Tag: apostas online

  • Pesquisa indica que 42% das mulheres brasileiras já apostaram online; 20% apostam hoje

    Pesquisa indica que 42% das mulheres brasileiras já apostaram online; 20% apostam hoje

    Uma pesquisa nacional divulgada em 17 de agosto de 2026 mostra que 42% das mulheres brasileiras já jogaram ou continuam jogando em plataformas de apostas online: 20% apostam atualmente e 22% já apostaram no passado. Os dados são do estudo ‘Mulheres e Bets: o Custo das Apostas Online para as Brasileiras e suas Famílias’, realizado pelo estúdio Clarice, Estratégia Latina e Instituto Ideia.

    Resultados principais

    O levantamento quantitativo ouviu 2.008 pessoas em todo o país e, segundo o relatório, mais da metade das mulheres (54%) sente efeito direto das apostas—sendo apostadoras ou convivendo com quem aposta. Entre as mulheres que nunca apostaram (58%), 12% dizem ser afetadas por parentes ou amigos que jogam.

    • 42% das mulheres já apostaram ou apostam online; 20% apostam atualmente.
    • 72% das apostadoras têm filhos; mulheres com filhos apostam 1,6 vez mais que as sem filhos.
    • Por recorte racial: 45% das mulheres pardas, 39% das brancas e 37% das pretas afirmam já ter apostado.
    • Entre as apostadoras, 49% jogam em cassinos online; 29% em jogos de sorte instantânea; 26% apostam em futebol.

    Impactos familiares, trabalho e endividamento

    O estudo relaciona as apostas a consequências financeiras e sociais dentro dos lares. Para 67% das entrevistadas, as apostas estão ‘acabando com as famílias’ (ante 59% entre homens). Entre impactos percebidos, o relatório aponta aumento de brigas, agressões, mentiras e adoecimento mental, e indica que 23% dos brasileiros conhecem casos em que as apostas contribuíram para violência familiar.

    Quanto ao endividamento, 7% das mulheres apostadoras declararam ter pegado dinheiro emprestado com agiotas para apostar. Entre as impactadas, 8% relatam que elas próprias ou alguém próximo precisou recorrer a agiotas, inclusive filhos endividados com esses credores.

    Gênero, estigma e dinâmica de jogo

    A pesquisa destaca diferenças de gênero no julgamento social: ter filhos tende a atenuar o estigma para homens apostadores, enquanto para mulheres com filhos o questionamento e a culpa costumam ser maiores. A fundadora do estúdio Clarice, Beatriz Della Costa, afirma que isso reflete papéis de cuidado atribuídos historicamente às mulheres.

    Os relatos das entrevistadas descrevem que muitas apostam em segredo por vergonha, o que gera culpa e fragiliza relações. O levantamento mostra também que 30% das apostadoras costumam jogar mais à noite ou de madrugada, contra 20% dos homens.

    Publicidade, acesso de menores e percepções sobre habilidade

    As plataformas de apostas são apontadas como agentes que exploram o desejo de prover dignidade ao lar e prometem ‘renda fácil’. A pesquisa encontrou que 72% das mulheres veem a publicidade das apostas como fator que leva as pessoas a apostar mais do que deveriam. Além disso, 79% dizem ter notado aumento de conteúdo sobre apostas nas redes sociais após seu primeiro contato com as plataformas.

    O estudo identifica uma percepção difundida de que vencer nas apostas exige “habilidade”: 25% das mulheres e cerca de 40% das apostadoras frequentes acreditam ser necessária expertise para ganhar, o que incentiva cursos, coaches e tentativas de especialização.

    Embora a legislação brasileira proíba apostas para menores de 18 anos, o levantamento aponta que crianças e adolescentes chegam a apostar influenciados por terceiros ou através do CPF de um adulto da casa, com ou sem consentimento.

    Percepção pública e propostas apontadas pela pesquisa

    O relatório mostra apoio significativo à proibição ou restrição das apostas online: 62% das mulheres defendem a proibição das apostas online no país, ante 50% dos homens. Entre propostas citadas pelos entrevistados, 45% aprovam o bloqueio de Pix para apostas entre beneficiários de programas sociais e 32% veriam com interesse um canal anônimo de apoio — índice que sobe para 57% entre apostadores frequentes.

    Sobre publicidade, 41% das mulheres concordam que casas de apostas podem operar, mas sem propaganda; entre homens o percentual é 47%. O relatório também recomenda a proibição de cursos e conteúdos que vendem ‘macetes’ para vencer jogos e sugere restrições aos jogos de cassino online, que atraem grande parte das apostadoras.

    Metodologia: o estudo combinou entrevistas qualitativas (60 pessoas, principalmente mulheres de 18 a 58 anos, das classes C, D e E em nove estados) e pesquisa quantitativa nacional realizada em junho e agosto de 2026, com amostragem baseada no Censo 2022 e PNAD 2025 do IBGE.

    Fonte: Agência Brasil, com dados do estúdio Clarice, Estratégia Latina e Instituto Ideia.

  • MPRJ cumpre mandados da Operação Aposta Suja contra esquema de apostas online com R$ 1,4 bilhão em movimentações

    MPRJ cumpre mandados da Operação Aposta Suja contra esquema de apostas online com R$ 1,4 bilhão em movimentações

    O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) realizou, na quinta-feira (13), buscas relacionadas a uma investigação sobre uma organização criminosa que explorava plataformas de apostas online sem autorização. A operação, denominada Aposta Suja, cumpriu sete mandados de busca e apreensão em endereços localizados nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia.

    Alcance financeiro do esquema

    O trabalho de inteligência financeira que embasa o inquérito identificou movimentações superiores a R$ 1,4 bilhão no período entre 2022 e 2026. Essas informações constam no Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que compilou mais de 800 comunicações de operações suspeitas relacionadas às atividades investigadas.

    De acordo com o RIF, mais de R$ 100 milhões atribuíram-se apenas a uma das empresas supostamente envolvidas no esquema, o que demonstra concentração relevante de recursos em entidades apontadas como integrantes da estrutura criminosa.

    Como funcionava o suposto golpe

    Segundo o MPRJ, a organização direcionava os depósitos realizados pelos usuários das plataformas para empresas de fachada, que atuavam como destinatárias dos valores. As plataformas, além de operar sem registro perante o Ministério da Fazenda, teriam impedido clientes de realizar saques dos saldos disponíveis, caracterizando, segundo a investigação, uma fraude contra consumidores.

    Após a captação dos recursos, os investigados teriam utilizado mecanismos destinados a dificultar o rastreamento do dinheiro, entre os quais conversão em criptoativos, pulverização de valores em múltiplas contas e remessas para o exterior. Essas operações, conforme o MPRJ, buscavam reinserir o capital na economia formal por meios que ocultassem a origem ilícita.

    Mandados cumpridos e bens apreendidos

    As ordens judiciais foram expedidas pela 3ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa. No Rio de Janeiro, as equipes do MPRJ apreenderam um automóvel e dois aparelhos celulares. Na Bahia, as diligências resultaram na apreensão de dois carros de luxo, equipamentos eletrônicos e quantia em dinheiro vivo. Em São Paulo, foram recolhidos dois veículos de luxo, relógios, dinheiro em espécie, celulares e outros aparelhos eletrônicos.

    O cumprimento das medidas cautelares teve caráter de busca e apreensão; a reportagem não registrou informação sobre prisões ou indiciamentos imediatos anunciados no ato das diligências.

    Base técnica da investigação

    O principal suporte técnico para a investigação é o relatório do Coaf, que documentou as comunicações de operações suspeitas entre 2022 e 2026. Essas comunicações indicam padrão de movimentações atípicas associadas às empresas e contas relacionadas às plataformas de apostas, permitindo aos investigadores traçar fluxo financeiro e levantar hipóteses sobre os métodos de ocultação de recursos.

    Com base nesses elementos, o MPRJ busca aprofundar as apurações sobre a participação das pessoas e empresas envolvidas, bem como o destino efetivo dos valores transferidos para o exterior e convertidos em ativos digitais.

    Próximos passos e investigação em curso

    A investigação permanece em andamento no âmbito do Ministério Público do Rio de Janeiro. A Operação Aposta Suja deve prosseguir com diligências e análise de material apreendido para identificar responsáveis, quantificar com precisão o efetivo prejuízo às vítimas e, se for o caso, formalizar denúncias à Justiça. A fonte dos fatos é o próprio MPRJ e o Relatório de Inteligência Financeira do Coaf, conforme divulgado pela Agência Brasil.

    Mais detalhes sobre medidas específicas, eventuais medidas cautelares adicionais ou desdobramentos processuais ficarão sujeitos ao andamento dos atos investigatórios e a eventuais comunicações oficiais do MPRJ e das autoridades competentes.

  • Procon-RJ lança cartilha sobre riscos das apostas online e prevenção do superendividamento

    Procon-RJ lança cartilha sobre riscos das apostas online e prevenção do superendividamento

    O Programa de Proteção e Defesa do Consumidor do Estado do Rio de Janeiro (Procon-RJ) divulgou, em 10 de agosto de 2026, uma cartilha com orientações sobre os riscos associados às apostas esportivas e aos jogos de azar praticados pela internet. Intitulada “Apostas Online: Bets e Jogos de Azar – Proteja Seu Dinheiro, Sua Saúde e Sua Família”, a publicação tem como objetivo informar consumidores e familiares sobre como identificar perigos e como evitar o superendividamento.

    O que traz a cartilha

    Segundo o Procon-RJ, o guia explica, em linguagem acessível, o funcionamento das plataformas de apostas e diferencia claramente entretenimento, investimento e jogo de azar. A publicação descreve quais são os sinais de perda de controle por parte do apostador e apresenta recomendações para prevenir que perdas pessoais se transformem em problemas financeiros que afetem o orçamento familiar.

    Mecanismos que mantêm o usuário apostando

    A cartilha chama a atenção para estratégias utilizadas por empresas de apostas que tendem a prolongar o comportamento de aposta. Uma delas é a entrega de prêmios em momentos imprevisíveis, o que gera reforço intermitente e pode levar a recorrentes liberações de dopamina no cérebro, incentivando a pessoa a continuar jogando para tentar o próximo acerto.

    Outro mecanismo destacado é o que a publicação descreve como a armadilha do dinheiro já gasto: após sucessivas perdas, o apostador pode sentir que interromper as apostas significaria aceitar a derrota e, por isso, persiste tentando recuperar o que perdeu. O Procon-RJ alerta que esse padrão pode levar ao aumento gradual das apostas e ao comprometimento das finanças pessoais.

    Prevenção e sinais de alerta

    O material aponta que reconhecer o erro e interromper as apostas é a forma mais eficaz de evitar prejuízos maiores. Também destaca que, com o tempo, apostas pequenas podem deixar de ser suficientes para gerar a mesma sensação de excitação, levando o consumidor a apostar quantias superiores, com potencial impacto no orçamento familiar.

    A cartilha reforça ainda que a participação de menores de 18 anos em apostas online é proibida por lei e traz orientações destinadas a pais e responsáveis para identificar possíveis sinais de exposição precoce a esse tipo de jogo.

    Conteúdo e base técnica

    De acordo com o Procon-RJ, a cartilha foi elaborada com base em evidências científicas e em estudos produzidos por universidades, organismos internacionais e instituições públicas. O órgão afirma que o material reúne conhecimentos multidisciplinares e integra informações alinhadas à legislação brasileira, com foco em proteção do consumidor.

    O guia também faz a ligação entre comportamento de aposta problemático e riscos de superendividamento, oferecendo orientações práticas para evitar que perdas individuais resultem em compromissos financeiros de longo prazo. Além disso, indica a existência de canais de apoio — sem detalhar na matéria quais — para pessoas que identificarem perda de controle sobre as apostas, conforme informado pelo Procon-RJ.

    Ao tornar essas informações públicas, o órgão busca ampliar a conscientização sobre os riscos dos jogos de azar online e facilitar a identificação precoce de comportamentos que podem evoluir para dependência ou danos financeiros.

  • Gastos com apostas online na região metropolitana do Rio chegam a R$ 2,2 bilhões por ano, aponta pesquisa

    Gastos com apostas online na região metropolitana do Rio chegam a R$ 2,2 bilhões por ano, aponta pesquisa

    Um levantamento realizado pelo Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises e divulgado pela Agência Brasil calcula que os gastos com apostas online na região metropolitana do Rio de Janeiro somam R$ 2,2 bilhões por ano. A pesquisa foi aplicada a 1.024 pessoas entre os dias 22 e 25 de junho.

    Volume de recursos e impacto na economia local

    Segundo o estudo, o montante destinado a apostas virtuais equivale a mais de três vezes o valor estimado para as compras de Natal na mesma área, sinalizando uma saída significativa de recursos que deixariam de circular na economia fluminense. O gasto médio por apostador é estimado em R$ 1,2 mil por ano.

    Quem são os apostadores

    A pesquisa mostra que 22,7% dos moradores da região metropolitana já participaram de apostas online — quase um em cada quatro entrevistados. Entre esses apostadores, 65,6% são homens e 34,4% são mulheres.

    Em termos etários, a maior concentração está na faixa de 25 a 34 anos (36,1%), seguida pelos jovens de 18 a 24 anos (24,8%). Quanto ao nível de escolaridade, 66,9% dos apostadores possuem ensino médio completo e 12,9% têm ensino superior concluído.

    Modalidades mais populares e motivos para apostar

    As bets esportivas lideram as preferências, citadas por 60,9% dos apostadores. Jogos de cassino virtuais, como o chamado “tigrinho”, aparecem em segundo lugar, mencionados por 49,4% dos entrevistados. Como a pergunta permitia múltiplas respostas, muitos participantes informaram jogar em mais de uma modalidade.

    Em relação às motivações, 48,7% apontaram a expectativa de retorno financeiro como razão para apostar. Deste grupo, 28,3% dizem buscar ganhar dinheiro rapidamente ou encaram a aposta como um tipo de investimento. Além disso, 20,4% afirmaram usar as apostas para obter renda extra; dos entrevistados que buscam renda adicional, 70% relataram utilizar o próprio salário para financiar as apostas.

    Rendimento, segurança e comportamento diante das plataformas

    Sobre renda, a maior parcela de apostadores recebe entre um e dois salários mínimos (36%), seguida por quem recebe de dois a três salários mínimos (19,7%).

    O estudo também aponta falhas de segurança no comportamento dos usuários: 48,5% dos entrevistados que já apostaram admitiram não checar se a plataforma é legalizada antes de jogar, elevando riscos relacionados à proteção do consumidor e à exposição a sites não regulamentados.

    Medidas municipais e orientações obrigatórias

    Em resposta ao aumento de visibilidade das apostas, a prefeitura do Rio de Janeiro proibiu, desde 13 de julho, a veiculação de publicidade de plataformas de apostas em espaços públicos do município. A medida alcança propagandas em mobiliário urbano, publicidade exterior e outros locais cuja exploração dependa de autorização ou concessão municipal.

    Além disso, as plataformas de apostas esportivas passaram a ser obrigadas a exibir alertas do Ministério da Fazenda em suas campanhas publicitárias. As advertências informam que apostar pode causar dependência, levar à perda de dinheiro e não constitui um investimento — formato semelhante às advertências existentes em propagandas de cigarros e bebidas alcoólicas.

    Os dados e as medidas descritas foram publicados pela Agência Brasil a partir do levantamento do Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises.