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  • STF valida Moratória da Soja e determina arquivamento de processos no Cade

    STF valida Moratória da Soja e determina arquivamento de processos no Cade

    O Supremo Tribunal Federal (STF) validou nesta quarta-feira a chamada Moratória da Soja, acordo celebrado por empresas do setor para impedir a comercialização de soja oriunda de áreas desmatadas. Por maioria de votos, o plenário concluiu que o pacto privado está de acordo com a Constituição e pode contribuir para a preservação do meio ambiente, segundo informação da Agência Brasil.

    Decisão do plenário e conteúdo da determinação

    Além de reconhecer a compatibilidade constitucional da moratória, o STF determinou o arquivamento de processos administrativos em tramitação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que questionavam o acordo e buscavam indenizações. A Corte entendeu que o pacto privado entre empresas é legítimo e não configura, em si, violação à ordem constitucional que justificasse a continuidade dessas investigações administrativas.

    Voto condutor e posições dos ministros

    O voto condutor do julgamento foi proferido pelo ministro Flávio Dino, que afirmou que a moratória existe e pode continuar a existir, ressaltando que nada impede que atores privados estabeleçam relações de compra e venda conforme suas políticas empresariais. O entendimento de Dino sobre a compatibilidade do acordo com a Constituição foi seguido pelos ministros Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes.

    Houve, contudo, manifestações dissidentes: os ministros Dias Toffoli, Luiz Fux e André Mendonça foram vencidos em parte, por entenderem que a validade da moratória deveria ser analisada primeiramente pelo Cade e não pelo STF. Esses votos destacaram uma limitação sobre a competência da Corte para decidir diretamente sobre a matéria administrativa.

    Origem da ação e normas estaduais contestadas

    O caso chegou ao Supremo a partir de uma ação proposta pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). A entidade questionou uma lei do estado de Mato Grosso que restringia a concessão de benefícios fiscais a empresas que participam de acordos privados que limitam a expansão agropecuária. Uma lei similar de Rondônia também foi objeto de contestação, apresentada pelo PCdoB.

    Segundo a informação da Agência Brasil, a matéria envolve a interseção entre políticas fiscais estaduais e pactos privados do setor produtivo voltados a evitar o uso de produtos de origem irregular do ponto de vista ambiental.

    Arquivamento no Cade

    Com a decisão do STF, os processos administrativos no Cade que questionavam a validade da moratória e pleiteavam indenizações deverão ser arquivados. A determinação do Supremo encerra, ao menos no plano judicial constitucional, a discussão sobre a compatibilidade do acordo privado com a Constituição.

    Implicações e próximas etapas

    A decisão do STF aponta que nada impede empresas privadas de celebrar pactos comerciais e políticas de compra que reflitam suas escolhas empresariais e, conforme o plenário, essas iniciativas podem ser instrumentos de proteção ambiental. O julgamento, no entanto, deixou registrada a existência de posições divergentes sobre qual instância administrativa ou judicial seria a mais adequada para analisar, em detalhes, a validade prática ou eventuais efeitos concorrenciais desses acordos.

    Como o acórdão do STF também indicou a necessidade de arquivamento de investigações no Cade, permanece aberta a possibilidade de que outras medidas administrativas ou ações civis possam ser propostas por atores com legitimidade processual, desde que se preservem os limites e competências estabelecidos pelo Judiciário e pelos órgãos administrativos.

    Fonte: Agência Brasil.

  • Resumo de IAs em buscadores reduz tráfego e pressiona financiamento do jornalismo no Brasil

    Resumo de IAs em buscadores reduz tráfego e pressiona financiamento do jornalismo no Brasil

    O avanço de ferramentas de inteligência artificial que resumem conteúdos nas páginas de resultado de busca tem reduzido o tráfego direto a sites de notícias no Brasil e provocado preocupação sobre o financiamento do jornalismo profissional.

    Queda de audiência e impacto econômico

    Pesquisa da Associação de Jornalismo Digital (Ajor), que assessora 152 veículos online, apontou que um em cada quatro desses portais registrou, em 2025, queda de mais de 20% na audiência. A Ajor atribui parte dessa perda ao aparecimento de resumos de IA nos buscadores, que levam usuários a consultar apenas o resumo exibido sem clicar no link da reportagem completa.

    Carla Egydio, diretora de Relações Institucionais da Ajor, afirmou à Agência Brasil que a redução do tráfego prejudica a atração de publicidade e, consequentemente, as métricas que financiam negócios jornalísticos. Segundo ela, os resumos automáticos também podem descontextualizar informações e, em alguns casos, reproduzir conteúdo de forma literal, configurando plágio.

    Debate político e projeto de lei em tramitação

    No Congresso, o Projeto de Lei 2338/2023, batizado de Marco Regulatório da IA, prevê que plataformas remunere m pelo uso de obras e reportagens protegidas por direitos autorais durante o treinamento de modelos de IA. A iniciativa chegou ao plenário da Câmara com prioridade anunciada pelo presidente da Casa, mas não avançou no último semestre, segundo reportagem da Agência Brasil.

    A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) tem pressionado pela aprovação do projeto desde sua chegada à Câmara em março de 2025. A presidenta da Fenaj, Samira de Castro, informou à Agência Brasil que há forte lobby das grandes empresas de tecnologia para retirar trechos relacionados a direitos autorais do texto, um fator que tem emperrado a tramitação.

    O relator na Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), disse a jornalistas ter dúvidas sobre a operacionalidade do dispositivo que trata da remuneração a autores e veículos. A assessoria do presidente da Câmara explicou que a definição de calendário depende do parecer do relator e que, em razão do período eleitoral, a votação deve ocorrer após as eleições de outubro, segundo a mesma reportagem.

    Pressões de mercado, investigações e acordos privados

    O setor de tecnologia tem criticado o projeto, alegando que a exigência de pagamento por conteúdo utilizado em treinamento poderia inviabilizar o desenvolvimento de modelos locais e afetar investimentos. Em nota, organizações empresariais, entre elas a Brasscom, afirmam que a proposta poderia isolar o Brasil no desenvolvimento da IA.

    Enquanto o debate legal se prolonga, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu, em abril, investigação sobre a conduta do Google e os efeitos do uso de IA no mercado de mídia, avaliando se houve abuso de posição dominante ao utilizar conteúdos jornalísticos sem remuneração.

    Alguns grandes jornais brasileiros fecharam acordos privados: a Folha de S.Paulo acertou parceria com a OpenAI após mover ação contra o uso de seu conteúdo, e O Estado de S. Paulo firmou acordo com o Google, segundo informou a reportagem da Agência Brasil.

    Exemplos internacionais e sinais de risco

    Casos no exterior também ilustram o efeito dos resumos de IA sobre redações. Em maio de 2025, o Business Insider demitiu 21% do quadro de funcionários, citando quedas de tráfego impulsionadas por resumos automáticos em buscadores. Barbara Peng, da direção executiva do veículo, declarou que grande parte do negócio é sensível ao tráfego e que a empresa precisou reduzir tamanho para suportar quedas fora de seu controle.

    No Brasil, representantes do governo e de agências culturais têm defendido a regulação. Marcos Alves de Souza, secretário de Direitos Autorais e Intelectuais do Ministério da Cultura, afirmou que, enquanto o PL não for aprovado, o uso não autorizado de conteúdo protegido para treinar sistemas de IA pode violar dispositivos da lei de direitos autorais, conforme registro da Agência Brasil.

    Próximos passos e incertezas

    A comissão especial que analisa o marco regulatório da IA não se reúne desde novembro de 2025, segundo a reportagem. A tramitação depende do parecer do relator e do calendário legislativo, além das negociações sobre formato da compensação e mecanismos de transparência — pontos sobre os quais há divergência entre parlamentares, representantes da imprensa e empresas de tecnologia.

    A Agência Brasil é a fonte das informações e entrevistas citadas nesta reportagem.