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  • STJ condena ministro Marco Buzzi e determina perda de cargo; afastamento é mantido

    STJ condena ministro Marco Buzzi e determina perda de cargo; afastamento é mantido

    O plenário do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, em sessão realizada nesta quinta-feira (6), condenar o ministro Marco Buzzi e colocar o seu cargo à disposição, com perda do cargo como sanção. A corte manteve, assim, o afastamento do magistrado das funções que vinha sendo cumprido de forma provisória desde 10 de fevereiro.

    Resultado do julgamento e composição dos votos

    A condenação foi aprovada pelos 28 ministros que participaram da votação. Em relação à dosimetria da pena, quatro ministros — João Otávio de Noronha, Moura Ribeiro, Regina Helena Costa e Gurgel de Faria — votaram pela aplicação da aposentadoria compulsória, pena considerada menos grave e que não acarreta perda do cargo. Esses ministros ficaram vencidos nesse ponto.

    O julgamento transcorreu a portas fechadas e incluiu sustentações orais das defesas das duas mulheres que apresentaram as acusações, da defesa do ministro e da Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo a Agência Brasil, a PGR mudou de posição e opinou pela aplicação da pena máxima prevista, isto é, disponibilidade com perda do cargo.

    Acusações que originaram o processo

    Buzzi foi acusado em duas ações separadas por crimes sexuais. Uma queixa foi apresentada por uma jovem de 18 anos — identificada na cobertura jornalística como filha de um casal de amigos — que relatou ter sido abordada durante um banho de mar enquanto estava como hóspede na casa de praia do ministro. Outra acusação partiu de uma servidora, que relatou ter sido alvo de assédio sexual dentro do gabinete.

    O ministro nega ter praticado qualquer conduta criminosa ou inadequada. Ele esteve presente ao julgamento e acompanhou a sessão sentado ao lado de seus advogados, sem ocupar a cadeira que ocupou no tribunal nos 14 anos em que integrou o colegiado, conforme apurado pela reportagem da Agência Brasil.

    Impactos da pena e próximos passos processuais

    A punição aplicada pelo STJ é inédita na prática, na medida em que se trata da primeira aplicação da disponibilidade com perda de cargo a um magistrado após o CNJ incluir essa possibilidade como pena máxima para faltas graves. Pelas regras aprovadas pelo Conselho Nacional de Justiça, o magistrado permanece afastado e recebe vencimentos proporcionais ao tempo de serviço.

    Para que a perda efetiva do cargo ocorra e o pagamento de vencimentos cesse, é necessário que a Advocacia-Geral da União (AGU) promova uma nova ação judicial com esse objetivo. Esse procedimento foi vinculado a orientação definida pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) em maio, quando a turma estabeleceu limites sobre a aplicação da aposentadoria compulsória como pena máxima a magistrados.

    A defesa de Buzzi ainda pode recorrer ao próprio Supremo Tribunal Federal contra a condenação, segundo a cobertura da Agência Brasil.

    Contexto institucional

    A mudança de entendimento da Procuradoria-Geral da República e a decisão colegiada do STJ ocorrem num momento em que o CNJ passou a prever expressamente a disponibilidade com perda do cargo como sanção máxima para juízes punidos por faltas graves. Conforme noticiado pela Agência Brasil, a regulamentação do CNJ determina que, mesmo quando aplicada a pena máxima, o afastamento e o pagamento proporcional de vencimentos permaneçam até eventual provimento judicial que extinga o vínculo.

    O caso de Marco Buzzi foi julgado após a conclusão de sindicância interna conduzida por três ministros do STJ. A decisão do plenário marca desdobramentos institucionais importantes sobre a responsabilização de magistrados por condutas graves, mantendo o regramento previsto pelo Supremo e pelo CNJ para a efetivação das sanções.

    As informações desta reportagem são da Agência Brasil.

  • CNJ afasta juíza Gabriela Hardt por dois anos por homologar acordo da Lava Jato com a Petrobras

    CNJ afasta juíza Gabriela Hardt por dois anos por homologar acordo da Lava Jato com a Petrobras

    O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu, em sessão plenária realizada em 4 de agosto de 2026, aplicar à juíza Gabriela Hardt a pena de disponibilidade pelo prazo de dois anos, com vencimentos proporcionais. Hardt era responsável por homologar, em 2019, um acordo entre a força-tarefa da Operação Lava Jato e a Petrobras para devolução de recursos desviados que estavam nos Estados Unidos.

    Motivação da punição e voto do relator

    O plenário acompanhou, por maioria, o voto do conselheiro-relator Rodrigo Badaró. Em seu entendimento, consignado no processo administrativo disciplinar, a magistrada não adotou cuidados mínimos ao autorizar que parte dos recursos fossem repassados a uma fundação privada encarregada da gestão dos valores.

    Posição do presidente do CNJ

    O último a votar foi o presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin. Embora tenha destacado a relevância das investigações da Lava Jato no enfrentamento da corrupção, Fachin ressaltou que os fins não justificam os meios, ressaltando que irregularidades não podem ser combatidas por práticas igualmente irregulares.

    Defesa e argumentos apresentados

    A defesa de Gabriela Hardt, representada pela advogada Ana Luísa Vogado de Oliveira, sustentou durante o julgamento que a juíza não praticou irregularidade ao homologar o acordo. Segundo a defesa, Gabriela considerou que o Ministério Público Federal de Curitiba e a Petrobras tinham legitimidade para celebrar o pacto, e não atuou por interesses ou motivada por vieses.

    Ao justificarem a atuação da magistrada, os defensores apontaram que eventuais erros nos autos deveriam ser corrigidos por meios processuais adequados, sem caracterizar conduta extra-autos que ensejasse punição disciplinar.

    Conteúdo do acordo e contexto histórico

    O acordo homologado em 2019 previa o repasse de R$ 2 bilhões para uma fundação de interesse social com objetivo declarado de combater a corrupção. A gestão do fundo estava prevista para integrantes da força-tarefa da Lava Jato, fato que deu origem à identificação popular do caso como “Fundação Dallagnol”, em referência ao ex-procurador Deltan Dallagnol, então à frente do grupo de investigação.

    Naquele mesmo ano, a homologação foi suspensa pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, após a Procuradoria-Geral da República apresentar recurso contra o acordo.

    Consequências imediatas para a magistrada

    Com a decisão, Gabriela Hardt ficará afastada do exercício do cargo por dois anos, em regime de disponibilidade, o que implica redução proporcional de vencimentos durante o período de afastamento. Atualmente, ela exerce função de juíza substituta na 23ª Vara Federal em Curitiba.

    Os autos que originaram a punição dizem respeito especificamente à homologação do acordo entre a força-tarefa da Lava Jato e a Petrobras, sem que o CNJ tenha, na comunicação pública do julgamento, estendido a decisão a outras práticas da magistrada.

    Fonte

    Informações com base em reportagem da Agência Brasil.

  • CNJ apresenta minuta de regras para prevenir conflito de interesses entre magistrados

    CNJ apresenta minuta de regras para prevenir conflito de interesses entre magistrados

    O ministro Edson Fachin, presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e também do Supremo Tribunal Federal (STF), apresentou nesta terça-feira (4) uma proposta de resolução destinada a prevenir e tratar situações de conflito de interesses entre magistrados. O objetivo declarado é consolidar a ética como cultura organizacional no Poder Judiciário.

    Escopo e objetivos da proposta

    A minuta de resolução traz regras para disciplinar a participação de juízes em eventos privados, o recebimento de presentes e a atuação de escritórios de advocacia de parentes de magistrados nos tribunais. Segundo comunicado do CNJ, a medida estabelece princípios e mecanismos para identificar, declarar, tratar e mitigar situações que possam comprometer a imparcialidade, a transparência e a confiança pública na atuação de magistrados e servidores em funções judiciais e administrativas.

    Mapeamento e monitoramento previstos

    Entre as medidas previstas na proposta está o mapeamento de relações familiares ou profissionais — por exemplo, com defensores ou partes em processos — que possam gerar dúvidas sobre a imparcialidade da atuação de juízes. A minuta também determina que os tribunais monitorem relações com fornecedores, prestadores de serviços, grandes litigantes ou agentes econômicos que possam lançar questionamentos sobre as decisões judiciais.

    Consulta, votação e prazos de adaptação

    Fachin abriu prazo de 60 dias, contados a partir da apresentação da minuta, para que os tribunais de todo o país encaminhem propostas de aprimoramento do texto. Somente após esse período a resolução deverá ser submetida à votação pelos conselheiros do CNJ. Caso a norma seja aprovada, a proposta prevê um prazo adicional de seis meses para que os tribunais adequem suas normas internas e se adaptem às novas diretrizes.

    O CNJ informou que a eventual resolução deverá alcançar os tribunais estaduais, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e os tribunais regionais federais (TRFs). No entanto, a proposta não deve impactar o cotidiano dos ministros do Supremo Tribunal Federal, uma vez que esses magistrados não estão submetidos ao controle do CNJ.

    Contexto interno do Judiciário

    Ao apresentar a proposta, Fachin ressaltou a prioridade do tema para o Poder Judiciário e afirmou que a iniciativa visa consolidar padrões éticos. O ministro também destacou que, desde o início de sua gestão no CNJ, 14 magistrados foram afastados. O CNJ relacionou a minuta a mecanismos para aumentar a transparência e a confiança pública.

    No Supremo Tribunal Federal, paralelamente, tramita uma proposta específica para a criação de um Código de Ética para os ministros. Em fevereiro deste ano, Fachin anunciou que a adoção desse Código seria uma prioridade de sua gestão e indicou a ministra Cármen Lúcia como relatora da proposta.

    O anúncio sobre o Código de Ética para ministros do STF ocorreu durante o período em que havia investigações envolvendo o Banco Master e menções aos nomes dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, conforme registro do contexto em que a iniciativa foi divulgada.

    Próximos passos

    • Período de 60 dias para contribuições dos tribunais ao texto da minuta;
    • Votação da resolução pelos conselheiros do CNJ após a consulta;
    • Se aprovada, prazo de seis meses para que tribunais ajustem normas internas e processos.

    O CNJ informou que a minuta busca instituir mecanismos formais para declarar e tratar conflitos de interesse e que a proposta será aprimorada com base nas contribuições recebidas no processo de consulta pública entre os tribunais.

  • Fachin apresenta ao CNJ proposta de regras para participação de juízes em eventos, brindes e conflitos de interesse

    Fachin apresenta ao CNJ proposta de regras para participação de juízes em eventos, brindes e conflitos de interesse

    O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) tem na pauta da sessão desta terça-feira (4) uma proposta do presidente do conselho e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, que cria regras para prevenir e gerir conflitos de interesse entre magistrados. A proposta está identificada como Política Nacional de Prevenção e Gestão de Conflitos de Interesses no âmbito do Poder Judiciário e será discutida a partir das 10h.

    Objetivo da proposta

    Segundo o texto levado ao plenário do CNJ, a política busca disciplinar condutas específicas de juízes no exercício da função. Entre os pontos em destaque estão a participação em eventos privados, o recebimento de presentes e a atuação de escritórios de advocacia ligados a parentes de magistrados nos tribunais. A proposta visa estabelecer critérios para evitar situações que possam gerar dúvidas quanto à imparcialidade ou a conflitos entre interesses públicos e privados.

    Articulação com o STF

    Além do CNJ, há no Supremo Tribunal Federal uma proposta em tramitação para estabelecer regras de conduta dos ministros. Em fevereiro, o próprio ministro Fachin indicou que a adoção de um Código de Ética para os integrantes do STF seria prioridade de sua gestão e apontou a ministra Cármen Lúcia como relatora da proposta para o tribunal.

    O anúncio sobre a iniciativa no STF ocorreu no contexto de investigações e menções a ministros em apurações, fato que Fachin mencionou quando tratou da elaboração do código de conduta. A proposição do CNJ aparece como medida paralela voltada ao conjunto do Poder Judiciário.

    Pena máxima administrativa e decisão do STF

    Também na sessão desta terça-feira, o CNJ deverá deliberar sobre a mudança no regime de punições disciplinares, em especial o fim da aposentadoria compulsória como pena máxima administrativa para magistrados condenados por faltas graves, como venda de sentenças ou assédio. A alteração decorre de um entendimento do Supremo que determinou o fim da aposentadoria compulsória como forma final de punição administrativa.

    Pelo encaminhamento definido após esse julgamento do STF, após a condenação pelo CNJ a Advocacia-Geral da União (AGU) deverá propor ação no Supremo para que a Corte analise a perda do cargo do magistrado. Antes da nova orientação, magistrados condenados pelo CNJ mantinham o direito ao recebimento dos vencimentos mensais.

    Histórico disciplinar do CNJ

    Desde sua criação, em 2005, o CNJ é o órgão responsável por julgar faltas disciplinares de juízes e desembargadores. Ao longo de 20 anos, o conselho aplicou a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) como referência para as sanções disciplinares, e condenou 126 magistrados à aposentadoria compulsória nesse período, conforme registros do próprio CNJ.

    A Loman estabelece um rol de penas disciplinares, incluindo advertência, censura, remoção compulsória, disponibilidade com vencimentos proporcionais e a aposentadoria compulsória como punição mais grave, modalidade agora questionada à luz do entendimento recente do STF.

    Próximos passos e atribuição

    Se aprovada, a Política Nacional de Prevenção e Gestão de Conflitos de Interesses formalizaria parâmetros aplicáveis às cortes e auxiliaria na uniformização de procedimentos internos. A decisão do CNJ sobre as penas administrativas e o encaminhamento para eventual ação da AGU no Supremo definirão como ficará operada a responsabilização de magistrados que cometam faltas disciplinares graves.

    As informações sobre a proposta e os demais pontos da pauta do CNJ foram divulgadas pela Agência Brasil.