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  • Governo do DF empenha R$ 2,77 milhões para 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

    Governo do DF empenha R$ 2,77 milhões para 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

    A Secretaria de Economia do Distrito Federal (Seec) confirmou, nesta terça-feira (11), o empenho de R$ 2,77 milhões para a organização da 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, previsto para ocorrer entre os dias 11 e 19 de setembro, em Brasília. A informação foi divulgada à Agência Brasil.

    Confirmação do aporte e papel do governo

    A disponibilização dos recursos foi tornada pública um dia após a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, anunciar nas redes sociais que determinou à secretaria a adoção das providências necessárias para garantir o financiamento do festival. A Secretaria de Cultura e Economia Criativa ainda não divulgou detalhes sobre o cronograma de pagamento dos valores empenhados.

    Pressão do setor audiovisual e reações

    O anúncio do governo ocorreu em contexto de críticas de profissionais do audiovisual, que haviam apontado um clima de incerteza em relação à realização do evento. O diretor artístico do festival, Eduardo Valente, utilizou redes sociais para lamentar a possibilidade de cancelamento e conclamou a união de associações, do setor e do público para preservar o festival.

    Em publicações posteriores, Valente voltou ao tema e mencionou o curto prazo até o evento, afirmando que o festival precisava ser organizado em 30 dias e que havia um anúncio de seleção previsto para ser divulgado em uma semana, segundo suas palavras nas redes sociais.

    Importância histórica e dimensão da edição 2026

    Criado em 1965, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro é o mais longevo do país no setor cinematográfico e se consolidou como fórum de debate sobre o audiovisual nacional, segundo registro histórico. Ao longo de sua trajetória, deixou de ocorrer apenas em dois anos durante o período da ditadura militar e foi realizado de forma virtual durante a crise sanitária da pandemia de covid-19 (2019–2023). Desde 2007, consta como patrimônio imaterial do Distrito Federal.

    A edição de 2026 registrou um número recorde de inscrições: 1.928 obras pleitearam uma vaga na programação. A organização confirmou a exibição de mais de 80 filmes, envolvendo centenas de profissionais de diversas regiões do Brasil. Conforme a tradição do festival, as obras selecionadas precisam ser inéditas, e os vencedores recebem o Troféu Candango, entregue em homenagem aos pioneiros da construção da capital.

    Próximos passos e incertezas remanescentes

    Com o empenho confirmado pela Secretaria de Economia, o próximo passo formal apontado pela reportagem é a divulgação, pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa, do cronograma de pagamento e das etapas administrativas necessárias para a execução do evento. Enquanto isso, o setor segue atento aos prazos operacionais citados pelo diretor artístico, que ressaltou a existência de poucos dias para concluir a organização e divulgar seleções.

    A Agência Brasil registrou as confirmações e as declarações públicas citadas, que marcaram a sequência de atos que levou à liberação do montante por parte do governo do Distrito Federal.

    O desfecho permite que a estruturação da programação presencial prossiga, mas a efetiva implementação dependerá da publicação das informações financeiras e logísticas pela secretaria responsável.

  • GDF cancela 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

    GDF cancela 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

    O Governo do Distrito Federal comunicou, em 10 de agosto de 2026, o cancelamento da 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O festival estava programado para ocorrer entre 11 e 19 de setembro, no Cine Brasília, e vinha com um número recorde de inscrições: 1.928 filmes candidataram-se a participar da mostra.

    Cancelamento e situação da programação

    Segundo os organizadores, a seleção das obras já havia sido realizada e mais de 80 filmes estavam confirmados para a programação. Uma coletiva de imprensa para divulgação da programação completa estava marcada para 18 de agosto, data que ficou sem efeitos após a decisão do GDF.

    O diretor artístico do festival, Eduardo Valente, publicou nas redes sociais seu pesar pelo cancelamento, afirmando que a seleção já estava pronta e que profissionais do audiovisual estavam “empolgados e com planos para suas estreias”. Valente também convocou a união de associações, do setor e do público do Distrito Federal para buscar uma solução.

    Repercussão entre produtores, cineastas e entidades

    A confirmação do cancelamento gerou reação imediata na classe artística. Os organizadores planejaram publicar, em 11 de agosto, uma nota de repúdio à decisão do GDF e solicitar a reversão do ato, de acordo com a Agência Brasil.

    Tiago de Aragão, diretor regional da Associação das Produtoras Independentes do Audiovisual Brasileiro (API) no Centro-Oeste, lamentou o impacto sobre profissionais e produtoras que já vinham trabalhando e, segundo ele, sem receber. Aragão vinculou o cancelamento à crise política e financeira instalada no GDF após o escândalo envolvendo títulos de bancos mencionado por sua declaração à imprensa.

    Para Tatiana Costa, presidente da Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (Apan), o ato tem dimensão simbólica e política: ela ressaltou que, além do efeito imediato sobre o mercado de trabalho, existe o risco de contágio a outros festivais do país. Costa também lembrou que, historicamente, somente durante a ditadura militar o Festival de Brasília deixou de ser realizado.

    Cineastas locais também manifestaram preocupação. Carina Bini, autora que levou seu filme Mil Luas à edição anterior, ressaltou o papel do festival na movimentação de uma cadeia produtiva, na geração de empregos e de recursos para o Distrito Federal, além de sua importância cultural e histórica.

    Contexto histórico e características do festival

    Fundado em 1965, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro é o mais longevo do país e chegaria em 2026 à 59ª edição. Desde 2007, consta como patrimônio imaterial do Distrito Federal. Ao longo de sua trajetória, a mostra deixou de ser realizada apenas em dois anos durante a ditadura militar, conforme registro histórico do próprio festival citado na cobertura da Agência Brasil.

    Uma característica marcante do evento é a exigência de que as obras inscritas sejam inéditas; os vencedores recebem o Troféu Candango, em homenagem aos pioneiros que construíram a capital. Em 2026, a organização havia recebido o maior número de inscrições de sua história, com 1.928 filmes concorrendo a vagas na programação.

    Posição do governo e próximos passos

    A Agência Brasil procurou a Secretaria de Cultura do Distrito Federal para comentar a decisão de cancelamento, mas, até a publicação da matéria, não obteve manifestação do órgão. O espaço permanece aberto para eventuais posicionamentos do GDF, conforme informação da agência.

    Os organizadores e entidades representativas do setor anunciam ações de contestação e a publicação de uma nota pública de repúdio, pedindo a reversão do cancelamento. As próximas movimentações oficiais da organização e quaisquer respostas do GDF serão acompanhadas pela imprensa e pelo setor audiovisual.

    Fonte: Agência Brasil.

  • Participação feminina na direção de filmes brasileiros permanece abaixo de 20%, dizem produtoras

    Participação feminina na direção de filmes brasileiros permanece abaixo de 20%, dizem produtoras

    A presença de mulheres em posições de comando dentro das produções cinematográficas brasileiras segue aquém da representatividade observada em outras áreas do setor. Segundo organizadoras de festival e dados oficiais, a participação feminina na direção de filmes e séries não ultrapassa 20%.

    Indicadores e panorama atual

    O Anuário Estatístico do Audiovisual Brasileiro de 2024, elaborado pelo Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual (OCA) e publicado pela Agência Nacional de Cinema (Ancine), aponta que mulheres representam 17% da direção de séries e filmes produzidos no país. No levantamento, dos longas-metragens brasileiros produzidos em 2023, 231 foram dirigidos exclusivamente por homens e 52 por mulheres. No campo do roteiro, os registros também mostram predominância masculina: 165 roteiros assinados por homens contra 41 por mulheres.

    Ao mesmo tempo, o anuário mostra maior presença feminina em outras áreas técnicas e de circulação: nas atividades de exibição as mulheres somam 58% dos profissionais e na distribuição, 54%. Na direção de arte 99 trabalhos foram liderados por mulheres contra 57 por homens, e na produção-executiva as mulheres somaram 110 frente a 66 homens.

    Apelos por políticas públicas e metas

    Em entrevista à Agência Brasil durante o festival Bonito CineSur, a produtora e diretora Minom Pinho — coordenadora e idealizadora do Festival Internacional de Mulheres no Cinema (FIM Cine) e diretora da Associação Paulista de Cineastas (Apaci) — afirmou que a transformação do quadro exige políticas públicas com indicadores e metas concretas. Como exemplo de meta, ela citou a estipulação de que 30% das funções de roteiro e direção em longas-metragens sejam ocupadas por mulheres até 2030.

    Minom ressaltou que a menor participação feminina não decorre de falta de qualificação. Segundo ela, apesar de representarem parcela reduzida dos cargos de liderança, as cineastas chegam a captar fatias relevantes de público e demonstram capacidade de gestão criativa dos projetos. Por isso, defende que a adoção de metas claras pode alterar estruturas que se mantém como “zonas de resistência”.

    Debate no Bonito CineSur e vozes do setor

    O Bonito CineSur promoveu mesa sobre protagonismo feminino no cinema sul-americano que reuniu profissionais da região. Além de Minom, participaram a atriz chilena Paulina García e a diretora e produtora Gabriela Sandoval, do Festival Internacional de Cinema de Santiago (Sanfic).

    Paulina García destacou a necessidade de ampliar a diversidade de papéis e enredos escritos e protagonizados por mulheres, argumentando que há estereótipos limitantes sobre personagens femininas. Gabriela Sandoval apontou o papel da articulação entre mulheres do continente para ampliar a presença em espaços decisórios e, assim, viabilizar outras narrativas no cinema sul-americano.

    Implicações para as narrativas e o mercado

    Organizadoras e artistas entrevistadas defendem que maior presença feminina em roteiro e direção altera o ponto de vista das obras e amplia a diversidade das histórias contadas. Minom Pinho disse esperar que o setor caminhe para a equidade na próxima década, ressaltando que o estabelecimento de metas e políticas públicas é uma ferramenta para alcançar esse objetivo.

    Os dados do anuário reforçam a existência de padrões ocupacionais: enquanto mulheres lideram áreas como direção de arte e produção-executiva, elas continuam sub-representadas nas decisões criativas centrais. A proposta de metas percentuais se apoia na ideia de que intervenções públicas podem acelerar a mudança estrutural.

    Próximos passos e cobertura

    O debate realizado no Bonito CineSur indica mobilização de produtoras, festivais e artistas em torno do tema. As propostas colocadas incluem a criação de indicadores e a definição de prazos para elevar a participação feminina em roteiro e direção, sem, contudo, haver anúncio de medidas públicas implementadas. Os números citados aqui são os apresentados pelo Anuário Estatístico do Audiovisual Brasileiro de 2024 (OCA/Ancine) e os comentários são provenientes das falas registradas pela reportagem da Agência Brasil durante o festival.

    Nota: a repórter viajou a convite do Bonito CineSur, conforme informado na cobertura.