A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) realizaram, em 10 de agosto, uma operação para aprofundar apurações sobre aplicações do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) em operações financeiras atribuídas ao Banco Master. A ação, noticiada pela Agência Brasil, envolveu mandados de busca e apreensão e medidas cautelares contra responsáveis ligados ao fundo previdenciário municipal.
Operação e alvos
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), expediu oito mandados de busca e apreensão cumpridos em endereços nas cidades de Alagoas e São Paulo. Foram alvos agentes públicos e pessoas ligadas ao Iprev e a uma consultoria contratada pelo instituto.
- João Felipe Alves Borges — atual secretário de Fazenda de Maceió e membro do Conselho de Administração do Iprev na época dos fatos;
- Ronnie Reyner Teixeira Mota — ex-diretor-presidente do Iprev;
- Gustavo Antônio Rodrigues de Souza — ex-coordenador-geral de Investimentos do Iprev;
- Renan Foglia Calamia — dirigente da consultoria Crédito & Mercado;
- Marília Alexandre de Lima Alves — integrante da Secretaria Municipal da Fazenda;
- Marcelo Brasileiro Santos — membro do Comitê de Investimentos do Iprev.
Segundo a autorização judicial, equipes puderam apreender computadores, discos rígidos, pendrives, telefones pessoais e corporativos, documentos físicos, agendas, contratos e comprovantes financeiros em residências, locais de trabalho e nas sedes do Iprev e da Crédito & Mercado de Valores Mobiliários LTDA.
Detalhes das aplicações e indícios apontados
De acordo com a PF, as apurações envolvem supostas irregularidades em aplicações realizadas pelo Iprev em letras financeiras emitidas pelo Banco Master. A reportagem da Agência Brasil relata valores e informações que, na íntegra, apresentam trechos que merecem atenção: em um momento é citado o montante de R$ 97 milhões relacionado às aplicações; em outros trechos da mesma apuração são indicados aportes de R$ 97 mil em dezembro de 2023 e R$ 17 mil em maio de 2024, além de um bloqueio de bens até o limite de R$ 97 mil. A existência desses números diferentes aparece na matéria da agência e não foi esclarecida no texto consultado.
As investigações buscam identificar as circunstâncias do credenciamento da instituição financeira, do processo de cotação, das análises de risco, das práticas de governança e das decisões que precederam as aplicações. A PF afirma haver indícios de possível direcionamento das aplicações e de exposição excessiva do patrimônio previdenciário a ativos de maior risco e baixa liquidez.
Segundo o despacho do ministro Mendonça reproduzido pela Agência Brasil, as autorizações de aplicação e resgate (APRs) teriam sido preenchidas com justificativas genéricas e padronizadas, sem comparação de alternativas, sem análise adequada de risco de crédito, sem avaliação de liquidez, sem exame da cláusula de subordinação e sem motivação concreta para a escolha do Banco Master.
Medidas cautelares e abrangência
Além das buscas e apreensões, o ministro do STF determinou a indisponibilidade de bens móveis e imóveis e de valores pertencentes aos seis investigados, até o limite global mencionado na decisão judicial. A ordem abrangeu tanto bens pessoais quanto bens vinculados às funções desempenhadas na gestão do instituto.
Foram também recolhidos documentos e mídias que, conforme a autoridade judicial, podem contribuir para esclarecer a participação da consultoria contratada pelo Iprev. A PF sustenta que a Crédito & Mercado participou de etapas do credenciamento, da elaboração e validação de análises e da formação documental das operações junto ao Master, hipótese que a polícia qualificou como possível “terceirização indevida da competência administrativa” do instituto.
Contexto do Banco Master
O Banco Master, referido nas investigações, era controlado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro e foi liquidado extrajudicialmente em novembro de 2025 por decisão do Banco Central. Na ocasião, a autoridade reguladora informou que a instituição havia descumprido normas do Sistema Financeiro Nacional e enfrentava sério problema de liquidez.
Próximos passos e posicionamentos
A investigação segue em curso, com a coleta de elementos probatórios e análise documental em busca de esclarecimentos sobre o processo decisório e eventuais responsabilidades. A reportagem da Agência Brasil informou que não obteve resposta da prefeitura de Maceió nem dos investigados citados até a publicação e deixou espaço aberto para manifestações.
Fonte: Agência Brasil.


