Tag: Banco Central

  • IBC-Br recua 0,6% em junho, aponta Banco Central

    IBC-Br recua 0,6% em junho, aponta Banco Central

    O Banco Central divulgou nesta segunda-feira (17) os números do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) referentes a junho de 2026, reportados pela Agência Brasil. Segundo os dados, a atividade econômica do país recuou 0,6% na comparação com maio quando considerados os valores dessazonalizados.

    Desempenho agregado e horizontes de comparação

    Além da leitura mensal, o IBC-Br apresentou variações em outras bases de comparação: no trimestre móvel o crescimento foi de 0,2%; tomando como referência junho de 2025 houve expansão de 2,4%; e no acumulado do ano até junho o índice subiu 1,5%. Na janela de 12 meses encerrada em junho, o indicador acumulou alta de 1,5%.

    Esses diferentes recortes temporais permitem observações sobre tendências de curto e médio prazo na atividade econômica. O número mensal dessazonalizado serve para suavizar efeitos sazonais que poderiam distorcer a leitura entre meses consecutivos.

    Comportamento por setores

    Os componentes setoriais que compõem o IBC-Br tiveram desempenhos distintos em junho. A indústria marcou a maior queda, com retração de 1,4% frente a maio. O setor de serviços também mostrou contração, com recuo de 0,5%.

    Em sentido oposto, a agropecuária avançou 1% no mês, atenuando a queda agregada do indicador. O Banco Central observou que, se o desempenho do campo fosse excluído da conta, o IBC-Br teria apresentado uma retração maior, de 0,9% em junho.

    O que é o IBC-Br e como o Banco Central o utiliza

    O IBC-Br é um indicador que funciona como uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), oferecendo leitura mais frequente sobre a evolução da produção de bens e serviços no país. Reúne informações sobre indústria, serviços, agropecuária e os impostos incidentes sobre produtos.

    Por sua capacidade de fornecer sinais mais imediatos sobre a atividade econômica, o IBC-Br integra o conjunto de indicadores monitorados pelo Banco Central ao avaliar o ritmo da economia. A autoridade monetária considera esses elementos ao tomar decisões relacionadas à taxa básica de juros, a Selic.

    Divulgação e fonte

    Os dados foram divulgados pelo Banco Central em 17 de agosto de 2026 e divulgados pela Agência Brasil. A reportagem com os números oficiais serve como referência para analistas e formuladores de política econômica interessados na trajetória recente da atividade.

    O recuo mensal do IBC-Br sinaliza enfraquecimento da atividade entre maio e junho, com perdas mais significativas nas áreas industriais e de serviços. Ao mesmo tempo, a agropecuária elevou o resultado agregado. O conjunto de leituras em bases mensal, trimestral e anual oferece quadro diversificado sobre o ritmo de crescimento recente da economia brasileira, sem fornecer, isoladamente, uma conclusão sobre a trajetória futura da atividade.

    Analistas e formuladores costumam observar o IBC-Br em conjunto com outros indicadores estatísticos oficiais para obter avaliação mais precisa do desempenho econômico e para fundamentar decisões de política monetária e fiscal.

  • Banco Central decreta liquidação extrajudicial de duas empresas do Grupo Simpala

    Banco Central decreta liquidação extrajudicial de duas empresas do Grupo Simpala

    O Banco Central (BC) decretou, em 14 de agosto de 2026, a liquidação extrajudicial de duas empresas vinculadas ao Grupo Simpala, informou a Agência Brasil. As instituições afetadas são a Simpala Lançadora e Administradora de Consórcios e a Simpala S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, com sede em Porto Alegre (RS).

    Medidas tomadas pelo Banco Central

    Além de determinar a liquidação extrajudicial das duas empresas, o BC ordenou que os bens dos controladores e dos ex-administradores das instituições fiquem indisponíveis a partir da data da decisão. A medida visa preservar ativos enquanto prosseguem apurações e procedimentos relacionados à situação das empresas, segundo a nota divulgada pelo próprio Banco Central e repercutida pela Agência Brasil.

    Motivos apontados para a liquidação

    O Banco Central justificou a decisão por dois motivos principais: o comprometimento da situação econômico-financeira das instituições, com identificação de possíveis riscos a credores, e a constatação de “graves violações às normas que disciplinam suas atividades”. O texto divulgado informa que essas constatações levaram o BC a adotar a medida excepcional da liquidação extrajudicial.

    Participação de mercado e dimensão das instituições

    Em sua nota, o BC ressaltou que as duas empresas têm participação reduzida no mercado. A administradora de consórcios representava 0,1% dos consorciados ativos e 0,1% dos recursos a coletar dos grupos de consórcio. A financeira, por sua vez, tinha em junho de 2026 0,004% do ativo total do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

    Investigações e possíveis consequências

    O Banco Central informou que continuará a investigar as pessoas responsáveis pelos problemas que motivaram a liquidação, apurando eventual descumprimento de leis ou normas regulatórias. “O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes”, diz a nota do BC citada pela Agência Brasil.

    Reação do Grupo Simpala

    Procurado pela Agência Brasil, o Grupo Simpala ainda não havia se pronunciado até a divulgação da reportagem. A ausência de resposta oficial foi mencionada na cobertura do episódio.

    As ações do Banco Central, conforme relatadas, combinam medidas administrativas imediatas — como a indisponibilidade de bens — com a abertura de apurações para apurar responsabilidades. O BC também destacou a dimensão limitada das empresas no conjunto do sistema, ao informar as parcelas de mercado da administradora de consórcios e da financeira no SFN.

    O caso segue sob monitoramento das autoridades regulatórias, que avaliarão os resultados das investigações e eventual adoção de sanções administrativas ou encaminhamentos a outras autoridades competentes, segundo o próprio Banco Central.

  • Audiência no STF sobre empréstimo ao BRB termina sem avanços; negociações continuam

    Audiência no STF sobre empréstimo ao BRB termina sem avanços; negociações continuam

    Uma audiência de mediação no Supremo Tribunal Federal (STF), conduzida pelo ministro Luiz Fux, terminou sem avanços na tentativa de destravar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões que o Banco de Brasília (BRB) busca junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O encontro ocorreu em 13 de agosto e teve como objetivo solucionar impasses sobre garantias e responsabilidades entre o FGC, o governo do Distrito Federal (GDF) e o próprio BRB, segundo reportagem da Agência Brasil.

    Origem do pedido e papel do FGC

    O empréstimo destina-se a cobrir parte das perdas causadas pela aquisição de carteiras de crédito fraudulentas do Banco Master, operação que motivou investigação da Polícia Federal batizada de Operação Compliance Zero. Em setembro do ano passado, o Banco Central (BC) rejeitou a compra do Master pelo BRB após identificar fraudes, incluindo ativos sem lastro.

    Em maio, o ministro Luiz Fux homologou acordo que permitiria ao FGC avaliar a concessão do empréstimo sem aval financeiro da União. Pelo entendimento firmado, o FGC poderia receber como garantia verbas federais destinadas ao GDF por meio do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

    Pontos de impasse nas negociações

    Apesar da homologação, as negociações não avançaram e levaram o GDF a protocolar petição no STF informando que o acordo não foi implementado. O principal nó das conversas está nas regras que disciplinariam um eventual calote por parte do governo distrital: bancos integrantes do FGC querem garantias de que, em caso de inadimplência, terão acesso aos recursos do FPE e do FPM, que são de natureza pública.

    Além da questão das garantias, integrantes do FGC expressaram dúvidas sobre a viabilidade do plano de negócios apresentado pelo BRB para os próximos anos, o que tem dificultado a adesão dos bancos à operação nas condições propostas.

    Posições apresentadas na audiência

    Durante a audiência, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, afirmou que o empréstimo será concedido ao GDF, controlador do BRB, e não diretamente ao banco. Ela admitiu que o BRB não divulgou balanço financeiro público após a investigação relacionada ao Master, mas garantiu que todas as informações financeiras foram encaminhadas ao FGC. Conforme sua declaração na audiência, o balanço seria publicado somente após a concessão do empréstimo.

    Celina Leão também afirmou que “o banco está nesta condição desde novembro do ano passado” e defendeu a solvência da instituição, ressaltando que o BRB teria mantido liquidez.

    O ministro da Fazenda, Dario Durigan, participou da mediação e deixou claro que a União não será avalista do empréstimo. Durigan qualificou o episódio como um “problema grave” do BRB que não teve origem na União, e afirmou que, embora a União não tenha responsabilidade sobre o caso, o governo federal foi proativo ao sugerir alternativas durante a mediação. Em suas palavras, “A União não tem nada que ver com essa história”.

    Contexto regulatório e exigência do Banco Central

    O empréstimo pleiteado é também uma exigência do Banco Central para recompor as contas do BRB após as fraudes identificadas pela Operação Compliance Zero. A exigência regulatória busca restabelecer a saúde financeira do banco, comprometida pela compra das carteiras do Master, que foi reprovada pelo BC no ano anterior devido às irregularidades detectadas.

    Próximos passos

    Com o encerramento da audiência sem acordo, as partes afirmaram que as negociações continuarão. Permanecem em aberto definições sobre as garantias do FGC para acessar verbas do FPE e do FPM em caso de inadimplência e a análise do plano de negócios do BRB pelos bancos integrantes do fundo. Não houve, por ora, alteração na posição oficial de que a União não terá papel de fiadora.

    As informações acima foram relatadas pela Agência Brasil.

  • Brasileiros têm R$ 5,12 bilhões esquecidos em bancos, diz Banco Central

    Brasileiros têm R$ 5,12 bilhões esquecidos em bancos, diz Banco Central

    O Banco Central (BC) divulgou nesta terça-feira que R$ 5,12 bilhões permanecem como valores a receber por clientes em instituições financeiras brasileiras. Esses recursos estão registrados no Sistema Valores a Receber (SVR), ferramenta do BC que identifica saldos não reclamados por pessoas físicas, jurídicas e, quando aplicável, por espólios.

    Quanto falta ser resgatado e origem dos dados

    Do total ainda disponível, R$ 3,76 bilhões pertencem a aproximadamente 22,66 milhões de pessoas físicas. Outros R$ 1,35 bilhão correspondem a cerca de 2 milhões de pessoas jurídicas. Os números foram informados pelo BC ao atualizar o SVR.

    O balanço divulgado também mostra que, entre os valores registrados inicialmente como esquecidos, R$ 20,93 bilhões já constavam no sistema e que R$ 15,81 bilhões desses montantes foram retirados por beneficiários até agora. Esses dados indicam que boa parte dos saldos identificados já foi recuperada desde a criação do serviço.

    Distribuição por beneficiário e faixas de valores

    Na distribuição por faixas, a maior concentração de beneficiários está nos valores mais baixos: cerca de 18,5 milhões de pessoas têm valores de até R$ 10 a receber — o que representa aproximadamente 70% do total de beneficiários registrados no SVR. Outros 4,96 milhões de usuários têm importâncias entre R$ 10,01 e R$ 100 (18,73% do total).

    Valores superiores a R$ 100 estão na posse de cerca de 3 milhões de beneficiários, o que equivale a cerca de 11% do total mapeado pelo sistema.

    Movimentação recente no SVR

    O Banco Central também divulgou o ritmo de saques nos últimos meses. Em junho, foram retirados R$ 340 milhões em valores esquecidos; em maio, o total foi de R$ 427 milhões; e em abril, o valor devolvido somou R$ 483 milhões. Do montante já devolvido pelo SVR, R$ 11,65 bilhões beneficiaram 38,73 milhões de pessoas físicas, enquanto R$ 4,15 bilhões foram destinados a 4,7 milhões de pessoas jurídicas.

    Como consultar e o que é necessário para resgatar

    O Sistema Valores a Receber permite que qualquer pessoa verifique se tem recursos esquecidos sem precisar efetuar login: basta informar o Cadastro de Pessoa Física (CPF) e a data de nascimento ou, para empresas, o Cadastro de Pessoa Jurídica (CNPJ) e a data de abertura da empresa — inclusive para entidades já encerradas. Essas informações constam da orientação do Banco Central.

    Se o sistema apontar existência de valores, o interessado precisa acessar o SVR e autenticar-se com uma conta Gov.br nos níveis prata ou ouro, além de habilitar a verificação em duas etapas, para concluir o processo de resgate. A reportagem-fonte informa que o dinheiro pode ser resgatado de três formas, mas o trecho disponibilizado não detalha quais são essas modalidades.

    Fonte e observações

    Os dados desta matéria foram extraídos de divulgação do Banco Central compilada pela Agência Brasil. A reportagem aqui apresentada preserva somente os números e procedimentos confirmados pela fonte; informações detalhadas sobre as três formas de resgate mencionadas na divulgação do BC não estavam incluídas no trecho disponibilizado pela fonte.

    Quem tiver dúvidas específicas sobre valores no SVR ou sobre o processo de recuperação deve consultar diretamente o sistema do Banco Central e as orientações oficiais no portal do Gov.br, conforme indicado pelo próprio BC.

  • BC diz que inflação desacelera, mas mantém alerta sobre riscos e juros em nível restritivo

    BC diz que inflação desacelera, mas mantém alerta sobre riscos e juros em nível restritivo

    A ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada pelo Banco Central e reportada pela Agência Brasil, registra que a decisão de reduzir a taxa básica de juros para 14% ao ano foi tomada em um quadro de desaceleração da inflação, mas ainda marcado por incertezas relevantes. O documento aponta que a política monetária tem colaborado com o processo de desinflação, sem, no entanto, retirar a necessidade de manter juros em patamar considerado restritivo.

    Decisão do Copom e justificativa

    O comitê avaliou que a redução da Selic é compatível com a estratégia de convergência da inflação para perto da meta. Além de contribuir para a estabilidade de preços, o Banco Central destacou que o corte de juros também tem papel em atenuar flutuações na atividade econômica e em favorecer o pleno emprego. Ainda assim, a ata deixa claro que a situação exige prudência, dado que expectativas inflacionárias seguem elevadas.

    Situação da inflação e dos preços

    Segundo a ata, as leituras mais recentes mostram uma desaceleração da inflação ao consumidor, mas o índice ainda se situa acima do limite superior da meta. No segmento de preços ao produtor, o documento registra um recuo, atribuído em grande parte ao desempenho da indústria extrativa — setor responsável por produtos como minérios, petróleo e gás natural — que afetou os preços na ponta de oferta.

    Pressões e pressupostos usados pelo BC

    O Banco Central enfatiza que a demanda continua a pressionar a inflação, razão pela qual os juros precisam permanecer em nível restritivo por algum tempo. No cenário de referência adotado pelo Copom, a trajetória dos juros incorpora as projeções do Boletim Focus, e a taxa de câmbio parte de R$ 5,10 por dólar, evoluindo conforme pressupostos de paridade do poder de compra.

    Riscos domésticos e externos

    A ata aponta distintos vetores de risco que podem alterar a trajetória das taxas de juros. Entre os fatores internos estão o crescimento do crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública, ambos com potencial para pressionar os juros na economia. No plano internacional, o documento cita volatilidade persistente nos preços de ativos e commodities, preocupações com os desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio e dúvidas sobre a condução da política monetária em economias avançadas, incluindo incertezas relativas à política econômica dos Estados Unidos.

    Quadro da atividade econômica e do mercado de trabalho

    O Copom observa sinais de moderação gradual da atividade econômica desde a última reunião, mantendo a percepção de desaceleração da economia. No entanto, o mercado de trabalho segue aquecido: a taxa de desemprego permanece em níveis historicamente baixos, ainda que o ritmo de criação de vagas tenha perdido força. A ata destaca, igualmente, que os rendimentos médios dos trabalhadores, embora tenham desacelerado, continuam a crescer em termos reais a uma taxa superior à da produtividade do trabalho.

    Em síntese, a ata deixa claro que o Banco Central vê progresso no processo de desinflação, mas que o cenário exige manutenção de cautela. O corte recente da Selic foi justificado como compatível com a estratégia de convergência da inflação, ao mesmo tempo que o comitê sinaliza vigilância frente a riscos que podem demandar reversões ou maior rigidez na política monetária.

    Fonte: Agência Brasil, com base na ata do Comitê de Política Monetária do Banco Central.

  • Banco Central estuda conectar Pix a sistemas de pagamentos internacionais e reforçar segurança

    Banco Central estuda conectar Pix a sistemas de pagamentos internacionais e reforçar segurança

    O Banco Central (BC) do Brasil está avaliando a interligação do Pix com sistemas de pagamentos de outros países e com mecanismos multilaterais de pagamentos instantâneos, segundo o Relatório de Gestão do Pix 2023-2025 divulgado em 10 de agosto de 2026. A autoridade monetária afirma que essas conexões podem reduzir tarifas e ampliar o acesso a transações internacionais.

    Interligações internacionais e hubs multilaterais

    De acordo com o relatório, estão em discussão interligações bilaterais e a participação em hubs multilaterais. O BC explica que essas conexões possibilitariam remessas internacionais e transações de compra com disponibilização dos recursos em moeda local em poucos segundos. O banco também informou que monitora modelos de transações internacionais com o uso do Pix que vêm sendo implementados por empresas nacionais e estrangeiras.

    Novas funcionalidades e uso do Pix no crédito

    Além da internacionalização, o documento traz uma agenda de novos produtos e funcionalidades. Entre as inovações previstas estão a realização de transações por aproximação offline — ou seja, sem necessidade de internet — e o uso do chamado Pix automático, potencial substituto do débito em conta em determinados fluxos.

    O BC também estuda a integração do Pix ao mercado de crédito, visando permitir a utilização dos “fluxos futuros de Pix” como garantias para financiamentos. Segundo o relatório, essa solução pode melhorar a qualidade das garantias e reduzir o custo do crédito, especialmente para empresas com forte uso do Pix.

    Segurança, mensagens e combate a fraudes

    O relatório identifica problemas de segurança e usos indevidos do Pix. O BC tem observado o uso abusivo do campo de mensagens em transações para ofensas, ameaças ou intimidações, frequentemente associado a transferências de valor muito baixo. Originalmente, o campo de mensagens destinava-se a registrar informações sobre a operação; diante do uso distorcido, o BC criou um grupo de trabalho para avaliar alternativas e, se necessário, instituir medidas regulamentares.

    Na agenda de segurança, o Banco Central prevê oito medidas para aprimorar a proteção das transações via Pix. Entre elas está a criação de critérios objetivos mínimos para definir transações suspeitas de fraude — hoje deixados às políticas de cada instituição — e o desenvolvimento de um indicador de “probabilidade de fraude no Pix” calculado pelo BC em tempo real. O documento informa que esse indicador será construído com base em modelo de machine learning e disponibilizado às instituições participantes para alimentar seus sistemas antifraude.

    Outras ações previstas incluem a padronização obrigatória dos alertas de fraude já existentes em algumas instituições, o aprimoramento do fluxo de informações para bloqueios cautelares e a ampliação do rol de medidas cautelares, como a restrição de cadastro de novas chaves Pix para instituições que coloquem em risco o funcionamento do sistema.

    Repercussões internacionais

    O relatório também registra que o Pix tornou-se alvo de medidas dos Estados Unidos: a ferramenta foi citada como uma das justificativas para a aplicação de tarifa de 25% sobre parte dos produtos americanos. A Casa Branca afirmou que o Pix constitui uma “prática desleal” do Brasil no mercado financeiro — posição que, segundo o texto, é refutada pelo governo brasileiro.

    Especialistas consultados pela Agência Brasil avaliam que a ação do governo dos EUA, mencionada no relatório, está relacionada ao desafio que o modelo nacional de pagamentos representa ao controle financeiro de Washington sobre a infraestrutura eletrônica de pagamentos no Brasil. Ao criar estruturas de pagamento fora do controle dos EUA, argumentam esses especialistas, o país reduz a capacidade de uso de sanções financeiras como instrumento de pressão.

    O Relatório de Gestão do Pix 2023-2025 reúne essas iniciativas e fornece base para que o Banco Central continue monitorando modelos internacionais, testando funcionalidades e adotando medidas de segurança e regulação conforme as conclusões dos trabalhos internos.

    Fonte: Agência Brasil.

  • Mercado reduz expectativa de inflação para 2026 para 5,02%, diz Boletim Focus

    Mercado reduz expectativa de inflação para 2026 para 5,02%, diz Boletim Focus

    Segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (10) pelo Banco Central, a mediana das previsões do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 caiu para 5,02%. Esse é o sexto ajuste consecutivo para baixo nas expectativas de inflação para o ano.

    Projeções para 2026: inflação, PIB e juros

    A nova projeção de inflação de 5,02% está abaixo dos 5,16% registrados quatro semanas antes e ligeiramente inferior aos 5,03% apontados na semana anterior, segundo os dados do Boletim Focus. Para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026, o mercado revisou para 1,98%, após um período de cinco semanas com a projeção estabilizada em 1,99%.

    Em relação à taxa básica de juros, a expectativa do mercado é de que a Selic encerre 2026 em 13,75%, repetindo o mesmo patamar estimado na semana passada. A cotação esperada do dólar para o fim de 2026 manteve-se em R$ 5,20 — esse valor vem se mantendo estável há oito semanas.

    Perspectivas para 2027 e 2028

    O Boletim Focus também traz as projeções dos analistas para os anos subsequentes. Para 2027, a inflação projetada pelo mercado é de 4,22%, a cotação do dólar prevista é de R$ 5,28 e a Selic estimada para o fim do ano é 12%. O único indicador de 2027 que variou em relação à semana anterior foi o PIB, cuja projeção recuou de 1,57% para 1,52%.

    Para 2028, as medianas das expectativas permanecem em 3,80% para o IPCA, 2% para o PIB, R$ 5,30 para o dólar e 10,50% para a Selic.

    Política monetária e avaliação do Copom

    Na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) encerrada em 5 de agosto, o Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano — o quarto corte sucessivo dos juros básicos, conforme comunicado do próprio BC. O Banco Central justificou que a redução é compatível com a estratégia de convergência da inflação para a meta e busca também suavizar oscilações da atividade econômica e favorecer o emprego.

    O Copom ressaltou que o cenário externo exige cautela, citando incertezas decorrentes de conflitos no Oriente Médio e da política monetária de economias avançadas. No plano doméstico, o comitê observou uma desaceleração gradual da atividade econômica, embora tenha destacado que o mercado de trabalho segue aquecido. A autoridade monetária avaliou que a inflação recente perdeu força, mas permanece acima do limite superior da meta, apesar da desaceleração observada nos núcleos de inflação.

    Instrumento de política e efeitos

    O Banco Central utiliza a Selic como principal instrumento para controlar o ritmo da atividade econômica e tentar manter a inflação dentro da meta. Conforme o próprio BC explicou no boletim, juros elevados tornam o crédito mais caro e tendem a reduzir o consumo; cortes na Selic, por outro lado, têm efeito estimulador sobre a atividade econômica, segundo a argumentação do órgão.

    As informações sobre as projeções e as decisões do Copom foram divulgadas pelo Banco Central e compiladas no Boletim Focus, conforme reportagem da Agência Brasil.

  • Copom reduz Selic para 14% e entidades avaliam corte como insuficiente para alavancar indústria

    Copom reduz Selic para 14% e entidades avaliam corte como insuficiente para alavancar indústria

    O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) anunciou, na quarta-feira (5), a redução de 0,25 ponto percentual na Taxa Selic, que passou de 14,25% para 14% ao ano. Este é o quarto corte consecutivo desde o início do ciclo de flexibilização da taxa básica de juros.

    Justificativa do Banco Central e ambiente externo

    Segundo o BC, o ajuste gradual de 0,25 ponto é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta no próximo período. O comunicado do Comitê também ressaltou fatores de risco externos, citando a indefinição sobre os conflitos armados no Oriente Médio e a incerteza sobre a trajetória da política monetária em algumas economias avançadas.

    Críticas de entidades empresariais e impacto na indústria

    Organizações do setor produtivo receberam favoravelmente a continuidade do ciclo de redução dos juros, mas avaliaram que o nível atual ainda impõe restrições significativas à atividade econômica.

    A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) destacou que, apesar do sinal positivo do movimento, a Selic permanece elevada, o que mantém o custo do crédito alto e atrasa investimentos. A entidade observou que o elevado custo de capital dificulta a modernização produtiva e limita a produtividade e a competitividade das empresas; citou também que a indústria de transformação cresceu apenas 0,4% no primeiro semestre do ano, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que os juros se mantêm em patamar restritivo há 55 meses e apontou que a Selic está 3,6 pontos percentuais acima da taxa calculada com base na Regra de Taylor, estimada em 10,4% segundo a própria referência mencionada. A CNI destacou ainda que a taxa de juros real, de cerca de 10%, supera substancialmente a taxa de equilíbrio estimada pelo Banco Central, de 5%, o que, na avaliação da confederação, indica espaço para cortes mais expressivos sem comprometer o controle da inflação.

    Posição de sindicatos e avaliação do mercado

    Entre as organizações de trabalhadores, a Força Sindical classificou a redução de 0,25 ponto como insuficiente. A central sindical declarou que juros altos encarecem o crédito, reduzem investimentos, desestimulam o consumo e prejudicam a geração de empregos, afirmando que houve perda de oportunidade para uma redução mais acentuada que poderia impulsionar o setor produtivo.

    No mercado, o gestor de portfólio da Oby Capital, Camilo Cavalcanti, avaliou que o Copom manteve uma mensagem de que a magnitude total do ciclo de cortes será definida conforme novos dados, sem compromisso prévio. Cavalcanti ressaltou que o comunicado passou a citar explicitamente a desancoragem das expectativas e os riscos elevados ao redor do cenário-base como justificativa para “serenidade e cautela”, abrindo espaço tanto para continuidade do corte na próxima reunião quanto para uma possível pausa, dependendo da evolução dos indicadores.

    Principais pontos apontados por autoridades e entidades

    • Redução da Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano (Copom/BC).
    • Décimo quarto corte consecutivo? (correction: trata-se do quarto corte consecutivo conforme comunicado do Copom).
    • BC afirma que ajuste é compatível com convergência da inflação à meta.
    • Firjan e CNI consideram o patamar ainda restritivo; CNI cita diferença em relação à Regra de Taylor e à taxa de equilíbrio estimada pelo BC.
    • Força Sindical classifica o corte como insuficiente e aponta impacto sobre emprego e consumo.
    • Analistas de mercado veem possibilidade de continuidade do ciclo, mas com cautela diante de riscos e da evolução das expectativas.

    Próximos passos e incertezas

    O Copom deixou implícito que a continuidade do ciclo de cortes dependerá da evolução dos dados econômicos e das expectativas. A presença de riscos externos, mencionada pelo BC, e a preocupação com a desancoragem de expectativas foram citadas como argumentos para uma postura mais cautelosa na condução da política monetária.

    As reações das entidades apontam para um debate sobre o ritmo e a profundidade dos cortes: enquanto setores produtivos e sindicatos pedem reduções mais expressivas para baratear o crédito e estimular investimentos e consumo, o Banco Central e parte do mercado enfatizam a necessidade de acompanhar dados futuros e a evolução das expectativas de inflação.

    As informações desta reportagem foram baseadas em nota da Agência Brasil e nos comunicados e declarações citados por Firjan, CNI, Força Sindical e Oby Capital.

  • Copom reduz taxa Selic para 14% ao ano em quarta queda consecutiva

    Copom reduz taxa Selic para 14% ao ano em quarta queda consecutiva

    O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu nesta quarta-feira (5) a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, com a taxa básica de juros passando de 14,25% para 14% ao ano. A decisão foi tomada na reunião do colegiado na sede do BC, em Brasília, e marca o quarto corte seguido do juro básico.

    Motivação do Banco Central

    Segundo nota divulgada pelo Banco Central, o ajuste gradual de 0,25 ponto percentual está alinhado à estratégia de convergência da inflação para o entorno da meta estabelecida. O BC afirmou que a decisão manteve o objetivo de garantir a estabilidade de preços e também contribui para reduzir as oscilações da atividade econômica e favorecer o pleno emprego.

    Indicadores de inflação e atividade

    O Banco Central avaliou que os dados divulgados desde a última reunião sinalizam uma moderação gradual da atividade econômica, embora em níveis ainda resilientes, com desempenho diferenciado entre setores e mercado de trabalho aquecido. Em relação à inflação, o BC observou desaceleração da inflação “cheia”, ainda que ela permaneça acima do limite superior da meta.

    O IPCA-15, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou 0,06% em julho, taxa 0,35 ponto percentual inferior à verificada em junho (0,41%). No acumulado do ano, o IPCA-15 soma alta de 3,51% e, em 12 meses, 4,52%, abaixo dos 4,80% observados nos 12 meses anteriores.

    Cenário externo e riscos

    O BC ressaltou a persistente incerteza externa, citando conflitos armados no Oriente Médio e dúvidas sobre a política monetária em algumas economias avançadas. O órgão apontou que esse ambiente exige cautela em países emergentes, por elevar a volatilidade dos preços de ativos e de commodities.

    Impactos para consumidores e empresas

    Em linhas gerais, o funcionamento da Selic é utilizado pelo Banco Central para influenciar o custo do crédito e, assim, controlar a inflação: taxas mais altas tendem a encarecer empréstimos e reduzir o consumo; cortes na Selic buscam estimular a atividade ao tornar o crédito menos oneroso. O BC reiterou que o movimento atual é gradual, buscando conciliar estímulo à economia e controle de preços.

    Histórico recente da Selic

    De junho de 2025 a março de 2026, a Selic esteve em 15% ao ano, nível mais elevado em quase duas décadas. A partir de março, o Copom iniciou uma sequência de reduções que se manteve até a decisão desta quarta-feira, chegando ao novo patamar de 14%.

    A meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para o período iniciado em janeiro de 2025 é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,50 ponto percentual para mais e para menos, ou seja, entre 1,50% e 4,50%. O Banco Central indicou que as medidas subjacentes de inflação desaceleraram para um patamar ligeiramente abaixo do limite superior desse intervalo.

    As informações sobre a decisão e os indicadores citados nesta matéria foram divulgadas pelo Banco Central e pelos dados do IBGE e relatados pela Agência Brasil.

  • Exportações atingem recorde em junho e reduzem déficit das contas externas, informa Banco Central

    Exportações atingem recorde em junho e reduzem déficit das contas externas, informa Banco Central

    As contas externas do Brasil apresentaram melhora em junho, com destaque para um recorde histórico nas exportações. Dados das Estatísticas do Setor Externo divulgadas pelo Banco Central e divulgadas pela Agência Brasil mostram que o déficit em transações correntes ficou em US$ 2,3 bilhões no mês, menos da metade do resultado negativo de US$ 5,2 bilhões observado em junho de 2025.

    Exportações em nível recorde

    O avanço nas vendas externas foi o principal motor da queda do déficit. As exportações de bens somaram US$ 36,4 bilhões em junho, o maior valor já registrado na série histórica do Banco Central, um crescimento de 24,8% em relação a junho de 2025. As importações também aumentaram, totalizando US$ 27,6 bilhões, alta de 15,3% na comparação interanual.

    Com esse movimento, o superávit da balança comercial alcançou US$ 8,8 bilhões em junho deste ano, contra US$ 5,2 bilhões no mesmo mês do ano anterior, refletindo um aumento de US$ 3,6 bilhões no saldo positivo do comércio exterior na comparação interanual.

    Conta de serviços e principais influências

    Apesar do desempenho favorável no comércio de bens, a conta de serviços registrou agravamento em relação ao ano anterior. O déficit nessa conta aumentou US$ 0,7 bilhão frente a junho de 2025, chegando a US$ 5,1 bilhões no mês.

    O Banco Central atribuiu esse resultado principalmente ao crescimento das despesas líquidas com viagens internacionais, transporte e com serviços de telecomunicações, computação e informação, que puxaram para cima o saldo negativo dessa conta.

    Fluxos financeiros e reservas

    Em termos de fluxos financeiros, os investimentos diretos no país (IDP) registraram ingressos líquidos de US$ 9,1 bilhões em junho, contra US$ 3,1 bilhões no mesmo mês do ano passado. No acumulado de 12 meses encerrado em junho, o investimento direto acumulado somou US$ 89,3 bilhões, o equivalente a 3,58% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo os dados do Banco Central.

    Já os investimentos em carteira apresentaram saída líquida de US$ 0,6 bilhão no mês. Houve retirada líquida de US$ 2,2 bilhões em ações e fundos de investimento, parcialmente compensada por ingressos de US$ 1,6 bilhão em títulos no mercado doméstico.

    As reservas internacionais fecharam junho em US$ 367,6 bilhões, uma redução de US$ 3,6 bilhões em relação a maio. Conforme o Banco Central, a queda no estoque de reservas foi influenciada por variações cambiais entre as moedas que compõem as reservas, vendas de dólares no mercado à vista e oscilações nos preços dos ativos.

    Situação no acumulado de 12 meses

    No acumulado dos 12 meses encerrados em junho, o déficit em transações correntes atingiu US$ 61,4 bilhões, o que equivale a 2,46% do PIB. Em junho de 2025, o saldo negativo acumulado era de US$ 75,5 bilhões, ou 3,52% do PIB, indicando uma melhora percentual em relação ao Produto Interno Bruto na comparação entre os períodos.

    Os números divulgados pelo Banco Central, reportados pela Agência Brasil, mostram um movimento de melhoria nas principais métricas externas do país em junho, liderado pelo desempenho das exportações, acompanhado de maior ingresso de investimento direto e de ajustes nas reservas internacionais.