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  • Ideb 2025 registra maior avanço acumulado em 20 anos na educação básica

    Ideb 2025 registra maior avanço acumulado em 20 anos na educação básica

    O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025 apresentou a maior evolução acumulada em duas décadas e registrou, em todas as três etapas avaliadas, os maiores valores desde o início da série histórica, em 2005. As informações foram divulgadas pelo Ministério da Educação (MEC) em 5 de agosto de 2026.

    Resultados gerais e metodologia

    O Ideb combina medidas de proficiência em língua portuguesa e matemática, obtidas pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), com as taxas de aprovação extraídas do Censo Escolar. Os indicadores são divulgados bienalmente. Segundo o MEC, a evolução observada em 2025 reflete crescimento contínuo das médias de proficiência e redução das reprovações.

    Desempenho por etapa e pela rede pública

    No conjunto das etapas, o ensino médio subiu de 4,3 em 2023 para 4,5 em 2025, mas continua aquém da meta definida para a etapa, que é 5,2 — objetivo este não atingido desde 2013. Na rede pública, os anos iniciais do ensino fundamental passaram de 5,7 para 6,1 entre 2023 e 2025. Os anos finais registraram avanço de 4,7 para 5,0 no mesmo período, e o ensino médio público foi de 4,1 para 4,3.

    Desempenho por estados e municípios

    Todos os estados e o Distrito Federal apresentaram resultados superiores nos anos iniciais do ensino fundamental ao comparar 2025 com 2023. No ranking regional dos anos iniciais, os melhores índices foram do Paraná (6,9), Ceará (6,8) e empate entre Espírito Santo, Minas Gerais e Goiás (6,4).

    Nos anos finais (6º ao 9º ano), 24 unidades da Federação melhoraram: Paraná (5,9), Ceará (5,7), Goiás (5,7), Minas Gerais (5,5) e Espírito Santo (5,4) tiveram os maiores índices. No ensino médio, 23 estados evoluíram; o Paraná manteve a maior nota (5,1). O Distrito Federal foi a única unidade federativa com queda no indicador da etapa final.

    Em termos municipais, o Inep divulgou evolução nos anos iniciais: em 2005, 4.110 municípios tinham Ideb de até 4,9; esse número caiu para 1.097 em 2023 e para 442 em 2025. A secretária de Educação Básica do MEC, Kátia Schweickardt, observou que mais de 400 municípios ainda estão abaixo de 5, mas a maioria desse grupo apresentou avanços relevantes.

    Desafios apontados e medidas anunciadas

    O ministro da Educação, Leonardo Barchini, relacionou a melhora dos indicadores a maior acesso à escola, diminuição das reprovações e ganhos de aprendizagem. Ainda assim, ele destacou a necessidade de um “novo salto” focado na melhoria da aprendizagem.

    Especialistas ressaltam que os anos finais do ensino fundamental e o ensino médio representam desafios maiores para progressos no Ideb. Felipe Proto, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann, afirmou que o avanço foi mais lento nos anos finais do que nos anos iniciais, possivelmente por acúmulo de defasagens quando conhecimentos básicos não são consolidados. Proto também apontou mudanças no cotidiano escolar — como o aumento do número de professores por disciplina — que podem dificultar vínculos e a progressão de aprendizagem nessa fase.

    O MEC informou que os municípios com desempenho abaixo da média receberão assistência técnica individualizada. Kátia Schweickardt mencionou a mobilização de mais de 9 mil articuladores que atuarão em colaboração com estados e municípios para realizar autodiagnósticos e entender as especificidades locais.

    Próximos passos e planejamento do Ideb

    O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo cálculo do Ideb, aguardou a sanção do novo Plano Nacional de Educação (2026–2036), aprovada em abril, para planejar metas do próximo ciclo. O presidente do Inep, Manuel Palacios, informou que uma proposta sobre o ciclo seguinte deve ser apresentada em outubro. O ministro Barchini antecipou que o novo ciclo terá ênfase em aprendizagem e equidade.

    O Ideb de 2025 avaliou 14,5 milhões de estudantes nos anos iniciais do ensino fundamental, 11,2 milhões nos anos finais e 7,3 milhões no ensino médio, segundo o Inep. A divulgação dos resultados foi feita pelo Ministério da Educação e reportada pela Agência Brasil.