Tag: Lei Maria da Penha

  • OAB-DF lança Violentômetro Jurídico para orientar identificação e prevenção da violência contra mulheres

    OAB-DF lança Violentômetro Jurídico para orientar identificação e prevenção da violência contra mulheres

    A Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF) lançou, no dia 7 de agosto de 2026, o Violentômetro Jurídico. A ferramenta tem objetivo de orientar mulheres e pessoas próximas a elas sobre os sinais precoces e a escalada da violência, classificando as condutas em três estágios que vão desde comportamentos de controle e humilhação até agressões físicas graves.

    O que é o Violentômetro Jurídico

    O material apresentado pela OAB-DF organiza as formas de violência em três níveis: “Fique Atenta”, “Proteja‑se” e “Fuja”. No primeiro estágio são apontados indícios de violência psicológica e moral — como humilhação pública, vigilância sobre vestimenta e controle de redes sociais — e os sentimentos que normalmente acompanham essas experiências.

    No estágio intermediário aparecem formas como violência patrimonial e chantagem emocional ou sexual, que representam um avanço no controle e na limitação da autonomia da vítima. No terceiro nível, classificado como mais grave, estão a violência física direta, o abuso sexual, ameaças com armas e tentativas de homicídio.

    Segundo a diretora de Mulheres da OAB/DF, Nildete Santana de Oliveira, a proposta é ajudar mulheres a reconhecer atos que nem sempre são identificados como violência. A seccional descreve o conteúdo como instrumento de prevenção e de empoderamento para que mulheres busquem apoio antes que a situação se agrave.

    Reconhecimento institucional e dados sobre feminicídio

    O lançamento ocorreu no seminário “20 anos da Lei Maria da Penha: Inovações Legislativas, Desafios e Novos Horizontes”, evento que marcou as duas décadas da Lei nº 11.340/2006.

    Na ocasião, a OAB-DF recebeu o selo “Nós Por Elas”, concedido pelo instituto homônimo, que reconhece organizações comprometidas em criar ambientes mais seguros e inclusivos para mulheres, em especial aquelas em situação de violência doméstica e familiar.

    A reportagem da Agência Brasil citou dados nacionais de 2025, quando foram registradas 1.571 vítimas de feminicídio — o maior número desde o início da série histórica em 2015 — e informou que no Distrito Federal ocorreram 29 casos. A promotora do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), Cláudia Braga Núñez, afirmou que o índice de reconhecimento de homicídios como feminicídio no DF é superior à média nacional devido a um protocolo da Polícia Civil que investiga mortes de mulheres sob a perspectiva de gênero. Ela informou que, enquanto a média nacional de classificação como feminicídio gira em torno de 40%, no DF esse percentual chega a 60%, o que, segundo ela, indica menor subnotificação local e atuação institucional mais integrada.

    Serviços de apoio e caminhos para denúncia

    O material e os participantes do seminário destacaram serviços e canais de atendimento disponíveis para mulheres em situação de violência. A Central de Atendimento à Mulher funciona pelo número 180, que forneçe informações sobre direitos e indica serviços de apoio próximos, além de receber e encaminhar denúncias.

    Também é possível registrar ocorrência em qualquer delegacia de polícia e pedir medidas protetivas de urgência. Em casos de emergência ou risco imediato deve ser acionado o telefone 190 da Polícia Militar do Distrito Federal.

    A Patrulha Maria da Penha, serviço operacional em polícias militares de diversos estados e municípios, acompanha mulheres com medidas protetivas, realiza visitas periódicas e verifica o cumprimento das determinações judiciais. O DF tem, segundo a OAB-DF, fortalecimento do atendimento por meio das Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (DEAMs), equipes multidisciplinares com psicólogos e assistentes sociais e a Casa da Mulher Brasileira.

    Atualmente há 13 Casas da Mulher Brasileira em funcionamento no país, que reúnem diferentes serviços especializados em um único espaço. O Ministério das Mulheres contabiliza outras 38 unidades em estágios variados de obras ou contratação por gestores estaduais e municipais.

    Ao encerrar o seminário, a presidente da Comissão de Combate à Violência Doméstica e Familiar da OAB/DF, Isabelle Duarte, ressaltou a necessidade de continuar a educação da população sobre direitos e formas de violência. Para ela, a legislação é reconhecida internacionalmente, mas o enfrentamento depende também de mudanças estruturais e de maior conhecimento público sobre quando procurar ajuda.

  • Fachin afirma que críticas fortalecem a democracia e expõe prioridades do STF para o segundo semestre

    Fachin afirma que críticas fortalecem a democracia e expõe prioridades do STF para o segundo semestre

    O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, afirmou nesta segunda-feira (3) que a Corte permanece aberta às críticas da opinião pública e que tais contestações, quando exercidas dentro dos limites republicanos, contribuem para o fortalecimento da instituição e da democracia. O pronunciamento foi feito na abertura da sessão que marcou a retomada dos trabalhos do segundo semestre, após o recesso de julho.

    Críticas como parte do debate público

    Na avaliação do presidente do tribunal, é natural que decisões de um tribunal constitucional que decide diariamente sobre temas de grande repercussão social sejam objeto de debate, análise e, por vezes, de contestação. Fachin ressaltou que a força institucional do STF está em sua capacidade de conviver com a crítica sem perder a autonomia para exercer suas funções.

    Ao apontar essa relação entre críticas e legitimidade, o ministro destacou que a existência de tensão entre decisões judiciais e opinião pública não necessariamente diminui o prestígio da Corte. Pelo contrário, quando a crítica se mantém dentro de marcos republicanos, ela contribui para o aperfeiçoamento das instituições democráticas.

    Desafios apontados pelo presidente

    Fachin reconheceu que a Corte enfrenta tarefas a serem superadas e listou, durante a abertura da sessão, alguns pontos que vão orientar os esforços do Supremo para o segundo semestre. Entre eles, mencionou a duração dos processos, a necessidade de maior clareza na comunicação das decisões e a importância de manter um diálogo permanente com a sociedade e com os demais Poderes.

    Esses desafios foram apresentados como responsáveis por orientar o trabalho do tribunal nos próximos meses, sem que o ministro tenha detalhado, na declaração registrada, medidas específicas ou prazos para implementação de mudanças.

    Agenda do plenário para o mês

    A sessão desta segunda-feira também trouxe, além do pronunciamento de Fachin, a indicação de temas que o plenário deve julgar neste mês. Entre os casos destacados estão: o alcance das medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha para episódios de violência que ocorram fora do contexto doméstico; a retomada do julgamento que vai definir as regras para as eleições de mandato-tampão para o governo do Rio de Janeiro; e a análise da constitucionalidade de decisões da Justiça do Trabalho que reconhecem vínculo de emprego entre motoristas e plataformas de transporte de passageiros, tema frequentemente referido como “uberização”.

    O ministro não detalhou a ordem dos processos nem forneceu cronograma de sessões além da indicação de que esses temas constam da pauta a ser apreciada pelo plenário ainda neste mês.

    Persistência de temas sensíveis

    Os assuntos previstos para julgamento envolvem debates de repercussão social e política. A extensão das medidas protetivas da Lei Maria da Penha para situações fora do âmbito doméstico envolve interpretação de dispositivos legais voltados à proteção de vítimas de violência; o caso relativo ao mandato-tampão no Rio de Janeiro trata de normas eleitorais que precisam ser definidas pelo tribunal; e a discussão sobre o reconhecimento de vínculo empregatício entre motoristas e plataformas coloca em foco a legislação trabalhista aplicada a modelos de trabalho por aplicativos.

    Fachin encerrou suas considerações reafirmando que os desafios apontados não se esgotam e que permanecerão a orientar o trabalho do Supremo no segundo semestre. As declarações do presidente foram registradas pela Agência Brasil.

    Fonte: Agência Brasil

  • Governo regulamenta programa de monitoramento eletrônico para proteção de mulheres

    Governo regulamenta programa de monitoramento eletrônico para proteção de mulheres

    O governo federal regulamentou, por meio de decreto publicado no Diário Oficial da União em 31 de julho de 2026, o Programa Alerta Mulher Segura, que institui o monitoramento eletrônico de autores de violência doméstica como medida protetiva de urgência. A iniciativa regulamenta dispositivo da Lei Maria da Penha que autoriza o uso de tecnologias de rastreamento para reduzir riscos às mulheres vítimas de violência (Agência Brasil).

    Como funciona o sistema de proteção

    O programa prevê duas frentes principais: o monitoramento eletrônico do agressor e a disponibilização de unidade portátil de rastreamento para a vítima. O equipamento oferecido à mulher permitirá o recebimento de alertas automáticos quando houver descumprimento da distância mínima determinada pela Justiça, além de possibilitar o acionamento imediato das forças de segurança em situações de risco, segundo o decreto (Agência Brasil).

    Estrutura técnica prevista

    O modelo de referência do programa será formado por três tipos de unidade: Centrais de Monitoração Eletrônica, Núcleos Regionais de Monitoração Eletrônica e Polos de Monitoração Eletrônica. As centrais terão a responsabilidade pela coordenação técnica, pelo acompanhamento das pessoas monitoradas e pelo monitoramento geoespacial das medidas protetivas.

    Os núcleos regionais atuarão de forma descentralizada nas microrregiões, enquanto os polos serão utilizados para instalação, manutenção e retirada dos equipamentos. Esses polos poderão funcionar em delegacias ou em outras unidades que os governos estaduais definirem (Agência Brasil).

    Implementação, competências e voluntariedade

    A implementação do programa será articulada entre órgãos responsáveis pela monitoração eletrônica, forças de segurança pública, sistema de justiça e redes de enfrentamento à violência contra a mulher. A execução caberá aos estados e ao Distrito Federal, que poderão adotar modelos próprios de organização desde que garantam a proteção das vítimas e o acompanhamento adequado dos agressores monitorados (Agência Brasil).

    A adesão ao dispositivo de rastreamento pela vítima é voluntária e depende de consentimento expresso e informado. O decreto determina que o equipamento deve ser entregue de forma imediata, sempre que possível já no primeiro contato com a autoridade responsável pelo atendimento (Agência Brasil).

    Dados, análise e tratamento de alertas

    O monitoramento será feito por meio de um programa informatizado capaz de registrar, processar e consolidar informações sobre as medidas protetivas. O sistema também deverá permitir a produção de estatísticas desagregadas por raça, etnia, deficiência e outras situações de vulnerabilidade, com o objetivo de subsidiar o aperfeiçoamento das políticas públicas de enfrentamento à violência doméstica, conforme o texto do decreto (Agência Brasil).

    O decreto ressalta que eventuais alertas emitidos pelo sistema não serão automaticamente considerados como descumprimento da medida protetiva. Cada ocorrência deverá passar por análise técnica e contextualizada pelas equipes responsáveis, evitando o enquadramento automático de situações sem apuração (Agência Brasil).

    Financiamento e normas complementares

    As ações do programa serão financiadas com recursos do Ministério da Justiça e Segurança Pública, incluindo verbas do Fundo Nacional de Segurança Pública e do Fundo Penitenciário Nacional, além de recursos próprios dos estados e do Distrito Federal. O ministério poderá editar normas complementares para orientar a execução da iniciativa (Agência Brasil).

    O decreto formaliza uma alternativa tecnológica prevista na Lei Maria da Penha, ao mesmo tempo em que enfatiza a articulação entre entes federativos e a necessidade de análise técnica das ocorrências. As providências concretas sobre cronogramas, abrangência e modelos estaduais dependem da organização e da execução pelos governos locais, conforme a regulamentação publicada.

    Fonte: Agência Brasil.