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  • Governo pede ao presidente do Senado instalação de comissão para analisar MP que zerou imposto sobre compras online de até US$ 50

    Governo pede ao presidente do Senado instalação de comissão para analisar MP que zerou imposto sobre compras online de até US$ 50

    O governo federal informou que pedirá oficialmente ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que determine a instalação da comissão mista responsável por analisar a medida provisória 1357/2026, que zerou o Imposto de Importação de 20% sobre compras pela internet de até US$ 50. A comunicação foi anunciada pelo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães.

    Prazo e preocupação com perda de validade

    A MP, editada em maio de 2026, precisa receber aprovação da Câmara e do Senado até o dia 8 de setembro para não caducar. O governo demonstrou preocupação com a possibilidade de a medida perder eficácia diante da agenda do Congresso, que marcou sessões de “esforço concentrado” em apenas duas semanas antes das eleições — a última sessão prevista entre 31 de julho e 4 de setembro — o que reduziria janelas de deliberação.

    Pedido ao Senado e prioridade do Executivo

    Segundo a Agência Brasil, o ministro José Guimarães afirmou que solicitará a Alcolumbre a instalação de todas as comissões mistas necessárias para apreciação das medidas provisórias enviadas pelo Executivo, ressaltando como prioridade a comissão que analisará a MP 1357/2026. Em publicação em rede social citada pela reportagem, Guimarães declarou: “É nossa prioridade a instalação da comissão mista e trabalhar pela sua rápida aprovação, fazendo valer a Medida Provisória assinada pelo presidente Lula”.

    A assessoria do senador Davi Alcolumbre foi procurada pela Agência Brasil, mas não se manifestou sobre a instalação da comissão para essa medida provisória.

    Contestações e tramitação paralela

    A MP enfrenta questionamentos de setores empresariais. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) ingressou no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a norma, argumentando que o texto viola princípios constitucionais e favorece concorrentes estrangeiros em prejuízo da indústria nacional. Em comunicado divulgado quando a medida foi editada, a CNI afirmou que a mudança constitui “uma vantagem concedida a indústrias estrangeiras em detrimento do setor produtivo nacional”, conforme reportagem da Agência Brasil.

    Paralelamente, o governo negocia com a Câmara a votação de outras propostas tidas como prioritárias. O ministro José Guimarães informou que trata com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a votação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 114/2026, que cria regras para renúncias de receita com o objetivo de mitigar impactos do aumento do preço do petróleo provocado pela guerra no Oriente Médio.

    Posições em confronto

    Enquanto a CNI sustenta que a redução do imposto prejudica a indústria nacional, o governo defende que a MP beneficia o consumo popular. O Ministério da Fazenda, citado pela Agência Brasil, afirmou que a medida só foi viabilizada após a adoção de iniciativas voltadas ao combate ao contrabando e à maior regularização do setor de compras internacionais online.

    Próximos passos e incertezas

    O governo pretende formalizar o pedido ao presidente do Senado na terça-feira, 11 de agosto, conforme informado à imprensa. A execução do plano depende agora da decisão de Alcolumbre sobre a instalação imediata das comissões mistas. Sem a instalação das comissões e a tramitação acelerada, a MP corre o risco de perder validade no prazo estabelecido.

    Até o momento da apuração da Agência Brasil, não havia manifestação da assessoria do presidente do Senado sobre a solicitação do Executivo.

    Contexto institucional

    A articulação do governo para instalação de comissões mistas e para liderar votações prioritárias reflete a necessidade de aprovar medidas em um calendário legislativo considerado apertado pela própria administração. A matéria provisória e o PLP 114/2026 figuram entre as iniciativas citadas como essenciais pelo Executivo para equilibrar medidas de estímulo ao consumo e atenuação de efeitos externos na economia.

    Reportagem: Agência Brasil.

  • Manifestantes ocupam ruas em diversas cidades por votação do “PL da Misoginia”

    Manifestantes ocupam ruas em diversas cidades por votação do “PL da Misoginia”

    Organizações do movimento feminista e apoiadores realizaram neste domingo (2) ações em cidades do Norte ao Sul do país para pressionar a Câmara dos Deputados a pautar o Projeto de Lei (PL) 896/2023, chamado por seus defensores de “PL da Misoginia”. A mobilização foi organizada pelo Levante Mulheres Vivas e ocorreu em locais públicos com faixas e cartazes pedindo a votação do texto.

    O que prevê o PL da Misoginia

    O projeto já teve aprovação no Senado e propõe a inclusão da misoginia entre os crimes considerados de discriminação e preconceito previstos na Lei 7.716/1989. Segundo o texto, atos motivados por misoginia — entendidos como práticas, induções ou incitações à violência, restrição de direitos ou ofensa à dignidade da mulher em razão de sua condição — passariam a ter penas de reclusão de dois a cinco anos.

    Além disso, a proposta inclui a condição de “mulher” no dispositivo que trata de injúria, ampliando as hipóteses em que ofensas à dignidade ou ao decoro são puníveis em razão de raça, cor, etnia e procedência nacional.

    Mobilizações em todo o país

    De acordo com o Levante Mulheres Vivas, manifestações foram registradas em capitais e municípios como Belo Horizonte, Boa Vista, Brasília, Campo Grande, Capão da Canoa (RS), Cataguases (MG), Curitiba, João Pessoa, Juazeiro (BA), Parnaíba (PI), Pelotas (RS), Ponta Grossa (PR), Rio de Janeiro, Salvador, São José (SC), São Paulo e Sorocaba (SP).

    Os organizadores ressaltaram que a mobilização partiu de pessoas que não admitem a escalada de feminicídios e o ódio contra mulheres nas redes sociais. Segundo uma das cofundadoras do Levante, Rachel Ripani, o movimento é formado majoritariamente por mulheres, mas também reúne homens e tem caráter social e amplo.

    Argumentos dos organizadores

    Para os coordenadores das ações, o objetivo do PL não é cercear opiniões, mas impedir práticas criminosas e proteger mulheres. Eles apontam preocupação com formas de violência digital que, segundo relatos do movimento, estariam ensinando e incentivando atos como estupro coletivo, uso de drogas para facilitar a violência e divulgação de nudez fabricada por sobreposição de imagens.

    Os organizadores afirmam também que houve diálogo com bancadas no Congresso para buscar um texto claro que contemple proteção contra violência digital e contribua para reduzir o feminicídio. Em entrevista, Ripani citou dúvidas iniciais levantadas por parlamentares de orientação religiosa sobre possíveis impactos do projeto sobre liberdade de expressão em púlpitos, mas disse que o trabalho tem sido para construir consenso.

    Tramitação e próximos passos

    O PL 896/2023 aguarda despacho do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para ser incluído na pauta do plenário. As sessões deliberativas da Casa tiveram retomada adiada para a semana do dia 10 de agosto, e os movimentos esperam que a matéria seja pautada logo após esse retorno.

    A reportagem da Agência Brasil procurou a assessoria do presidente da Câmara para comentar o assunto, mas não obteve resposta até a publicação; o espaço permaneceu aberto para manifestação do parlamentar, conforme informado pela agência.

    Repercussão e validade pública

    Com cartazes contendo mensagens como “Brasil sem misoginia”, “Mulheres vivas” e “Se a Câmara não ouve as mulheres, as ruas vão falar!”, os participantes buscaram visibilidade para a pauta e pressionar deputados, especialmente os que concorrem à reeleição. Organizadores trataram o período que antecede o intervalo nas sessões como uma oportunidade final para sensibilizar parlamentares sobre a urgência do tema.

    Fonte das informações: reportagem da Agência Brasil.