psicológicas sobre crianças e adolescentes em transmissões ao vivo, incentivando atos de violência contra animais, automutilação e induzimento ao suicídio. O delegado Alessandro Barreto, representante do Ciberlab, relatou que os criminosos chegaram a abrir uma chave PIX em nome da vítima sem o conhecimento da família e enviaram recursos para a compra de lâminas usadas na automutilação.

    Todo o material recolhido durante as buscas será periciado para identificar outros possíveis envolvidos e esclarecer a dinâmica de atuação da organização no ambiente online, informou o MJSP.

    Falhas apontadas nas plataformas e medidas previstas

    O secretário Nacional de Direitos Digitais do MJSP, Victor Fernandes, afirmou que há indícios de descumprimento por parte do Discord e do Telegram em relação a normas recentes que regulam a proteção de crianças e adolescentes na internet. Entre os instrumentos citados estão o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital, Lei nº 15.211/2025), o Marco Civil da Internet atualizado por decreto em 2026 e o Decreto de Proteção de Mulheres no Ambiente Digital (nº 12.976/2026).

    De acordo com o secretário, o Discord não interrompeu a transmissão ao vivo, não removeu o conteúdo imediatamente e deixou de notificar as autoridades competentes, obrigações que constam na legislação citada. Também foram apontadas falhas nos mecanismos de verificação de idade exigidos pelo ECA Digital, que teriam permitido o acesso de crianças e adolescentes a ambientes de risco.

    O MJSP informou que encaminhará um pedido de investigação à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) para apurar a conduta das plataformas diante do caso.

    Prevenção e resultados da atuação policial

    O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, afirmou em coletiva que o combate a crimes cibernéticos contra crianças e adolescentes demanda prevenção e vigilância ativa por parte de pais e da sociedade. O delegado Alessandro Barreto também destacou que a investigação identificou outra vítima em um estado diferente e que a polícia conseguiu impedir que essa pessoa tirasse a própria vida durante uma transmissão que estava programada.

    As autoridades informaram que seguem a análise do material apreendido para localizar eventuais novos participantes e notificar responsáveis quando necessário.

    Fonte

    Reportagem baseada em informações da Agência Brasil, a partir de divulgação do Ministério da Justiça e Segurança Pública.