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    Centrais sindicais entregam propostas ao governo para enfrentar ‘tarifaço’ dos EUA

    Em reunião realizada em São Paulo no dia 31 de julho, seis centrais sindicais entregaram ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias Rosa, um documento com propostas para enfrentar o impacto do aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos a uma série de produtos brasileiros, informou a Agência Brasil.

    Pontos centrais do documento

    As entidades — CUT, Força Sindical, UGT, CTB, CSB e NCST — propõem medidas focadas na defesa do emprego, no estímulo à produção interna e no reforço de instituições públicas. Entre as sugestões constam exigência de manutenção de vagas de trabalho para empresas que tenham acesso a programas de socorro e maior utilização das compras públicas e da política de conteúdo local para impulsionar a indústria nacional.

    Investimento público e política industrial

    O documento recomenda ampliar os investimentos públicos em infraestrutura social e produtiva, citando áreas como transporte, energia, habitação, saúde e educação. As centrais também pedem fortalecimento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como instrumento para apoiar a produção interna e contrabalançar os efeitos da medida tarifária externa.

    Proteção social, transição e comércio internacional

    As propostas incluem a criação de fundos de compensação e programas de transição para trabalhadores prejudicados pelo comércio internacional, além de mecanismos para reforçar a organização sindical e assegurar negociação coletiva nos setores impactados. As centrais também defendem a busca de novos mercados para os produtos que foram tarifados pelos EUA e o reforço do Mercosul como instrumento de integração econômica regional.

    No texto, as centrais apontam preocupação com os impactos econômicos, de emprego e de soberania produtiva e política causados pelo que chamam de agravamento da guerra comercial decorrente das medidas protecionistas norte-americanas.

    Aspectos legais e concorrenciais

    Entre as recomendações, o documento propõe a revisão da Lei de Patentes para coibir abusos relacionados à propriedade intelectual. As centrais também manifestaram apoio às medidas que o Brasil já adotou em resposta ao aumento tarifário e citaram a Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada no Congresso no ano anterior.

    Segundo as centrais, o modelo de desenvolvimento que defendem deve priorizar a geração e a proteção de empregos, combater a precarização do trabalho e promover a valorização da renda do trabalho para fortalecer a capacidade de consumo das famílias.

    Contexto internacional: ação brasileira na OMC

    O documento das centrais foi apresentado num momento em que o governo brasileiro levou o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC). Em nota encaminhada à OMC em 27 de julho, o Brasil classificou como “inconsistentes” as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos e solicitou consultas no mecanismo de solução de controvérsias da organização, na tentativa de negociar antes de eventual instalação de painel para analisar o caso, conforme informado pela Agência Brasil.

    O governo brasileiro afirmou, nesse pedido de consultas, que as medidas dos EUA parecem conflitar com as obrigações do país no âmbito do Acordo Geral de Tarifas e Comércio de 1994 e que o Brasil estaria sendo preterido nas relações comerciais frente a outros membros da OMC.

    O documento das centrais sindicais, assinado por CUT, Força Sindical, UGT, CTB, CSB e NCST, foi entregue durante reunião em São Paulo ao ministro Márcio Elias Rosa e combina reivindicações de caráter industrial, social e institucional para enfrentar os efeitos do chamado tarifaço dos EUA, segundo a Agência Brasil.

    Fonte: Agência Brasil.