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    Número de estabelecimentos da cadeia produtiva da cachaça cresce 21% e atinge 1.583 registros

    O Anuário da Cachaça, elaborado pela Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e divulgado por Agência Brasil, aponta que o Brasil tinha 1.583 estabelecimentos registrados na cadeia produtiva da cachaça no ano passado. Esse total representa um acréscimo de 272 unidades em comparação a 2024, equivalente a um crescimento de 21% — o maior desde 2018.

    Distribuição regional e municípios com mais estabelecimentos

    A concentração dos estabelecimentos está no Sudeste, que reúne 961 registros. Minas Gerais lidera entre os estados com 564 locais ligados à cadeia produtiva — que inclui produtores, padronizadores, envasadores e atacadistas — seguido por São Paulo, com 230 estabelecimentos. A Região Sul contabilizou 277 registros, impulsionada pelo Rio Grande do Sul, que tem 230 unidades.

    No Nordeste havia 211 estabelecimentos; no Centro-Oeste, 70; e no Norte, 19. No total, 844 municípios do país contavam com ao menos um estabelecimento registrado no Mapa. Entre os municípios, Salinas (MG) figurava no topo com 27 registros, seguida por Alto Rio Doce (MG) com 25, e Viçosa do Ceará com 24.

    Emprego, produtos registrados e produção

    Segundo o Anuário, a cadeia produtiva da cachaça sustentou em média 6.232 postos de trabalho em 2025, o que corresponde a 4,4% do total de empregos da indústria de fabricação de bebidas. O conjunto de estabelecimentos tinha 8.379 produtos cadastrados no Mapa.

    Contudo, o relatório assinalou uma queda no volume de produção declarado: 234,48 milhões de litros em 2025, uma redução de 15,77% frente ao ano anterior. A divergência entre o aumento no número de estabelecimentos e a queda na produção é destacada no anuário e ressaltada por entidades do setor.

    Exportações e mercado internacional

    As exportações de cachaça alcançaram quase 8 milhões de litros em 2025, avanço de 19,4% sobre 2024, segundo o Mapa. A bebida foi vendida para 76 países, e o faturamento das exportações superou os 17 milhões (valor informado no relatório).

    Os Estados Unidos foram o principal comprador em valores pagos, enquanto o Paraguai liderou em volume importado, com 1,34 milhão de litros. Em nota à imprensa, o presidente do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), Vicente Bastos, afirmou que, apesar do crescimento, a exportação da bebida “continua em um patamar pouco expressivo, especialmente quando consideramos o tamanho do setor e o mercado internacional de destilados.”

    Regulação, segurança e alerta sobre bebidas adulteradas

    O Mapa lembra que é ilegal produzir e comercializar aguardente sem registro junto ao ministério. A orientação às pessoas é consumir apenas produtos que trazem no rótulo o número de registro no Mapa, pois itens sem cadastro podem ter origem clandestina.

    O anuário também recorda episódios de adulteração: entre setembro e dezembro de 2025 foram registrados dezenas de casos de mistura e adulteração de destilados com metanol. O consumo de bebidas adulteradas pode provocar intoxicação grave, com riscos de cegueira irreversível, falência renal e morte, e deve ser tratado como emergência médica, sem tentativa de atendimento domiciliar.

    O Ministério da Saúde informa que não existe quantidade segura para o consumo de qualquer bebida alcoólica. Para pessoas com dependência, há tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), disponível nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS AD) e nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

    Os dados e informações desta matéria foram extraídos do Anuário da Cachaça do Ministério da Agricultura e Pecuária e da reportagens da Agência Brasil.