O Brasil iniciou sua trajetória de medalhas nas Paralimpíadas em 6 de agosto de 1976, quando a dupla formada por Robson Sampaio de Almeida e Luiz Carlos da Costa conquistou a prata no lawn bowls, em Toronto (Canadá). A lembrança dessa conquista foi tema de uma homenagem realizada com a exposição das medalhas no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, segundo reportagem da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
A medalha histórica de Toronto (1976)
Naquele torneio, Robson e Luiz Carlos competiram inicialmente no basquete em cadeira de rodas e foram convidados a disputar também o lawn bowls — modalidade hoje extinta entre as Paralimpíadas e descrita como semelhante à bocha. A dupla brasileira terminou em segundo lugar no Etobicoke Lawn Bowling Club, atrás dos australianos Eric Magennis e Bruce Thwaite; os britânicos David Avis e Michael McCreadie ocuparam o terceiro lugar.
Momento de homenagem no CT Paralímpico
As medalhas foram exibidas em uma cerimônia simbólica no CT Paralímpico, espaço inaugurado em 2016 e considerado um dos legados dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro. A homenagem marcou o resgate de uma história que, segundo integrantes da família, vinha sendo pouco contada apesar da importância para a evolução do paradesporto no país.
Robson Sampaio de Almeida e o Clube do Otimismo
Robson fundou o Clube do Otimismo no Rio de Janeiro em 1958, instituição voltada a abrigar e reabilitar pessoas com deficiência sem recursos. De acordo com relatos familiares citados pela EBC, ele ficou paraplégico após um acidente enquanto trabalhava em uma fábrica de papéis nos Estados Unidos, episódio que gerou indenização usada para criar o clube. Robson faleceu em 1987.
O Clube do Otimismo passou a ser ponto de encontro e apoio para atletas como Luiz Carlos da Costa, conhecido como “Curtinho”, que se tornou parceiro de Robson nas competições. Familiares descreveram Luiz Carlos, atualmente em tratamento de Alzheimer e com 79 anos, como presença técnica nas equipes — ajudando inclusive na recuperação de rodas de cadeiras durante viagens e provas internacionais.
Evolução institucional e financiamento do paradesporto
A trajetória do paradesporto brasileiro mudou ao longo das décadas seguintes. O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) foi criado em 1995 e, em 1998, passou a integrar o Sistema Nacional do Desporto por meio da Lei 9.615 (Lei Pelé), conforme registro da EBC. Em 2001, a Lei Agnelo Piva (Lei 10.264) vinculou recursos de loterias federais ao financiamento do esporte: originalmente 2% — atualmente 2,7% — desse montante é destinado a ações esportivas, com 15% desse total reservado ao paradesporto e o restante ao Comitê Olímpico do Brasil (COB), segundo a mesma reportagem.
Essas alterações legais e a criação de estruturas como o CT Paralímpico são citadas por familiares e por especialistas como fatores que transformaram o panorama competitivo do país. A instalação do centro permitiu programas gratuitos de iniciação em modalidades adaptadas para crianças e adolescentes de 7 a 17 anos com deficiência física, visual e intelectual, contribuindo para o aumento do quadro de atletas e melhores resultados em edições recentes das Paralimpíadas.
Relatos da família e legado social
Integrantes da família de Robson destacaram, em entrevistas à EBC, o esforço pessoal do medalhista pioneiro para assegurar recursos e oportunidades no início da trajetória do paradesporto. Noêmia Almeida, sobrinha e filha adotiva de Robson, afirmou que o momento atual — com maior visibilidade, televisão e entrevistas — é resultado da luta de pioneiros que bateram em muitas portas para viabilizar uniformes, passagens e a participação em competições internacionais.
Para os parentes, a conquista de 1976 representa mais do que um resultado esportivo: simboliza um movimento de inclusão e a consolidação de políticas e estruturas que permitiram ao Brasil crescer entre as principais potências do esporte adaptado nas últimas décadas.
As informações desta matéria foram retiradas de reportagem veiculada pela Agência Brasil / Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
