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  • Especialistas pedem contrapartidas e regras claras para expansão de data centers no Brasil

    Especialistas pedem contrapartidas e regras claras para expansão de data centers no Brasil

    Pesquisadores presentes à 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) em Niterói defenderam que a expansão de data centers no Brasil deva ocorrer com regras que garantam retornos ao país e minimizem impactos socioambientais. O tema foi debatido em evento realizado em 27 de julho de 2026.

    Por que data centers exigem contrapartidas?

    Os especialistas alertaram que grandes centros de processamento de dados representam demandas significativas por energia e água e podem afetar a infraestrutura local. Um projeto apontado no debate refere-se a uma unidade dedicada à inteligência artificial no Ceará, com consumo estimado em torno de 300 megawatts — uma potência que, segundo os participantes, equivale à capacidade de abastecimento de milhões de pessoas.

    Segundo os pesquisadores, receber investimentos desse porte sem negociar condições pode reproduzir uma lógica histórica de exploração de recursos naturais. A preocupação central é que o país incorra em custos ambientais e sociais sem obter contrapartidas claras, como benefícios econômicos, transferência de tecnologia, ou garantias de soberania digital.

    Impactos ambientais e sociais apontados

    Além da demanda energética, foram citados outros efeitos que devem ser considerados ao analisar projetos de data center: pressão sobre recursos naturais, consumo de água, poluição sonora e possíveis conflitos territoriais. Pesquisadores também destacaram a necessidade de avaliar como esses empreendimentos podem agravar desigualdades e afetar comunidades vulneráveis.

    Do ponto de vista do direito ambiental, foi ressaltada a importância de integrar critérios de sustentabilidade às decisões sobre infraestrutura digital. Para os debatedores, a transição digital não pode ser dissociada da transição ecológica; decisões isoladas correm o risco de gerar impactos acumulativos que tornam as regiões mais frágeis.

    Participação da universidade, transparência e monitoramento

    Os participantes do encontro defenderam maior envolvimento das universidades, da sociedade civil e dos órgãos públicos nas etapas de avaliação e aprovação desses projetos. Entre as medidas sugeridas estão mecanismos permanentes de monitoramento, auditoria independente e requisitos de transparência sobre consumo de recursos e impactos locais.

    Segundo os pesquisadores, a discussão sobre data centers ainda ocorre de forma restrita a poucos setores, e ampliar o debate pode permitir a definição coletiva de contrapartidas e condições de implantação. A presença acadêmica foi defendida não como oposição aos investimentos, mas como forma de garantir que sejam consideradas as condições ambientais e sociais de instalação.

    Risco de colonialismo digital e questões de soberania

    Um dos pontos levantados relaciona a expansão de infraestrutura de dados ao conceito de colonialismo digital: países e regiões do Sul Global podem acabar fornecendo energia, água e território para sustentar operações de grandes empresas sediadas no Norte Global. Essa dinâmica, segundo os debatedores, levanta questões sobre quem arca com os custos do desenvolvimento e quem obtém os benefícios.

    Em função disso, exigiu-se que políticas públicas definam exigências em troca dos investimentos, tais como garantias de emprego local, transferência de conhecimento e salvaguardas para a soberania dos dados.

    Próximos passos e recomendações

    Os especialistas indicaram que é necessário ampliar o debate envolvendo universidades, governos e sociedade para estabelecer regras claras antes da implantação desses empreendimentos. Recomendaram a criação de instrumentos normativos e mecanismos de participação social que permitam monitorar impactos e assegurar que as comunidades afetadas participem das decisões.

    As informações e análises apresentadas durante o evento foram relatadas pela Agência Brasil.