Tag: cultura

  • Festival Guarnicê de Cinema realiza 49ª edição em São Luís entre 20 e 26 de agosto

    Festival Guarnicê de Cinema realiza 49ª edição em São Luís entre 20 e 26 de agosto

    O Festival Guarnicê de Cinema, um dos mais antigos do país e o mais longevo em atividade contínua no Norte e Nordeste, realiza sua 49ª edição em São Luís (MA) entre 20 e 26 de agosto. Organizado pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), o evento adotou o tema Encontro com Narrativas Humanas para propor uma reflexão sobre a essência da experiência cinematográfica.

    Programa e objetivo do tema

    Segundo a direção do festival, a proposta temática busca reafirmar o cinema como espaço de convivência, troca e construção coletiva. A ideia é que ao reunir artistas, realizadores, pesquisadores e público, o Guarnicê fomente narrativas que promovam diálogo, memória e novas formas de olhar o mundo. A diretora Rosélis Barbosa destacou a importância histórica do festival e seu papel na formação de plateia e na democratização cultural, além de dar visibilidade ao cinema independente, especialmente ao produzido no Nordeste e no Maranhão.

    Seleção e diversidade de obras

    Para esta edição, o festival recebeu mais de 1,4 mil inscrições de obras de todas as regiões do Brasil. Cerca de 150 produções foram selecionadas e serão exibidas, evidenciando uma diversidade territorial que coloca o Guarnicê como uma vitrine para o audiovisual brasileiro e, ao mesmo tempo, para a produção maranhense.

    Os títulos escolhidos abrangem formatos e gêneros variados — documentários, ficções, animações, obras experimentais, dramas e comédias — e tratam de temas como memória, identidade, território, cultura popular, relações sociais, diversidade, ancestralidade, ambiente natural, relações de gênero, juventude, questões indígenas e desigualdades sociais.

    Homenagens e formação

    O festival fará homenagens a figuras do cinema e da atuação. Entre os homenageados constam a atriz Marcélia Cartaxo, reconhecida internacionalmente por sua atuação em A Hora da Estrela (1985); o ator Romulo Estrela; e o cineasta Frederico Machado, autor de obras como Punga, Boi de Lágrimas e O Exercício do Caos, conforme informado pela organização.

    Além da exibição de filmes, a programação é pensada como espaço de formação e qualificação. Estão previstas oficinas, debates, seminários e ações formativas, incluindo o Seminário Ciência Filme Guarnicê, que aproxima o audiovisual da universidade, e a Mostra de Jogos Digitais, ampliando as frentes de discussão e prática no campo audiovisual e tecnológico.

    Exibições presenciais e acesso digital

    As sessões presenciais da mostra acontecerão no Cinépolis, do São Luís Shopping, e no Cinema Sesc Deodoro. Para ampliar o alcance, os filmes das mostras competitivas também estarão disponíveis gratuitamente na plataforma Guarnicê e no aplicativo Cine Guarnicê: as obras entram no ar às 17h30 do dia em que forem exibidas presencialmente e permanecem acessíveis até as 18h do dia seguinte.

    O festival é gratuito, e a organização orienta o público a consultar o site oficial do evento para informações detalhadas sobre a programação, horários e inscrições para atividades formativas.

    Origem das informações

    As informações desta matéria são baseadas em reportagem da Agência Brasil e em declarações da direção do Festival Guarnicê divulgadas pela organização do evento.

  • Governo do DF empenha R$ 2,77 milhões para 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

    Governo do DF empenha R$ 2,77 milhões para 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

    A Secretaria de Economia do Distrito Federal (Seec) confirmou, nesta terça-feira (11), o empenho de R$ 2,77 milhões para a organização da 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, previsto para ocorrer entre os dias 11 e 19 de setembro, em Brasília. A informação foi divulgada à Agência Brasil.

    Confirmação do aporte e papel do governo

    A disponibilização dos recursos foi tornada pública um dia após a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, anunciar nas redes sociais que determinou à secretaria a adoção das providências necessárias para garantir o financiamento do festival. A Secretaria de Cultura e Economia Criativa ainda não divulgou detalhes sobre o cronograma de pagamento dos valores empenhados.

    Pressão do setor audiovisual e reações

    O anúncio do governo ocorreu em contexto de críticas de profissionais do audiovisual, que haviam apontado um clima de incerteza em relação à realização do evento. O diretor artístico do festival, Eduardo Valente, utilizou redes sociais para lamentar a possibilidade de cancelamento e conclamou a união de associações, do setor e do público para preservar o festival.

    Em publicações posteriores, Valente voltou ao tema e mencionou o curto prazo até o evento, afirmando que o festival precisava ser organizado em 30 dias e que havia um anúncio de seleção previsto para ser divulgado em uma semana, segundo suas palavras nas redes sociais.

    Importância histórica e dimensão da edição 2026

    Criado em 1965, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro é o mais longevo do país no setor cinematográfico e se consolidou como fórum de debate sobre o audiovisual nacional, segundo registro histórico. Ao longo de sua trajetória, deixou de ocorrer apenas em dois anos durante o período da ditadura militar e foi realizado de forma virtual durante a crise sanitária da pandemia de covid-19 (2019–2023). Desde 2007, consta como patrimônio imaterial do Distrito Federal.

    A edição de 2026 registrou um número recorde de inscrições: 1.928 obras pleitearam uma vaga na programação. A organização confirmou a exibição de mais de 80 filmes, envolvendo centenas de profissionais de diversas regiões do Brasil. Conforme a tradição do festival, as obras selecionadas precisam ser inéditas, e os vencedores recebem o Troféu Candango, entregue em homenagem aos pioneiros da construção da capital.

    Próximos passos e incertezas remanescentes

    Com o empenho confirmado pela Secretaria de Economia, o próximo passo formal apontado pela reportagem é a divulgação, pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa, do cronograma de pagamento e das etapas administrativas necessárias para a execução do evento. Enquanto isso, o setor segue atento aos prazos operacionais citados pelo diretor artístico, que ressaltou a existência de poucos dias para concluir a organização e divulgar seleções.

    A Agência Brasil registrou as confirmações e as declarações públicas citadas, que marcaram a sequência de atos que levou à liberação do montante por parte do governo do Distrito Federal.

    O desfecho permite que a estruturação da programação presencial prossiga, mas a efetiva implementação dependerá da publicação das informações financeiras e logísticas pela secretaria responsável.

  • GDF cancela 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

    GDF cancela 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

    O Governo do Distrito Federal comunicou, em 10 de agosto de 2026, o cancelamento da 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O festival estava programado para ocorrer entre 11 e 19 de setembro, no Cine Brasília, e vinha com um número recorde de inscrições: 1.928 filmes candidataram-se a participar da mostra.

    Cancelamento e situação da programação

    Segundo os organizadores, a seleção das obras já havia sido realizada e mais de 80 filmes estavam confirmados para a programação. Uma coletiva de imprensa para divulgação da programação completa estava marcada para 18 de agosto, data que ficou sem efeitos após a decisão do GDF.

    O diretor artístico do festival, Eduardo Valente, publicou nas redes sociais seu pesar pelo cancelamento, afirmando que a seleção já estava pronta e que profissionais do audiovisual estavam “empolgados e com planos para suas estreias”. Valente também convocou a união de associações, do setor e do público do Distrito Federal para buscar uma solução.

    Repercussão entre produtores, cineastas e entidades

    A confirmação do cancelamento gerou reação imediata na classe artística. Os organizadores planejaram publicar, em 11 de agosto, uma nota de repúdio à decisão do GDF e solicitar a reversão do ato, de acordo com a Agência Brasil.

    Tiago de Aragão, diretor regional da Associação das Produtoras Independentes do Audiovisual Brasileiro (API) no Centro-Oeste, lamentou o impacto sobre profissionais e produtoras que já vinham trabalhando e, segundo ele, sem receber. Aragão vinculou o cancelamento à crise política e financeira instalada no GDF após o escândalo envolvendo títulos de bancos mencionado por sua declaração à imprensa.

    Para Tatiana Costa, presidente da Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (Apan), o ato tem dimensão simbólica e política: ela ressaltou que, além do efeito imediato sobre o mercado de trabalho, existe o risco de contágio a outros festivais do país. Costa também lembrou que, historicamente, somente durante a ditadura militar o Festival de Brasília deixou de ser realizado.

    Cineastas locais também manifestaram preocupação. Carina Bini, autora que levou seu filme Mil Luas à edição anterior, ressaltou o papel do festival na movimentação de uma cadeia produtiva, na geração de empregos e de recursos para o Distrito Federal, além de sua importância cultural e histórica.

    Contexto histórico e características do festival

    Fundado em 1965, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro é o mais longevo do país e chegaria em 2026 à 59ª edição. Desde 2007, consta como patrimônio imaterial do Distrito Federal. Ao longo de sua trajetória, a mostra deixou de ser realizada apenas em dois anos durante a ditadura militar, conforme registro histórico do próprio festival citado na cobertura da Agência Brasil.

    Uma característica marcante do evento é a exigência de que as obras inscritas sejam inéditas; os vencedores recebem o Troféu Candango, em homenagem aos pioneiros que construíram a capital. Em 2026, a organização havia recebido o maior número de inscrições de sua história, com 1.928 filmes concorrendo a vagas na programação.

    Posição do governo e próximos passos

    A Agência Brasil procurou a Secretaria de Cultura do Distrito Federal para comentar a decisão de cancelamento, mas, até a publicação da matéria, não obteve manifestação do órgão. O espaço permanece aberto para eventuais posicionamentos do GDF, conforme informação da agência.

    Os organizadores e entidades representativas do setor anunciam ações de contestação e a publicação de uma nota pública de repúdio, pedindo a reversão do cancelamento. As próximas movimentações oficiais da organização e quaisquer respostas do GDF serão acompanhadas pela imprensa e pelo setor audiovisual.

    Fonte: Agência Brasil.

  • Projeto leva moradores de Águas Claras ao Pelourinho e amplia acesso a equipamentos culturais em Salvador

    Projeto leva moradores de Águas Claras ao Pelourinho e amplia acesso a equipamentos culturais em Salvador

    Segundo reportagem da Agência Brasil, moradores da comunidade de Águas Claras, em Salvador, participaram no sábado (8) de visitas ao centro histórico e à Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), muitas vezes pela primeira vez. O deslocamento foi realizado pelo Circuito Cultural, projeto do Instituto Motiva que organiza visitas gratuitas a equipamentos culturais.

    Experiências e impacto pessoal

    Entre os visitantes estava um grupo de mulheres com mais de 60 anos que frequentam a Biblioteca Comunitária Condor Literário. Uma das participantes relatou que passou por um quadro de depressão e, desde que começou a frequentar a biblioteca, passou a participar de atividades como boxe, capoeira e dança. Para ela, a ida ao Pelourinho e aos museus representou uma ampliação de referências culturais e uma experiência inédita.

    Outra moradora, acompanhada dos três filhos, também visitou o Muncab pela primeira vez. Ela afirmou que raramente consegue organizar roteiros culturais para as crianças devido a dificuldades práticas, como transporte, e valorizou a oportunidade de apresentar às crianças elementos da memória e identidade local.

    Barreiras de acesso e contexto comunitário

    Aline Dias, articuladora territorial de Águas Claras, explicou que a comunidade tem forte dinâmica interna e, por muito tempo, ficou à margem das ações da cidade. Apesar de iniciativas locais — como a biblioteca comunitária —, ela defende que políticas públicas e investimentos são necessários para ampliar o alcance das práticas culturais e dar visibilidade ao que já é produzido na comunidade.

    O bairro de Águas Claras fica a cerca de 25 minutos do centro histórico de Salvador, segundo a reportagem, e vem observando mudanças na mobilidade e no comportamento dos moradores com a chegada do metrô e a construção de uma rodoviária, o que facilita a realização de ações sociais e culturais fora do território.

    Circuito Cultural e objetivos do projeto

    O Circuito Cultural, idealizado pelo Instituto Motiva, tem como objetivo aumentar o acesso à cultura para estudantes da rede pública e participantes de organizações sociais, promovendo visitas a instituições em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. Segundo representantes do instituto citados pela reportagem, a iniciativa nasceu diante do quadro de desigualdade no acesso a equipamentos culturais no Brasil.

    Ariane Teles, especialista do Instituto Motiva, afirmou que o projeto busca, em primeiro lugar, quebrar a barreira de acesso, e, em segundo, utilizar a cultura como ferramenta de transformação social, educação e ampliação de repertório.

    Dados sobre consumo cultural no Brasil

    Para contextualizar a iniciativa, a reportagem citou dados de pesquisas que mostram baixa participação da população em atividades culturais: levantamento do IBGE indica que menos de um terço dos municípios brasileiros dispõe de museus, enquanto a pesquisa Hábitos Culturais 2025, realizada pelo Observatório Fundação Itaú, mostrou que apenas 16% dos brasileiros visitaram um museu nos últimos 12 meses e 13% participaram de festivais literários.

    Esses números foram apresentados pelo Instituto Motiva como justificativa para ampliar programas que levem público a espaços culturais e fomentem repertórios mais inclusivos e representativos.

    Próximos passos e necessidades apontadas

    Organizadores e articuladores locais destacam que a ação foi uma oportunidade importante, mas que é preciso ampliar a escala dessas iniciativas e pensar políticas públicas que valorizem a produção cultural nas comunidades. Aline Dias ressaltou que as pessoas de Águas Claras querem tanto levar cultura para suas localidades quanto participar de atividades fora do território.

    A reportagem da Agência Brasil registra ainda que a repórter e a fotógrafa viajaram a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flipelô 2026.

  • Criatividade de ambulantes das praias do Rio é tema de exposição fotográfica no Centro Municipal Hélio Oiticica

    Criatividade de ambulantes das praias do Rio é tema de exposição fotográfica no Centro Municipal Hélio Oiticica

    Uma nova exposição fotográfica no Centro Municipal Hélio Oiticica, no centro do Rio de Janeiro, dá visibilidade ao trabalho dos ambulantes que atuam nas praias da cidade. Segundo a Agência Brasil, ‘Não Somos Mula’, do fotógrafo Rogério Reis, reúne cerca de 120 imagens, a maioria apresentada ao público pela primeira vez, e fica em cartaz até o dia 30.

    A proposta da exposição

    Rogério Reis explica que o título remete à condição de transporte de carga associada a alguns vendedores informais nas areias, como os que carregam galões de bebidas. As fotografias e projeções feitas durante caminhadas pela orla procuram estabelecer um contraponto entre o trabalho árduo e uma leitura estética dessas ferramentas e soluções improvisadas.

    Objetos e ‘gambiarras’ como linguagem visual

    Nas imagens, elementos cotidianos — carrinhos, caixas térmicas, guarda-sóis e suportes improvisados — ganham tratamento que os aproxima de esculturas e instalações. Reis descreve seu método como uma “sistematização poética” desses artefatos, valorizando a criatividade utilizada para transportar mercadorias e organizar o trabalho nas areias.

    Onde as fotos foram feitas

    De acordo com a reportagem da Agência Brasil, a maior parte das fotos (cerca de 80%) foi realizada em Copacabana, principal área de atuação desses trabalhadores na orla. Os 20% restantes foram captados em Arpoador, Ipanema e Leblon. A mostra reúne registros que documentam rotinas, estruturas de trabalho e soluções inventivas adotadas pelos ambulantes.

    As imagens, além de uma dimensão documental, buscam oferecer uma leitura estética e lúdica dos objetos e das dinâmicas de trabalho, destacando o engenho necessário para manter a atividade em condições muitas vezes precárias.

    Contexto político e social

    A chegada da exposição coincide com um momento de confrontos entre ambulantes e a Prefeitura do Rio. A administração municipal lançou o Programa Tolerância Zero, iniciativa de ordem urbana para intensificar a fiscalização contra camelôs sem credenciais nas praias. A Prefeitura afirmou que o comércio irregular era explorado e poderia envolver facções do crime organizado.

    Em resposta, o Movimento Unido dos Camelôs (Muca) organizou protestos exigindo diálogo e afirmando que os trabalhadores têm sido tratados como se fossem criminosos. Paralelamente, o Ministério Público Federal ajuizou ação civil pública pedindo a suspensão imediata do programa.

    O procurador regional adjunto dos Direitos do Cidadão, Julio Araujo, afirmou ao Ministério Público Federal que a medida foi implementada sem diálogo com a União, sem participação ampla da sociedade e sem apresentar alternativas para a regularização dos milhares de ambulantes que dependem da atividade para garantir renda, segundo a Agência Brasil.

    Relatos dos ambulantes e proposta do fotógrafo

    Durante as caminhadas pelas praias, Reis ouviu dos ambulantes preocupações sobre o futuro do comércio nas areias, incluindo o receio de que o mercado informal possa vir a ser ocupado por empresas. A maioria desses trabalhadores é autônoma, e o fotógrafo defende a existência de políticas públicas de qualificação: em vez da repressão do Tolerância Zero, Reis sugere a criação de projetos socioeducativos para melhorar a capacitação e a organização do setor.

    A mostra, além de apresentar um registro visual da inventividade dos ambulantes, insere-se no debate público sobre a regulamentação do trabalho nas praias e sobre como políticas urbanas vêm sendo implementadas e contestadas pela sociedade civil e por órgãos públicos.

    Fonte: Agência Brasil.

  • Rua João de Barros passa a se chamar Rua do Samba em homenagem à história do gênero na Barra Funda

    Rua João de Barros passa a se chamar Rua do Samba em homenagem à história do gênero na Barra Funda

    A Rua João de Barros, localizada no bairro da Barra Funda, em São Paulo, passou a se chamar Rua do Samba em cerimônia realizada em 28 de julho. A via, que tem apenas uma quadra, é conhecida por abrigar rodas de samba desde a década de 1980, quando Carlos Alberto Tobias começou a organizar eventos naquele trecho.

    Memória familiar e trajetória do samba na rua

    O novo nome na placa representa mais do que homenagem ao gênero musical: é também uma tentativa de resgatar e preservar a memória negra presente na Barra Funda. Simone Tobias, cantora e compositora, relatou à imprensa a trajetória de sua família no bairro. Ela é filha de Carlos Alberto e neta de Seu Inocêncio, que reorganizou um antigo grupo carnavalesco em 1953; esse movimento evoluiu posteriormente para a Escola Camisa Verde e Branco.

    Segundo Simone, a história da família no carnaval da Barra Funda remonta a 1914, quando Dionísio Barbosa, tio de sua avó paterna, fundou o grupo carnavalesco Barra Funda. Ela acrescenta que o apelido “camisas verdes” usado por seu avô passou a incorporar o branco para evitar associação com os integralistas.

    Os ensaios e reuniões aconteciam em frente à casa da família Tobias, em um porão de um antigo cortiço que já não existe. Simone também comentou sobre o impacto da especulação imobiliária no final da década de 1970, quando muitos moradores foram deslocados para áreas periféricas, alterando o tecido social e cultural do bairro.

    Cartografias de Bambas: memória, território e ações culturais

    Em face da ameaça de apagamento pela gentrificação, o projeto Cartografias de Bambas passou a atuar para valorizar a presença histórica do samba na Barra Funda. Coordenado por Nathália Oliveira, o projeto busca enfatizar que a relação com o bairro ultrapassa a dimensão musical e está ligada ao sentimento de pertencimento ao território.

    Nathália afirma que reduzir o samba a apenas um som é ignorar a construção histórica que envolve família, comunidade e lugar. Para ela, o reconhecimento da Rua do Samba deve suscitar uma discussão mais ampla na cidade sobre a permanência das populações negras nos espaços de memória gerados por seus antepassados.

    Uma iniciativa prática ligada ao projeto é o Festival Cartografias de Bambas, que reúne mensalmente sambistas e coletivos culturais na Rua do Samba. De acordo com Nathália, o festival ocorre mensalmente há oito meses e tem atraído um público cada vez mais diverso e com maior presença de pessoas negras provenientes de diferentes regiões e faixas etárias, além de reconectar frequentadores antigos com o território.

    Largo da Banana e outros vestígios de memória

    Antes da denominação da Rua do Samba, outro ponto da Barra Funda já figurava como referência do samba na cidade: o Largo da Banana. O local foi palco de reuniões de estivadores negros no final do século 19, onde se desenvolveu parte do repertório que daria origem ao samba em São Paulo. No entanto, a construção de um viaduto na década de 1950 alterou o espaço, e hoje resta apenas uma placa que atesta essa memória.

    O manifesto “Rua do Samba da Barra Funda”, elaborado pelo Cartografias de Bambas, lembra que a preservação da memória é também uma questão de políticas públicas. O documento defende que a via se mantenha como “patrimônio vivo, chão de memória e encruzilhada de futuros”, expressão utilizada pelo coletivo para sintetizar o objetivo de transformar a rua em espaço contínuo de memória e sociabilidade.

    As informações desta reportagem são baseadas em matéria da Agência Brasil.

  • Festival Comidas e Músicas do Mundo reúne culinária de 60 países no Pacaembu

    Festival Comidas e Músicas do Mundo reúne culinária de 60 países no Pacaembu

    O centro de São Paulo transforma-se em um ponto de encontro de sabores e culturas com o Festival Comidas e Músicas do Mundo, que ocorre neste sábado (1) e domingo (2) na Praça Charles Miller, em frente ao estádio do Pacaembu. Promovido pela Cola em Sampa, o evento é gratuito e reúne chefs, cozinheiros e grupos culturais que apresentam tradições alimentares de 60 países.

    Programação e sabores

    Segundo os organizadores, o festival coloca à disposição do público mais de 400 pratos típicos originários de diversas partes do globo, passando por todas as regiões continentais. Entre as cozinhas representadas estão a jamaicana, a tunisiana, a malaia, a indiana e a nepalesa, além de outros países americanos, europeus, africanos e asiáticos. Cada estande procura contar a história por trás das receitas, preservando técnicas e ingredientes que definem a identidade culinária de cada povo.

    O evento foi concebido com a intenção de ampliar o conhecimento dos visitantes sobre sabores pouco conhecidos no Brasil, aproximando pessoas por meio da gastronomia. Segundo a cofundadora da Cola em Sampa, Priscila Arantes, a iniciativa oferece uma espécie de viagem cultural sem sair da cidade, em que a comida funciona como elo entre diferentes tradições.

    Atividades culturais e artesanato

    Além da oferta gastronômica, a programação inclui apresentações musicais e culturais inspiradas nas diversas regiões do mundo. O público poderá assistir a performances que refletem ritmos e expressões populares de cada país representado, conforme a curadoria do festival. Também haverá exposição e venda de peças de artesanato internacional, promovendo trocas culturais e comerciais entre visitantes e expositores.

    Essas atividades têm o objetivo de complementar a experiência sensorial fornecida pela comida, contextualizando sabores por meio de música, dança e objetos produzidos segundo tradições locais. Os estandes, além de servir pratos, servem como pontos de informação sobre costumes e modos de vida de diferentes comunidades.

    Informações práticas

    O festival abre diariamente às 11h e encerra às 21h, ocupando a Praça Charles Miller, localizada na Zona Oeste de São Paulo. A entrada é franca, de acordo com os organizadores, e o público está autorizado a comparecer acompanhado de animais de estimação. A realização do evento pela Cola em Sampa busca facilitar o acesso da população a manifestações culturais e gastronômicas internacionais no espaço público.

    Organizadores e expositores apresentam o encontro como uma oportunidade para moradores e visitantes experimentarem pratos pouco frequentes na oferta gastronômica local e conhecerem histórias e práticas culturais associadas a esses alimentos. A cobertura jornalística da informação foi realizada pela Agência Brasil, com supervisão do jornalista Odair Braz Junior.

    Os interessados em participar devem dirigir-se à Praça Charles Miller no dia indicado e verificar no local a distribuição dos estandes e a ordem das apresentações culturais. Como se trata de um evento ao ar livre e com entrada gratuita, recomenda-se chegar com antecedência para aproveitar a diversidade de opções disponíveis.

    O festival oferece uma alternativa de lazer urbano que combina consumo, aprendizagem cultural e convivência comunitária, reunindo representantes de diferentes países em um mesmo espaço público na capital paulista.

  • Inscrições para a Seleção Petrobras Cultural 2026 se encerram nesta sexta-feira

    Inscrições para a Seleção Petrobras Cultural 2026 se encerram nesta sexta-feira

    Termina às 18h desta sexta-feira (31) o período de inscrição para a Seleção Petrobras Cultural 2026. As candidaturas são gratuitas e devem ser feitas pela plataforma digital da seleção, onde também está disponível o regulamento com os critérios e as orientações para participação, segundo reportagem da Agência Brasil.

    Valor e instrumento de financiamento

    O programa destinará R$ 270 milhões a projetos culturais de diferentes formatos e localidades do país. Os recursos serão aplicados por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (conhecida como Lei Rouanet) e da Lei do Audiovisual, conforme informado pela Petrobras à imprensa.

    O regulamento da seleção foi lançado em 1º de julho pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard, trazendo definições sobre modalidades, critérios de pontuação e formas de envio das propostas.

    Modalidades e novidades

    A edição 2026 da seleção prevê 11 modalidades de patrocínio. Nesta chamada foram incorporadas duas novas categorias: Produção de games e Incubação e desenvolvimento cultural. As informações constam do regulamento disponível na plataforma da seleção, que detalha exigências técnicas e de documentação para cada modalidade.

    Além das modalidades específicas, o programa destaca a promoção de iniciativas que gerem valor econômico a partir da cultura. As propostas obrigatoriamente devem contemplar ações voltadas à mobilização de redes de realizadores, empreendedorismo cultural, capacitação e outras atividades que favoreçam a economia criativa nas cidades onde ocorrerão os projetos.

    Distribuição regional e critérios de pontuação

    Para assegurar cobertura nacional, 15% do valor total — o equivalente a R$ 40,5 milhões — está reservado para cada uma das cinco regiões brasileiras. A seleção exige que cada estado seja local de realização de atividades de pelo menos dois projetos aprovados.

    Haverá pontuação adicional para proponentes sediados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, para aqueles do estado do Espírito Santo e para projetos que ocorram em três ou mais regiões do país. Essas regras constam do regulamento divulgado pela Petrobras.

    O gerenciamento técnico da seleção é realizado pela área de Patrocínio Cultural da Petrobras; Milton Bittencourt, gerente do setor, afirmou que esta é a maior seleção pública já promovida pela companhia e também a maior do país, conforme noticiado pela Agência Brasil.

    Critério de diversidade e execução

    A seleção estabelece que pelo menos 25% do total de projetos aprovados tenham realizadores ou tenham como temática principal origem vinculada a grupos historicamente pouco representados nas artes. O regulamento define essa exigência como forma de promover inclusão, segundo a publicação da Agência Brasil.

    Além de metas de diversidade, o edital orienta que as propostas incluam ações que incentivem a sustentabilidade econômica dos agentes culturais locais, por meio de formação, redes e iniciativas empreendedoras.

    Cronograma divulgado

    De acordo com o gerente Milton Bittencourt, o resultado da seleção será divulgado em novembro. A partir de dezembro terá início o processo de contratação dos projetos vencedores e as ações apoiadas deverão ser realizadas a partir de maio de 2027, conforme informações comunicadas pela Petrobras e repercutidas pela Agência Brasil.

    Interessados devem consultar o regulamento e submeter seus projetos pela plataforma digital antes do encerramento do prazo. A plataforma também centraliza documentos e orientações sobre as regras de elegibilidade e as exigências aplicáveis a cada modalidade.