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  • Procon-RJ orienta consumidores sobre ressarcimento por danos de aparelhos após vendaval no RJ

    Procon-RJ orienta consumidores sobre ressarcimento por danos de aparelhos após vendaval no RJ

    A Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor (Sedcon) e o Procon-RJ divulgaram orientações para consumidores que tiveram prejuízos em razão da interrupção do fornecimento de energia provocada pelo vendaval que atingiu o estado do Rio de Janeiro. Equipamentos danificados, perda de alimentos por falta de refrigeração e outros danos podem ser objeto de pedido de ressarcimento junto à concessionária responsável, conforme prevê o Código de Defesa do Consumidor e a regulamentação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), segundo reportou a Agência Brasil.

    Como solicitar ressarcimento

    O primeiro passo recomendado é abrir o pedido de ressarcimento diretamente com a distribuidora de energia. No requerimento, o consumidor deve informar a data e o horário aproximado da interrupção e identificar o equipamento afetado, indicando marca, modelo e tempo de uso, quando possível.

    É importante reunir documentos que comprovem o prejuízo: notas fiscais, protocolos de atendimento, orçamentos, laudos técnicos e qualquer outro comprovante que ajude a demonstrar o dano. A Sedcon e o Procon-RJ também aconselham a não consertar ou descartar o aparelho antes da análise da concessionária, salvo se houver autorização ou necessidade comprovada.

    Prazos e procedimentos previstos pela Aneel

    A regulamentação da Aneel estabelece prazos para a verificação e a resposta das distribuidoras. Quando se trata de aparelhos usados para conservar alimentos perecíveis ou medicamentos, como geladeiras e freezers, a concessionária deve verificar o equipamento em até um dia útil. Para os demais equipamentos, o prazo para verificação é de até 10 dias.

    Após a análise, a distribuidora tem um prazo para informar o consumidor sobre o resultado: em até 15 dias quando o pedido for feito nos primeiros 90 dias após o dano; ou em até 30 dias nos demais casos. Se o pedido for aceito, o ressarcimento deve ocorrer em até 20 dias, por meio de conserto, substituição do bem ou pagamento de indenização. O consumidor dispõe de até cinco anos para solicitar o ressarcimento, conforme a regulamentação citada pela reportagem.

    Atuação das concessionárias e situação do restabelecimento

    O vendaval deixou um número significativo de consumidores sem energia. Na quarta-feira (29), o dia em que os ventos — que chegaram a aproximadamente 105 km/h no Aeroporto Internacional do Galeão — se intensificaram, cerca de 1,1 milhão de clientes chegaram a ficar sem fornecimento. Três dias depois, quase 40 mil clientes da Light ainda estavam sem luz, segundo a Agência Brasil.

    A Light informou à imprensa que mais de 2 mil profissionais atuavam na reconstrução da rede, com foco na Baixada Fluminense e na zona oeste do Rio. A concessionária Enel declarou ter restabelecido o serviço para 99% dos consumidores afetados, deixando entre 3,5 mil e 5 mil clientes sem energia, principalmente em Niterói, Maricá e em trechos da Costa Verde, como Angra dos Reis e Paraty. A demora em algumas áreas foi atribuída à necessidade de substituir postes, reconstruir redes e remover grandes árvores.

    Orientação em caso de dificuldade para obter ressarcimento

    Se o consumidor enfrentar dificuldades para ter seus direitos atendidos pela distribuidora, a Sedcon e o Procon-RJ orientam buscar os canais oficiais de atendimento desses órgãos para registrar reclamações e receber orientação sobre os procedimentos cabíveis. A reportagem da Agência Brasil destacou que os órgãos estaduais estão disponíveis para dar suporte em situações de conflito entre consumidores e concessionárias.

    As informações desta matéria foram obtidas a partir de relatos e orientações divulgadas pela Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor, pelo Procon-RJ, por concessionárias de energia e pela Agência Nacional de Energia Elétrica, conforme noticiado pela Agência Brasil.

  • Especialistas: rede elétrica mais resiliente exige investimentos das concessionárias após vendaval no Rio

    Especialistas: rede elétrica mais resiliente exige investimentos das concessionárias após vendaval no Rio

    O vendaval que atingiu São Paulo e o Rio de Janeiro na quarta-feira (29) voltou a colocar em debate a resistência da infraestrutura elétrica urbana. Especialistas consultados pela Agência Brasil dizem que há medidas técnicas capazes de reduzir a ocorrência de cortes de energia, mas também alertam para o alto custo dessas intervenções e para limitações não previstas em todos os cenários.

    Medidas técnicas e seus custos

    Para o professor Edson Watanabe, do Programa de Engenharia Elétrica da Coppe/UFRJ, duas ações se destacam: a instalação de cabos subterrâneos e a poda de árvores nos períodos adequados. Ele observa que muitas redes continuam aéreas, apoiadas em postes, o que as expõe a quedas de árvores e a ventos fortes.

    Watanabe estimou que o custo de linhas com cabos enterrados é de sete a dez vezes o de uma linha aérea, embora reconheça a melhoria na qualidade do serviço. Segundo ele, tanto a implantação quanto a manutenção de infraestrutura subterrânea demandam investimentos mais elevados, que, na avaliação do professor, devem ser responsabilidade das concessionárias de energia.

    Limitações e alternativas: análise de riscos e planejamento

    Leandro Torres, especialista em desastres e professor da Escola Politécnica da UFRJ, disse à Agência Brasil que a substituição integral da rede aérea por subterrânea não é, por si só, a solução obrigatória para evitar apagões. Ele aponta que a decisão envolve fatores urbanísticos, estéticos e econômicos e que a estrutura enterrada pode apresentar problemas em situações de inundação e vulnerabilidade a furtos.

    Torres defende que as instituições devem construir planos de contingência que identifiquem ameaças — como vendavais, inundações ou ataques cibernéticos — e avaliem as causas potenciais desses eventos. A sequência recomendada inclui identificar pontos fracos operacionais, priorizar riscos que exigem atenção imediata e estabelecer medidas para mitigar ou reduzir a probabilidade de falhas.

    O especialista também orienta que concessionárias analisem hipóteses extremas (por exemplo, cheias com lâmina de um a dois metros ou tornados) e criem roteiros de ação, com recursos e equipes treinadas, além de planos de comunicação interna e externa voltados à preservação dos serviços e à informação dos clientes.

    Impacto sobre moradores e resposta das concessionárias

    Relatos de moradores do Rio de Janeiro presentes na cobertura da Agência Brasil ilustram efeitos concretos dos cortes. Em Vila Isabel, a empresária Ana Paula Brito afirmou que ficou sem energia desde a tarde de quarta-feira e se preocupou com alimentos que descongelaram. Em Santa Teresa, o designer Rico Vilarouca relatou perdas recorrentes de energia e internet residencial durante chuvas e ventos fortes.

    Watanabe, que mora no Grajaú, na Zona Norte do Rio, estava sem energia até a tarde de quinta-feira (30) e ressaltou a diferença entre áreas com rede subterrânea — que sofreram menos — e aquelas servidas por linhas aéreas. Ainda conforme a reportagem, Light e Enel informaram ter mobilizado equipes para restabelecer o fornecimento, mas milhares de imóveis permaneciam sem luz no dia seguinte ao vendaval.

    O que esperar à frente

    Além das medidas de infraestrutura e dos planos de emergência, o debate inclui uma previsão de clima atípico: Torres alertou para a possibilidade de um El Niño especialmente intenso no período, o que, segundo ele, aumenta a necessidade de que concessionárias projetem e financiem respostas a eventos climáticos mais frequentes ou severos.

    As soluções que envolvem mudanças físicas na infraestrutura implicam decisões políticas e econômicas sobre quem arca com os custos, além de análises técnicas sobre a melhor combinação de medidas para cada contexto urbano. A reportagem da Agência Brasil traz o testemunho de especialistas e moradores e registra a mobilização das concessionárias no esforço de normalização do serviço.