Em 10 de agosto de 2026, a Polícia Federal (PF), em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), realizou uma operação para aprofundar investigações sobre supostas irregularidades na aplicação de recursos do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) em operações financeiras com o Banco Master.
Alvos da operação e mandados
Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em endereços localizados em Alagoas e em São Paulo. A investigação aponta ligações entre integrantes da gestão do Iprev, conselheiros e uma empresa de consultoria contratada pelo instituto.
- João Felipe Alves Borges: atual secretário de Fazenda de Maceió; integrava o Conselho de Administração do Iprev na época dos fatos investigados.
- Ronnie Reyner Teixeira Mota: ex-diretor-presidente do Iprev.
- Gustavo Antônio Rodrigues de Souza: ex-coordenador-geral de Investimentos do Iprev.
- Renan Foglia Calamia: dirigente da empresa de consultoria Crédito & Mercado.
- Marília Alexandre de Lima Alves: integrante da Secretaria Municipal da Fazenda.
- Marcelo Brasileiro Santos: membro do Comitê de Investimentos do Iprev.
Medidas autorizadas e bloqueio de bens
No despacho que autorizou a operação, o ministro André Mendonça permitiu a apreensão de computadores, discos rígidos, pendrives e outras mídias, além de telefones pessoais e corporativos. Também foram autorizadas buscas por documentos físicos, agendas, anotações, contratos e comprovantes financeiros tanto em endereços residenciais e comerciais vinculados aos investigados quanto nas sedes do Iprev e da consultoria Crédito & Mercado de Valores Mobiliários LTDA.
Além das buscas, o ministro decretou a indisponibilidade dos bens móveis e imóveis, bem como de valores dos seis investigados, até o limite global de R$ 97 milhões. A medida tem caráter cautelar no âmbito das apurações promovidas pela PF e pela CGU.
Origem dos recursos aplicados e foco das investigações
De acordo com a Polícia Federal, as suspeitas recaem sobre duas aplicações do Iprev em letras financeiras emitidas pelo Banco Master: um aporte de R$ 97 milhões realizado em dezembro de 2023 e outro de R$ 17 mil efetuado em maio de 2024. A investigação busca esclarecer como ocorreram o credenciamento, os processos de cotação, a análise de risco, a governança e as decisões que antecederam esses investimentos.
O Ministério Público e a Polícia Federal, ao pedir autorização judicial, apontaram indícios de “possível direcionamento dos investimentos e exposição desproporcional do patrimônio previdenciário a ativos de risco elevado e liquidez reduzida”, conforme trecho do despacho do ministro do STF. A PF também relatou que as Autorizações de Aplicação e Resgate (APRs) teriam sido preenchidas com justificativas genéricas e padronizadas, sem estudos comparativos de alternativas, análises suficientes de risco de crédito, avaliação de liquidez ou exame de cláusulas de subordinação.
Contexto institucional
O Banco Master, propriedade do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi liquidado extrajudicialmente em novembro de 2025 por determinação do Banco Central, que apontou violação de normas do Sistema Financeiro Nacional e grave crise de liquidez. As aplicações do Iprev nas letras financeiras do Master ocorreram antes dessa intervenção do BC.
A PF e a CGU concentram agora seus trabalhos em levantar elementos probatórios que esclareçam responsabilidades administrativas e eventuais ilícitos penais relacionados às aplicações.
Posição do Iprev e andamento
Em nota, o Iprev afirmou que “os atos relacionados aos investimentos observaram os ritos legais e administrativos aplicáveis” e informou que o patrimônio do instituto cresceu de cerca de R$ 400 milhões em 2021 para mais de R$ 1,6 bilhão atualmente, o que, segundo o órgão, garante a capacidade de pagamento de aposentados e pensionistas. O instituto declarou ainda estar colaborando com as autoridades.
A reportagem da Agência Brasil informou que ainda não conseguiu contato com os investigados citados e que o espaço permanece aberto para manifestações dos interessados. As investigações prosseguem conforme diligências determinadas pela PF, CGU e pelo STF.

