Tag: Saúde mental

  • Grupo Harmonia Enlouquece, formado por pacientes do CPRJ, lança quinto álbum em 25º aniversário

    Grupo Harmonia Enlouquece, formado por pacientes do CPRJ, lança quinto álbum em 25º aniversário

    O Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro (CPRJ) marcou o dia 15 de agosto de 2026 com o lançamento do quinto álbum do grupo Harmonia Enlouquece. Intitulado O Quinto dos Infernos, o disco reúne 13 faixas e celebra os 25 anos da banda, que nasceu em 7 de abril de 2001, no Dia Mundial da Saúde.

    O álbum e o repertório

    O trabalho contém 13 músicas, das quais 11 são inéditas e têm autoria de Hamilton de Jesus Assunção, paciente do CPRJ e responsável pela maior parte do repertório do grupo. Ao longo das duas décadas e meia de atividade, o Harmonia Enlouquece acumulou 65 gravações; segundo o compositor, 62 dessas canções são de sua autoria.

    Hamilton já se tratava no CPRJ desde 1998 e iniciou seu acompanhamento psiquiátrico em 1984 no Posto de Assistência Médica (PAM) Venezuela, antes de integrar o centro. Em depoimento à reportagem, ele ressaltou o papel da música na elevação do estado de ânimo: “Música é uma coisa maravilhosa. Ela levanta o nosso astral, mesmo quando ele está em baixa.”

    História e funcionamento do grupo

    O Harmonia Enlouquece reúne pacientes e profissionais de saúde do CPRJ, unidade vinculado à Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ). Atualmente, o grupo conta com 13 integrantes, entre os quais nove são pessoas em tratamento e os demais, colaboradores. Mais de 75 pessoas já passaram pelo grupo desde sua criação.

    A iniciativa começou quando o psicólogo Sidney Dantas convidou Hamilton para participar de uma oficina de música que realizava no centro. Francisco Sayão, diretor-geral do CPRJ, participa do grupo tocando violão básico e destaca que o cantor e compositor é a base do repertório: “Ele faz a letra, a música e interpreta. Sem ele, a gente não tem o que cantar. Noventa e cinco por cento das músicas são dele”, afirmou Sayão à Agência Brasil.

    Ligações com políticas culturais e reconhecimento

    O CPRJ é reconhecido como referência nacional em práticas de psiquiatria humanizada que incorporam elementos culturais, escuta e protagonismo dos pacientes no tratamento. Desde 2016, o Ponto de Cultura do centro promove, uma vez por mês, encontros que reúnem integrantes de instituições como o Instituto de Psiquiatria da UFRJ (Ipub), o Instituto Municipal Philippe Pinel, centros de Atenção Psicossocial (CAPs), pacientes internados e do hospital/dia.

    O grupo também foi premiado recentemente com o Prêmio Asas (Aldir Blanc-RJ), reconhecimento que integra a trajetória de criação e visibilidade do trabalho artístico desenvolvido no serviço de saúde mental.

    Lançamento no MuhCab e atividades programadas

    O lançamento do álbum foi realizado no Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (MuhCab). A atividade incluiu uma exposição com linha do tempo do CPRJ entre 2001 e 2026 e a exibição do documentário Harmonia Enlouquece – Um mergulho musical pela saúde mental, dirigido por Flávia Lima, que retrata a trajetória da banda.

    A programação também contou com uma roda de conversa sobre música, inclusão e saúde mental. O diretor-geral do CPRJ informou a intenção de abrir uma agenda de visitação a partir das 16h, em horário que não interfira no atendimento da unidade, para que o público possa conhecer o grupo e as atividades do centro.

    Rádio interna e planos digitais

    O CPRJ mantém uma rádio interna que transmite as músicas do grupo nas salas e pátios da unidade. Segundo a direção, há planos para ampliar a programação e operar a rádio em formato online em tempo integral, com a produção de podcasts, assim que a aparelhagem estiver concluída; a equipe para esse projeto está quase formada.

    Fonte das informações: Agência Brasil.

  • Beatriz Haddad Maia anuncia pausa na carreira até o fim do ano para proteger ranking

    Beatriz Haddad Maia anuncia pausa na carreira até o fim do ano para proteger ranking

    A tenista brasileira Beatriz Haddad Maia comunicou nas redes sociais que fará uma pausa na carreira até o fim deste ano. Em vídeo publicado na noite de sexta-feira (7), a paulistana, de 30 anos, disse que a decisão foi tomada após meses de reflexão e agradeceu o apoio da família e da torcida.

    Motivos e duração da pausa

    Segundo a própria atleta, a suspensão inclui a proteção do ranking por seis meses, contados a partir da sua última partida — a derrota na estreia do Torneio de Wimbledon. Essa garantia é prevista no regulamento da Women’s Tennis Association (WTA), conforme mencionou a jogadora em sua declaração.

    Beatriz afirmou que vinha enfrentando dificuldades na relação com o tênis e que a decisão não foi fácil. Ela classificou o afastamento como um período de aprendizado e descoberta, ressaltando que são questões internas que a levaram a interromper a rotina de competições.

    Desempenho na temporada e posição no ranking

    Na temporada em curso, Haddad Maia venceu quatro partidas e sofreu 19 derrotas, desempenho que contribuiu para a queda de sua posição no ranking mundial. Atualmente, a tenista ocupa o 156º lugar na lista da WTA, um recuo em relação ao auge de sua carreira, quando atingiu o top 10 em junho de 2023.

    O histórico recente de resultados e a sequência de insucessos foram citados pela atleta como parte do contexto que motivou a pausa. Ela já havia tomado uma decisão similar no último trimestre do ano passado, quando interrompeu a temporada para cuidar da saúde mental.

    Contexto e histórico

    Beatriz Haddad Maia ganhou projeção internacional ao chegar ao top 10 do ranking mundial em junho de 2023. Desde então, teve altos e baixos na carreira, com alternância entre bons resultados e períodos de rendimento mais fraco. A pausa anunciada neste fim de semana é a segunda ocasião recente em que a atleta opta por deixar a temporada antes do encerramento.

    Nas redes sociais, a tenista disse que vinha lutando contra fatores externos e que já havia tentado mudanças e caminhos diferentes antes de optar pela interrupção temporária das competições. Ela afirmou o desejo de usar esse tempo para aprender e se redescobrir.

    Repercussão e próximos passos conhecidos

    A declaração de Haddad Maia foi feita em primeira mão pela própria jogadora em suas contas oficiais na internet. Ela agradeceu o suporte da torcida e da família, mas não detalhou calendários de retorno nem medidas específicas a serem adotadas durante o período de pausa.

    Conforme o anúncio, a proteção do ranking por seis meses segue as normas da WTA e tem efeito a partir da última partida disputada, ou seja, da partida em Wimbledon que marcou sua eliminação nesta edição do torneio. Quaisquer decisões futuras sobre treinamentos, tratamento ou retorno a torneios ainda não foram informadas.

    Fonte das informações

    As informações sobre a pausa foram divulgadas pela própria Beatriz Haddad Maia em vídeo publicado nas redes sociais e veiculadas pela Agência Brasil.

    • Atleta: Beatriz Haddad Maia, 30 anos, paulistana.
    • Pausa anunciada: até o fim deste ano, conforme comunicado da jogadora.
    • Proteção de ranking: seis meses, a partir da última partida (derrota na estreia de Wimbledon), segundo regulamento da WTA.
    • Temporada atual: 4 vitórias e 19 derrotas; ranking atual: 156º.
    • Pausa anterior: último trimestre do ano passado para cuidar da saúde mental.

    Fonte: Agência Brasil.

  • Debate sobre impactos das telas na saúde mental atinge 80% das escolas, diz pesquisa

    Debate sobre impactos das telas na saúde mental atinge 80% das escolas, diz pesquisa

    A discussão sobre os efeitos das tecnologias digitais no desenvolvimento e na saúde mental dos alunos passou a integrar a agenda de 80% das escolas brasileiras em 2025, segundo a pesquisa TIC Educação 2025. O percentual representa um aumento de 18 pontos percentuais em relação a 2024, quando 62% das instituições relataram tratar do tema.

    Pesquisa e metodologia

    O levantamento foi realizado pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), entidade ligada ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), e foi divulgado em 4 de agosto de 2026. Os dados foram coletados por telefone com gestores de 2.404 escolas públicas e privadas, em áreas urbanas e rurais.

    De acordo com os coordenadores da pesquisa, os resultados indicam maior presença de pautas relacionadas ao uso crítico e às consequências das tecnologias digitais nas conversas escolares, tanto entre profissionais quanto com as famílias.

    Ações nas escolas e participação das famílias

    Em 2025, 75% dos gestores se reuniram com pais, mães e responsáveis para tratar do uso de tecnologias digitais no ambiente escolar, contra 60% em 2024. As conversas envolvendo professores e outros profissionais da escola passaram de 68% para 86% no mesmo período.

    • Debates sobre uso seguro, crítico e responsável: aumento de 56% (2024) para 75% (2025).
    • Inclusão de educação midiática no currículo: subiu de 46% para 67%.
    • Instituições que desenvolvem ações com estudantes sobre o tema: 65%.

    O levantamento aponta desigualdade na oferta dessas iniciativas: a presença de ações é maior nas escolas urbanas (72%) e naquelas que disponibilizam computadores e acesso à internet para os alunos (75%). Entre as instituições que realizam atividades, 75% dos gestores relatam baixa participação das famílias como principal obstáculo, seguido pela falta de materiais e recursos educacionais de apoio (64%).

    Entre as escolas que não promovem atividades voltadas ao tema, as maiores dificuldades relatadas foram falta de materiais e recursos (77%), baixa participação das famílias (66%) e qualidade dos computadores e do acesso à internet da escola (65%). Daniela Costa, coordenadora da pesquisa TIC Educação, comentou que os dados evidenciam a necessidade de atenção às desigualdades estruturais e à integração entre escolas e famílias.

    Orientação às famílias e medidas adotadas

    Quase metade das escolas (49%) registrou procura por parte de responsáveis em busca de orientações para mediar o consumo digital de crianças e adolescentes. Em resposta, 48% das instituições promoveram palestras com especialistas em bem-estar e saúde mental, e 46% distribuíram guias e materiais de orientação sobre hábitos saudáveis de uso de recursos digitais.

    Renata Mielli, coordenadora do CGI.br, destacou a importância de políticas públicas e regulação para proteção de crianças e jovens, citando a necessidade de apoio a famílias e educadores para compreenderem temas como o funcionamento de algoritmos e sistemas de inteligência artificial.

    Celulares na escola e variação regional

    A pesquisa mostra que 51% das escolas proíbem que alunos levem o telefone celular pessoal ao ambiente escolar. A restrição é mais comum em turmas até os anos iniciais (69%) do que em turmas de ensino médio (31%).

    Em 40% das instituições, os alunos estão autorizados a levar o celular, com regras de armazenamento divergentes: em 24% os dispositivos ficam guardados em bolsos ou acessórios individuais (como mochilas ou estojos) e em 16% em locais fornecidos pela escola (caixas, armários ou espaços semelhantes).

    Quando se considera apenas as escolas que permitem a entrada de aparelhos, 66% permitem o uso do celular em atividades pedagógicas. Essa proporção é maior em contextos com maiores barreiras de conectividade: 76% na Região Norte, 76% na Região Nordeste e 75% em áreas rurais.

    Uso de inteligência artificial por gestores e estudantes

    É a primeira edição da TIC Educação que mapeou o uso de ferramentas de inteligência artificial generativa em escolas. Segundo o levantamento, 53% dos gestores já utilizam esses sistemas em atividades de gestão pedagógica, administrativa ou financeira.

    Contudo, apenas 22% das escolas dispõem de um guia de orientações sobre o uso de IA no ensino, na aprendizagem ou na gestão — com variações entre redes: 19% nas municipais, 25% nas estaduais e 25% nas particulares.

    • Principais finalidades apontadas pelos gestores no uso de IA: criação de conteúdos visuais ou de comunicação (83%), elaboração de convites e comunicados (80%) e tradução, revisão ou resumo de textos (71%).
    • Permissão para uso de IA por estudantes em atividades escolares: 37% das escolas; chega a 47% na rede estadual e 52% nas instituições com turmas até o ensino médio.

    O estudo reforça a necessidade de ampliar orientações e recursos para que escolas e famílias possam mediar o uso das tecnologias digitais, conforme análise dos coordenadores da pesquisa e das entidades envolvidas. Fonte: Agência Brasil, com dados da pesquisa TIC Educação 2025 (Cetic.br / NIC.br / CGI.br).

  • Plataforma ‘Pode Falar’ passa a atender jovens pelo Meu SUS Digital

    Plataforma ‘Pode Falar’ passa a atender jovens pelo Meu SUS Digital

    O aplicativo meu SUS Digital passou a oferecer acesso direto à plataforma Pode Falar, voltada a acolhimento e orientação em saúde mental para jovens entre 13 e 24 anos. A integração — informada pelo Ministério da Saúde e divulgada pela Agência Brasil — visa facilitar o contato de usuários com um espaço de escuta qualificada dentro do ambiente digital do Sistema Único de Saúde (SUS).

    Como acessar e horários de funcionamento

    Para utilizar o serviço, o usuário deve abrir o aplicativo meu SUS Digital, disponível na App Store e no Google Play, e selecionar o miniaplicativo “Pode Falar”. O primeiro atendimento acontece via chatbot. Caso o jovem deseje ou o sistema identifique necessidade de intervenção humana, a conversa é encaminhada para um teleatendimento com profissionais ou estudantes.

    O serviço funciona de segunda a sábado, das 8h às 22h (horário de Brasília), e permite que o atendimento seja anônimo, conforme informado pelo ministério. Além do atendimento inicial, o espaço disponibiliza conteúdos simples e acessíveis sobre saúde mental para ajudar na compreensão das emoções.

    Estrutura do atendimento: chatbot, teleatendimento e conteúdos

    O fluxo de atendimento começa com um chatbot, que constitui a primeira porta de entrada. Nesse ambiente, são oferecidas informações que auxiliam o usuário a identificar e nomear sentimentos e sinais de sofrimento psíquico. Quando o caso exige, a conversa é transferida para atendimento humano, que é mais direto.

    Segundo o Ministério da Saúde, os teleatendimentos são realizados por estudantes de graduação e pós-graduação de áreas como psicologia, medicina e educação. Esses profissionais em formação atuam sob supervisão de professores, recebem formação continuada e seguem protocolos específicos para as diferentes situações apresentadas pelos usuários.

    Triagem e priorização por inteligência artificial

    A plataforma também incorpora recursos tecnológicos para identificar e priorizar situações de maior risco. Uma ferramenta de inteligência artificial analisa mensagens de usuários que aguardam atendimento e, ao detectar indícios de risco elevado, envia um alerta imediato à equipe para priorização desse atendimento, conforme detalhou a pasta.

    O ministério aponta que a presença dessa triagem automática busca agilizar a identificação de casos que demandam resposta rápida, integrando tecnologia ao fluxo de suporte e direcionamento humano quando necessário.

    Resultados atuais e metas de alcance

    Atualmente, o Pode Falar realiza uma média de 1,1 mil atendimentos por mês, de acordo com o Ministério da Saúde. Com a integração ao meu SUS Digital, a expectativa divulgada pela pasta é ampliar o alcance para cerca de 11 mil atendimentos mensais, ao facilitar o acesso e reduzir barreiras, especialmente entre jovens que ainda não buscaram atendimento presencial.

    Limites do atendimento e encaminhamento para serviços presenciais

    O ministério enfatiza que o serviço digital é uma porta de acolhimento, mas que, quando o sofrimento psíquico se torna persistente, prejudica a rotina, estudos, trabalho ou relações, ou em situações de crise, é importante buscar atendimento presencial. A assistência no SUS é organizada de forma integral: a atenção primária, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), é o ponto de entrada, e, quando necessário, há encaminhamento para atenção especializada com continuidade do cuidado.

    A parceria por trás do projeto envolve o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), com o objetivo de fortalecer o cuidado em saúde mental dentro do SUS, conforme informado pelo ministério e registrado pela Agência Brasil.

    Em síntese, a integração do Pode Falar ao meu SUS Digital amplia as opções de escuta e orientação para jovens, combinando atendimento automatizado, suporte humano supervisionado e recursos de tecnologia para priorização de risco, mantendo como referência a rede presencial do SUS quando o caso exigir intervenção continuada.

  • Artigo sugere que dor crônica não medida pode explicar parte da depressão resistente

    Artigo sugere que dor crônica não medida pode explicar parte da depressão resistente

    Um artigo publicado em 28 de julho de 2026 na revista Nature Mental Health e repercutido pela Agência Brasil questiona a forma como a depressão resistente ao tratamento é avaliada. Segundo os autores, parte dos pacientes considerados refratários a antidepressivos pode, na verdade, conviver com dor crônica que nunca foi medida sistematicamente e que reduz a resposta aos medicamentos.

    O que diz o estudo

    Os autores — entre eles Nilson Mendes Neto, médico e pesquisador vinculado à Harvard Medical School, Brendon Stubbs (King’s College London) e Jessika Mendes (NeuroPsy) — destacam que a definição corrente de depressão resistente baseia-se na falha de tratamentos antidepressivos em dose e duração adequadas. Eles observam que a presença, a intensidade e o impacto funcional da dor não fazem parte formal dessa definição.

    Instrumentos comumente usados na prática clínica, como o PHQ-9 e a escala de Hamilton, não avaliam diretamente a carga de dor, segundo o artigo. Por isso, mesmo quando o clínico tem ciência da existência de dor no paciente, essa informação nem sempre é mensurada de maneira padronizada e integrada à avaliação da resposta ao tratamento.

    Por que a dor pode alterar a avaliação da depressão resistente

    Os autores argumentam que a dor crônica pode tanto reduzir a eficácia de antidepressivos quanto interferir na interpretação da persistência dos sintomas depressivos. Assim, em alguns pacientes, uma condição dolorosa não identificada pode ser um fator que contribui para a aparência de resistência ao tratamento.

    Os pesquisadores deixam claro que não afirmam que a maioria dos casos de depressão resistente seja explicada pela dor, nem que pacientes com dor estejam isentos de uma depressão verdadeiramente refratária. Eles reconhecem a incerteza sobre qual proporção de casos pode se enquadrar nessa situação, justamente porque a dor não é medida de forma sistemática nos estudos e na prática clínica.

    Implicações para a prática clínica e para o SUS

    No artigo, Nilson Mendes Neto aponta implicações práticas para o Sistema Único de Saúde (SUS). Entre as recomendações aparece a realização, já na atenção primária e nos serviços de saúde mental, de avaliações estruturadas sobre a presença, a duração e o impacto funcional da dor.

    Segundo o pesquisador, essas medidas não exigiriam, em princípio, tecnologia de alto custo: rastrear a dor, registrar essas informações de forma padronizada e integrar serviços de atenção primária, psiquiatria e cuidado da dor seriam passos iniciais possíveis. Isso poderia evitar que pacientes sejam encaminhados para tratamentos progressivamente mais especializados e caros sem que fatores potencialmente modificáveis tenham sido avaliados.

    Eficiência e integração entre serviços

    • Os autores defendem que a identificação estruturada da dor pode aumentar a precisão na classificação da depressão resistente.
    • Integrar o manejo da dor com serviços de saúde mental reduz o risco de fragmentação, já que condições dolorosas crônicas são comuns entre pacientes com depressão.
    • Medidas simples de triagem e registro podem orientar decisões sobre avanços terapêuticos sem atrasar o acesso a tratamentos eficazes.

    O artigo cita exemplos de condições frequentemente associadas à dor crônica — como lombalgia, osteoartrite, fibromialgia e neuropatias — e lembra que esses problemas muitas vezes são acompanhados em serviços distintos, embora o paciente seja o mesmo.

    Limitações e incertezas apontadas pelos autores

    Os autores reconhecem limites do argumento: não há, até o momento, dados que permitam quantificar a parcela de pacientes classificados como resistentes cuja condição seria explicada principalmente por dor não medida. Eles enfatizam que a falta de medições padronizadas impede responder essa pergunta de forma satisfatória hoje.

    Também ressaltam que a intenção do artigo não é recomendar que pacientes interrompam ou mudem medicações com base apenas nessa hipótese. A proposta é, antes, melhorar a avaliação clínica para oferecer tratamentos mais precisos.

    As conclusões e recomendações aqui descritas têm como fonte o artigo publicado na revista Nature Mental Health e a reportagem da Agência Brasil sobre esse trabalho.