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    Jornalistas indígenas lançam manual inédito de comunicação na Câmara dos Deputados

    Lançamento e proposta

    O manual de jornalismo indígena Poranga Marandúa foi lançado nesta segunda-feira (10) na Câmara dos Deputados, em Brasília. A publicação é apresentada como inédita e reúne termos, orientações e princípios elaborados a partir da perspectiva dos povos indígenas.

    Segundo a coordenadora-geral da Articulação Brasileira de Indígenas Jornalistas (Abrinjor), Luciene Kaxinawá, o material resulta de um trabalho coletivo envolvendo mais de 40 povos indígenas. Para os organizadores, o manual busca afirmar uma comunicação construída a partir dos territórios, das línguas e dos modos de contar histórias próprios dessas comunidades.

    Conteúdo, edição e acesso

    A primeira edição do Poranga Marandúa foi editada e revisada pela Organização Indígena Instituto Kaingáng (Inka) e, conforme informado pelos responsáveis, está disponível online de forma gratuita. A produção levou cerca de um ano e meio, período mencionado pela Abrinjor ao celebrar a conclusão do trabalho.

    O título da publicação — Poranga Marandúa — foi explicado pelos integrantes da articulação como significando “boa notícia” na língua Nheengatu, da família Tupi-Guarani. O nome reflete a intenção de que o manual seja, ao mesmo tempo, um recurso prático e um símbolo do protagonismo indígena na comunicação.

    Finalidades e aplicação

    Integrantes da Abrinjor afirmam que a inovação trazida pelo manual poderá servir como instrumento de trabalho para jornalistas em todo o país, além de funcionar como ferramenta de educação. A jornalista e comunicadora do Inka, Sônia Kaingáng, destacou a trajetória pela via da educação como elemento central do processo e associou o manual ao esforço de inserção dos indígenas nos espaços de comunicação.

    A pesquisadora e comunicóloga Andreza Baré apontou a utilidade do manual nos currículos e ementas dos cursos de jornalismo. Segundo ela, a publicação representa uma oportunidade para incorporar uma ferramenta pedagógica de redação antirracista capaz de orientar a cobertura e o tratamento sobre povos indígenas e outras comunidades tradicionais.

    Impactos esperados

    Para Samela Sateré Mawé, assessora de comunicação da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o manual também deve estimular a presença de mais indígenas nos espaços de comunicação das entidades representativas e nos canais informativos do país. Ela afirmou que o instrumento abre caminho para que jornalistas indígenas ocupem esses espaços, ressaltando que ninguém melhor do que os próprios povos para falar sobre si.

    Além das aplicações práticas na rotina jornalística, o manual é apresentado pelos organizadores como uma iniciativa de fortalecimento da diversidade linguística e cultural nos meios de comunicação, reforçando princípios e orientações a partir das vivências e saberes dos povos indígenas.

    Fonte e contexto

    As informações sobre o lançamento e o conteúdo do Poranga Marandúa foram divulgadas pela Agência Brasil, que registrou as declarações de representantes da Abrinjor, do Instituto Kaingáng, da Apib e da pesquisadora Andreza Baré no evento realizado na Câmara dos Deputados, em Brasília.

    Próximos passos

    Os organizadores têm disponibilizado a edição online de forma gratuita; cabe a instituições de ensino, veículos de comunicação e jornalistas decidir sobre a incorporação do manual nas práticas pedagógicas e profissionais. A publicação representa, no entanto, uma base formal e acessível para orientar abordagens comunicacionais envolvendo povos indígenas.