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  • Novas infecções e mortes por HIV atingem mínimo em 2025, mas cortes de financiamento põem avanços em risco

    Novas infecções e mortes por HIV atingem mínimo em 2025, mas cortes de financiamento põem avanços em risco

    Relatórios do Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/Aids (Unaids), divulgados nesta segunda-feira (27) e noticiados pela Agência Brasil, mostram que em 2025 as novas infecções por HIV e as mortes por aids caíram para os menores níveis registrados globalmente.

    Números-chave da epidemia em 2025

    Em 2025 foram contabilizadas 1,2 milhão de novas infecções por HIV — uma redução de cerca de 40% em relação a 2010 — e 570 mil mortes relacionadas à aids. Apesar desses progressos, a Unaids identificou aumento dos novos casos em 21 países e em três regiões do mundo. O Brasil figura entre os países com crescimento de novas infecções.

    No caso brasileiro, a agência informou que houve uma resposta ampliando o acesso a medicamentos de prevenção (PrEP) em 41% para enfrentar o aumento local dos casos.

    Cortes de financiamento e impacto nos programas

    A Unaids advertiu que os avanços estão ameaçados pela redução de recursos destinados à prevenção e ao tratamento. O relatório registra queda de 23% nos recursos do principal programa de assistência a países de baixa renda, o Overseas Development Assistance (ODA), em 2025. Muitos programas de HIV em países africanos dependem em grande parte desses fundos, chegando a mais de 90% das ações em algumas nações.

    O enfraquecimento do financiamento afeta tanto a oferta de novas tecnologias de prevenção quanto o tratamento de pessoas já infectadas. Em 2025, uma em cada cinco pessoas vivendo com HIV não estava em tratamento. Entre crianças, essa proporção se aproxima de metade.

    Tecnologia promissora, mas com barreiras de acesso

    A diretora-executiva da Unaids, Winnie Byanyima, destacou as inovações científicas recentes como um elemento que torna o fim da epidemia alcançável. Em especial, a agência apontou a profilaxia pré-exposição (PrEP) injetável de longa duração, que pode prevenir a infecção por até seis meses.

    Segundo a Unaids, é necessário que 20 milhões de pessoas tenham acesso à PrEP injetável para que o mundo conquiste a nova meta de acabar com a aids como ameaça de saúde pública até 2030, compromisso assumido recentemente pelos países-membros das Nações Unidas. Para alcançar esse objetivo, a agência defende preços acessíveis, competição via genéricos, produção regional, transferência de tecnologia e rápida introdução nos programas nacionais.

    A agência afirmou que, se a tecnologia e as políticas forem efetivamente implementadas, seria possível evitar 3,2 milhões de novas infecções e 1,3 milhão de mortes relacionadas à aids — estimativas contidas nos relatórios.

    Direitos humanos e criminalização como barreiras

    Além do financiamento, a Unaids chama atenção para o recrudescimento da discriminação e da criminalização contra populações-chave para a resposta ao HIV. Em 2025, o número de países que criminalizam relações entre pessoas do mesmo sexo aumentou, alcançando 66 nações. A agência identificou ainda 14 países que criminalizam pessoas trans, 168 que proíbem aspectos do trabalho sexual e 152 que punem a posse de pequenas quantidades de drogas.

    “Quando as pessoas temem a prisão, a violência, a discriminação, o estigma, elas evitam os serviços de saúde. O HIV se espalha quando direitos são negados”, afirmou a diretora-executiva da Unaids, conforme o relatório.

    Agenda internacional e próximos passos

    Os relatórios foram divulgados antes do início da 26ª Conferência Internacional de Aids, maior evento global sobre a doença, que começou em 27 de julho de 2026 no Rio de Janeiro — a primeira edição realizada no Brasil. A Unaids defende que o primeiro passo para preservar e ampliar os ganhos na resposta ao HIV é a recomposição dos investimentos globais em prevenção e tratamento.

    A agência também ressalta que a inovação científica precisa ser combinada com políticas que assegurem acesso amplo e equitativo às novas ferramentas de prevenção e tratamento, sob pena de aprofundar desigualdades e manter a epidemia entre populações vulneráveis.