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  • Pelos Olhos de Orides adapta a poesia da autora para o público infantil e é lançado na Flip

    Pelos Olhos de Orides adapta a poesia da autora para o público infantil e é lançado na Flip

    O livro Pelos Olhos de Orides (Editora Hedra) reúne poemas de Orides Fontela adaptados para o público infantil, propondo que crianças se aproximem da poesia a partir de elementos simples do cotidiano — como nuvens, pássaros, flores e até vacas — e de uma estética que estimula a contemplação.

    Uma poesia que parte do cotidiano

    A obra destaca o caráter preciso e imagético da poesia de Orides, que transforma pequenos elementos da natureza em motivos de reflexão sobre o mundo, o tempo e a espera. Segundo o organizador do volume, Augusto Massi, essa linguagem compartilha com a infância uma postura investigativa: o livro foi concebido com espaços e contrastes para incentivar perguntas e permitir múltiplas interpretações.

    Orides Fontela, lembrada por imagens como “a flor do céu” para designar uma nuvem, faleceu em 1998, aos 58 anos, logo após o lançamento de Teia, fato recordado durante o lançamento do livro na Flip.

    Lançamento na Flip: debate e recepção

    O lançamento de Pelos Olhos de Orides ocorreu em julho na Casa da Árvore, em Paraty, no âmbito da 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), onde Orides foi a autora homenageada. A celebração incluiu mesa de conversa com o organizador Augusto Massi e a ilustradora Cynthia Cruttenden, que comentaram tanto a seleção dos poemas quanto as soluções visuais do livro.

    O poeta e educador André Gravatá, que participou do evento e concedeu entrevista à Agência Brasil, destacou a capacidade das crianças de se relacionarem com a poesia como experiência concreta: citou o exemplo de uma menina que, ao escovar os dentes, disse “eu te amo” à água — uma situação que Gravatá interpretou como um poema vivido. Para ele, provocar o gosto pela literatura desde a infância ajuda a nutrir sensibilidade e a manter a disposição para o espanto.

    Ilustração e proposta visual

    O projeto gráfico e de ilustração foi apontado por Massi como “um acontecimento”. Em vez de recorrer a imagens literais, a ilustradora Cynthia Cruttenden optou por explorar formas, cores e movimentos que abrem possibilidades interpretativas: figuras com cores fortes e dinâmicas, às vezes menos definidas, que convidam a criança a procurar e inventar sentidos.

    Cynthia disse que a característica lúdica das imagens — com figuras “meio escondidas” e dualidades de leitura — é justamente o que instiga a imaginação infantil, oferecendo liberdade visual e alegria.

    Ações educativas e alcance social na Flip

    O lançamento aconteceu num contexto mais amplo de atividades educativas na Flip. A programação do evento incluiu o Circuito Cultural, que levou cerca de 270 crianças e adolescentes das comunidades locais a participar do festival. O projeto, direcionado a estudantes da rede pública e a participantes de organizações sociais, é promovido pelo Instituto Motiva e atua em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, e planeja atingir mais de 3 mil crianças e jovens ao longo do ano.

    O Programa Educativo da 24ª Flip — que engloba Flipinha, FlipZona e FlipEduca — registrou mais de 15 mil participações em atividades gratuitas realizadas em quatro dias, reunindo crianças, jovens, famílias, educadores e mediadores de leitura. Jéssica Trevisam, gerente do Instituto Motiva, afirmou que a conexão de crianças e jovens com museus e festivais amplia repertório, fortalece senso de pertencimento e contribui para a formação de cidadãs e cidadãos mais críticos e criativos.

    Perspectivas e argumentos sobre educação literária

    Autores e organizadores presentes ao lançamento defenderam a centralidade das ações educativas em eventos de literatura. Gravatá destacou que espaços educativos bem estruturados e com programação ampliada provocam relações afetivas com o livro desde a infância, e apontou cenas observadas na Flip — como uma criança abraçada a um livro — como indicativo do impacto dessas iniciativas.

    Massi ressaltou que a poesia de Orides ensina a “tecer considerações” sobre o mundo, lembrando vivências da autora, que costumava passear e pescar com o pai em silêncio — prática que, segundo ele, aguça a escuta dos sons do ambiente natural sem tom de denúncia, conferindo ao livro uma dimensão ecológica percebida em sua leitura.

    As informações sobre o livro e os depoimentos citados foram apurados pela Agência Brasil durante a cobertura da Flip. A equipe de reportagem viajou a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flip 2026, conforme nota da Agência Brasil.