Tag: El Niño

  • Tufão Dolphin provoca chuvas intensas e inundações em Pequim

    Tufão Dolphin provoca chuvas intensas e inundações em Pequim

    O tufão Dolphin, qualificado como o tufão mais forte a afetar a China neste ano, deixou marcas significativas em Pequim na forma de chuvas intensas e alagamentos que impediram a circulação em vias importantes da capital. Imagens divulgadas pela imprensa chinesa mostraram ruas alagadas com carros e ônibus parcialmente submersos.

    Impacto direto em Pequim

    Autoridades da capital declararam o segundo nível mais alto de alerta de tempestade diante da chegada das precipitações. Como medida preventiva, foram suspensas 250 linhas de ônibus e fechadas 150 atrações turísticas, segundo reportou a agência oficial Xinhua. Além disso, 10 linhas de metrô passaram a operar em velocidade reduzida para garantir a segurança dos passageiros.

    O distrito de Changping, na zona norte de Pequim, foi um dos pontos mais afetados: a estação pluviométrica local registrou 90,7 mm de chuva em apenas uma hora a partir das 9h da manhã, indicando intensidade excepcional em curto período. Em vários trechos da cidade, vias de várias faixas viraram verdadeiros rios, provocando paradas de veículos e obstruções no tráfego urbano, conforme imagens divulgadas pelo site local Rednote.

    Percurso do tufão e situação meteorológica

    O tufão Dolphin enfraqueceu após percorrer mais de 6.000 km e tocar a costa na província de Zhejiang no domingo (9). Apesar do enfraquecimento, os remanescentes do sistema continuam a transportar umidade tropical para o interior do país, com risco de desencadear novos episódios de chuva intensa e, consequentemente, inundações em áreas afastadas do litoral.

    Relatos oficiais e imagens apontam que o fenômeno não se limitou a Pequim: províncias do centro e do leste da China registraram precipitações que bateram novos recordes locais, conforme informações reunidas pela cobertura jornalística.

    Consequências para a vida cotidiana e economia local

    Moradores relataram impactos diretos na rotina. Em Luohe, na província central de Henan, a moradora Zhao Junxia afirmou que a chuva tem atrapalhado trabalho e deslocamentos, além de causar dificuldades no acesso a alimentos e transporte, segundo a reportagem da Agência Brasil.

    O fechamento de pontos turísticos e a suspensão de centenas de linhas de ônibus mostram como as medidas administrativas visam reduzir danos e riscos, mas também refletem interrupções na mobilidade urbana e no funcionamento de serviços da cidade. A paralisação parcial do transporte público tem potencial para afetar tanto residentes quanto visitantes enquanto durar o alerta.

    Contexto climático e tendências

    Cientistas citados pela matéria associam a maior frequência e intensidade desses fenômenos às mudanças climáticas, apontando que o padrão emergente do El Niño contribui para elevação das temperaturas e para a formação de tufões mais frequentes e vigorosos. Essa combinação de efeitos climáticos tem sido observada como um fator que agrava eventos extremos, conforme observado nas recentes precipitações que atingiram várias províncias.

    Fontes, imagens e cobertura

    As informações sobre o alerta em Pequim, as medidas de transporte e os dados pluviométricos foram divulgadas pela agência oficial Xinhua e repercutidas pela Agência Brasil. Imagens que mostram trechos alagados foram publicadas pelo site chinês Rednote, enquanto relatos de moradores vieram de cidades como Luohe, em Henan. A reportagem original contou com a colaboração de corresponsais internacionais e agências mencionadas na cobertura.

    À medida que os remanescentes do tufão avançam pelo interior, autoridades locais e serviços de emergência monitoram a evolução das chuvas para mitigar riscos de inundações e preservar a segurança da população.

  • Pesquisadora alerta que ondas de calor são negligenciadas e podem aumentar com o El Niño

    Pesquisadora alerta que ondas de calor são negligenciadas e podem aumentar com o El Niño

    Aquecimento extremo e ondas de calor seguem sem a atenção necessária no Brasil, segundo pesquisadores. Em painel realizado no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, especialistas alertaram que o fenômeno El Niño pode tornar 2026 um ano de temperaturas excepcionalmente altas e que o país precisa acelerar medidas de adaptação.

    Mortes atribuídas às ondas de calor e visão de negligência

    Renata Libonati, professora do Departamento de Meteorologia da UFRJ e integrante do Comitê de Especialistas em Monitoramento Climático da Organização Meteorológica Mundial (OMM), apresentou estimativas baseadas em dados do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo ela, foram identificadas 50 mil mortes ligadas a ondas de calor no período de 2000 a 2020 em 14 regiões metropolitanas do país.

    Libonati comparou esse total com o número de óbitos por deslizamentos de terra no mesmo período, afirmando que as mortes por calor seriam cerca de 20 vezes maiores. Para a pesquisadora, esse contraste evidencia que as ondas de calor não recebem a devida prioridade em políticas públicas e preparação para desastres.

    El Niño aumenta frequência e acoplamento de eventos extremos

    Os especialistas no painel explicaram que o El Niño altera a circulação dos ventos e o clima global, o que pode elevar a frequência e intensidade de ondas de calor no Brasil. Renata Libonati ressaltou ainda que o fenômeno tende a favorecer o acoplamento entre ondas de calor, secas e incêndios, ampliando as condições favoráveis à propagação do fogo.

    Dados apresentados indicam que, nos últimos 40 anos, as condições de perigo elevado de fogo aumentaram cerca de 18% durante anos de El Niño nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, segundo Libonati. Esse vínculo entre seca, calor e fogo é apresentado como consequência de um contexto de mudança climática já em curso.

    Impactos regionais diferenciados e efeitos além do clima

    José Marengo, pesquisador do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), destacou que os efeitos do El Niño variam conforme a região. No Sul, a tendência é de aumento das chuvas e maior risco de enchentes; no Norte e Nordeste, redução das precipitações e maior risco de seca; no Centro-Oeste, atraso da estação chuvosa e mais ondas de calor; e no Sudeste, temperaturas elevadas com irregularidade das chuvas.

    Marengo enfatizou que “o El Niño não cria problemas; ele agrava a situação de problemas que já existem” e alertou que os impactos extrapolam a esfera meteorológica, podendo atingir produção de alimentos, transporte, fornecimento de energia e a economia em geral.

    Adaptação, desigualdade e responsabilidade pública

    Paulo Artaxo, pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) e colaborador em relatórios do IPCC, afirmou que o Brasil precisa acelerar processos de adaptação a um clima com temperaturas médias já mais altas. Artaxo citou que o aquecimento médio do país está próximo de 2°C e defendeu que lições de desastres anteriores deveriam orientar governos para reduzir danos futuros.

    Os pesquisadores destacaram também a dimensão social do risco: eventos extremos atingem de forma desigual as populações mais vulneráveis. A vulnerabilidade é associada ao acesso desigual a serviços de saúde, condições de moradia, exposição ao ar livre e capacidade de usar mecanismos de refrigeração, como ar-condicionado. Como exemplo, foi citado o contraste entre pessoas que conseguem se resfriar com ar-condicionado e moradores de comunidades que vivem em casas com telhados de zinco, mais expostas ao calor noturno.

    Ao final do painel, os especialistas reafirmaram a necessidade de estratégias de adaptação que considerem desigualdades sociais e a importância de integrar alertas climáticos em políticas de saúde pública e de gestão de riscos. As informações e declarações mencionadas foram divulgadas pela Agência Brasil durante o evento de 11 de agosto de 2026.