Tag: Instituto Motiva

  • Projeto leva moradores de Águas Claras ao Pelourinho e amplia acesso a equipamentos culturais em Salvador

    Projeto leva moradores de Águas Claras ao Pelourinho e amplia acesso a equipamentos culturais em Salvador

    Segundo reportagem da Agência Brasil, moradores da comunidade de Águas Claras, em Salvador, participaram no sábado (8) de visitas ao centro histórico e à Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), muitas vezes pela primeira vez. O deslocamento foi realizado pelo Circuito Cultural, projeto do Instituto Motiva que organiza visitas gratuitas a equipamentos culturais.

    Experiências e impacto pessoal

    Entre os visitantes estava um grupo de mulheres com mais de 60 anos que frequentam a Biblioteca Comunitária Condor Literário. Uma das participantes relatou que passou por um quadro de depressão e, desde que começou a frequentar a biblioteca, passou a participar de atividades como boxe, capoeira e dança. Para ela, a ida ao Pelourinho e aos museus representou uma ampliação de referências culturais e uma experiência inédita.

    Outra moradora, acompanhada dos três filhos, também visitou o Muncab pela primeira vez. Ela afirmou que raramente consegue organizar roteiros culturais para as crianças devido a dificuldades práticas, como transporte, e valorizou a oportunidade de apresentar às crianças elementos da memória e identidade local.

    Barreiras de acesso e contexto comunitário

    Aline Dias, articuladora territorial de Águas Claras, explicou que a comunidade tem forte dinâmica interna e, por muito tempo, ficou à margem das ações da cidade. Apesar de iniciativas locais — como a biblioteca comunitária —, ela defende que políticas públicas e investimentos são necessários para ampliar o alcance das práticas culturais e dar visibilidade ao que já é produzido na comunidade.

    O bairro de Águas Claras fica a cerca de 25 minutos do centro histórico de Salvador, segundo a reportagem, e vem observando mudanças na mobilidade e no comportamento dos moradores com a chegada do metrô e a construção de uma rodoviária, o que facilita a realização de ações sociais e culturais fora do território.

    Circuito Cultural e objetivos do projeto

    O Circuito Cultural, idealizado pelo Instituto Motiva, tem como objetivo aumentar o acesso à cultura para estudantes da rede pública e participantes de organizações sociais, promovendo visitas a instituições em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. Segundo representantes do instituto citados pela reportagem, a iniciativa nasceu diante do quadro de desigualdade no acesso a equipamentos culturais no Brasil.

    Ariane Teles, especialista do Instituto Motiva, afirmou que o projeto busca, em primeiro lugar, quebrar a barreira de acesso, e, em segundo, utilizar a cultura como ferramenta de transformação social, educação e ampliação de repertório.

    Dados sobre consumo cultural no Brasil

    Para contextualizar a iniciativa, a reportagem citou dados de pesquisas que mostram baixa participação da população em atividades culturais: levantamento do IBGE indica que menos de um terço dos municípios brasileiros dispõe de museus, enquanto a pesquisa Hábitos Culturais 2025, realizada pelo Observatório Fundação Itaú, mostrou que apenas 16% dos brasileiros visitaram um museu nos últimos 12 meses e 13% participaram de festivais literários.

    Esses números foram apresentados pelo Instituto Motiva como justificativa para ampliar programas que levem público a espaços culturais e fomentem repertórios mais inclusivos e representativos.

    Próximos passos e necessidades apontadas

    Organizadores e articuladores locais destacam que a ação foi uma oportunidade importante, mas que é preciso ampliar a escala dessas iniciativas e pensar políticas públicas que valorizem a produção cultural nas comunidades. Aline Dias ressaltou que as pessoas de Águas Claras querem tanto levar cultura para suas localidades quanto participar de atividades fora do território.

    A reportagem da Agência Brasil registra ainda que a repórter e a fotógrafa viajaram a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flipelô 2026.

  • Pelos Olhos de Orides adapta a poesia da autora para o público infantil e é lançado na Flip

    Pelos Olhos de Orides adapta a poesia da autora para o público infantil e é lançado na Flip

    O livro Pelos Olhos de Orides (Editora Hedra) reúne poemas de Orides Fontela adaptados para o público infantil, propondo que crianças se aproximem da poesia a partir de elementos simples do cotidiano — como nuvens, pássaros, flores e até vacas — e de uma estética que estimula a contemplação.

    Uma poesia que parte do cotidiano

    A obra destaca o caráter preciso e imagético da poesia de Orides, que transforma pequenos elementos da natureza em motivos de reflexão sobre o mundo, o tempo e a espera. Segundo o organizador do volume, Augusto Massi, essa linguagem compartilha com a infância uma postura investigativa: o livro foi concebido com espaços e contrastes para incentivar perguntas e permitir múltiplas interpretações.

    Orides Fontela, lembrada por imagens como “a flor do céu” para designar uma nuvem, faleceu em 1998, aos 58 anos, logo após o lançamento de Teia, fato recordado durante o lançamento do livro na Flip.

    Lançamento na Flip: debate e recepção

    O lançamento de Pelos Olhos de Orides ocorreu em julho na Casa da Árvore, em Paraty, no âmbito da 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), onde Orides foi a autora homenageada. A celebração incluiu mesa de conversa com o organizador Augusto Massi e a ilustradora Cynthia Cruttenden, que comentaram tanto a seleção dos poemas quanto as soluções visuais do livro.

    O poeta e educador André Gravatá, que participou do evento e concedeu entrevista à Agência Brasil, destacou a capacidade das crianças de se relacionarem com a poesia como experiência concreta: citou o exemplo de uma menina que, ao escovar os dentes, disse “eu te amo” à água — uma situação que Gravatá interpretou como um poema vivido. Para ele, provocar o gosto pela literatura desde a infância ajuda a nutrir sensibilidade e a manter a disposição para o espanto.

    Ilustração e proposta visual

    O projeto gráfico e de ilustração foi apontado por Massi como “um acontecimento”. Em vez de recorrer a imagens literais, a ilustradora Cynthia Cruttenden optou por explorar formas, cores e movimentos que abrem possibilidades interpretativas: figuras com cores fortes e dinâmicas, às vezes menos definidas, que convidam a criança a procurar e inventar sentidos.

    Cynthia disse que a característica lúdica das imagens — com figuras “meio escondidas” e dualidades de leitura — é justamente o que instiga a imaginação infantil, oferecendo liberdade visual e alegria.

    Ações educativas e alcance social na Flip

    O lançamento aconteceu num contexto mais amplo de atividades educativas na Flip. A programação do evento incluiu o Circuito Cultural, que levou cerca de 270 crianças e adolescentes das comunidades locais a participar do festival. O projeto, direcionado a estudantes da rede pública e a participantes de organizações sociais, é promovido pelo Instituto Motiva e atua em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, e planeja atingir mais de 3 mil crianças e jovens ao longo do ano.

    O Programa Educativo da 24ª Flip — que engloba Flipinha, FlipZona e FlipEduca — registrou mais de 15 mil participações em atividades gratuitas realizadas em quatro dias, reunindo crianças, jovens, famílias, educadores e mediadores de leitura. Jéssica Trevisam, gerente do Instituto Motiva, afirmou que a conexão de crianças e jovens com museus e festivais amplia repertório, fortalece senso de pertencimento e contribui para a formação de cidadãs e cidadãos mais críticos e criativos.

    Perspectivas e argumentos sobre educação literária

    Autores e organizadores presentes ao lançamento defenderam a centralidade das ações educativas em eventos de literatura. Gravatá destacou que espaços educativos bem estruturados e com programação ampliada provocam relações afetivas com o livro desde a infância, e apontou cenas observadas na Flip — como uma criança abraçada a um livro — como indicativo do impacto dessas iniciativas.

    Massi ressaltou que a poesia de Orides ensina a “tecer considerações” sobre o mundo, lembrando vivências da autora, que costumava passear e pescar com o pai em silêncio — prática que, segundo ele, aguça a escuta dos sons do ambiente natural sem tom de denúncia, conferindo ao livro uma dimensão ecológica percebida em sua leitura.

    As informações sobre o livro e os depoimentos citados foram apurados pela Agência Brasil durante a cobertura da Flip. A equipe de reportagem viajou a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flip 2026, conforme nota da Agência Brasil.