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  • Relatório do Cimi aponta 258 indígenas assassinados em 2025 e aumento da violência

    Relatório do Cimi aponta 258 indígenas assassinados em 2025 e aumento da violência

    O relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil, divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) em 13 de agosto de 2026, identificou 258 indígenas assassinados em 2025. O número é superior aos 211 homicídios registrados em 2024, segundo dados compilados pelo Cimi a partir do Sistema de Informação sobre Mortalidade, secretarias estaduais de saúde e da Secretaria Especial de Atenção à Saúde Indígena (Sesai).

    Números gerais e estados mais afetados

    Os estados com maiores registros de homicídios foram Roraima (82), Amazonas (47) e Mato Grosso do Sul (37). Além dos assassinatos, o estudo aponta crescimento em três tipos de violência: contra a pessoa, contra o patrimônio e por omissão do Poder Público. A pesquisa registrou 1.276 casos de violência contra o patrimônio, dos quais 897 estão relacionados à omissão e morosidade na regularização de terras; 169 a conflitos territoriais; e 210 a invasões, exploração ilegal de recursos e danos ao patrimônio indígena.

    Conflitos territoriais, demarcação e contexto jurídico

    O relatório destaca que parte das agressões ocorreu em terras já oficialmente delimitadas pelo Estado, mas com processos demarcatórios em tramitação há mais de dez anos. Casos citados incluem ataques em áreas em processo de demarcação ou em disputa, com exemplos de violência no Paraná, Bahia e Mato Grosso do Sul.

    O Cimi relaciona o aumento da violência ao impasse jurídico em torno da Lei 14.701/2023 (conhecida como Lei do Marco Temporal) e à demora do Supremo Tribunal Federal (STF) em julgar pedidos de controle de constitucionalidade dessa lei, que segundo o relatório incorpora dispositivos que facilitam a exploração de terras indígenas por terceiros e dificultam demarcações. O estudo também aponta pressões econômicas por regulamentação da mineração, obras de infraestrutura e exploração de gás e petróleo em áreas com impacto direto sobre povos indígenas.

    Saúde, suicídio e mortalidade infantil

    O documento registrou 215 suicídios indígenas em 2025, acima dos 208 contabilizados em 2024. Os estados com maior incidência foram Amazonas (77), Mato Grosso do Sul (42) e Roraima (37). Os suicídios permaneceram concentrados entre jovens: 41% dos casos ocorreram em pessoas de 20 a 29 anos e 34% em quem tem até 19 anos.

    A mortalidade de bebês e crianças até 4 anos também cresceu: foram 1.024 óbitos em 2025, ante 922 no ano anterior. Amazonas (306), Roraima (158) e Mato Grosso (123) levaram os maiores números. Do total, 586 óbitos (57%) foram atribuídos a causas consideradas evitáveis, como gripe e pneumonia (104), doenças infecciosas intestinais (85) e desnutrição (32).

    Falta de assistência e condições sanitárias

    O relatório contabilizou 366 registros relacionados à ausência de políticas públicas: 58 casos de falta de assistência de forma geral, 111 na área de educação e 121 na área da saúde; além de 62 mortes por falta de atendimento em saúde e 14 registros envolvendo consumo de álcool e outras drogas. O Cimi aponta que a desassistência inclui falta de infraestrutura, profissionais, medicamentos, acesso precário à água potável e saneamento básico, e poluição de cursos d’água por agrotóxicos e mercúrio de garimpos.

    No Rio Grande do Sul, o documento ressalta a situação de indígenas em lutam por terras que vivem acampados à beira de estradas, em condição de extrema vulnerabilidade.

    Processos de regularização e povos isolados

    Das 1.443 terras e reivindicações territoriais no país, 897 estão pendentes de alguma medida administrativa; 582 dossiers sequer tiveram providências iniciais para demarcação. Em 2025, foram publicados nove relatórios circunstanciados de Identificação e Delimitação pela presidência da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai); o Ministério da Justiça emitiu dez portarias declaratórias; sete terras foram homologadas e cinco registradas como patrimônio da União. O Cimi considera esses avanços insuficientes diante da demanda.

    O estudo também analisa povos indígenas em isolamento voluntário. A Equipe de Apoio aos Povos Livres do Cimi apontou 119 registros de povos isolados no Brasil, dos quais apenas 28 foram confirmados pela Funai. Foram relatados casos de invasão e dano ao patrimônio em 20 terras onde há presença de 45 registros de povos isolados.

    O relatório do Cimi compila e analisa os dados oficiais para mapear o cenário de violência e as lacunas na proteção dos povos indígenas no Brasil em 2025. A fonte dos dados inclui o Sistema de Informação sobre Mortalidade, secretarias estaduais de saúde e a Secretaria Especial de Atenção à Saúde Indígena (Sesai), conforme divulgado pela Agência Brasil.