Tag: cinema

  • Atriz Glória Menezes morre aos 91 anos no Rio de Janeiro

    Atriz Glória Menezes morre aos 91 anos no Rio de Janeiro

    A atriz Glória Menezes morreu nesta terça-feira (18) em sua residência no Rio de Janeiro, aos 91 anos, segundo informação publicada pela Agência Brasil. A família ainda não informou a causa do óbito nem divulgou detalhes sobre o velório.

    Trajetória artística

    Nascida Nilcedes Soares de Magalhães, em Pelotas (RS), em 1934, Glória Menezes iniciou a carreira no teleteatro da extinta TV Tupi e estreou em novela em 1959, com Um Lugar ao Sol. Ao longo de mais de seis décadas, participou de cerca de 40 produções televisivas e também trabalhou no teatro e no cinema.

    No cinema, integrou o elenco do filme O Pagador de Promessas, ao lado de Leonardo Villar, obra que foi premiada no Festival de Cannes em 1962. Na televisão, destacou-se em títulos que fizeram sucesso junto ao público, entre os quais Irmãos Coragem, Brega & Chique, Rainha da Sucata, Páginas da Vida e A Favorita.

    Parceria pessoal e profissional

    Em 1963, durante a exibição da novela 2-5499 Ocupado — apontada como a primeira telenovela diária do país — Glória Menezes trabalhou com o ator Tarcísio Meira. Os dois se casaram nesse mesmo ano e mantiveram uma longa união, tanto pessoal quanto artística, atuando juntos em diversos projetos televisivos, como Sangue e Areia, Rosa Rebelde, Espelho Mágico e Guerra dos Sexos.

    O casal permaneceu casado por 59 anos, até a morte de Tarcísio Meira, em 12 de agosto de 2021, em decorrência de covid-19, conforme registro da imprensa. Glória Menezes teve filhos de uniões diferentes: Maria Amélia e João Paulo, de uma relação anterior, e Tarcísio Filho, fruto do casamento com Meira.

    Últimos trabalhos e presença na mídia

    Menezes continuou atuando no teatro e no cinema até os anos 2000. Um de seus papéis mais recentes na televisão foi na novela Totalmente Demais, em 2015, quando interpretou a personagem Stelinha. Sua carreira abrangeu personagens variados, incluindo mocinhas e vilãs, e atravessou gerações de espectadores e profissionais da dramaturgia brasileira.

    Repercussão e legado

    Em nota citada pela Agência Brasil, o governador em exercício do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, afirmou que a perda da atriz entristece a cultura e as artes do país, destacando a trajetória de mais de seis décadas de Menezes nos palcos, no cinema e na televisão. Couto também ressaltou a versatilidade da atriz e seu papel na formação da memória cultural brasileira.

    O Ministério da Cultura também divulgou mensagem de pesar, lembrando que a carreira de Glória Menezes atravessou momentos fundamentais da história da televisão, do teatro e do cinema no Brasil, e afirmando que ela deixa um legado importante para a dramaturgia e para a memória cultural do país.

    Até a publicação desta reportagem, a família não havia informado detalhes sobre as cerimônias fúnebres. A Agência Brasil é a fonte das informações fundamentais sobre o falecimento e as manifestações oficiais divulgadas.

    O que se sabe até o momento

    • Data do falecimento: 18 de agosto de 2026, em sua casa no Rio de Janeiro.
    • Idade: 91 anos.
    • Causa da morte: não divulgada pela família.
    • Velório: local não informado pela família até o momento.
    • Carreira: mais de seis décadas, cerca de 40 produções televisivas, trabalhos em teatro e cinema.

    Esta reportagem baseia-se nas informações levantadas e divulgadas pela Agência Brasil.

  • Festival Guarnicê de Cinema realiza 49ª edição em São Luís entre 20 e 26 de agosto

    Festival Guarnicê de Cinema realiza 49ª edição em São Luís entre 20 e 26 de agosto

    O Festival Guarnicê de Cinema, um dos mais antigos do país e o mais longevo em atividade contínua no Norte e Nordeste, realiza sua 49ª edição em São Luís (MA) entre 20 e 26 de agosto. Organizado pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), o evento adotou o tema Encontro com Narrativas Humanas para propor uma reflexão sobre a essência da experiência cinematográfica.

    Programa e objetivo do tema

    Segundo a direção do festival, a proposta temática busca reafirmar o cinema como espaço de convivência, troca e construção coletiva. A ideia é que ao reunir artistas, realizadores, pesquisadores e público, o Guarnicê fomente narrativas que promovam diálogo, memória e novas formas de olhar o mundo. A diretora Rosélis Barbosa destacou a importância histórica do festival e seu papel na formação de plateia e na democratização cultural, além de dar visibilidade ao cinema independente, especialmente ao produzido no Nordeste e no Maranhão.

    Seleção e diversidade de obras

    Para esta edição, o festival recebeu mais de 1,4 mil inscrições de obras de todas as regiões do Brasil. Cerca de 150 produções foram selecionadas e serão exibidas, evidenciando uma diversidade territorial que coloca o Guarnicê como uma vitrine para o audiovisual brasileiro e, ao mesmo tempo, para a produção maranhense.

    Os títulos escolhidos abrangem formatos e gêneros variados — documentários, ficções, animações, obras experimentais, dramas e comédias — e tratam de temas como memória, identidade, território, cultura popular, relações sociais, diversidade, ancestralidade, ambiente natural, relações de gênero, juventude, questões indígenas e desigualdades sociais.

    Homenagens e formação

    O festival fará homenagens a figuras do cinema e da atuação. Entre os homenageados constam a atriz Marcélia Cartaxo, reconhecida internacionalmente por sua atuação em A Hora da Estrela (1985); o ator Romulo Estrela; e o cineasta Frederico Machado, autor de obras como Punga, Boi de Lágrimas e O Exercício do Caos, conforme informado pela organização.

    Além da exibição de filmes, a programação é pensada como espaço de formação e qualificação. Estão previstas oficinas, debates, seminários e ações formativas, incluindo o Seminário Ciência Filme Guarnicê, que aproxima o audiovisual da universidade, e a Mostra de Jogos Digitais, ampliando as frentes de discussão e prática no campo audiovisual e tecnológico.

    Exibições presenciais e acesso digital

    As sessões presenciais da mostra acontecerão no Cinépolis, do São Luís Shopping, e no Cinema Sesc Deodoro. Para ampliar o alcance, os filmes das mostras competitivas também estarão disponíveis gratuitamente na plataforma Guarnicê e no aplicativo Cine Guarnicê: as obras entram no ar às 17h30 do dia em que forem exibidas presencialmente e permanecem acessíveis até as 18h do dia seguinte.

    O festival é gratuito, e a organização orienta o público a consultar o site oficial do evento para informações detalhadas sobre a programação, horários e inscrições para atividades formativas.

    Origem das informações

    As informações desta matéria são baseadas em reportagem da Agência Brasil e em declarações da direção do Festival Guarnicê divulgadas pela organização do evento.

  • Bruno Gagliasso defende que Brasil produza mais filmes sobre a ditadura em estreia de Honestino

    Bruno Gagliasso defende que Brasil produza mais filmes sobre a ditadura em estreia de Honestino

    Estreia e proposta do filme

    O documentário-híbrido Honestino, dirigido por Aurélio Michiles, estreou em 18 cidades brasileiras na quinta-feira, 13 de agosto de 2026. A obra retrata a trajetória de Honestino Guimarães, estudante de geologia da Universidade de Brasília (UnB), que desapareceu aos 26 anos e foi preso e assassinado em 1973. Honestino também foi presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) e defensor do ensino público e gratuito.

    Depoimentos e motivações dos envolvidos

    Em coletiva de imprensa em Brasília (DF), o ator Bruno Gagliasso afirmou que o país deveria produzir mais filmes sobre o período da ditadura militar (1964-1985). “Nunca vai ser o suficiente”, disse, ao responder a pergunta da Agência Brasil. Ele explicou que aceitou o convite para participar porque considera que a história de Honestino precisa ser mais conhecida pelas novas gerações e que a memória do militante pertence a todos que lutam por justiça, igualdade e democracia.

    O produtor Nilson Rodrigues, presente na coletiva, comparou a produção cinematográfica brasileira sobre a ditadura com a de outros países da região. Segundo Rodrigues, se o Brasil fez cerca de 30 filmes de ficção sobre o tema, a Argentina teria realizado mais de 100, o que, em sua avaliação, representa um volume maior de obras que abordam regimes ditatoriais sul-americanos.

    Escolha pelo formato híbrido e fontes de arquivo

    O diretor Aurélio Michiles explicou que a opção por um formato híbrido — que combina imagens de arquivo e recriações com atores — foi motivada pela dificuldade de localizar material visual da época. Ele afirmou que as lideranças estudantis costumavam pedir que assembleias e protestos não fossem fotografados ou filmados para preservar a segurança dos participantes, o que tornou os arquivos desse período raros.

    Como exemplo de arquivo de época, Michiles citou um filme produzido sobre a invasão de agentes da ditadura à UnB em 1968, realizado por um aluno da universidade que hoje é cineasta, Hermano Penna. O diretor descreveu esse registro como um material valioso que mostra episódios de repressão, incluindo cenas de agressão a alunos e professores.

    Recepção pessoal e objetivo do projeto

    Bruno Gagliasso disse que se emocionou ao ouvir familiares de Honestino afirmarem que ele se parecia com o estudante fotografado e lembrado pela família. O ator declarou ainda que não conhecia a história antes de participar do projeto e que considera uma responsabilidade pessoal e artística ajudar a preservar essa memória — inclusive para que seus filhos saibam quem foi Honestino Guimarães.

    O filme, segundo os integrantes da equipe ouvidos pela Agência Brasil, busca, portanto, preencher lacunas da memória documental por meio de recriações dramatizadas, sem prescindir de registros originais quando estes existem.

    Contexto histórico citado na produção

    A própria matéria da Agência Brasil ressalta que a produção aborda o período da ditadura militar no Brasil, com referência a episódios anteriores ao Ato Institucional Número Cinco (AI-5), como a invasão à UnB em 1968 registrada no filme citado por Michiles. Honestino Guimarães teve papel na mobilização estudantil da época e sua morte em 1973 é elemento central do longa.

    Próximos passos mencionados

    Além da estreia em 18 cidades, a coletiva não detalhou rotas de exibição futuras ou cronogramas de lançamento adicionais. As declarações dos envolvidos focaram na importância de difundir a história de Honestino e em discutir a escassez de obras sobre a ditadura no Brasil em comparação com outros países da região.

  • Cinefoot premia Copinha, de Joaquim Salles, como Melhor Filme da mostra internacional

    Cinefoot premia Copinha, de Joaquim Salles, como Melhor Filme da mostra internacional

    O Festival de Cinema de Futebol (Cinefoot) anunciou Copinha, de Joaquim Salles, como Melhor Filme da mostra competitiva internacional entre os longas da 16ª edição do evento. A produção acompanha o percurso do Esporte Clube Macapá na edição de 2024 da Copa São Paulo de Futebol Júnior, conhecida como Copinha.

    Premiações e principais vencedores

    Além de Copinha, a mostra competitiva internacional premiou também o curta Camisa 9, dirigido por Guilherme Baptista, como Melhor Curta-Metragem. O Troféu João Saldanha, destinado a obras que ressaltam aspectos humanos e democráticos do futebol, foi concedido a Coligay, de Guto Franco e Murilo Megale. Já o Troféu Museu da Pelada premiou Várzea, documentário de D’Andrade que trata da memória do futebol amador em campos de terra.

    Copinha: foco no Macapá e na busca por visibilidade

    O longa de Joaquim Salles documenta a passagem do Esporte Clube Macapá pela Copinha de 2024, destacando a trajetória de jovens jogadores que enfrentam a dificuldade de morar longe dos grandes centros do futebol. No torneio citado, o Macapá venceu o Potyguar Seridoense-RN, empatou com o Flamengo de Guarulhos (SP) e com o Vasco, classificando-se em segundo lugar do Grupo 29 antes de ser eliminado na fase seguinte pelo Ibrachina, clube paulista com ênfase em categorias de base.

    O filme de Salles superou concorrentes de países como Argentina, Espanha e Reino Unido na votação que definiu o prêmio entre os longas. Joaquim Salles é sobrinho do cineasta Walter Salles e filho do documentarista João Moreira Salles, informação relacionada ao perfil do diretor destacada pela cobertura do festival.

    Exibições e formato de votação

    As sessões da 16ª edição do Cinefoot foram gratuitas e ocorreram em quatro salas no Rio de Janeiro entre quinta-feira da semana passada (6) e terça-feira (11). Em São Paulo, as exibições foram realizadas no Museu do Futebol entre a última sexta-feira (7) e segunda-feira (10). O prêmio de Melhor Filme da mostra competitiva internacional foi decidido por voto popular, segundo a programação do festival.

    Outros temas premiados

    O curta vencedor, Camisa 9, recupera a história de três jornalistas negros da família Baptista — Orlando e os filhos Luiz Orlando e Oswaldo — que renovaram a forma de cobrir futebol na televisão durante os anos 1980, trazendo irreverência e representatividade para a famosa mesa-redonda. Já o documentário Coligay relembra a fundação de uma torcida do Grêmio que se tornou conhecida por ser a primeira torcida 100% gay do país, surgida durante o período da ditadura militar, e foi reconhecido pelo Troféu João Saldanha.

    Várzea, vencedor do Troféu Museu da Pelada, aborda memórias ligadas ao futebol amador jogado em campos de terra e o processo de desaparecimento desses espaços, tema que dialoga com debates sobre urbanização e preservação de práticas esportivas locais.

    Contexto do festival

    A 16ª edição do Cinefoot manteve a proposta de aproximar o público de produções que tratam o futebol em suas múltiplas dimensões: esportiva, cultural e social. As exibições gratuitas em salas do Rio de Janeiro e em São Paulo permitiram acesso amplo às obras selecionadas para as mostras competitivas.

    As informações sobre vencedores, programação e exibições constam na cobertura do festival pela Agência Brasil.

  • Governo do DF empenha R$ 2,77 milhões para 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

    Governo do DF empenha R$ 2,77 milhões para 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

    A Secretaria de Economia do Distrito Federal (Seec) confirmou, nesta terça-feira (11), o empenho de R$ 2,77 milhões para a organização da 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, previsto para ocorrer entre os dias 11 e 19 de setembro, em Brasília. A informação foi divulgada à Agência Brasil.

    Confirmação do aporte e papel do governo

    A disponibilização dos recursos foi tornada pública um dia após a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, anunciar nas redes sociais que determinou à secretaria a adoção das providências necessárias para garantir o financiamento do festival. A Secretaria de Cultura e Economia Criativa ainda não divulgou detalhes sobre o cronograma de pagamento dos valores empenhados.

    Pressão do setor audiovisual e reações

    O anúncio do governo ocorreu em contexto de críticas de profissionais do audiovisual, que haviam apontado um clima de incerteza em relação à realização do evento. O diretor artístico do festival, Eduardo Valente, utilizou redes sociais para lamentar a possibilidade de cancelamento e conclamou a união de associações, do setor e do público para preservar o festival.

    Em publicações posteriores, Valente voltou ao tema e mencionou o curto prazo até o evento, afirmando que o festival precisava ser organizado em 30 dias e que havia um anúncio de seleção previsto para ser divulgado em uma semana, segundo suas palavras nas redes sociais.

    Importância histórica e dimensão da edição 2026

    Criado em 1965, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro é o mais longevo do país no setor cinematográfico e se consolidou como fórum de debate sobre o audiovisual nacional, segundo registro histórico. Ao longo de sua trajetória, deixou de ocorrer apenas em dois anos durante o período da ditadura militar e foi realizado de forma virtual durante a crise sanitária da pandemia de covid-19 (2019–2023). Desde 2007, consta como patrimônio imaterial do Distrito Federal.

    A edição de 2026 registrou um número recorde de inscrições: 1.928 obras pleitearam uma vaga na programação. A organização confirmou a exibição de mais de 80 filmes, envolvendo centenas de profissionais de diversas regiões do Brasil. Conforme a tradição do festival, as obras selecionadas precisam ser inéditas, e os vencedores recebem o Troféu Candango, entregue em homenagem aos pioneiros da construção da capital.

    Próximos passos e incertezas remanescentes

    Com o empenho confirmado pela Secretaria de Economia, o próximo passo formal apontado pela reportagem é a divulgação, pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa, do cronograma de pagamento e das etapas administrativas necessárias para a execução do evento. Enquanto isso, o setor segue atento aos prazos operacionais citados pelo diretor artístico, que ressaltou a existência de poucos dias para concluir a organização e divulgar seleções.

    A Agência Brasil registrou as confirmações e as declarações públicas citadas, que marcaram a sequência de atos que levou à liberação do montante por parte do governo do Distrito Federal.

    O desfecho permite que a estruturação da programação presencial prossiga, mas a efetiva implementação dependerá da publicação das informações financeiras e logísticas pela secretaria responsável.

  • GDF cancela 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

    GDF cancela 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

    O Governo do Distrito Federal comunicou, em 10 de agosto de 2026, o cancelamento da 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O festival estava programado para ocorrer entre 11 e 19 de setembro, no Cine Brasília, e vinha com um número recorde de inscrições: 1.928 filmes candidataram-se a participar da mostra.

    Cancelamento e situação da programação

    Segundo os organizadores, a seleção das obras já havia sido realizada e mais de 80 filmes estavam confirmados para a programação. Uma coletiva de imprensa para divulgação da programação completa estava marcada para 18 de agosto, data que ficou sem efeitos após a decisão do GDF.

    O diretor artístico do festival, Eduardo Valente, publicou nas redes sociais seu pesar pelo cancelamento, afirmando que a seleção já estava pronta e que profissionais do audiovisual estavam “empolgados e com planos para suas estreias”. Valente também convocou a união de associações, do setor e do público do Distrito Federal para buscar uma solução.

    Repercussão entre produtores, cineastas e entidades

    A confirmação do cancelamento gerou reação imediata na classe artística. Os organizadores planejaram publicar, em 11 de agosto, uma nota de repúdio à decisão do GDF e solicitar a reversão do ato, de acordo com a Agência Brasil.

    Tiago de Aragão, diretor regional da Associação das Produtoras Independentes do Audiovisual Brasileiro (API) no Centro-Oeste, lamentou o impacto sobre profissionais e produtoras que já vinham trabalhando e, segundo ele, sem receber. Aragão vinculou o cancelamento à crise política e financeira instalada no GDF após o escândalo envolvendo títulos de bancos mencionado por sua declaração à imprensa.

    Para Tatiana Costa, presidente da Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (Apan), o ato tem dimensão simbólica e política: ela ressaltou que, além do efeito imediato sobre o mercado de trabalho, existe o risco de contágio a outros festivais do país. Costa também lembrou que, historicamente, somente durante a ditadura militar o Festival de Brasília deixou de ser realizado.

    Cineastas locais também manifestaram preocupação. Carina Bini, autora que levou seu filme Mil Luas à edição anterior, ressaltou o papel do festival na movimentação de uma cadeia produtiva, na geração de empregos e de recursos para o Distrito Federal, além de sua importância cultural e histórica.

    Contexto histórico e características do festival

    Fundado em 1965, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro é o mais longevo do país e chegaria em 2026 à 59ª edição. Desde 2007, consta como patrimônio imaterial do Distrito Federal. Ao longo de sua trajetória, a mostra deixou de ser realizada apenas em dois anos durante a ditadura militar, conforme registro histórico do próprio festival citado na cobertura da Agência Brasil.

    Uma característica marcante do evento é a exigência de que as obras inscritas sejam inéditas; os vencedores recebem o Troféu Candango, em homenagem aos pioneiros que construíram a capital. Em 2026, a organização havia recebido o maior número de inscrições de sua história, com 1.928 filmes concorrendo a vagas na programação.

    Posição do governo e próximos passos

    A Agência Brasil procurou a Secretaria de Cultura do Distrito Federal para comentar a decisão de cancelamento, mas, até a publicação da matéria, não obteve manifestação do órgão. O espaço permanece aberto para eventuais posicionamentos do GDF, conforme informação da agência.

    Os organizadores e entidades representativas do setor anunciam ações de contestação e a publicação de uma nota pública de repúdio, pedindo a reversão do cancelamento. As próximas movimentações oficiais da organização e quaisquer respostas do GDF serão acompanhadas pela imprensa e pelo setor audiovisual.

    Fonte: Agência Brasil.

  • Mostra de Cinema China-Brasil reúne 14 filmes gratuitos no Rio e promove intercâmbio cultural

    Mostra de Cinema China-Brasil reúne 14 filmes gratuitos no Rio e promove intercâmbio cultural

    A 5ª Mostra de Cinema China-Brasil estreia em 3 de agosto e se estende até 25 de agosto, com sessões abertas ao público no CineSystem Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro. A programação integra 14 filmes, incluindo sete produções chinesas inéditas no Brasil, e ocorre no contexto do Ano Cultural Brasil-China, segundo reportagem da Agência Brasil.

    Curadoria e proposta editorial

    A curadoria foi assinada por Arthur Chen e Hélio Pitanga, idealizadores da iniciativa. Eles explicam que a seleção privilegia obras que fogem a estereótipos e mostram aspectos menos divulgados da China, como a trajetória do agrônomo retratado em Yuan Longping: Pai do Arroz e documentários que abordam trabalho e tecnologia, como Iluminando Ali: O Diário de um Engenheiro e Trabalhadores da Rede Elétrica do Cinturão e Rota.

    Chen, nascido na província de Zhejiang e naturalizado brasileiro, afirmou à Agência Brasil que procurou autenticidade, diversidade e empatia ao escolher os filmes chineses, e destacou a presença de Operação Sombra, com Jackie Chan, como atração inédita no país.

    Programação e destaques

    Todas as exibições no CineSystem Botafogo terão entrada franca; ingressos podem ser retirados pelo site Ingresso.com ou na bilheteria do complexo. A mostra inclui gêneros variados: ficção, documentário e animação, tanto chineses quanto brasileiros.

    Entre os títulos chineses inéditos estão Operação Sombra (ação, com Jackie Chan), Master Zhong (animação/ação) e produções documentais e animadas como Filho Cabeçudo e Pai Cabeçudo e Liangzhu: Um Diálogo entre Civilizações. A programação brasileira reúne filmes como Mamonas Assassinas: O Filme, Corações a Mil, Belchior – Apenas um Coração Selvagem, Nosso Lar 2: Os Mensageiros, Betinho – A Esperança Equilibrista, Tromba Trem: O Filme e Vai Pra China, Eduardo.

    Os organizadores informaram que a seleção nacional buscou obras com bom desempenho em festivais e que, muitas vezes, não chegam amplamente às salas comerciais — sobretudo documentários — oferecendo ao público uma oportunidade de assisti-las em tela grande.

    Atividades educativas, concurso e circuito cultural

    Uma das novidades desta edição é o Concurso Jovem Cineasta, destinado a jovens de 18 a 29 anos residentes no estado do Rio de Janeiro. As produções inscritas devem ter entre 1 e 2 minutos e abordar a temática do Ano de Relações Culturais China x Brasil. A premiação ocorrerá no dia 4 de agosto, durante a cerimônia de abertura oficial no Palácio Tiradentes, com a participação da atriz Lucélia Santos, conforme informou a organização.

    Também haverá um circuito educativo em escolas bilíngues da rede pública do Rio que oferecem mandarim no currículo. No Ciep Samuel Wainer e na Escola Municipal Orsina da Fonseca (Tijuca), alunos assistirão a animações e documentários chineses como Muqiling, Yeluoli, Liangzhu, Os Temíveis Monstros da Dinastia Tang e Tromba Trem: O Filme, com a proposta de ampliar o contato entre o idioma e a cultura cinematográfica.

    Ao longo do mês, a mostra será levada a centros culturais e bibliotecas, incluindo a Arena Carioca Fernando Torres (Madureira), a Biblioteca Parque da Rocinha e o Instituto Zeca Pagodinho, em Xerém, onde o público também poderá participar de conversas com profissionais do mercado audiovisual chinês.

    Premiação e reconhecimento

    Na noite de abertura, em 4 de agosto, será entregue o Prêmio Arara Azul às 14 produções participantes. Hélio Pitanga destacou que a mostra se posiciona como espaço de reconhecimento para todos os filmes selecionados, independentemente de terem recebido prêmios em outros eventos, enfatizando o caráter de estímulo à produção audiovisual.

    As informações sobre títulos, horários e locais de exibição foram divulgadas pela organização da mostra e reportadas pela Agência Brasil.

  • Participação feminina na direção de filmes brasileiros permanece abaixo de 20%, dizem produtoras

    Participação feminina na direção de filmes brasileiros permanece abaixo de 20%, dizem produtoras

    A presença de mulheres em posições de comando dentro das produções cinematográficas brasileiras segue aquém da representatividade observada em outras áreas do setor. Segundo organizadoras de festival e dados oficiais, a participação feminina na direção de filmes e séries não ultrapassa 20%.

    Indicadores e panorama atual

    O Anuário Estatístico do Audiovisual Brasileiro de 2024, elaborado pelo Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual (OCA) e publicado pela Agência Nacional de Cinema (Ancine), aponta que mulheres representam 17% da direção de séries e filmes produzidos no país. No levantamento, dos longas-metragens brasileiros produzidos em 2023, 231 foram dirigidos exclusivamente por homens e 52 por mulheres. No campo do roteiro, os registros também mostram predominância masculina: 165 roteiros assinados por homens contra 41 por mulheres.

    Ao mesmo tempo, o anuário mostra maior presença feminina em outras áreas técnicas e de circulação: nas atividades de exibição as mulheres somam 58% dos profissionais e na distribuição, 54%. Na direção de arte 99 trabalhos foram liderados por mulheres contra 57 por homens, e na produção-executiva as mulheres somaram 110 frente a 66 homens.

    Apelos por políticas públicas e metas

    Em entrevista à Agência Brasil durante o festival Bonito CineSur, a produtora e diretora Minom Pinho — coordenadora e idealizadora do Festival Internacional de Mulheres no Cinema (FIM Cine) e diretora da Associação Paulista de Cineastas (Apaci) — afirmou que a transformação do quadro exige políticas públicas com indicadores e metas concretas. Como exemplo de meta, ela citou a estipulação de que 30% das funções de roteiro e direção em longas-metragens sejam ocupadas por mulheres até 2030.

    Minom ressaltou que a menor participação feminina não decorre de falta de qualificação. Segundo ela, apesar de representarem parcela reduzida dos cargos de liderança, as cineastas chegam a captar fatias relevantes de público e demonstram capacidade de gestão criativa dos projetos. Por isso, defende que a adoção de metas claras pode alterar estruturas que se mantém como “zonas de resistência”.

    Debate no Bonito CineSur e vozes do setor

    O Bonito CineSur promoveu mesa sobre protagonismo feminino no cinema sul-americano que reuniu profissionais da região. Além de Minom, participaram a atriz chilena Paulina García e a diretora e produtora Gabriela Sandoval, do Festival Internacional de Cinema de Santiago (Sanfic).

    Paulina García destacou a necessidade de ampliar a diversidade de papéis e enredos escritos e protagonizados por mulheres, argumentando que há estereótipos limitantes sobre personagens femininas. Gabriela Sandoval apontou o papel da articulação entre mulheres do continente para ampliar a presença em espaços decisórios e, assim, viabilizar outras narrativas no cinema sul-americano.

    Implicações para as narrativas e o mercado

    Organizadoras e artistas entrevistadas defendem que maior presença feminina em roteiro e direção altera o ponto de vista das obras e amplia a diversidade das histórias contadas. Minom Pinho disse esperar que o setor caminhe para a equidade na próxima década, ressaltando que o estabelecimento de metas e políticas públicas é uma ferramenta para alcançar esse objetivo.

    Os dados do anuário reforçam a existência de padrões ocupacionais: enquanto mulheres lideram áreas como direção de arte e produção-executiva, elas continuam sub-representadas nas decisões criativas centrais. A proposta de metas percentuais se apoia na ideia de que intervenções públicas podem acelerar a mudança estrutural.

    Próximos passos e cobertura

    O debate realizado no Bonito CineSur indica mobilização de produtoras, festivais e artistas em torno do tema. As propostas colocadas incluem a criação de indicadores e a definição de prazos para elevar a participação feminina em roteiro e direção, sem, contudo, haver anúncio de medidas públicas implementadas. Os números citados aqui são os apresentados pelo Anuário Estatístico do Audiovisual Brasileiro de 2024 (OCA/Ancine) e os comentários são provenientes das falas registradas pela reportagem da Agência Brasil durante o festival.

    Nota: a repórter viajou a convite do Bonito CineSur, conforme informado na cobertura.