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  • Debate na Câmara expõe divergências entre governo e oposição sobre atritos Brasil-EUA

    Debate na Câmara expõe divergências entre governo e oposição sobre atritos Brasil-EUA

    Debate realizado em 12 de agosto na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados reuniu o assessor especial da Presidência, embaixador Celso Amorim, e parlamentares da oposição para discutir os recentes atritos entre Brasil e Estados Unidos. O encontro, relatado pela Agência Brasil, mostrou posições opostas sobre as causas e os riscos das medidas adotadas pela Casa Branca.

    Visão do governo: medidas dos EUA têm motivação política

    Segundo Amorim, as ações recentes dos EUA contra o Brasil — entre elas um aumento de tarifas referido no debate como “tarifaço” — possuem objetivo político e buscam subordinar países latino-americanos aos interesses norte-americanos. O assessor presidencial citou um vídeo divulgado pelo Departamento de Estado, lido pelo embaixador dos EUA no Panamá, que, na avaliação dele, reforça a intenção de relativizar a soberania de países da região.

    Amorim afirmou que o presidente Lula tem sido firme em não aceitar medidas unilaterais que possam constranger economicamente o país ou relativizar sua soberania. O embaixador também interpretou a recente decisão dos EUA de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas à luz desse mesmo padrão de ações externas.

    Preocupações sobre segurança e soberania

    O assessor presidencial ressaltou que a designação de grupos como terroristas pode ter implicações práticas, inclusive permitindo aos EUA justificar intervenções ou operações por meio de interpretações legais que autorizariam ações de força. Amorim lembrou episódios em que ataques a embarcações foram atribuídos pelos EUA a tráfico de drogas e questionou a falta de provas em algumas dessas ações, argumentando que a classificação pode ser usada geopoliticamente para interferir em assuntos internos do Brasil.

    Amorim destacou ainda que o governo federal deliberou não conceder vistos diplomáticos a representantes estrangeiros, independentemente do país, até as eleições de outubro, e considerou “bizarra” a divulgação do indicado norte-americano ao posto de embaixador no Brasil antes de o Itamaraty aceitar o pedido de credenciamento.

    Posição da oposição: governo brasileiro é o responsável pelos atritos

    Parlamentares da oposição presentes na comissão culpam a atual política externa brasileira por provocar reações dos Estados Unidos. O presidente da comissão, deputado Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PL-SP), afirmou que a adesão do Brasil ao BRICS e o que chamou de anti‑americanismo tornaram o país menos pragmático em termos comerciais, contribuindo para a deterioração das relações.

    Deputados também relacionaram ações internas, como o bloqueio de contas de empresas dos EUA no processo envolvendo a rede social X, ao aumento da tensão bilateral. O deputado Marcel Van Hatten (Novo-RS) afirmou que essas atitudes configurariam, na visão dele, uma agressão à soberania americana e foram citadas como justificativa para medidas retaliatórias dos EUA.

    Na mesma linha, o deputado General Girão (PL-RN) defendeu a posição norte-americana de classificar facções como terroristas e disse haver receio sobre a possível atuação de forças especiais americanas no Brasil — um cenário que gerou reação de Amorim, para quem a autoridade soberana para combater o crime deve caber ao próprio Brasil.

    Questões diplomáticas e pedidos de agilização de vistos

    Durante o debate, parlamentares da oposição pediram que o governo brasileiro acelere a concessão do visto diplomático ao indicado pelos EUA para a embaixada no Brasil, Daniel Pérez. A demora na concessão, segundo os deputados, levou os Estados Unidos a cancelar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti.

    Amorim, porém, reiterou que o procedimento de credenciamento de embaixadores exige consentimento do país receptor e contestou a prática de divulgar nomes antes desse aceite. Ele argumentou que não se quer subordinar a soberania brasileira a interesses estrangeiros, seja dos EUA, da China, da Rússia ou de qualquer outro país.

    Implicações e posicionamento oficial

    O governo federal, segundo o representante presidencial, enxerga nas ações da Casa Branca uma tentativa de influenciar o processo político brasileiro, especialmente no contexto das eleições. Amorim afirmou que, embora o Brasil queira combater o crime organizado com firmeza, resiste a designações que possam abrir espaço para intervenções externas.

    Os fatos e declarações aqui reportados foram apresentados na audiência da Comissão de Relações Exteriores e registradas pela Agência Brasil.

    Fonte

    Agência Brasil