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  • Ativo Tupi, pioneiro do pré-sal, alcança recorde de 4 bilhões de barris de óleo equivalente

    Ativo Tupi, pioneiro do pré-sal, alcança recorde de 4 bilhões de barris de óleo equivalente

    A Petrobras comunicou que o ativo Tupi, localizado no pré-sal da Bacia de Santos, atingiu 4 bilhões de barris de óleo equivalente (boe), um marco sem precedentes para a companhia. A informação foi divulgada pela própria estatal e registrada pela Agência Brasil. Trata-se do primeiro ativo da empresa a alcançar esse volume acumulado.

    O que significa 4 bilhões de boe

    Boe, ou barril de óleo equivalente, é a unidade usada para agregar volumes de petróleo e gás convertidos para o equivalente em barris de petróleo. O registro de 4 bilhões de boe refere-se ao somatório do volume produzido e acumulado no ativo formado pelos campos Tupi e Cernambi.

    Histórico e produção

    O sistema Tupi-Cernambi foi o primeiro do pré-sal a entrar em produção comercial, em 2010. Desde então, a área consolidou-se como um dos principais centros de extração da Petrobras. Em 2026, conforme informou a estatal, a média de produção do ativo superou 1 milhão de barris de óleo por dia em mais de uma ocasião, um indicador relevante da capacidade de produção do campo.

    Participação na produção da Petrobras

    Segundo a Petrobras, o ativo Tupi representa 36% de toda a produção da estatal. Esse peso evidencia a importância estratégica do campo para o balanço produtivo da empresa e para a produção nacional, sobretudo considerando a predominância do pré-sal na carteira da companhia.

    Localização, profundidade e dimensão

    O conjunto Tupi-Cernambi está situado a aproximadamente 250 quilômetros da costa do estado do Rio de Janeiro, uma distância equivalente a pouco mais da metade do trajeto entre Rio de Janeiro e São Paulo (430 km). A lâmina d’água na região é de cerca de 2 mil metros e a profundidade total alcança 7 mil metros, medida que inclui subsuperfície e coluna de água. A extensão da jazida é de aproximadamente 1,6 mil km², área comparável ao tamanho da cidade de São Paulo, conforme dados divulgados pela Petrobras.

    Infraestrutura e operação

    O campo conta com nove plataformas instaladas para produção e apoio às operações. As unidades listadas pela empresa são: P-66, P-67, P-69, Cidade de Itaguaí, Cidade de Angra dos Reis, Cidade de Maricá, Cidade de Paraty, Cidade de Mangaratiba e Cidade de Saquarema.

    Tupi é operado pela Petrobras em consórcio com empresas internacionais e entidades brasileiras. Entre as parceiras estão a Shell (anglo-holandesa) e a Petrogal (de Portugal), além da Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), que atua como representante da União nos contratos do pré-sal, conforme informou a estatal.

    Importância do pré-sal para a produção nacional

    O pré-sal, no litoral do Sudeste, é a principal região produtora de petróleo no Brasil. De acordo com números divulgados pela Petrobras, 82% de cada 100 barris prospectados pela companhia vêm do pré-sal. Do total de 57 plataformas operadas pela Petrobras, 28 estão exclusivamente na região do pré-sal, demonstrando o papel central dessa província petrolífera para a empresa.

    Avaliação institucional

    Em declaração citada pela Petrobras, a diretora de Exploração e Produção, Sylvia Anjos, afirmou que a produção em Tupi “inaugurou uma nova era para a indústria petrolífera mundial”. A fala enfatiza a relevância do desenvolvimento do pré-sal e o impacto tecnológico e econômico associado à exploração em águas ultraprofundas.

    As informações desta reportagem baseiam-se nos comunicados da Petrobras e na cobertura da Agência Brasil.

  • FUP propõe maior controle estatal da Petrobras, reestatização de refinarias e redução de dividendos

    FUP propõe maior controle estatal da Petrobras, reestatização de refinarias e redução de dividendos

    A Federação Única dos Petroleiros (FUP) divulgou, em 11 de agosto de 2026, uma plataforma com 50 propostas para o setor de óleo e gás e para a transição energética no Brasil. O documento, produzido em parceria com o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), defende maior controle do Estado sobre a Petrobras, reestatização de refinarias e a redução dos dividendos destinados a acionistas.

    Propostas centrais para Petrobras e pré-sal

    Entre as medidas apresentadas, a FUP recomenda o retorno à obrigatoriedade de a Petrobras atuar como operadora única no regime de partilha nas áreas do pré-sal, conforme a redação original da Lei nº 12.351/2010. Segundo a legislação de 2010, a empresa deveria deter ao menos 30% de cada campo e conduzir os consórcios formados com outras companhias privadas. A FUP aponta que essa obrigação foi eliminada pela Lei nº 13.365, aprovada após o impedimento de 2016.

    Além disso, a entidade propõe ampliar o controle acionário estatal sobre a petrolífera e rever regras de governança que, na visão dos petroleiros, teriam orientado a companhia para a maximização e distribuição de lucros de curto prazo, em detrimento do interesse público. O documento sugere revisão do Estatuto Social da Petrobras e adequação da política de remuneração a limites previstos na Lei das Sociedades Anônimas para explicitar a primazia do interesse público.

    Reestatização de ativos e ampliação do refino

    O texto também propõe reestatizar ativos privatizados nos últimos anos, citando refinarias e empresas de distribuição. Entre os alvos mencionados pela FUP estão as refinarias de Mataripe (BA), Clara Camarão (RN), SIX (PR) e Ream (AM), além da BR Distribuidora e da Liquigás. A recuperação desses ativos, segundo a proposta, teria como objetivos aumentar a capacidade de refino nacional e reduzir margens consideradas excessivas em segmentos da cadeia.

    Na avaliação apresentada, o país precisa ampliar a capacidade de refino para diminuir dependência de importações de derivados. O documento critica ainda a Lei do Novo Mercado de Gás (14.134/2021), afirmando que o atual modelo priorizou a liberalização e a desverticalização, resultando em fragmentação da cadeia, dificuldades de expansão da infraestrutura e aumento das tarifas.

    Financiamento da transição energética e mecanismos propostos

    A plataforma estrutura propostas de financiamento da transição por meio de instrumentos fiscais e fundos. Propõe a criação do Fundo Estabiliza Brasil para mitigar a volatilidade do mercado internacional do petróleo e do Fundo para Transição Energética para financiar medidas de adaptação e investimentos em novas fontes.

    Entre as medidas tributárias sugeridas, a FUP recomenda a criação de um imposto permanente sobre exportação de petróleo cru — destinado a favorecer o refino nacional — e a instituição de tributos sobre lucros extraordinários das empresas do setor para financiar a transição. O documento também propõe um comitê de gestão da renda petrolífera para definir objetivos de fundos como o do Pré-sal e do Clima.

    Desenvolvimento nacional, empregos e participação social

    A FUP reforça que a transição energética deve priorizar o desenvolvimento nacional e evitar a eliminação abrupta dos combustíveis fósseis. O setor de óleo e gás, lembra o documento, representa 45% da demanda interna de energia, cerca de 13% do Produto Interno Bruto (PIB), lidera a pauta de exportações e emprega mais de 600 mil pessoas direta e indiretamente.

    A plataforma defende também políticas para incentivar indústrias nacionais ligadas ao setor, promover integração produtiva regional na América Latina e fortalecer a presença da Petrobras na produção de fertilizantes. No eixo relativo à participação social, a proposta prevê maior inclusão de organizações sindicais e sociais na formulação e implementação das políticas de transição, além da criação de um Programa Nacional de Adaptação às Mudanças do Clima.

    Segundo a coordenadora-geral da FUP, Cibele Vieira, as propostas foram elaboradas a partir do Congresso Nacional da federação, que contou com cerca de 400 participantes, e têm objetivo de influenciar o debate público durante as eleições de 2026. A diretora técnica do Ineep, Ticiana Alvares, destacou no documento que a segurança energética está ligada à capacidade do Estado de se apropriar de seus recursos para o desenvolvimento nacional.

    O documento da FUP está estruturado em quatro eixos: Soberania Nacional e Distribuição Justa da Riqueza; Política Industrial e Integração Produtiva; um eixo dedicado à Petrobras e à reestruturação do setor; e Participação Social e Adaptabilidade às Mudanças Climáticas. As propostas constam na Plataforma de Políticas Públicas do Setor de Óleo e Gás 2027–2030: Soberania Energética e Transição Energética Justa, divulgada pela Federação Única dos Petroleiros em parceria com o Ineep e reportada pela Agência Brasil.

  • Leilões de petróleo em outubro terão número recorde de áreas em disputa, diz ANP

    Leilões de petróleo em outubro terão número recorde de áreas em disputa, diz ANP

    A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou, em comunicado divulgado em 6 de agosto de 2026, que os leilões de petróleo agendados para 7 de outubro terão um recorde de áreas em disputa. Ao todo serão ofertadas 35 áreas: 13 blocos no 4º Ciclo de Partilha e 22 setores no 6º Ciclo de Concessão. A relação completa foi publicada no Diário Oficial da União, conforme a própria ANP.

    Detalhes dos ciclos e participação das empresas

    O 4º Ciclo de Partilha reúne 13 blocos localizados na área do pré-sal. O 6º Ciclo de Concessão engloba 22 setores em áreas fora do regime de partilha. A ANP informou que foram incluídos na lista os blocos e setores que receberam declaração de interesse de pelo menos uma empresa, desde que as companhias também tenham manifestado garantia de oferta.

    Até o momento da divulgação, os 22 setores do leilão de concessão contavam com declarações de interesse com garantia de oferta por parte de 12 empresas. Já os 13 blocos do leilão de partilha tinham manifestações de seis empresas. A agência destacou que esse quadro pode mudar até o fim do prazo de habilitação.

    Prazos e formas de participação

    A ANP estabeleceu como prazo para empresas que ainda não tenham declarado interesse — ou que já tenham feito — a data de 31 de agosto para manifestarem interesse em outros setores ou blocos, caso desejem ampliar sua participação. A agência também explicou que companhias que não cumprirem esse procedimento até o prazo final poderão participar da disputa formando consórcios com empresas que se habilitaram.

    O registro prévio de interesse e a garantia de oferta são etapas que permitem à ANP compor a relação final de áreas a serem leiloadas, e a publicação no Diário Oficial da União formaliza essa seleção inicial.

    Resultados anteriores e contexto do regime de exploração

    Leilões anteriores servem de referência para o potencial de arrecadação e de investimentos. Em outubro do ano passado, o 3º Ciclo da Oferta de Partilha terminou com cinco dos sete blocos disputados arrematados; naquela ocasião os bônus de assinatura chegaram a quase 104 bilhões, com previsão de investimento mínimo na fase de exploração de R$ 451,5 milhões.

    No modelo de concessão, o leilão do 5º Ciclo ocorreu em junho de 2025 e resultou na assinatura de 34 contratos de concessão de blocos. A arrecadação de bônus de assinatura foi de cerca de R$ 989 milhões, com investimentos mínimos estimados em R$ 1,5 bilhão na fase de exploração.

    Partilha x concessão

    O regime de partilha vigora nas áreas do pré-sal desde a mudança ocorrida em 2010. Nesse modelo, a produção de óleo excedente — o saldo após o pagamento dos custos — é dividida entre a petroleira vencedora do leilão e a União. A empresa vencedora é a que oferece a maior parcela do óleo à União.

    Já no modelo de concessão, a concessionária assume o risco de explorar a área e torna-se proprietária do petróleo e gás descobertos. Em contrapartida, além do bônus de assinatura, a empresa paga royalties e, quando aplicável, participação especial ao governo.

    Estrutura de representação da União e importância do pré-sal

    Com a adoção do regime de partilha também foi criada a estatal Pré-Sal Petróleo (PPSA), vinculada ao Ministério de Minas e Energia e sediada no Rio de Janeiro. A PPSA representa a União na gestão das receitas advindas do pré-sal e comercializa o petróleo entregue pelas petroleiras à União, conforme informado pela ANP.

    O Polígono do Pré-Sal, no litoral do Sudeste, concentra os principais campos de produção do país. Segundo dados mais recentes da ANP, em junho de 2026 os campos do pré-sal responderam por 82% da produção nacional de petróleo e gás. A camada de sal que recobre essas jazidas pode chegar a espessuras de até 7 mil metros, conforme a agência.

    As informações sobre os leilões e os prazos foram publicadas pela ANP e divulgadas pela Agência Brasil.