Tag: liberdade de imprensa

  • Fenaj pede ao STF revisão da decisão que aboliu exigência de diploma para jornalistas

    Fenaj pede ao STF revisão da decisão que aboliu exigência de diploma para jornalistas

    A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) pediu nesta terça-feira (18) ao Supremo Tribunal Federal (STF) que reavalie a decisão tomada em 2009, que declarou inconstitucional a exigência de diploma de nível superior para o exercício da profissão de jornalista. A solicitação foi divulgada em publicações da entidade nas redes sociais e em posições públicas de sua presidente, Samira de Castro.

    Argumentos da Fenaj

    Samira de Castro afirmou que a revogação da exigência de formação “envelheceu mal” e que o ambiente digital atual demanda um padrão maior de qualidade técnica e responsabilidade ética. Segundo a presidente da Fenaj, “jornalismo não é só produzir conteúdo ou simplesmente emitir opinião. Jornalismo é uma atividade que precisa de formação específica, de compromisso ético e de qualificação técnica”.

    A entidade colocou-se disponível para colaborar na rediscussão do tema, mencionando duas vias: a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 206/2012 — conhecida como PEC do Diploma —, que tramita na Câmara dos Deputados, ou uma revisão da decisão do próprio STF. A Fenaj já vinha alertando, segundo sua presidente, sobre os danos dessa decisão à sociedade brasileira.

    Debate no STF

    O pedido da Fenaj surge no mesmo dia em que ministros do STF manifestaram a necessidade de reavaliar a dispensa do diploma. Durante sessão da Primeira Turma, que julgou um caso de direito de resposta envolvendo a TV Globo e uma clínica médica citada em reportagem sobre assédio sexual, o ministro Flávio Dino afirmou que a decisão de 2009 complicou julgamentos relacionados à liberdade de imprensa. Dino disse que “a extensão automática desse regime de garantias a qualquer blogueiro pode levar a que o PCC e o Comando Vermelho façam um concurso para selecionar blogueiros”.

    O ministro Alexandre de Moraes defendeu a regulamentação da profissão e afirmou que o direito constitucional à liberdade de imprensa não pode ser invocado por usuários das redes sociais para cometer crimes contra a honra ou atos de desinformação. Moraes observou: “Hoje, com as redes sociais, qualquer pessoa acorda e diz a partir de hoje eu sou jornalista e começa a ofender a honra de inúmeras pessoas e se escudar da liberdade de imprensa”.

    Histórico jurídico e legislativo

    Em 2009, o STF decidiu que a exigência de diploma e de registro profissional prevista no Decreto-Lei 972/1969 não foi recepcionada pela Constituição de 1988, tornando inconstitucional a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo. Na ocasião, a Corte entendeu, por maioria de votos, que as normas do decreto não subsistiam após a Constituição.

    Paralelamente ao debate judicial, a PEC 206/2012, que retoma a exigência de diploma de curso superior em Jornalismo, foi aprovada pelo Senado em 2012 e passou pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara em 2013. O texto consta como pronto para pauta no plenário da Câmara, mas nunca chegou a ser incluído em votação. Por se tratar de emenda constitucional, a proposta precisa ser aprovada em dois turnos, com ao menos 308 votos favoráveis entre os 513 deputados.

    O texto da PEC prevê que a profissão seria privativa de quem possuir diploma de curso superior em Jornalismo, mas inclui exceções, como colaboradores que produzem trabalhos de natureza técnica, científica ou cultural, profissionais que já exercessem a atividade quando a emenda fosse promulgada, e jornalistas provisionados com registro profissional regular.

    Contexto adicional e críticas à Corte

    O debate sobre a dispensa do diploma ocorre em um momento de controvérsia envolvendo decisões do STF referentes a quebras de sigilo e identificação de fontes. A Fenaj e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) manifestaram preocupação com uma decisão do ministro Alexandre de Moraes que permitiu a identificação da fonte de um jornalista maranhense, Luís Pablo, responsável por denúncias sobre suposto uso irregular de veículos oficiais do ex-governador Flávio Dino. Segundo Moraes, as informações da fonte teriam sido obtidas a partir do monitoramento ilegal da rotina de Dino e de familiares em São Luís.

    A Fenaj considera importantes as falas de Dino e Moraes e reafirma que está pronta para participar da discussão, seja por meio da tramitação da PEC do Diploma na Câmara, que está parada há anos, seja por eventual revisão da decisão do STF, conforme declaração da presidente da entidade.

    Fonte: Agência Brasil.

  • Ministros do STF Flávio Dino e Alexandre de Moraes defendem rediscussão da dispensa do diploma de jornalismo

    Ministros do STF Flávio Dino e Alexandre de Moraes defendem rediscussão da dispensa do diploma de jornalismo

    Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino e Alexandre de Moraes propuseram, em sessão da Primeira Turma nesta terça-feira (18), a reabertura do debate sobre a decisão da Corte de 2009 que afastou a exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão. A discussão ocorreu no julgamento de um pedido de direito de resposta envolvendo a TV Globo e uma clínica médica mencionada em reportagem sobre assédio sexual, segundo informações da Agência Brasil.

    Argumentos dos ministros na Primeira Turma

    Flávio Dino afirmou que a decisão de 2009, ao dispensar o diploma, acabou por complicar análises posteriores sobre liberdade de imprensa. Em sua manifestação, o ministro alertou para a extensão indiscriminada das garantias reconhecidas pelo STF a usuários de plataformas digitais, citando como exemplo a possibilidade de grupos criminosos se valerem desse entendimento para recrutar pessoas que atuem como produtores de conteúdo.

    Alexandre de Moraes, por sua vez, defendeu a regulamentação da profissão de jornalista. Moraes afirmou que o direito constitucional à liberdade de imprensa não pode servir de escudo para quem, nas redes sociais, comete crimes contra a honra ou propaga desinformação. Segundo ele, a facilidade com que alguém se autodeclara jornalista nas redes agrava problemas relacionados a ataques pessoais e notícias falsas.

    O que decidiu o STF em 2009

    Em 2009, o STF decidiu, por maioria, que a exigência do diploma de jornalismo e do registro profissional para o exercício da profissão era inconstitucional. Naquela ocasião, a Corte entendeu que o Decreto-Lei 972/1969 — que estabelecia regras para o exercício da atividade, incluindo a obrigatoriedade de registro no Ministério do Trabalho e a exigência de diploma de curso superior em jornalismo — não foi recepcionado pela Constituição de 1988. Esse é o marco jurídico que os ministros passaram a questionar durante a sessão desta terça.

    Contexto atual e repercussões

    A rediscussão proposta pelos ministros surge em um momento de controvérsia pública acerca de decisões recentes do STF. A Corte tem sido criticada por autorizar medidas de quebra de sigilo relacionadas ao blogueiro maranhense Luís Pablo, conforme registrado pela Agência Brasil. Além disso, órgãos representativos da categoria jornalística manifestaram preocupação.

    Na semana anterior, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) demonstraram apreensão com decisão do ministro Alexandre de Moraes que permitiu a identificação da fonte de um jornalista. A identificação decorre de investigações sobre denúncias referentes ao suposto uso irregular de veículos oficiais pelo ministro Flávio Dino; Moraes afirmou que as informações da fonte teriam sido obtidas por meio de monitoramento ilegal da rotina de Dino e de seus familiares em São Luís.

    Implicações para liberdade de imprensa e redes sociais

    As manifestações dos ministros apontam para um debate mais amplo sobre como regular a profissão jornalística na era das redes sociais, sem, contudo, que a discussão avance nesta sessão para decisões finais sobre norma ou legislação. O ponto central levantado por Dino e Moraes foi a tensão entre garantir liberdade de expressão e evitar que estruturas de proteção sejam usadas para práticas ilegais ou difamatórias online.

    As informações acima foram divulgadas pela Agência Brasil.

  • ABI lança edição especial ao lembrar 50 anos do atentado contra sua sede durante a ditadura

    ABI lança edição especial ao lembrar 50 anos do atentado contra sua sede durante a ditadura

    Na próxima quarta-feira, 19 de agosto, completa-se meio século do atentado à sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), ocorrido em 1976. Para marcar a data, a ABI publicou neste sábado (15 de agosto de 2026) uma edição especial do seu boletim, reunindo documentos da época, fotografias e relatórios confidenciais que mostram o contexto de violência política em que o ataque ocorreu, segundo informações da Agência Brasil.

    O ataque e seus efeitos imediatos

    A explosão aconteceu no sétimo andar do prédio da ABI, localizado no número 71 da Rua Araújo Porto Alegre, no centro do Rio de Janeiro. O artefato destruiu dois banheiros próximos à sala da presidência da entidade e provocou danos em salas vizinhas, no sistema de elevadores e em outros dois andares do edifício de 13 pavimentos, inaugurado em 1938. Não houve registro de feridos.

    Um panfleto deixado no local identificou a autoria: o grupo paramilitar de extrema-direita Aliança Anticomunista Brasileira (AAB). No material, a organização acusava a ABI de estar “totalmente dominada pelos comunistas” e anunciava que o ataque constituiu a “primeira advertência”, conforme relato da associação.

    Fontes e acervo da publicação

    A edição especial do Boletim da ABI foi organizada pelo conselheiro Geraldo Cantarino e tem como base, entre outras fontes, a edição do boletim produzida logo após o atentado, em julho-agosto de 1976. A publicação também incorpora documentos produzidos por órgãos de informação da ditadura, incluindo um informe confidencial do Serviço Nacional de Informações (SNI) de setembro de 1976, disponibilizado pelo projeto Memórias Reveladas do Arquivo Nacional.

    Segundo a ABI, o informe do SNI evidencia o alto nível de detalhamento com que os órgãos de segurança monitoravam acontecimentos, reuniões e deslocamentos da entidade naquela época. “Esse registro ajuda a dimensionar o aparato de vigilância política que atuava naquele período”, afirma a associação, citada na matéria da Agência Brasil.

    Outros atentados e contexto político

    A publicação da ABI lembra que o atentado contra sua sede não foi um caso isolado. No mesmo dia, uma bomba atribuída à AAB foi colocada na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), no Rio de Janeiro, mas não chegou a explodir devido a uma falha no mecanismo de detonação.

    Na madrugada seguinte, 20 de agosto, coquetéis molotov foram atirados contra a 1ª Auditoria da 3ª Circunscrição Militar, em Porto Alegre, causando princípio de incêndio. Pouco mais de duas semanas depois, em 4 de setembro de 1976, uma bomba caseira explodiu no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), em São Paulo. O Jornal do Brasil registrou que, entre agosto e novembro daquele ano, ocorreram nove atentados no Rio de Janeiro, sendo oito deles reivindicados pela AAB.

    A publicação contextualiza ainda o pano de fundo político: naquele período o país vivia um processo de “distensão” da ditadura militar, defendida pelo então presidente Ernesto Geisel como uma abertura “lenta, gradual e segura”; grupos radicais de extrema-direita reagiam a essas perspectivas de afrouxamento do regime, de acordo com a ABI.

    Memória, imprensa e vigilância democrática

    A edição especial traz fotografias das áreas atingidas no prédio e relata que o endereço permanece até hoje como sede da ABI. A associação destaca o papel da imprensa livre na resistência a regimes autoritários e a necessidade de vigilância contínua contra a censura e a violência política.

    O atual presidente da ABI, Octávio Costa, enfatiza que, ao defender a liberdade de imprensa e os direitos humanos, a entidade também se tornou alvo de grupos intolerantes. Em comunicado citado pela Agência Brasil, ele conclui que “A Casa do Jornalista permanecerá vigilante diante de qualquer ameaça ao Estado Democrático de Direito”.

    Comemoração dos 50 anos

    Na tarde de 19 de agosto, às 17h, a ABI fará um ato no próprio sétimo andar do prédio em memória do atentado. Durante a cerimônia será colocada uma placa com uma frase de repúdio ao terrorismo e em defesa da democracia, segundo a associação.

  • Fenaj e Abraji criticam medidas que teriam identificado fonte de jornalista no Maranhão

    Fenaj e Abraji criticam medidas que teriam identificado fonte de jornalista no Maranhão

    Organizações representativas do jornalismo brasileiro reagiram às medidas tomadas no âmbito de uma investigação da Polícia Federal que, segundo elas, teriam revelado a identidade da fonte do repórter Luís Pablo, do Maranhão. A apuração federal apura supostas irregularidades relacionadas ao monitoramento de um ministro do Supremo Tribunal Federal e de seus familiares.

    O caso e as medidas adotadas

    A investigação da Polícia Federal, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, apura suspeitas de acesso indevido a dados sigilosos e possível repasse dessas informações a jornalistas que publicaram reportagens sobre o ministro investigado. Entre os alvos da operação está o ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão, apontado pelas autoridades como uma das possíveis fontes das reportagens.

    Fontes oficiais relataram que a operação incluiu apreensão de equipamentos e acesso a comunicações, ações que, segundo as entidades jornalísticas, teriam permitido identificar interlocutores do jornalista.

    Reações das entidades de imprensa

    A Abraji classificou como violação a identificação da fonte jornalística e afirmou que medidas dessa natureza colocam em risco o exercício do jornalismo e a proteção constitucional do sigilo de fonte. A associação ressaltou que eventuais investigações sobre a origem de informações devem respeitar garantias constitucionais que protegem a atividade jornalística.

    Em nota conjunta, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Maranhão (Sindjor-MA) também manifestaram preocupação. As entidades solicitaram esclarecimentos públicos sobre os critérios que embasaram o acesso às comunicações do profissional e pediram garantias de que nenhum outro informante será identificado ou perseguido em razão do material apreendido.

    Pedidos específicos e proteção de material

    O Sindjor-MA e a Fenaj pediram que os equipamentos jornalísticos sejam preservados sob sigilo e que haja transparência quanto às medidas adotadas. Em suas solicitações, as entidades exigiram:

    • Esclarecimentos formais sobre os critérios que autorizaram o acesso às comunicações do jornalista;
    • Garantia de que nenhum outro informante será identificado ou perseguido a partir do material apreendido;
    • Preservação integral dos equipamentos jornalísticos sob sigilo.

    Posicionamentos de autoridades

    O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, declarou, em manifestação sobre o caso, o compromisso da Corte com a liberdade de imprensa e com o direito dos jornalistas ao sigilo de fonte, indicando que o tema deverá ser objeto de debate no plenário do tribunal.

    O ministro Alexandre de Moraes, que autorizou as medidas da Polícia Federal, afirmou que a investigação não tem como objetivo impedir ou criminalizar o exercício jornalístico. Segundo ele, a apuração busca apurar suspeitas relacionadas ao acesso e à divulgação de informações sigilosas.

    Implicações e próximos passos

    As entidades jornalísticas e autoridades anunciam continuidade do diálogo público sobre o episódio. As solicitações de esclarecimento da Fenaj e do Sindjor-MA aguardam resposta formal das autoridades competentes. O plenário do STF foi apontado como instância onde a questão da proteção da fonte jornalística poderá ser debatida.

    Os fatos e as reações relatados nesta matéria foram divulgados pela Agência Brasil.