A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou que o ônibus de placa AKY-3454 envolvido no tombamento na descida da Serra de Petrópolis, na BR-040, não estava habilitado nos sistemas do órgão para realizar transporte interestadual de passageiros. Em nota, a ANTT afirmou: “Diante das informações disponíveis até o momento, a operação é caracterizada como transporte clandestino de passageiros” (Agência Brasil).
Trajeto, acidente e número de ocupantes
O coletivo identificado como Estrela Guia Turismo havia saído de Belo Horizonte com destino à capital Rio de Janeiro quando tombou na madrugada de domingo. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que 56 pessoas estavam a bordo, incluindo o motorista e dois ajudantes.
Registro do veículo e empresas apontadas
Segundo a ANTT, o ônibus está registrado em nome da Dinna Ellles Turismo, com comunicação de venda para a PIT Tur Transportes Ltda. “Nenhuma das duas empresas está habilitada pela ANTT”, informou o órgão regulador. A agência acrescentou que não localizou no seu sistema uma empresa habilitada com o nome Estrela Guia Turismo, apontada como responsável pela viagem.
Além disso, a ANTT disse que o ônibus apresentava um adesivo do órgão em nome da empresa Samara, que também consta como inapta. As informações constam na nota da ANTT citada pela Agência Brasil.
Vítimas, atendimentos e identificações
Autoridades confirmaram que o acidente resultou em dez óbitos. A Secretaria de Estado da Polícia Civil (Sepol) informou que nove corpos foram encaminhados ao Posto Regional de Polícia Técnico-Científica (PRPTC) de Petrópolis para perícia e já foram identificados como:
- Jhennifer Ferreira Carvalho, 33 anos
- Lavinia Eduarda Souza Dias, 7 anos
- Luciana Ferreira Carvalho, 53 anos
- Ketelyn Polyane Alves de Oliveira, 19 anos
- Keyla Perucci da Silva, 35 anos
- Priscilla de Souza Braz, 33 anos
- Natália Fimiano de Barros, 34 anos
- Dayanna de Lima Viana, 36 anos
- Vânia Elida de Jesus Crispim, 33 anos
A Sepol informou também que a décima vítima ainda não havia sido identificada no momento do comunicado (Agência Brasil).
Unidades hospitalares receberam as vítimas: o Hospital Santa Teresa, em Petrópolis, registrou 11 atendimentos, dos quais seis pacientes foram atendidos e tiveram alta e cinco permaneceram internados. A Prefeitura de Duque de Caxias informou que o Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes (HMAPN) recebeu 14 vítimas; a unidade relatou a morte de Alessandra Pereira, 34 anos, ocorrida às 7h56 durante os primeiros socorros. Do total socorrido ao HMAPN, oito receberam alta; seguem internadas duas crianças do sexo feminino em quadro estável e três adultos (duas mulheres e um homem), também em quadro estável, segundo a direção da unidade.
Posicionamentos e medidas iniciais
A Estrela Guia divulgou nota manifestando “profundo pesar pelo grave acidente ocorrido” e afirmou que presta apoio às famílias, colaborando com o translado de corpos e disponibilizando transporte para os sobreviventes conforme necessidade das famílias. Em resposta à nota da ANTT, o advogado Aroldo Leão Braz, da assessoria jurídica da Estrela Guia, informou que a empresa não fará manifestações públicas imediato e que eventuais esclarecimentos serão apresentados nos autos dos processos em que a empresa venha a participar.
As informações sobre habilitação das empresas e a classificação da operação como clandestina foram prestadas pela ANTT; dados sobre números de ocupantes e encaminhamentos hospitalares foram divulgados pela PRF, hospitais e pela Sepol, conforme reportagem da Agência Brasil.
Investigações e procedimentos periciais mencionados pela Secretaria de Estado da Polícia Civil e as comunicações sobre habilitação das empresas pela ANTT constam nas notas oficiais citadas pela Agência Brasil.

