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  • Bruno Gagliasso defende que Brasil produza mais filmes sobre a ditadura em estreia de Honestino

    Bruno Gagliasso defende que Brasil produza mais filmes sobre a ditadura em estreia de Honestino

    Estreia e proposta do filme

    O documentário-híbrido Honestino, dirigido por Aurélio Michiles, estreou em 18 cidades brasileiras na quinta-feira, 13 de agosto de 2026. A obra retrata a trajetória de Honestino Guimarães, estudante de geologia da Universidade de Brasília (UnB), que desapareceu aos 26 anos e foi preso e assassinado em 1973. Honestino também foi presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) e defensor do ensino público e gratuito.

    Depoimentos e motivações dos envolvidos

    Em coletiva de imprensa em Brasília (DF), o ator Bruno Gagliasso afirmou que o país deveria produzir mais filmes sobre o período da ditadura militar (1964-1985). “Nunca vai ser o suficiente”, disse, ao responder a pergunta da Agência Brasil. Ele explicou que aceitou o convite para participar porque considera que a história de Honestino precisa ser mais conhecida pelas novas gerações e que a memória do militante pertence a todos que lutam por justiça, igualdade e democracia.

    O produtor Nilson Rodrigues, presente na coletiva, comparou a produção cinematográfica brasileira sobre a ditadura com a de outros países da região. Segundo Rodrigues, se o Brasil fez cerca de 30 filmes de ficção sobre o tema, a Argentina teria realizado mais de 100, o que, em sua avaliação, representa um volume maior de obras que abordam regimes ditatoriais sul-americanos.

    Escolha pelo formato híbrido e fontes de arquivo

    O diretor Aurélio Michiles explicou que a opção por um formato híbrido — que combina imagens de arquivo e recriações com atores — foi motivada pela dificuldade de localizar material visual da época. Ele afirmou que as lideranças estudantis costumavam pedir que assembleias e protestos não fossem fotografados ou filmados para preservar a segurança dos participantes, o que tornou os arquivos desse período raros.

    Como exemplo de arquivo de época, Michiles citou um filme produzido sobre a invasão de agentes da ditadura à UnB em 1968, realizado por um aluno da universidade que hoje é cineasta, Hermano Penna. O diretor descreveu esse registro como um material valioso que mostra episódios de repressão, incluindo cenas de agressão a alunos e professores.

    Recepção pessoal e objetivo do projeto

    Bruno Gagliasso disse que se emocionou ao ouvir familiares de Honestino afirmarem que ele se parecia com o estudante fotografado e lembrado pela família. O ator declarou ainda que não conhecia a história antes de participar do projeto e que considera uma responsabilidade pessoal e artística ajudar a preservar essa memória — inclusive para que seus filhos saibam quem foi Honestino Guimarães.

    O filme, segundo os integrantes da equipe ouvidos pela Agência Brasil, busca, portanto, preencher lacunas da memória documental por meio de recriações dramatizadas, sem prescindir de registros originais quando estes existem.

    Contexto histórico citado na produção

    A própria matéria da Agência Brasil ressalta que a produção aborda o período da ditadura militar no Brasil, com referência a episódios anteriores ao Ato Institucional Número Cinco (AI-5), como a invasão à UnB em 1968 registrada no filme citado por Michiles. Honestino Guimarães teve papel na mobilização estudantil da época e sua morte em 1973 é elemento central do longa.

    Próximos passos mencionados

    Além da estreia em 18 cidades, a coletiva não detalhou rotas de exibição futuras ou cronogramas de lançamento adicionais. As declarações dos envolvidos focaram na importância de difundir a história de Honestino e em discutir a escassez de obras sobre a ditadura no Brasil em comparação com outros países da região.