Tag: Ministério da Saúde

  • Oferta de tafenoquina no SUS e ampliação do diagnóstico associadas a queda de malária no Brasil

    Oferta de tafenoquina no SUS e ampliação do diagnóstico associadas a queda de malária no Brasil

    O Brasil registrou em 2025 uma redução nos indicadores da malária que, segundo o Ministério da Saúde, está associada à incorporação da tafenoquina no Sistema Único de Saúde (SUS) e às ações de ampliação do diagnóstico e do tratamento adequado. Os dados foram apresentados pelo ministro Alexandre Padilha durante o 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MedTrop), em Brasília.

    Números gerais e alcance da queda

    Em 2025 foram notificados 118.037 casos de malária no território nacional — um recuo de 15% em comparação com 2024 e o menor total desde 1978, conforme o ministério. As mortes pela doença caíram 30%, passando de 56 óbitos em 2024 para 39 em 2025. A forma mais grave da doença também registrou queda, de 30,7%.

    Tafenoquina no SUS: uso e cobertura

    A tafenoquina foi incorporada ao SUS em 2023 para pacientes adultos com 16 anos ou mais e peso de 35 quilos ou mais e passou a ser usada em dose única desde 2024 para prevenir novas manifestações da malária. O ministério descreve o medicamento como de ação prolongada e fundamental para evitar recaídas.

    Até junho de 2026, a tafenoquina foi aplicada em mais de 33.700 pessoas no país. Desse total, 3.920 tratamentos foram registrados em Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs). Em março de 2026 foi disponibilizada uma formulação pediátrica para crianças a partir de 2 anos e com ao menos 10 quilos; até junho, 1.446 crianças e adolescentes haviam recebido o tratamento.

    Impacto em populações indígenas e áreas de maior incidência

    O ministério informou reduções relevantes em áreas vulneráveis. Segundo Alexandre Padilha, houve redução de mais de 40% em territórios indígenas e em assentamentos rurais na região amazônica. O Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami recebeu 1.515 tratamentos com tafenoquina.

    Ainda de acordo com o ministério, entre março e junho de 2026 as recaídas de malária caíram 61,9% em relação ao mesmo período de 2025. No acumulado de janeiro a julho, os registros caíram 55%, de 17 mil para 7,6 mil, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

    Ao se referir à situação Yanomami, o ministro afirmou que as ações combinadas — que incluem tratamento com tafenoquina e intervenções de assistência nutricional — interromperam o que ele classificou como um “verdadeiro genocídio” naquele povo, com redução de mais de 50% nos casos e mais de 70% nos óbitos por malária no território.

    Ações complementares e vigilância: diagnóstico e vacinação

    O ministério também atribui parte dos resultados à ampliação do diagnóstico e à oferta de testes e tratamento adequado. Essas medidas, em conjunto com a tafenoquina, são apontadas como responsáveis pela diminuição de casos e recaídas.

    Em paralelo, o governo vem reforçando a vacinação contra o sarampo após a identificação de 38 casos importados em 2025, detectados em São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Tocantins. Padilha informou que a vacinação tem sido intensificada em todo o país e lembrou que, apesar dos casos importados, o Brasil manteve em 2024 o certificado de país livre de sarampo.

    Nas cidades de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo, afirmou o ministro, a faixa etária alvo para vacinação foi ampliada: estão sendo vacinadas pessoas a partir de 6 meses até 59 anos, independentemente de checar a carteira vacinal. Na cidade de São Paulo, mais de 70 mil pessoas já foram vacinadas segundo o ministério.

    Os dados e declarações desta reportagem são provenientes de informações divulgadas pelo Ministério da Saúde e registradas pela Agência Brasil durante o 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical.

  • Nova regulamentação do Farmácia Popular prevê exames, testes rápidos e uso de IA para monitoramento

    Nova regulamentação do Farmácia Popular prevê exames, testes rápidos e uso de IA para monitoramento

    O Ministério da Saúde publicou nesta semana uma atualização da portaria do Programa Farmácia Popular que busca modernizar o serviço, ampliar o acesso da população e reforçar o monitoramento das unidades credenciadas. A informação foi divulgada em nota pela pasta e reportada pela Agência Brasil.

    O que a portaria prevê

    A atualização regulamentar aponta para a adoção de tecnologia como ferramenta central para o aprimoramento do programa. Entre as medidas estão a digitalização de dados e processos, a adoção de sistemas automatizados e atualizações no sistema de dispensação de insumos para elevar a segurança, rastreabilidade e integração das informações.

    Segundo a nota do ministério, o objetivo imediato é fortalecer o controle e o monitoramento das farmácias credenciadas, com foco em gestão de risco. O novo modelo prevê sanções administrativas calibradas conforme a gravidade das infrações, incluindo suspensão automática em situações classificadas como de risco alto ou muito alto.

    Serviços em avaliação: testes, exames e teleatendimento

    Um grupo de trabalho será responsável por discutir a inclusão de novos serviços no escopo do programa. Estão na lista a avaliação da oferta de exames de sangue e urina, testes rápidos, teleatendimento e monitoramento terapêutico. Essas propostas serão submetidas a avaliações técnicas em estados e municípios, além de pesquisas sanitárias e assistenciais, conforme a necessidade de cada território.

    O ministério também informou que avaliará o credenciamento de unidades em áreas vulneráveis, levando em conta critérios como densidade demográfica e priorizando periferias de grandes centros. Para locais com dificuldades logísticas, como áreas ribeirinhas, o estudo incluirá a possibilidade de estruturas alternativas, como unidades volantes ou avançadas de atendimento.

    Tecnologia e combate a fraudes

    Entre as medidas tecnológicas em análise está o uso de inteligência artificial para identificação de pacientes por biometria e reconhecimento facial, com a finalidade de reforçar o combate a fraudes no programa. A pasta informou que o sistema de dispensação será atualizado para incorporar novas ferramentas digitais que aumentem a segurança e a rastreabilidade das operações.

    Também está prevista a adoção de sistemas automatizados e a digitalização, que, segundo o ministério, permitirão um acompanhamento mais rigoroso dos serviços prestados pelas unidades credenciadas.

    Cobertura atual e números do programa

    O Farmácia Popular disponibiliza gratuitamente 41 itens de saúde, incluindo fraldas geriátricas, absorventes higiênicos e medicamentos para condições como hipertensão, diabetes, asma, doença de Parkinson e glaucoma. De acordo com os dados do ministério divulgados pela Agência Brasil, o programa conta atualmente com 28 mil farmácias credenciadas e atuação em mais de 4,9 mil municípios, cobrindo 97% da população brasileira.

    Em 2025, o ministério informou que 27,3 milhões de pessoas foram beneficiadas pelo serviço. Esses números sustentam a importância do programa como componente da política de acesso a insumos e medicamentos no país.

    Condicionantes e próximos passos

    A efetiva oferta dos novos serviços não é imediata. Conforme a pasta, todas as ações propostas dependem de avaliações técnicas em níveis estaduais e municipais, bem como de pesquisas sanitárias e assistenciais que verifiquem a adequação às necessidades locais. Assim, as mudanças passarão por análise e aprovação progressiva antes de se tornarem realidade nos postos credenciados.

    O ministério detalhou que a atualização regulatória entra em vigor com medidas imediatas de aprimoramento do controle e monitoramento, enquanto as propostas de ampliação de serviços seguirão em análise pelo grupo de trabalho indicado pela pasta.

    As informações desta reportagem foram obtidas a partir da nota do Ministério da Saúde publicada e divulgada pela Agência Brasil.

  • Novo regulamento reduz prazos de espera para doação de sangue e amplia rastreabilidade

    Novo regulamento reduz prazos de espera para doação de sangue e amplia rastreabilidade

    A Portaria GM/MS nº 11.685/2026, publicada em 3 de julho e com vigência a partir de outubro, altera regras para a doação de sangue no Brasil. As mudanças têm como objetivos reforçar a segurança das transfusões, aumentar a rastreabilidade do sangue e atualizar os critérios de triagem segundo avanços laboratoriais e o cenário epidemiológico, segundo o Ministério da Saúde e informações da Agência Brasil.

    Redução de prazos para procedimentos estéticos e tatuagens

    Uma das principais alterações é a diminuição do tempo de espera para doação por pessoas que fizeram tatuagem, maquiagem definitiva ou procedimentos estéticos, como aplicações de toxina botulínica, preenchimento e microagulhamento. Nesses casos, a doação poderá ocorrer após sete dias desde o procedimento, desde que o local onde ele foi realizado esteja em conformidade com normas de segurança.

    Se não for possível avaliar a conformidade do estabelecimento, o prazo volta a ser mais longo: nesses casos, a restrição sobe para quatro meses antes da doação.

    Piercings, endoscopia e anabolizantes

    Para quem tinha piercing na boca ou na região genital, o novo regulamento estabelece que a doação poderá ser feita quatro meses após a retirada do acessório.

    O intervalo exigido também foi reduzido para outros procedimentos: o prazo para doadores que passaram por endoscopia ou usaram anabolizantes sem prescrição médica caiu de seis para quatro meses.

    Novos exames e rastreabilidade

    O Ministério da Saúde informou que o exame NAT Plus, desenvolvido por Bio‑Manguinhos/Fiocruz, será adotado. Esse teste detecta HIV, hepatites B e C e também o parasita causador da malária em bolsas e amostras de sangue.

    Com a triagem para malária, pessoas que estiveram em áreas endêmicas ou expostas a regiões de mata, bosque ou floresta poderão doar após 30 dias, em vez do prazo atual de até um ano, segundo a portaria e a pasta.

    Além disso, as bolsas e amostras passarão a ser identificadas pelo padrão internacional ISBT 128, que permite rastreabilidade desde a coleta até a transfusão e o envio de plasma para fabricação de medicamentos, reduzindo riscos de erro de identificação.

    Validade de plaquetas e faixa etária dos doadores

    Outra mudança operacional prevê o aumento da validade dos concentrados de plaquetas: de cinco para até sete dias. Essa alteração deverá ampliar a disponibilidade do componente para pacientes com câncer, doenças hematológicas ou que necessitam de transfusões frequentes, conforme a justificativa do Ministério da Saúde divulgada pela Agência Brasil.

    O novo regulamento também flexibiliza a idade para doação: pessoas com mais de 70 anos poderão doar sangue. Atualmente, 70 anos é o limite em vigor; a portaria permite que doadores regulares continuem a doar ao completar 70 anos desde que estejam saudáveis, respeitem a frequência e os intervalos permitidos para sua faixa etária e sejam considerados aptos na avaliação clínica do serviço de hemoterapia.

    Como proceder para doar

    Quem tem interesse em doar deve procurar o hemocentro mais próximo e consultar horários de atendimento. É preciso passar pela triagem clínica no local, que avaliará se o candidato está apto a doar de acordo com os novos critérios estabelecidos pela portaria.

    As mudanças entram em vigor em outubro e constam da Portaria GM/MS nº 11.685/2026; as informações foram divulgadas pelo Ministério da Saúde e reportadas pela Agência Brasil.

  • Sarampo: sinais, transmissibilidade, diagnóstico e recomendações de vacinação

    Sarampo: sinais, transmissibilidade, diagnóstico e recomendações de vacinação

    O Ministério da Saúde emitiu, em junho de 2026, uma nota técnica apontando risco iminente de reintrodução e disseminação do sarampo no Brasil diante do intenso fluxo de viajantes pela Copa do Mundo. Na ocasião, a pasta recomendou a aplicação da chamada dose zero da vacina tríplice viral em crianças entre 6 e 11 meses, como forma de aumentar a proteção nessa faixa etária mais suscetível.

    Contexto epidemiológico

    A nota técnica citou um cenário de alta transmissibilidade nas Américas e alertou para a possibilidade de retorno de viajantes infectados ou da entrada de estrangeiros com a doença. Em junho, a zona norte de São Paulo havia registrado três casos em crianças menores de 2 anos; a Secretaria de Saúde de São Paulo passou a confirmar pelo menos 23 casos em 2026.

    Transmissão e sinais clínicos

    O sarampo é transmitido de pessoa a pessoa por via aérea — ao tossir, espirrar, falar ou respirar — e é considerado extremamente contagioso: uma pessoa infectada pode transmitir para até 90% das pessoas próximas não imunes. A transmissão pode ocorrer desde seis dias antes até quatro dias após o aparecimento das manchas vermelhas características.

    Os sinais centrais são o exantema (manchas vermelhas) e febre alta (acima de 38,5 °C). As manchas costumam surgir entre três e cinco dias, primeiro no rosto e atrás das orelhas, e em seguida espalham-se pelo corpo. A febre persistente é um sinal de alerta, especialmente em crianças menores de cinco anos, pois pode indicar risco de gravidade.

    Diagnóstico e condutas clínicas

    O diagnóstico pode ser feito clinicamente com base nos sinais e sintomas, mas o padrão considerado ideal é laboratorial. A confirmação ocorre por exames que analisam amostras de sangue e também secreções da orofaringe, nasofaringe e urina.

    Não existe tratamento antiviral específico para o sarampo. Os cuidados visam aliviar os sintomas: hidratação, suporte nutricional e controle da hipertermia. O uso de antibióticos não é indicado, salvo quando há infecções secundárias confirmadas pelo médico. A orientação é não iniciar medicação sem avaliação profissional e procurar o serviço de saúde mais próximo ao suspeitar da doença. Em muitas crianças, a recuperação do estado nutricional pode levar entre quatro e oito semanas.

    Vacinação: quem e quando vacinar

    A vacinação é a principal medida de prevenção. Em rotina, todas as pessoas entre 12 meses e 59 anos têm indicação para receber a vacina contra o sarampo. Estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) as vacinas tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela); cabe ao profissional de saúde escolher a apresentação adequada por idade e situação epidemiológica.

    A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) considera protegida a pessoa que recebeu duas doses contra o sarampo na vida, com intervalo mínimo de um mês, aplicadas a partir dos 12 meses. Em cenários de risco — como surtos ou exposição domiciliar — a primeira dose pode ser aplicada a partir dos 6 meses, mas essa dose não substitui as duas doses obrigatórias a partir dos 12 meses, que são necessárias para completar o esquema.

    A vacina tríplice viral é contraindicada na gestação; gestantes não vacinadas ou com esquema incompleto devem receber a vacina no puerpério. Em situações de surto, pode ser avaliada a aplicação de uma terceira dose em pessoas com esquema completo. Pessoas com história documentada de sarampo são consideradas imunes, desde que o diagnóstico seja certo; na dúvida, a recomendação é vacinar.

    O que fazer ao suspeitar de sarampo

    • Procurar serviço de saúde ao apresentar febre alta e manchas no corpo, especialmente em crianças;
    • Não automedicar: busque avaliação médica antes de tomar medicamentos;
    • Manter hidratação e alimentação adequada; observar sinais de agravamento, como febre persistente ou dificuldade respiratória;
    • Verificar o histórico vacinal e completar o esquema conforme orientação do profissional de saúde.

    As informações centrais desta reportagem foram divulgadas pela Agência Brasil, com base em orientações do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Imunizações.

  • São Paulo registra 18 mortes por febre maculosa em 19 casos confirmados até julho

    São Paulo registra 18 mortes por febre maculosa em 19 casos confirmados até julho

    O estado de São Paulo registrou 19 casos confirmados de febre maculosa entre janeiro e julho deste ano, com 18 mortes no mesmo período, informou a Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP). As ocorrências concentraram-se em várias regiões do estado, incluindo Piracicaba, Americana, Sorocaba, Campinas, São José dos Campos, Santo André e São Bernardo do Campo.

    Transmissão e evolução da doença

    A febre maculosa é transmitida pela picada de carrapatos infectados pela bactéria Rickettsia rickettsii. A doença pode afetar pessoas de qualquer idade e, quando o tratamento é iniciado tardiamente, pode levar à morte em poucos dias.

    Os primeiros sinais são geralmente inespecíficos: febre alta, dores no corpo, dor de cabeça e mal-estar. Por esse motivo, esses sintomas costumam ser confundidos com dengue, outras viroses ou leptospirose, o que pode atrasar o diagnóstico.

    Sinais de agravamento e riscos

    Segundo especialistas, a partir do terceiro dia de sintomas podem surgir manchas avermelhadas na pele e pequenas lesões arroxeadas, sobretudo nas mãos e nos pés, indicando evolução para uma fase mais grave. Em estágios avançados, relatos citam gangrena em extremidades e paralisia que pode progredir das pernas para órgãos vitais, como os pulmões.

    O infectologista Jean Gorinchteyn, do Hospital Israelita Albert Einstein e professor da UMC, enfatiza que o diagnóstico precoce é decisivo para evitar complicações. Ele alerta que “a mortalidade pode chegar a 80% quando o tratamento antibiótico não é iniciado rapidamente” e explica que a infecção provoca inflamação dos vasos sanguíneos, que pode comprometer rins, fígado e cérebro.

    Prevenção, inspeção e cuidados com animais

    As autoridades recomendam evitar o contato com áreas de mata, trilhas, fazendas e vegetação alta. Quando a entrada nesses locais for necessária, orienta-se o uso de calças compridas, botas e roupas claras, inspeção do corpo e das roupas após o passeio e proteção de cães com coleiras e produtos repelentes adequados.

    Os cães podem trazer carrapatos para o ambiente doméstico após contato com vegetação, elevando o risco de exposição. O carrapato também pode permanecer em camas e roupas, por isso é importante verificar e higienizar itens após possíveis exposições.

    Remoção de carrapatos e higienização

    O Ministério da Saúde orienta remover o carrapato com uma pinça, sem apertar ou esmagar o animal, puxando-o com firmeza para retirar o exemplar inteiro. Depois da remoção, recomenda-se lavar o local da picada com álcool ou sabão e água. O mesmo procedimento deve ser adotado para animais domésticos.

    Peças de roupa utilizadas em passeios por áreas com vegetação devem ser colocadas em água fervente, segundo as orientações oficiais. Essas medidas visam reduzir o risco de transmissão após a exposição a carrapatos.

    Diagnóstico e conduta médica

    Jean Gorinchteyn observa que a confirmação laboratorial da febre maculosa pode levar até duas semanas. Por isso, quando houver associação entre sintomas compatíveis e histórico de visita a áreas com vegetação, os especialistas recomendam iniciar o tratamento imediatamente, sem aguardar o resultado dos exames, para evitar a progressão para formas graves.

    Em síntese, a combinação entre suspeita clínica rápida, relato de exposição e tratamento precoce é apontada por autoridades sanitárias e especialistas como fator-chave para reduzir a mortalidade e as complicações da febre maculosa.

    Fontes: Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) e reportagem da Agência Brasil, com informações de Jean Gorinchteyn (Hospital Israelita Albert Einstein) e orientações do Ministério da Saúde.

  • SUS incorpora teste FIT para rastreamento bienal do câncer colorretal

    SUS incorpora teste FIT para rastreamento bienal do câncer colorretal

    O Sistema Único de Saúde (SUS) incluiu, a partir de 10 de agosto de 2026, o teste imunoquímico fecal (FIT, na sigla em inglês) na tabela de procedimentos oferecidos aos usuários da rede pública. A inclusão consta em portaria publicada no Diário Oficial da União e define o exame para rastreamento bienal do câncer colorretal em homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos.

    O que é o teste FIT

    O FIT é um exame de fezes que detecta pequenas quantidades de sangue oculto — isto é, traços de sangue não visíveis a olho nu — que podem indicar a presença de pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer no intestino. Diferentemente de métodos antigos de detecção de sangue nas fezes, o FIT utiliza anticorpos específicos para identificar sangue humano, o que aumenta a precisão do resultado, segundo o Ministério da Saúde.

    Quem deve realizar e periodicidade

    A portaria estabelece que o teste será destinado exclusivamente ao rastreamento de pessoas assintomáticas com idade entre 50 e 75 anos, de forma bienal — ou seja, a cada dois anos. O texto com a norma ressalta expressamente que o procedimento não se destina à investigação diagnóstica de indivíduos que apresentem sintomas ou que já tenham suspeita clínica de câncer, para os quais outros exames e condutas são indicados.

    Como funciona o caminho do paciente

    Na prática, o paciente recebe um kit para coleta domiciliar das fezes. Após a coleta, o material é encaminhado para análise laboratorial. Se o resultado detectar sangue oculto, o indivíduo será encaminhado para exames complementares, conforme previsto na portaria do Ministério da Saúde. A colonoscopia é citada pela pasta como a principal forma de avaliar diretamente o cólon e o reto, pois permite visualização da mucosa intestinal e a remoção de pólipos durante o procedimento.

    Impacto esperado no SUS

    O Ministério da Saúde informou que a oferta do FIT pode ampliar o acesso à prevenção e à detecção precoce do câncer colorretal para mais de 40 milhões de brasileiros. O câncer colorretal é atualmente o segundo tipo de câncer mais frequente no país, excluindo tumores de pele não melanoma. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 53,8 mil novos casos por ano para o triênio 2026–2028.

    A pasta também divulgou que o teste apresenta sensibilidade estimada entre 85% e 92% para identificar possíveis alterações, indicador que reflete a capacidade do exame em detectar casos com presença de sangue oculto. A adoção do FIT como estratégia de rastreamento busca ampliar a capilaridade do diagnóstico precoce no contexto do SUS, complementando as rotinas de detecção já vigentes.

    Limites do exame e papel da colonoscopia

    Embora o FIT sirva como ferramenta de rastreamento populacional, o Ministério da Saúde reafirma que a colonoscopia continua sendo o método de referência para avaliação do intestino. A colonoscopia permite a visualização direta do cólon e do reto e possibilita intervenções durante o exame, como a retirada de pólipos, evitando que algumas lesões evoluam para câncer.

    Ao definir o FIT para rastreamento bienal de assintomáticos, a portaria busca separar o uso populacional do exame do manejo clínico de pacientes sintomáticos, que devem ser avaliados por meio de investigação diagnóstica específica.

    As informações sobre a inclusão do FIT no rol de procedimentos do SUS foram divulgadas pelo Ministério da Saúde e reportadas pela Agência Brasil.

  • Trikafta reduz hospitalizações e necessidade de oxigênio domiciliar entre pacientes com fibrose cística no SUS, diz Ministério da Saúde

    Trikafta reduz hospitalizações e necessidade de oxigênio domiciliar entre pacientes com fibrose cística no SUS, diz Ministério da Saúde

    Dados do Ministério da Saúde, apresentados em evento da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) em Brasília, apontam que o uso do medicamento Trikafta no tratamento da fibrose cística reduziu em até 84,8% as internações de pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

    Principais resultados do estudo

    O estudo, conduzido ao longo de um ano, avaliou 647 pacientes — entre crianças, adolescentes e adultos — em tratamento com a terapia tripla moduladora composta por elexacaftor, tezacaftor e ivacaftor (conhecida comercialmente como Trikafta). O acompanhamento ocorreu em 39 centros de referência espalhados pelo Brasil, segundo informação do ministério.

    Além da redução nas internações, os números apresentados indicaram queda de até 91,6% na necessidade de oxigenioterapia domiciliar. Os pesquisadores também observaram um aumento médio de 10 a 14 pontos na função pulmonar dos pacientes acompanhados, redução dos ciclos de inflamação e de infecção, diminuição de 66,7% no uso de antibióticos sistêmicos e benefícios consistentes no estado nutricional.

    A cobertura no SUS e o alcance da terapia

    De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 2,4 mil pessoas já utilizam a terapia no sistema público quase dois anos após sua inclusão. O medicamento é disponibilizado em farmácias de alto custo mediante apresentação de receita médica devidamente emitida e carimbada por um especialista.

    O acompanhamento multiprofissional e a entrega por meio da rede pública permitem que o tratamento seja administrado em casa, por via oral, conforme as diretrizes clínicas aplicáveis ao quadro de cada pessoa. O estudo apresentado considerou essa rotina de uso domiciliar no acompanhamento dos resultados.

    Custo do tratamento e acesso na rede privada

    O Ministério da Saúde informou ainda valores de referência para o mercado privado: uma caixa do medicamento custa, em média, R$ 194,5 mil e o tratamento pode alcançar até R$ 2,5 milhões por paciente ao ano, segundo dados divulgados pela pasta. Esses números ressaltam a relevância da oferta pelo SUS para ampliar o acesso à terapia entre pacientes que dependem do sistema público.

    O que é a fibrose cística

    A fibrose cística é uma doença genética hereditária rara que provoca produção de muco viscoso no organismo, com acúmulo nos pulmões e no sistema digestivo. Conforme descrito pelo Ministério da Saúde, esse quadro resulta em tosse persistente, infecções respiratórias frequentes e dificuldades para digerir alimentos e ganhar peso.

    Os efeitos observados com o uso da terapia tripla moduladora — melhora da função pulmonar, redução de infecções e ganho nutricional — são particularmente relevantes porque atuam sobre problemas centrais da doença, conforme os dados apresentados no evento da SBPT.

    Como é feito o fornecimento e quem pode retirar a medicação

    O Trikafta é fornecido por farmácias de alto custo do SUS mediante receita de especialista. A administração é oral e realizada em domicílio, com o esquema de tratamento adaptado ao quadro clínico individual de cada paciente, segundo o comunicado do ministério.

    O acompanhamento nos centros de referência — que participaram do estudo — foi parte integrante da avaliação dos efeitos da terapia ao longo do período de um ano.

    Os números e as observações citadas neste texto foram divulgados pelo Ministério da Saúde e apresentados na Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, conforme reportagem da Agência Brasil.

  • Flávio Dino autoriza novo inquérito da PF para investigar Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha)

    Flávio Dino autoriza novo inquérito da PF para investigar Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha)

    O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino autorizou nesta terça-feira, 4 de agosto de 2026, a abertura de um novo inquérito da Polícia Federal (PF) para investigar o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido publicamente como Lulinha. A decisão foi comunicada à imprensa por meio de nota da Agência Brasil.

    Pedido da Polícia Federal e segredo de Justiça

    De acordo com a reportagem da Agência Brasil, a medida atende a um pedido da Polícia Federal para apurar a suposta atuação de um grupo de pessoas que teria estabelecido negócios ilícitos com órgãos do governo federal. As informações sobre o teor e os alvos específicos da investigação não foram divulgadas porque o inquérito corre em segredo de Justiça.

    Inquérito sobre vazamento de informações

    Além de autorizar a investigação principal, Flávio Dino determinou a abertura de um inquérito separado para apurar o vazamento de informações sigilosas relativas às apurações. Esse procedimento foi solicitado pela defesa de Lulinha, segundo a Agência Brasil.

    Outros inquéritos envolvendo Lulinha

    Com a nova autorização, já são três inquéritos da Polícia Federal que atingem Fábio Luís Lula da Silva. A primeira investigação mencionada pela Agência Brasil apura suposto tráfico de influência junto ao Ministério da Saúde, envolvendo interesse de uma empresa do setor de cannabis medicinal em firmar contratos com a pasta. A empresa citada na apuração estaria ligada ao empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e, conforme esclarecido no levantamento, essa linha de investigação não tem relação com descontos ilegais de benefícios.

    O segundo inquérito mira supostas irregularidades na Dataprev, estatal responsável pelo processamento de dados relacionados a aposentadorias e outros benefícios. A agência não detalhou as condutas investigadas nem os possíveis vínculos investigativos entre os casos.

    Posição da defesa

    Os advogados Guilherme Suguimori e Marco Aurélio de Carvalho, que atuam na defesa de Lulinha, informaram à Agência Brasil que receberam a notícia da abertura do novo inquérito com “absoluta serenidade” e afirmaram que terão oportunidade de esclarecer dúvidas sobre as atividades pessoais e profissionais do empresário. Em nota, os defensores declararam: “Ele comprovará, ao final, que não tem relação direta ou indireta com qualquer tipo de irregularidade, assim como fez no inquérito das fraudes do INSS, em relação ao qual esperamos um já tardio arquivamento.”

    A defesa também afirmou ter solicitado “providências enérgicas” contra “vazamentos reiterados, seletivos e criminosos” e denunciou o que classificou como “instrumentalização de setores da Polícia Federal a serviço de interesses políticos e eleitorais, em prejuízo da imparcialidade e legalidade que deveriam reger procedimentos criminais”, conforme relato divulgado pela Agência Brasil.

    O que se sabe e o que permanece em sigilo

    Das decisões confirmadas pela Agência Brasil, sabe-se apenas que o STF autorizou a instauração do novo inquérito e do procedimento para apurar vazamentos. Os detalhes sobre quem mais será investigado, quais documentos ou operações motivaram o pedido da PF, e as etapas seguintes do inquérito não foram tornados públicos em razão do segredo de Justiça. Nem a Polícia Federal nem o STF divulgaram notas com informações adicionais além das mencionadas pela Agência Brasil.

    Em razão da tramitação reservada, será preciso aguardar eventuais decisões futuras da Justiça ou comunicações oficiais da PF para obter mais elementos sobre os fatos e as eventuais implicações processuais ou administrativas.

  • Plataforma ‘Pode Falar’ passa a atender jovens pelo Meu SUS Digital

    Plataforma ‘Pode Falar’ passa a atender jovens pelo Meu SUS Digital

    O aplicativo meu SUS Digital passou a oferecer acesso direto à plataforma Pode Falar, voltada a acolhimento e orientação em saúde mental para jovens entre 13 e 24 anos. A integração — informada pelo Ministério da Saúde e divulgada pela Agência Brasil — visa facilitar o contato de usuários com um espaço de escuta qualificada dentro do ambiente digital do Sistema Único de Saúde (SUS).

    Como acessar e horários de funcionamento

    Para utilizar o serviço, o usuário deve abrir o aplicativo meu SUS Digital, disponível na App Store e no Google Play, e selecionar o miniaplicativo “Pode Falar”. O primeiro atendimento acontece via chatbot. Caso o jovem deseje ou o sistema identifique necessidade de intervenção humana, a conversa é encaminhada para um teleatendimento com profissionais ou estudantes.

    O serviço funciona de segunda a sábado, das 8h às 22h (horário de Brasília), e permite que o atendimento seja anônimo, conforme informado pelo ministério. Além do atendimento inicial, o espaço disponibiliza conteúdos simples e acessíveis sobre saúde mental para ajudar na compreensão das emoções.

    Estrutura do atendimento: chatbot, teleatendimento e conteúdos

    O fluxo de atendimento começa com um chatbot, que constitui a primeira porta de entrada. Nesse ambiente, são oferecidas informações que auxiliam o usuário a identificar e nomear sentimentos e sinais de sofrimento psíquico. Quando o caso exige, a conversa é transferida para atendimento humano, que é mais direto.

    Segundo o Ministério da Saúde, os teleatendimentos são realizados por estudantes de graduação e pós-graduação de áreas como psicologia, medicina e educação. Esses profissionais em formação atuam sob supervisão de professores, recebem formação continuada e seguem protocolos específicos para as diferentes situações apresentadas pelos usuários.

    Triagem e priorização por inteligência artificial

    A plataforma também incorpora recursos tecnológicos para identificar e priorizar situações de maior risco. Uma ferramenta de inteligência artificial analisa mensagens de usuários que aguardam atendimento e, ao detectar indícios de risco elevado, envia um alerta imediato à equipe para priorização desse atendimento, conforme detalhou a pasta.

    O ministério aponta que a presença dessa triagem automática busca agilizar a identificação de casos que demandam resposta rápida, integrando tecnologia ao fluxo de suporte e direcionamento humano quando necessário.

    Resultados atuais e metas de alcance

    Atualmente, o Pode Falar realiza uma média de 1,1 mil atendimentos por mês, de acordo com o Ministério da Saúde. Com a integração ao meu SUS Digital, a expectativa divulgada pela pasta é ampliar o alcance para cerca de 11 mil atendimentos mensais, ao facilitar o acesso e reduzir barreiras, especialmente entre jovens que ainda não buscaram atendimento presencial.

    Limites do atendimento e encaminhamento para serviços presenciais

    O ministério enfatiza que o serviço digital é uma porta de acolhimento, mas que, quando o sofrimento psíquico se torna persistente, prejudica a rotina, estudos, trabalho ou relações, ou em situações de crise, é importante buscar atendimento presencial. A assistência no SUS é organizada de forma integral: a atenção primária, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), é o ponto de entrada, e, quando necessário, há encaminhamento para atenção especializada com continuidade do cuidado.

    A parceria por trás do projeto envolve o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), com o objetivo de fortalecer o cuidado em saúde mental dentro do SUS, conforme informado pelo ministério e registrado pela Agência Brasil.

    Em síntese, a integração do Pode Falar ao meu SUS Digital amplia as opções de escuta e orientação para jovens, combinando atendimento automatizado, suporte humano supervisionado e recursos de tecnologia para priorização de risco, mantendo como referência a rede presencial do SUS quando o caso exigir intervenção continuada.

  • Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais destaca prevenção, testagem e tratamento durante Julho Amarelo

    Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais destaca prevenção, testagem e tratamento durante Julho Amarelo

    O Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, celebrado em 28 de julho, marca o ponto alto da campanha nacional Julho Amarelo, criada no Brasil pela Lei nº 13.802/2019 para estimular a prevenção, o diagnóstico e o tratamento dessas doenças. As hepatites virais provocam inflamação do fígado e, conforme o tipo de vírus — A, B, C, D (Delta) e E — apresentam formas distintas de transmissão e manejo clínico.

    Doença silenciosa e riscos de complicações

    Especialistas alertam que muitas infecções por hepatites avançam sem sintomas por longos períodos. Adriano Moraes, hepatologista e diretor da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) e da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), ressalta que “o fígado sofre em silêncio”: a organ pode manter função apesar de inflamação, o que dificulta a identificação precoce sem exames.

    Quando surgem sinais, costumam indicar estágio mais avançado: pele e olhos amarelados, urina escura, fezes claras, dor abdominal e coceira. Se não tratadas, as hepatites virais podem se tornar crônicas e evoluir para cirrose e câncer de fígado — especialmente no caso da hepatite B, cujo risco de câncer é maior em pacientes com cirrose. A SBH informa que pacientes não tratados podem evoluir para cronicidade em 30% a 40% dos casos ao longo da vida.

    Vacinação, testagem e medidas de prevenção

    A SBH e outras entidades médicas enfatizam três frentes de ação: vacinação, testagem e cuidados comportamentais/higiênicos. A vacinação contra hepatite B é recomendada para toda a população, com foco especial em profissionais de saúde, pessoas com múltiplos parceiros sexuais, pessoas que convivem com HIV, renais crônicos e imunodeprimidos. A vacina contra hepatite A é indicada em crianças, homens que fazem sexo com homens e viajantes para áreas endêmicas.

    Entre as recomendações práticas estão evitar o compartilhamento de itens pessoais e objetos perfurocortantes e o uso contínuo de preservativos nas relações sexuais, especialmente para reduzir a transmissão da hepatite B. “Nunca compartilhar agulhas, seringas, alicates, lâminas de barbear ou escovas de dentes” é uma orientação destacada por especialistas, segundo a SBH.

    Quem deve se testar e grupos prioritários

    A testagem é outro pilar da estratégia: toda pessoa deve ser testada pelo menos uma vez para hepatites B e C, com atenção especial a quem tem mais de 40 anos, segundo o hepatologista Adriano Moraes. Atestagem rápida é recomendada para públicos prioritários, entre eles:

    • pessoas que já usaram drogas injetáveis ou inaladas;
    • pessoas que convivem com HIV;
    • homens que fazem sexo com homens e pessoas com múltiplos parceiros;
    • gestantes e parceiros sexuais de pessoas com hepatite B ou C;
    • pacientes em hemodiálise, profissionais expostos a sangue, pessoas com tatuagens e piercing;
    • pessoas com alterações persistentes em enzimas hepáticas.

    A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) reforça que o pré-natal deve incluir exames para identificar hepatites B e C, pois a transmissão vertical (da mãe para o bebê na gestação ou parto) pode ser evitada com diagnóstico e medidas adequadas. O presidente da Comissão Nacional de Doenças Infectocontagiosas da Febrasgo, Regis Kreitchmann, destaca que testes simples e acessíveis no pré-natal aumentam as chances de proteção à mãe e ao recém-nascido.

    Panorama epidemiológico no Brasil

    Dados do Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025, do Ministério da Saúde, apontam 826.292 casos confirmados no país entre 2000 e 2024. Da soma das notificações, a hepatite C representou 41,5% (342.328 casos), a hepatite B 36,6% (302.351 casos) e a hepatite A 21,2% (174.977). Hepatite D teve 4.722 registros (0,6%) e hepatite E, 1.914 (0,1%).

    Por região, o Nordeste concentrou a maior proporção das infecções pelo vírus A (29,2%); o Sudeste registrou as maiores participações para os vírus B (34,0%) e C (57,7%); a Região Sul apresentou proporções de 30,9% e 27,0% (percentuais mencionados no boletim); e a Região Norte concentrou 72,4% dos casos de hepatite D. Entre 2000 e 2024, o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) identificou 49.999 óbitos por causas básicas e 45.959 por causas associadas às hepatites A, B, C e D, com distribuição percentual de óbitos de 1,5% (A), 22,0% (B), 75,3% (C) e 0,9% (D).

    Próximos passos e orientações oficiais

    O alerta do Julho Amarelo, conforme divulgado por sociedades médicas e órgãos federais, é intensificar ações de diagnóstico e tratamento precoces para reduzir inflamação hepática e as consequências a longo prazo. O Ministério da Saúde disponibiliza o Guia para Eliminação das Hepatites Virais, com diretrizes e estratégias que visam à eliminação das hepatites virais no Brasil até 2030.

    As informações e recomendações citadas neste texto foram divulgadas pela Agência Brasil e por entidades consultadas na cobertura, incluindo a Sociedade Brasileira de Hepatologia, a Federação Brasileira de Gastroenterologia, a Febrasgo e dados do Ministério da Saúde (Boletim Epidemiológico 2025) e do SIM.